segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Ano-novo

 
 

Ano-novo
 
 
Meia-noite. fim
de um ano, início
de outro. Olho o céu:
nenhum indício.
 
Olho o céu:
o abismo vence o
olhar. O mesmo
espantoso silêncio
 
da Via-Láctea feito
um ectoplasma
sobre a minha cabeça:
nada ali indica
que um ano novo começa.
 
E não começa
nem no céu nem no chão
do planeta:
começa no coração.
 
Começa com a esperança
de vida melhor
que entre os astros
não se escuta
 
nem se vê
nem pode haver:
que isso é coisa de homem
esse bicho
estelar que sonha
(e luta).
 
Ferreira Gullar

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após moderação.