terça-feira, 5 de junho de 2012

O PCdoB e a "teoria dos três campos".


Todos os documentos políticos aprovados nos congressos do PCdoB nos últimos 20 anos (inclusive o da Conferência Estadual de 2011) apontam para a existência de três grandes campos políticos no Maranhão. Esses campos não são caracterizados somente por partidos, pessoas ou grupos políticos, mas também e principalmente pelas concepções sobre a gestão e o desenvolvimento do estado.

São eles: o grupo Sarney como sendo o grupo hegemônico, representando um condomínio de grupos familiares, locais e regionais, que se utilizam da influência do ex-presidente da república e atual presidente do senado José Sarney como o interlocutor nacional e do uso da máquina pública para manter a ferro e fogo o seu poder político.

A concepção de desenvolvimento do estado propugnada pelo sarneísmo baseia-se na opção de atrair, através de incentivos fiscais, grandes projetos e empreendimentos, que seriam os “redentores do Maranhão”. Esse modelo de crescimento desigual beneficia uma pequena parte da população e exclui a grande maioria do trabalho digno e da renda justa. Favorece, portanto, a própria elite política, que se retroalimenta numa relação promíscua entre o público e o privado.

O segundo grupo é formado pela oposição de direita a nível nacional (notadamente o PSDB) e pelas frações oligárquicas que disputam historicamente com Sarney o comando político do estado. Esse grupo, a rigor, não se diferencia do grupo Sarney nos projetos de desenvolvimento e na gestão da coisa pública. Na prática, repetem as mesmas ações do grupo sarneísta, pois compreendem a luta política como uma disputa interna na "classe política tradicional". Como estratégia intra-oligárquica, sempre tentou derrotar Sarney por um atalho, através de um único "golpe"! Acreditam, portanto, que vencer eleitoralmente Sarney seria já a superação do "sarneísmo". Por isso priorizam a "classe política tradicional" em detrimento de um equilíbrio entre a classe política e a sociedade civil e desprezam o conteúdo nacional no debate político interno.

O terceiro campo político é dos setores de esquerda, democráticos, progressistas e os movimentos sociais organizados (sindicatos, igrejas, ONGs, etc.). É onde o PCdoB se encontra. Esse campo sempre foi caracterizado pelo seu fracionamento político, pelo criticismo e esquerdismo em seus gestos e ações. E, pela sua fragilidade eleitoral, sempre se dividiu entre um ou outro grupo oligárquico.

O PCdoB tem se esforçado desde 2008 (contra Castelo, que representa a oposição de direita) e 2010 (contra Roseana Sarney, que representa o grupo hegemônico) em apresentar o que ficou popularmente conhecido como "terceira via" para a política maranhense. O nome do camarada Flávio Dino foi se configurando como a opção viável eleitoralmente para derrotar essas oligarquias. A "terceira via" seria a superação do modo oligárquico de comandar e gerir o estado, apresentando um programa para tirar o Maranhão do atraso em que se encontra há quase um século.

Ao contrário da visão oligárquica, os setores de esquerda, democráticos e progressistas propõem um projeto de desenvolvimento estadual que priorize os arranjos regionais produtivos, com valorização do trabalho e políticas públicas para o povo, equilibrando com os grandes projetos já implementados.
A concepção oligárquica do grupo Sarney e de sua oposição à direita defendem que só há dois campos políticos no estado: os sarneístas e os anti-sarneístas. É a lógica do terceiro excluído, que procura enquadrar os movimentos sociais, os setores democráticos e de esquerda entre uma ou outra oligarquia.

Na atual disputa pela sucessão de São Luís percebemos o movimento de pinça que os dois campos oligárquicos tentam fazer para pressionar o PCdoB a se enquadrar na disputa intra-oligárquica. Nessa lógica mesquinha, se o PCdoB derrotar Castelo fortalecerá Sarney; se apoiar Castelo então derrotará Sarney. Nessa visão não há saída política fora desses dois campos. Ora, o que está em debate é qual a lógica que prevalecerá na luta contra o sarneísmo: o do campo democrático ou da oposição oligárquica?

É óbvio que deve haver uma aliança política para derrotar o sarneísmo, mas não deve ser sob uma lógica dos setores oligárquicos, mas sim sobre os interesses democráticos, progressista e de esquerda. Deve haver um reforço do caminho vitorioso que a duras penas o PCdoB e seus aliados vêm construindo e que é popularmente conhecido como "terceira via" da política maranhense. Essa é a verdadeira renovação, não na idade dos atores, mas na concepção, na essência da visão política sobre o nosso estado.

É por isso que o PCdoB não deve apoiar nem indiretamente João Castelo (PSDB). Deve ajudar a derrotá-lo e submeter esses setores a um novo sentido, desta vez anti-oligárquico. Não se trata, obviamente, de não fazer alianças eleitorais, mas sim de dar sentido a essas alianças, o sentido anti-oligárquico. É somente com a derrota de Castelo que o campo anti-oligárquico vai se posicionar de maneira efetiva, com a força política dos seus ideais, para derrotar a oligarquia Sarney e começar a construir um novo momento para o nosso estado.

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