sexta-feira, 18 de maio de 2012

Marcio Pochmann: ‘Ascensão da classe trabalhadora dá sinais de esgotamento’




Prestes a disputar a eleição municipal em Campinas, o economista Marcio Pochmann, presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), nega a existência de uma nova classe média no Brasil em seu novo livro "A Nova Classe Média?", da Editora Boitempo.

Na obra, o economista defende a tese de que a mudança social dos últimos oito anos não resultou na criação de uma nova classe média no País. Segundo ele, os empregos gerados nos últimos anos criaram uma classe trabalhadora consumista, individualista e despolitizada. Esse movimento de ascensão da classe trabalhadora, segundo Pochmann, apresenta sinais de esgotamento, e agora o governo deve buscar outras maneiras de gerar emprego.

O economista deve sair em breve do Ipea, onde está desde 2007, para concorrer à prefeitura de Campinas pelo PT. O livro será lançado no próximo dia 29, durante debate na sede da PUC, em São Paulo.

CartaCapital: O senhor fala que há um despreparo das instituições democráticas para canalizar os interesses da nova classe trabalhadora. Por quê?

Marcio Pochmann: Estamos observando uma despolitização nesta ascensão social no País. Ela vem envolvida nos valores do mercado, e não poderia ser diferente. Foi assim nos anos 70. Naquela época, havia uma ação mais direta das instituições, o que nós não estamos vendo hoje. Há um despreparo das instituições para lidar com esse segmento que, possivelmente, liderará o processo político brasileiro. De alguma forma, esse segmento conduzirá a política brasileira. Seja pela direita, seja pela esquerda.
Os sindicatos, associações de bairro e partidos políticos estão observando esse avanço social que não se traduz em aumento das filiações nos sindicatos, nas associações de bairros, nos partidos políticos.
Veja que cerca de 1 milhão de jovens ingressaram na universidade através do Prouni. Isso é uma ascensão na universidade, mas se traduziu na ampliação e reforço do movimento estudantil? A gente não observa isso.Acontece a mesma coisa em relação aos leitores. Houve um avanço de mais de 40 milhões de leitores no Brasil, mas a ampliação da mídia escrita não se traduziu nesse mesmo sentido.

CC: Há uma explicação para isso?

MP: As instituições democráticas não entenderam ainda o que tem sido essa mobilidade social. Como nós temos pouco conhecimento, não temos uma ação mais identificada. Os sindicatos acabam sendo mais defensores do passado que protagonistas do futuro porque não conseguem criar um diálogo com esse segmento. É um desafio evidente para todos nós.

CC: O senhor fala que a classe trabalhadora é consumista. Isso é necessariamente ruim?

MP: Não, é um movimento natural que ocorre quando você não tem a politização, consegue um emprego e tem a elevação da sua renda. Você entende como sendo resultado do seu esforço individual quando, na verdade, nós sabemos que a geração e a elevação da renda dependeram de um acordo político, de uma decisão política, de um resultado eleitoral.
Portanto, o que eu quero chamar a atenção é que essa manifestação que se observa de forma mais clara é natural do ponto de vista da individualidade de cada um. Mas se não vem acompanhada de um processo de conscientização, essa ascensão pode ao mesmo tempo retroagir ou ser encaminhada para uma visão de sociedade muito diferente da que levou a uma ascensão social recente.

CC: Porque as pessoas identificam a ascensão como resultado do próprio esforço individual…

MP: Esse é o papel da politização, até porque você percebe que as coisas foram feitas com esses segmentos. Eles são favoráveis ao crescimento, ao emprego e assim por diante. Mas na questão dos valores mais amplos da política, como pena de morte, eles majoritariamente estão atrelados a visões muito ultrapassadas.

CC: A maior parte dos empregos gerados foi com rendimento próximo a um salário mínimo. Como o governo pode gerar empregos com melhor remuneração?

MP: Primeiro quero dizer que foi muito bom ter gerado esses empregos acompanhados da formalização e do aumento do salário mínimo, tendo em vista o estoque de desempregados que nós tínhamos. Nos anos 2000 eram praticamente 12 milhões de pessoas desempregadas. Se o Brasil não gerasse esse tipo de oportunidade, se gerasse empregos de classe média, que exigem maior escolaridade, esse segmento que ascendeu não teria ascendido. Mas esse movimento está apresentando sinais de esgotamento. Porque a questão fundamental neste momento é a ampliação dos investimentos para aumentar a capacidade produtiva. E o aumento de investimento, novas fábricas, novos avanços da produção vêm acompanhados de inovação tecnológica, maior exigência de qualificação, maior demanda de trabalhadores com escolaridade, portanto maiores salários e ocupações melhores.

CC: No livro, o senhor diz que as pessoas que acenderam socialmente nos últimos anos não podem ser consideradas de uma nova classe média. Por quê?

MP: Uma classe média tem ocupações diferentes dessas que foram geradas. Se fossem vinculadas a bancários, professores ou dirigentes de empresas, possivelmente nós poderíamos associar isso a classe média, mas não foram essas ocupações que deram razão a essa mobilidade social.
No caso brasileiro, parcelas significativas das ocupações não são geradas pela indústria, mas sim por serviços. Por isso, entendemos que são novos segmentos no interior da classe trabalhadora. A classe média tradicionalmente tem uma estrutura muito diferente desses segmentos novos que surgiram no Brasil. Ela tem mais gastos com educação e com saúde. O peso da alimentação é muito menor do que o que se identifica nesse segmento de renda de até 1,5 ou 2 salários mínimos mensais.
Ao mesmo tempo, a classe média poupa, não gasta tudo que ganha. Nela, a elevação da renda não se traduz necessariamente na elevação do consumo. Especialmente porque os bens que mais têm sido dinamizados no país, como eletrodomésticos, são bens que a classe média já possui. Então a classe média poupa. E isso é uma diferença que nós não identificamos nos segmentos agora em ascensão.
A classe média tem ativos e patrimônio. São várias características que infelizmente nós não conseguimos observar nesses segmentos que estão ascendendo. E são segmentos que, ao nosso modo de ver, dizem respeito à classe trabalhadora, tal como foi o padrão de expansão do Brasil nesses últimos dez anos.

CC: Essas particularidades mudam, alguma forma o foco das políticas voltadas a essa parcela da população?

MP: Esse debate, de como se identifica essa ascensão social no Brasil, tem implicações evidentes no posicionamento do Estado brasileiro, das políticas públicas. Se nós identificarmos essa ascensão como um movimento vinculado à classe média, certamente o papel do Estado estaria ligado à difusão dos serviços privados, por intermédio de subsídios, como através do Imposto de Renda, que subsidia gastos do setor privado da classe média. Hoje é possível descontar despesas de educação, saúde e previdência privada. São interesses diferentes da classe trabalhadora, que são por bens públicos de interesse coletivo: saúde pública, educação pública, transporte público.

CC: Quando o senhor deve sair do Ipea para se dedicar à campanha?

MP: Essa é uma resposta que eu não tenho condições de dar. Até o 6 de julho, eu sei que tenho que sair inexoravelmente. O dia que eu vou sair depende da presidenta, estou aguardando o posicionamento dela.

CC: O senhor até hoje só tinha ocupado cargos técnicos e agora está tentando a sua primeira eleição. Por que tomou a decisão de ser candidato?

MP: Eu me considero um intelectual de perfil engajado. Foi a partir de uma conversa com o próprio presidente Lula, em que ele chamava atenção às mudanças que o Brasil estava passando no começo desse século. As mudanças são muito diferentes daquela que o Brasil estava passando nos anos 70, começo dos 80, quando o PT foi criado. Hoje temos um ciclo de lideranças que foram forjadas num Brasil que quase não existe mais. Existe uma necessidade de renovação do PT, especialmente quando o partido está no auge ainda.
E tem também, outro lado. Em geral, a prefeitura existe como um cargo com menor visibilidade quando se compara com o Executivo estadual e nacional. No caso do Brasil, uma federação, o exercício de um mandato na prefeitura é absolutamente fundamental. Quando se lança uma política pública, se fala da experiência em determinada localidade, para saber se dá certo, dá errado, de poder tornar um programa de abrangência nacional. Temos uma oportunidade de testar experiências inovadoras no ponto de vista da administração pública a partir da experiência local. Campinas é uma cidade que permite essa oportunidade de iniciar um ciclo de inovações em políticas públicas que são necessárias para o Brasil de hoje.

CC: O senhor foi indicado pelo presidente Lula, a exemplo do que aconteceu em São Paulo com o Fernando Haddad. Há setores do partido que se incomodam com essas decisões tomadas com base no desejo do ex-presidente.

MP: No meu caso, tive essa conversa com o presidente Lula e depois comecei uma conversação longa com os militantes, com o PT na cidade de Campinas e tanto assim que me submeti a uma prévia dentro do PT com outro candidato. Foi a prévia com a maior participação na cidade de Campinas e maior apoio a um candidato. Porque participei de um processo interno democrático, aprendi muito, gostei.

CC: Tem falado com o ex-presidente?

MP: Eu estive com ele há duas semanas e conversamos um pouco sobre esse período pós-prévia, organização da campanha. Ele manifestou desejo de apoiar da melhor forma que puder.

CC: A presidenta Dilma já disse como será a presença dela na campanha?

MP: Eu ainda não tive essa oportunidade. Estou esperando o momento oportuno para conversar com ela.

CC: Quais partidos vão fazer parte da aliança?

MP: Também não há definição. A gente ainda começa a ouvi-los, vai consultar vários partidos e fazer o balanço das oportunidades para partidos. E tem tempo para a definição até julho, na verdade.

CC: Campinas teve um prefeito cassado recentemente, Dr. Hélio (PDT). Haveria algum constrangimento em se aliar ao PDT?

MP: Não. Na verdade, eu imagino que a discussão nesse âmbito da prefeitura se deu no passado, embora isso seja um elemento a ser discutido. Se nós ficarmos discutindo o passado, não teremos respostas para o futuro. Quero ser um candidato do futuro, ter respostas para a sociedade. O passado serve só para a gente não repeti-lo nem cometer os mesmo erros.

Por Pedro Lucatelli
Publicado 17.05.2012


Fonte: CartaCapital

http://grabois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=10&id_noticia=8888#.T7WKt9xumRE



domingo, 6 de maio de 2012

A religião pós-moderna: "salvar a natureza".



Com a proximidade da conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente, Rio + 20, o debate sobre sustentabilidade, meio ambiente, defesa das florestas etc., vai ganhando contornos irracionais e fora de qualquer parâmetro de mínimo pensamento.

A última bobagem que acabo de ler sobre o tema está publicado na Folha de S.Paulo deste domingo. Uma entrevista com o biólogo britânico John Sulston, Prêmio Nobel de 2002 por estudos com vermes. Sem meias palavras Sulston defende que só há saída para o meio ambiente se houver um controle sobre o aumento da população e o consumo. Em outras palavras: o súdito da rainha espera que os países em desenvolvimento parem de crescer e ainda parem de ter filhos...

Sulston retoma uma velha tese do seu conterrâneo Thomas Malthus ( 1766-1834) segundo qual o crescimento populacional seria uma espécie de "praga biológica" e que o planeta ( e não o capitalismo!) não poderia resistir a essa quantidade de humanos. O velho e surrado malthusianismo racista e classista está de volta para salvar a natureza...

Esta é a nova religião da pós-modernidade: salvar o planeta, a natureza, o meio ambiente, as florestas, os animais, os rios... Já se transformou em senso comum a idéia idiota e estúpida de que o "homem vai destruir o planeta"!!!! Em nome dessa nova religião não há diferenças ideológicas ou de classe. Esquerda e direita estão de braços juntos nessa empreitada. Os primeiros por inocência útil e os segundos por puro oportunismo. O vídeo do ex vice presidente dos EUA, Al Gore, já é um clássico da "denúncia" sobre o "aquecimento global"... Sarney Filho é a vanguarda na defesa das florestas... ONGs pagas a peso de ouro na Europa e nos EUA para difundir "santuarismos" na África e na América Latina - condenando esses povos a uma implacável divisão internacional do trabalho e do saber- são consideradas "progressistas" entre os nativos ingênuos...

Basta olhar as atas da Organização Mundial do Comércio (OMC) e veremos claramente que parte considerável das barreiras comerciais aos produtos primários dos países pobres são alvos de "restrições ambientais" impostas pelos lobbies e corporações de agricultores de países ricos. O etanol brasileiro sofre com "restrições ambientais" por parte dos produtores do etanol de milho norte americanos. São essas corporações que investem em ONGs para garantir seus contratos bilionários subsidiados pelos países ricos e industrializados. Esses mesmos países que há muito destruíram suas florestas e mataram seus animais agora querem responsabilizar os pobres, negros e latinos pela destruição do planeta!!!

Para deixar as cartas sobre a mesa: do ponto de vista ontológico é IMPOSSÍVEL o homem destruir a natureza, o planeta etc.. Abstraindo a idade total do universo e do nosso planeta, fazendo um recorte somente da parte que existe vida na Terra, o ser humano nem sequer foi o maior desafio que a vida já enfrentou neste planeta. Mudanças climáticas, extinção em massa de expécies vivas, catástrofes planetárias e desastres naturais que já afetaram nosso planeta, deixam as ações humanas de depredações como um simples arranhão em um tanque de guerra. 

A única coisa que pode acontecer, sem dúvida, é nosso modo de vida se autodestruir na barbárie do capitalismo imperialista! O ser humano pode se destruir... O planeta e a vida continuarão tais e quais como há bilhões de anos.
Qualquer ação que vise despoluição ou conservação da natureza que não leve em consideração a alienação do trabalho pelo capital é inútil e ineficaz. Nós não precisamos salvar a natureza, precisamos salvar nós mesmos, a humanidade. Preservar a natureza é uma ação utópica de quem não quer discutir as causas reais da degradação humana.



sexta-feira, 4 de maio de 2012

O grito de US$ 120 milhões de dólares.



Fiquei impressionado com o valor do quadro. A obra do pintor expressionista norueguês Edvard Munch é a mais cara obra de arte da história. De uma série de quadros pintados em 1893, "O grito" representa de forma sintética todas as idéias que compõe o pano de fundo do expressionismo: a visão distorcida da subjetividade, o arrebatamento do inconsciente, a irracionalidade do humano e a deformação emocional da realidade pelo indivíduo. A figura desesperada que grita, funde na sua agonia o céu e o mar, que juntos deformam-se para compor a cena. A dor e o desespero estão estampados nas cores fortes e nos gestos deformados. Sem dúvida é uma cena impressionante!

Mas por que essa obra custou tão caro? Será o expressionismo a maior corrente artística do nosso tempo? Será Munch o maior de todos os pintores? Ou será apenas especulação do capital no mercado das artes?

São as duas coisas ao mesmo tempo!

No mercado de grandes obras de arte prevalece a mesma lógica do sistema capitalista como um todo, isto é, as obras viram mercadorias, no caso específico das artes, commodities artísticas. O capital acumulado procura realizar seu lucro não na liquidez imediata, mas na sua transformação em capital simbólico, que acumula valor dado o monopólio da exclusividade da peça e do circuito cultural da sua valorização, como bienais, exposições etc., onde o grupo de investidores espera a realização do lucro futuro.

Segundo o pensador marxista inglês David Harvey no livro a Condição pós-moderna (Loyola, 1992), a renda do monopólio ocorre quando um produtor pode gerar um aumento constante de superávit e, em consequência disso, maior renda ao longo do tempo, através da exclusividade da sua mercadoria. Isto pode ser atingido quando se é o único produtor ou detentor de certa commodity, no âmbito de uma economia regional, ou através da singularidade de uma marca numa economia mais global. Aqui lidamos com uma culturização de commodities bem como com a mercantilização da cultura. Portanto, para decepção dos amantes da pintura, não foi um expert em artes que adquiriu o quadro, mas sim um grupo de investidores na procura de salvar o rendimento dos seus clientes ante a crise que afeta os EUA e a Europa.

Mas também há um elemento espiritual nessa aquisição. "O grito" representa o momento atual da nossa civilização capitalista, globalizada e neoliberal. A barbárie, o desespero e a falta de perspectiva que abala particularmente o velho mundo, reduzido a joguete nas mãos brutas do capital financeiro, estão expressos, como vimos, na obra de Munch.
Por um viés que algum dia será explicado, a obra de arte mais cara que o capital pode inventar é a imagem mesma, subconsciente, do sistema que agoniza ante sua própria exuberância irracional.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Reflexão sobre o aumento da renda dos trabalhadores no Brasil



Se tomarmos os dados recém divulgados pelo IBGE 2000-2010 (www.censo2010.ibge.gov.br/) sobre o rendimento médio dos trabalhadores e a formalização dos seus direitos, então podemos entender um pouco melhor os resultados da década do "social-desenvolvimentismo" dos governos Lula e Dilma e a alta aprovação dos seus governos.

Os dados apresentam a comparação entre o fim da década neoliberal - que abrange os governos de Collor, Itamar e FHC - e os resultados consolidados dos dois governos Lula. Os dados mostram que nos últimos 10 anos apareceram mais empregos formais. O percentual de empregados na população ocupada cresceu de 66,6% em 2000 para 70,8% em 2010. Já a segunda maior parcela da população ocupada, formada pelos trabalhadores por conta própria, caiu de 23,5% para 21,5% respectivamente.

A categoria com carteira de trabalho assinada aumentou sua participação no contingente nacional de empregados de 54,8% para 63,9% de 2000 para 2010. Desse contingente, a maioria tem salários indexados ao salário mínimo, que teve ganhos reais de 53, 67% desde 2003 conforme o DIEESE (www.dieese.org.br). O aumento do salário mínimo e o crescimento dos empregos formais aparecem nos dados do IBGE como aumento do rendimento médio mensal de todos os trabalhos das pessoas ocupadas com rendimento de trabalho, que foi de R$ 1.345 em 2010, contra R$ 1.275 em 2000, um ganho real de 5,5%, isto é, descontada as perdas da inflação.

 Em contrapartida, houve uma diminuição quantitativa dos militares e funcionários públicos estatutários no conjunto dos trabalhadores, que passou de 8,5% para 7,6%, descaracterizando o argumento da ortodoxia neoliberal segundo qual o estado está "inflacionado de funcionários" e chamando atenção dos sindicatos para a relativa perda de peso desses setores no conjunto dos trabalhadores.

Se esses dados fossem vistos por si mesmos, talvez não registrassem grandes feitos, uma vez que as distorções e desigualdades da nossa nação são enormes e a solução para esses problemas deve ser algo mais do que está sendo feito... Entretanto, se colocarmos como pano de fundo a situação internacional de crise nos principais centros do sistema capitalista, então o resultado brasileiro é inovador e merece distinção.

A taxa de desemprego nos 17 países que usam o euro atingiu 10,9% em março, igual ao recorde registrado em abril de 1997, sendo o pior resultado desde a criação do bloco. Já os EUA, segundo relatório da OIT, precisariam criar cerca de quatro milhões de empregos para voltar aos níveis pré-crise. Assim, em que pese a vacilação petista quanto ao sentido do desenvolvimento nacional e a qualidade desses postos de trabalho, o aumento da renda e de trabalhadores formais no Brasil destaca-se como positivo nesse contexto.
No que diz respeito a empregabilidade e a distribuição de renda via valorização do salário mínimo, importa mais o que pode ser feito do que propriamente o que já se fez. O caminho já trilhado mostra a possibilidade de um deslocamento da economia nacional do sistema de "crédito-câmbio-juros" neoliberal, revertendo à lógica da especulação para uma efetiva valorização do trabalho, abrindo caminho para um projeto autônomo de desenvolvimento econômico e social da nação.

Mas como todos sabem isso é uma questão política e não simplesmente econômica.