segunda-feira, 19 de setembro de 2011

PCdoB: Enfrentar a crise mundial impulsionando o desenvolvimento nacional.




A grande crise do capitalismo iniciada em 2007-2008 continua regendo a dinâmica econômica, financeira, social e política do mundo. Depois de uma anêmica recuperação no ano passado – que levou os ideólogos do status quo a proclamarem a superação daquele grande abalo –, a economia mundial, em 2011, caiu numa recidiva e a crise vive, agora, sua segunda fase aguda.

Em 2008, com o simbolismo da falência do banco de investimentos Lehman Brothers, deflagrou-se um efeito dominó de quebradeiras cujo apogeu foi em 2009. Faliram grandes bancos, seguradoras e, também, robustas empresas do setor produtivo por conta das gigantescas operações especulativas de derivativos oriundos da regra-mor do neoliberalismo: a desregulamentação e liberalização dos mercados. Desde então, os Estados dos países do centro capitalista tiveram de injetar trilhões de dólares para socorrer e salvar grandes monopólios e o sistema financeiro privado.

A segunda fase aguda da crise

Longe de os riscos se dissiparem, agora em 2011 a situação se agravou. Está a todo vapor a segunda fase aguda da crise cujo epicentro é o denominado “primeiro mundo”, o centro do sistema, formado pelas grandes potências capitalistas. No presente, a diferença é o fato de essa crise – além de persistir nos Estados Unidos da América – se agravar na União Europeia e Japão. A Europa, em particular, é duramente castigada. Inicialmente foram afetados os países da periferia da Zona do Euro, agora, foram golpeadas a Itália e a Espanha.

As manifestações dessa atual etapa da crise são: elevada dívida pública dos Estados Unidos e dos países da União Europeia; desaceleração da economia do centro capitalista, estagnação e risco de recessão global; onda sucessiva de inadimplências; instabilidade e enfraquecimento do dólar; guerra cambial e protecionismo econômico; desemprego crescente e aumento da exploração sobre os trabalhadores. A margem de manobra deste conturbado centro capitalista restringiu-se. Na esfera dos juros, suas taxas já beiram a marca do zero; no plano dos investimentos, eles têm dificuldades, pois os Estados se endividaram para socorrer a quebradeira do setor privado. Esta transferência significa que tesouros e bancos centrais de todo o mundo já gastaram US$ 12,4 trilhões até agosto último.

A análise marxista inscreve essa crise como uma das três maiores já enfrentadas pelo capitalismo, fato que agrava seus paradoxos e contradições. Contudo, as crises fazem parte dos ciclos do capital e, independentemente de suas intensidades, o capitalismo não se destrói por si mesmo. Se não for confrontado por alternativas distintas, que abram um novo ciclo político e econômico, que leve a rupturas do sistema, ele encontra sempre saídas, provocando maiores desastres econômicos, sociais e políticos, para prosseguir com seu processo de expansão.

Ultraliberais continuam no comando político

O neoliberalismo, embora desmoralizado pelo fracasso, recrudesceu no centro capitalista. A lógica de Wall Street, isto é do rentismo, permanece hegemônica. As promessas de alguma regulação do sistema financeiro não passaram de procedimentos cosméticos, não interferindo na mudança da sua natureza. Os ultraliberais responsáveis pela crise continuam à frente do comando político de grandes potências. Nos EUA, Obama se curvou à onda neoconservadora, e os setores mais reacionários do país – como o Tea Party – ganham força. Exigem mais absolutismo do mercado. Do outro lado do Atlântico, no Velho Mundo, a direita domina o cenário político, inclusive com o inchaço de bolsões neonazistas.

Essa hegemonia condiciona fortemente as tendências, os desdobramentos e possíveis cenários decorrentes do atual quadro. Embora na Europa e, no Oriente Médio, haja descontentamento e revoltas sociais, o que prevalece até o momento é a ausência de uma alternativa política condutora do campo patriótico, democrático e progressista. Só forças políticas novas, orientadas por concepções e projetos alternativos aos paradigmas neoliberais, podem enfrentar, romper e superar a lógica liberal reinante.

Ganha velocidade a transição no sistema de poder mundial

Todavia, dialeticamente, em função da profundidade da crise no centro do sistema, como aspecto alentador e progressista, ganha velocidade a transição que se opera no sistema econômico e político internacional. A crise acelera o já constatado declínio progressivo e relativo da hegemonia do imperialismo estadunidense e, simultaneamente, cresce o papel da República Popular da China – país socialista –, pela pujança da sua economia (2º PIB mundial) e sua ascendente influência geopolítica.

Embora também sofra os efeitos danosos da crise, a chamada periferia do sistema capitalista – notadamente, Índia, Rússia, Brasil, África do Sul e a já citada China – enfrenta-a com resultados favoráveis ao crescimento econômico. Sinal dos novos tempos é o fato de os países componentes do BRICs anunciarem que vão debater formas de ajudar a União Europeia a enfrentar a crise econômica.

Sublinhe-se que na América Latina se mantém e até se amplia o leque de países governados por lideranças e blocos de forças que lutam pelo desenvolvimento soberano e democrático. Vai ficando para trás a supremacia unipolar dos EUA e cresce a tendência a um mundo multipolar. Todavia, é preciso sublinhar que o declínio de uma supremacia imperialista hegemônica mundial não transcorre de modo pacifico e poderá se estender por longo período histórico, devido ao fato de ainda ser uma potência militar, econômica e tecnológica, além da influência ideológica que exerce no planeta por inteiro.

Resultante disso temos um cenário internacional contaminado pela instabilidade, ameaças e pelo risco de grandes perigos. As guerras de ocupação contra o Afeganistão, o Iraque e, agora, a intervenção ostensiva da OTAN na Líbia e as ameaças de intervenção contra a Síria, sob a falsa defesa da democracia e dos direitos humanos, demonstram que os EUA poderão recorrer cada vez mais às armas, visto que ostenta de longe a condição de maior potência bélica.

Crise exige audácia do Brasil

Neste contexto – em que as grandes potências tentam lançar o ônus da crise sobre os ombros dos trabalhadores e buscam aumentar o saque sobre os demais países – é que se exige mais audácia política e independência das nações da chamada periferia do sistema, como é caso do Brasil. Assim agiu Getúlio Vargas na grande crise de 1929-1930. E, do mesmo modo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na primeira fase aguda da crise, em 2008. Na atualidade, o país já recebe os impactos da crise.

Constata-se a desaceleração de seu crescimento econômico, com suas conseqüências, como a queda da oferta de postos de trabalho e retração da atividade industrial. O governo Dilma, como será demonstrado a seguir, reage e adota medidas em defesa do país.

A presidente Dilma firma sua autoridade e liderança

Quando esta segunda fase da crise acossa e atinge o Brasil, um fato relevante vai se impondo na realidade brasileira: a presidente Dilma Rousseff firma sua liderança e autoridade em relação tanto à sua base política, partidária e social, quanto ao povo de quem recebe amplo apoio.

Esta afirmação da presidente e de seu governo decorre de três fatores principais. Primeiro, ela enfrenta com vigor as pressões da oposição e de seu poderoso braço midiático no sentido de ditar ao governo a agenda prioritária – que para isso manipulam a justa e necessária bandeira de combate à corrupção, para incompatibilizar a presidente com sua base política de apoio. Estratagema que ficou massificado com o bordão da “faxina”.

Dilma reagiu, demonstrando de modo prático que o combate à corrupção é uma questão de princípios. “A “faxina” é realizada no dia a dia, combatendo as práticas criminosas, os corruptos e corruptores toda vez que se apresentem. Para tal é preciso continuar qualificando o Estado para ele a um só tempo exercer seu papel empreendedor e suas ações vigorosas em defesa do patrimônio público. Todavia, a pauta que deve reger o país, proclama Dilma, é a do desenvolvimento, distribuição de renda e erradicação da pobreza. Esta é a prioridade.

A liderança de Dilma também se eleva à medida que seu governo empreende a defesa crescente do Brasil e de sua economia ante a recidiva da crise. De início, lançou o Programa Brasil Sem Miséria, que pretende retirar 16 milhões de brasileiros da extrema pobreza; depois, o Plano Brasil Maior, um elenco de medidas visando a defender e impulsionar a indústria nacional, vitimada pela política cambial e problemas estruturais, como a defasagem tecnológica. Movimenta-se para melhorar a qualidade do Sistema Único de Saúde (SUS) buscando fontes de mais recursos e a regulamentação da Emenda 29. Também persegue o objetivo de uma educação pública e de qualidade para todos os brasileiros. Progressivamente, vão se delineando e se ampliando, como se verá, as linhas de enfrentamento da crise e de defesa do país. Nesta dinâmica, a presidente dialoga e se aproxima mais de sua base política e partidária e interage com as entidades e lideranças do movimento social e sindical.

Acontecimento promissor: a redução dos juros

Acontecimento impactante e promissor que abre boas perspectivas é a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) – adotada no último 31 de agosto – de reduzir de 12,5% para 12% a taxa básica de juros, a Selic. Essa redução visa manter o crescimento do país e se deu na contramão das expectativas do mercado financeiro, que reagiu com seu poder de fogo. O governo retira o ensinamento de 2008, quando, em pleno momento agudo da crise, o Banco Central (BC) ainda aumentava os juros, levando à recessão em 2009.

A presidente Dilma empreende um movimento que afronta a concepção neoliberal: ela promove uma ação sincronizada entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central, entrelaça a política fiscal com a política monetária com o fito de promover uma queda sequenciada dos juros e manter sob controle a inflação, e tenta conter a onda corrosiva que vem de fora, lutando por metas de crescimento e de geração de empregos.

Seu objetivo explicitado é de até 2014 livrar o país da condição absurda de ser campeão mundial dos juros altos, reduzindo a taxa real ao patamar dos índices internacionais. Simultaneamente, o governo busca livrar o Brasil de outra algema: atua para desatrelar a dívida pública da Selic. Atualmente, 30% das Letras Financeiras do Tesouro (LFT) são corrigidas por ela. Estes títulos prejudicam a ação do Banco Central sobre os juros e premiam os rentistas com ganhos sem risco algum. Tais iniciativas do governo Dilma expressam uma importante vitória política nesta fase decisiva de seu mandato.

No horizonte: a possibilidade de um novo pacto político e mudanças na macroeconomia

A luta pela redução dos juros e pela desindexação da dívida pública instaurou uma batalha política e de ideias, mais de fundo. A reação agressiva dos círculos dominantes financeiros e de seus agentes deriva de tais medidas abrirem caminho para uma mudança da atual política macroeconômica. Ela surgiu concomitantemente ao Plano Real, em 1994. O país vivia sob uma torrente inflacionária, circunstância na qual os banqueiros e as camadas ricas da sociedade ganhavam somas fabulosas com a especulação, e a maioria do povo tinha seus salários engolidos pela desvalorização cotidiana da moeda.

Houve, então, um acordo tácito entre aqueles que dirigiam o Estado brasileiro e os círculos financeiros mais poderosos. A estabilidade da moeda nasceu com uma salvaguarda para os ganhos dos credores, banqueiros e especuladores: as estratosféricas taxas de juros. Ao mesmo tempo, elas representam um pesado ônus fiscal para a maioria da Nação, um obstáculo ao desenvolvimento pleno nacional.

Mas a crise, dialeticamente, cria a oportunidade de substituição daquele referido arranjo conservador entre o Estado e os círculos financeiros dominantes por um pacto político novo, hegemonicamente constituído pelos trabalhadores e o setor produtivo empresarial nacional.

Este pacto pode ser o alicerce para a realização de um conjunto de objetivos mais ousados e presentes no compromisso da presidente Dilma de conduzir o Brasil para um estágio mais avançado de seu desenvolvimento.

Este novo pacto político se forjará na luta por grandes bandeiras unificadoras de maiorias políticas e sociais. O protagonismo do povo e dos trabalhadores, de seus movimentos e jornadas, com a autonomia de suas entidades, é indispensável para estimular e instigar o governo a realizar as reformas democráticas estruturais, e sustentá-lo nessa direção.

Nesse sentido é preciso dar prosseguimento ao empenho que têm produzido, nos últimos meses, importantes mobilizações dos trabalhadores e da juventude, entre as quais se destacam a manifestação dos 80 mil trabalhadores na cidade de São Paulo, organizada pela quase totalidade das centrais sindicais; a Marcha das Margaridas com cerca de 70 mil camponesas; e a passeata dos estudantes, por mais recursos para a educação, liderada pela UNE e pelas UBES, ambas em Brasília.

Na visão do PCdoB, na atualidade, esta é a tarefa principal das forças progressistas e populares, em especial da esquerda: impulsionar o governo a liderar a conformação desse novo pacto político capaz de empreender avanços estruturais no país e municiá-lo das medidas apropriadas para o enfrentamento da crise econômica e financeira, como a queda progressiva dos juros, a desindexação da dívida pública da taxa Selic, a adoção de métodos e expedientes que garantam um câmbio competitivo, aumento contínuo dos investimentos, da geração de empregos e da distribuição da renda.

Nesse sentido, cabe ao Partido se empenhar pela realização das seguintes tarefas:

1) Impulsionar o governo a aproveitar a janela de oportunidade aberta pela crise para fazer avançar o Projeto Nacional de Desenvolvimento. Fortalecer a autoridade política da presidente Dilma Rousseff no enfrentamento das consequências da crise mundial sobre o país e para que seu governo venha a liderar a formação de um novo pacto político e social que proporcione ao Brasil avanços estruturais e históricos, como a mudança da política macroeconômica. Para isso, é preciso unir a base política do governo, contar com a mobilização e a luta do povo e realizar as reformas democráticas estruturais. Entre elas, uma reforma política que amplie a democracia, fortaleça o pluralismo e os partidos e combata a corrupção com o fim do financiamento privado das campanhas e adoção do financiamento público exclusivo.

2) Defender o Brasil, e a sua economia, ante os efeitos da crise. Lutar pela redução seqüencial dos juros bancários e da taxa básica, a Selic. Apoiar o objetivo do governo de até 2014 fixar os juros no patamar médio internacional e de igual modo respaldar sua decisão de desindexar progressivamente a dívida pública da taxa Selic no menor tempo possível. Alterar a política cambial, compatibilizando-a com os interesses da produção nacional. Ampliar as normas e medidas que restrinjam o livre fluxo de capital especulativo no país. Empenhar-se para elevar a taxa de investimentos, pelo menos ao marco de 25% do PIB, sendo que os investimentos públicos devem ser ampliados e aplicados em áreas e programas estratégicos do projeto nacional. Aprofundar as medidas constantes do Plano Brasil Maior para ampliar os investimentos na inovação e no aumento da competitividade industrial, perseguindo o objetivo de estruturação de um parque industrial moderno, de alta produtividade. Impulsionar, atualizar e alocar os investimentos necessários para a implementação do Plano da Amazônia Sustentável. Gerar empregos, distribuir renda e valorizar o trabalho.

No curso desse conjunto de medidas e metas, abrir caminho para a mudança da política macroeconômica. No plano internacional, dar continuidade à política externa altiva, de afirmação da soberania nacional, de condenação das guerras imperialistas e de defesa da paz mundial; à participação destacada nas articulações de países em desenvolvimento por soluções que resguardem o direito ao desenvolvimento soberano das nações, defendendo-as da crise mundial; intensificar o processo de integração solidária dos países da América Latina, sobretudo na presente conjuntura, através de medidas convergentes para defesa da economia da região diante do recrudescimento da crise capitalista. Noutro plano, são necessários esforços para oferecer ao coletivo militante espaços e oportunidades para melhor capacitá-lo na compreensão da dimensão da crise e de sua participação na luta de ideias em curso.

3) Apoiar e estimular as lutas e mobilizações do povo e dos trabalhadores, como foram as exitosas jornadas de lutas dos estudantes, a marcha das Margaridas e a marcha dos trabalhadores, todas realizadas no último período. Para isso devemos seguir fortalecendo os espaços de articulação unitária, especialmente a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) e o Fórum das Centrais Sindicais, e reforçar a constituição ou consolidação dos fóruns estaduais do movimento social do Partido. Merece, neste momento, especial atenção a luta por mais recursos para a saúde pública, para a construção de moradias dignas para o povo, a defesa da jornada semanal de trabalho de 40 horas, além da batalha pela aplicação de 10% do PIB para a educação pública. É importante que todas estas bandeiras e jornadas de luta estejam associadas à pauta nacional, elevando a participação política dos trabalhadores e do movimento social como um todo.

4) Prosseguir com o trabalho de fortalecimento do Partido, com sua expansão, estruturação e organização desde as bases e com todo o empenho para garantir seu plano político eleitoral para 2012 com a eleição de prefeitos, vices e aumento de sua representação nas Câmaras Municipais. Intensificar a filiação de lideranças. Posicionar e construir as pré-candidaturas majoritárias do Partido, em especial nas capitais e maiores cidades, com a conquista de aliados e ampliação do apoio político para elas. Empreender o diálogo e as negociações que resultem na participação do Partido em chapas majoritárias, com candidaturas de aliados e amigos. Formação de chapas próprias de vereadores, e onde não for possível garantir as coligações proporcionais. Fortalecer a base econômico-financeira do Partido para responder às exigências crescentes de sua atividade. No processo das conferências em andamento, eleger e formar direções à altura dos desafios do curso político e aprofundar a aplicação das orientações do 7º Encontro sobre Questões de Partido para maior vida partidária desde a base.

5) Aplicar massiva e extensivamente o Curso do Programa Socialista (CPS) junto ao conjunto da militância, em especial aos militantes de base e intermediários. Imprimir a esta tarefa um ritmo de campanha no período de outubro até maio do ano próximo, como uma primeira etapa. Os Comitês Estaduais em conjunto com os Municipais devem planejar e executar esse movimento que pode representar uma grande iniciativa para formar e organizar as bases militantes e preparar o Partido para uma participação exitosa nas mobilizações e lutas do povo e nas eleições do ano próximo.



São Paulo, 18 de setembro de 2011

Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

sábado, 17 de setembro de 2011

À frente em pesquisa, PCdoB prega unidade “em defesa de São Luís”

O presidente do Comitê Municipal do PCdoB em São Luís, Márcio Jerry, manifestou naturalidade com os números da pesquisa sobre a sucessão municipal feita pelo Instituto Amostragem e divulgados na terça, 13.

“É muito bom nosso candidato, Flávio Dino, estar bem à frente nas intenções de voto no momento, mas o fundamental para nós continua sendo construir coletivamente uma alternativa aos fracassos políticos e administrativos de Roseana Sarney e João Castelo, uma alternativa em defesa de São Luís”, disse.

O dirigente comunista ressaltou que a pesquisa reforça a tese de uma aliança do “campo político da renovação e da mudança”. Ele fez referência à pregação de um palanque em que estejam juntos, além de Flávio Dino, os deputados estaduais Bira do Pindaré e Eliziane Gama; o deputado federal Edvaldo Holanda Júnior; o ex-deputado federal Roberto Rocha, “numa aliança que inclua o PDT e os movimentos sociais”.

Candidatura

Nem mesmo a larga vantagem sobre os concorrentes faz o PCdoB definir se Flávio Dino será ou não candidato a prefeito nas próximas eleições. “O próprio Flávio Dino já disse e reiterou que a decisão de ser candidato ou não deve ser tomada no momento certo e considerando as posições dos aliados, muitos dos quais também pré-candidatos a prefeito”, justificou Jerry.

Nos dias 7 e 8 de outubro o PCdoB realizará a Conferência Municipal, quando os militantes do partido aprovarão uma resolução política sobre a sucessão municipal, mas ainda sem bater o martelo sobre a possível candidatura de Dino. “Vamos analisar o quadro político e definir um calendário de discussões internas, com os demais partidos e com a sociedade, para decidirmos o que fazer em 2012”, informou o dirigente comunista.

Pesquisa

No levantamento realizado dias 02, 03 e 04 de setembro, Flávio Dino lidera com índices que variam de 40,33% - no cenário com 10 candidatos - a 54%, quando são testadas 5 candidaturas. Ele também venceria as eleições no segundo turno com uma larga margem sobre Castelo ou Max Barros. Dino também detém uma das menores taxa de rejeição, um pouco acima de 10%.

sábado, 3 de setembro de 2011

Khadafi e a intoxicação ideológica.






Por João Quartim de Moraes *


No início de 2003 notamos no artigo “A doutrina Bush e a rapina do petróleo” (publicado na revista Debate Sindical) que, em vez de cumprir até o fim o anunciado acerto de contas com os acusados de ter feito os habitantes de Nova Iorque sofrer um apocalipse semelhante às chuvas de mísseis despejadas por seu governo na periferia pobre da ordem liberal-imperialista, o criminoso de guerra Bush filho estava concentrando seu furor genocida contra o Iraque, cujo governo sabidamente não mantinha nenhuma espécie de vínculo com os presumidos autores dos atentados de 2001.

Havia certamente um componente doentio na obstinação anti-iraquiana do então inquilino da Casa Branca, evidente na fixidez alvar, típica dos tresloucados, que paira em sua expressão facial. Mas não convém superestimar o aspecto psicopatológico de seu pensamento. Mesmo porque em dezembro de 1998, Clinton, seu predecessor, que não era louco, mandou bombardear Bagdá com violência sem precedentes desde 1991. Precisava distrair a opinião pública estadunidense do processo de "impeachment" que então lhe era movido por assuntos sexuais, mas, evidentemente, se usou a pele dos iraquianos para fugir da sanha dos alcoviteiros mediáticos, foi porque o aniquilamento de Saddam Hussein se inscrevia perfeitamente na lógica do belicismo imperialista.

O adágio “malandro não estrila” vale para a pequena criminalidade, mas não para o pútrido império dos dólares e dos mísseis. Basta ver a esplêndida arrogância do editorialista do Washington Post, replicando ao então secretário-geral da ONU, Kofi Annan (que ousara expressar tímidas reservas em relação aos bombardeios anglo-estadunidenses): “Os Estados Unidos e a Grã Bretanha são mais fiéis aos objetivos textuais das Nações Unidas do que as próprias Nações Unidas”. Na verdade os dois velhos sócios estavam tentando (não sem certo êxito) tornar a ONU uma casa de tolerância conivente com a pilhagem do planeta e o estupro de Estados e governos que não se inclinam ao “diktat” do cartel imperialista europeu/estadunidense.

Foi evidentemente o desmantelamento do bloco soviético, provocando a ruptura, em favor do bloco capitalista, do equilíbrio estratégico US/URSS, que permitiu ao cartel imperialista agrupado na Otan “esquecer” a missão “defensiva” em nome da qual ela tinha sido criada no início da guerra fria, para assumir a função de exército colonial, agredindo com bestial violência, sob os pretextos mais sórdidos e hipócritas, um número sempre crescente de países periféricos. Na própria Europa, que não tinha sido teatro de conflagração bélica desde maio de 1945, quando o glorioso Exército Vermelho entrou em Berlim, os abutres de Washington, Londres, Paris e adjacências destruíram a Iugoslávia, naquela que Fidel Castro qualificou de “la guerra la más cobarde de todos los tiempos”.

Notamos também, a propósito da alegação mentirosa de que o governo iraquiano havia acumulado armas de destruição em massa para atacar o "Ocidente”, que até então as únicas armas encontradas na região eram os mísseis lançados pelos matadores profissionais do Pentágono. Foi muito importante para que essa mentira prosperasse a contribuição da grande tropa dos sabujos mediáticos.

A intoxicação mental é uma indústria cultural altamente eficiente: satanizou Saddam Hussein a tal ponto que mesmo o jornal da Unicamp, universidade considerada a justo título uma das melhores do país, sucumbiu à histeria: seu Caderno Especial I (1), dezembro de 2001 consagrado ao “Bioterrorismo” anuncia, logo nas primeiras linhas do artigo bombasticamente intitulado “Ébola, varíola, antraz: o horror invisível” que um único membro do Taleban contaminado por varíola, andando no metrô de Nova York, pode causar a morte de centenas de milhares de pessoas em poucas semanas [...]. “Eles são bem capazes de contaminar algum suicida com esse intuito”, “alertou” uma infectologista de plantão. “A ameaça de uso de armas biológicas tornou-se mais real depois dos recentes atentados com correspondências contendo antraz nos EUA. Do possível arsenal a ser usado por terroristas fazem parte, além da varíola e do Bacillus anthracis, o vírus Ébola e a tularemia, entre outros”. Na ocasião, recomendamos a essa pesquisadora das infecções do corpo que se vacinasse contra as da mente. Mais tolas ainda foram as mentiras do periodista que organizou o abominável Caderno Especial. Papagaiando os celerados da Casa Branca e do Pentágono, ele escreveu que “pelo menos 12 países possuem comprovadamente armas biológicas, entre eles o Iraque, que sintetizou o Bacillus anthracis”. O escriba solerte só não contou de onde tirou essa “informação”.

São muitas as semelhanças entre o Iraque de 2003 e a Líbia de 2011. Ambos eram governados, até o estupro neocolonial, por um regime laico, oriundo da luta anti-imperialista das nações árabes, ambos tinham forte produção de petróleo de muito boa qualidade e mantinham, dentro dos limites das fortes pressões impostas pelo imperialismo, uma política externa independente. Ambos, enfim enfrentavam uma oposição heterogênea, composta de provocadores diretamente a soldo dos “serviços especiais” (Cia e sucursais europeias), de liberais de direita pro-imperialistas e de fundamentalistas islâmicos de extrema-direita. (No Iraque entretanto acrescentava-se o movimento autonomista curdo).

Muito semelhante também foi o uso da intoxicação mental contra os dois governos. Já me referi a um energúmeno de “extrema-esquerda” que num debate sobre a Líbia ao qual compareci declarou que Khadafi “massacrou trinta mil líbios”. Perguntei-lhe de onde tinha tirado esse número. Não respondeu porque sua estultice não ia a ponto de cobrir-se de ridículo admitindo que ouvira isso na Rede Globo ou “fonte” similar. Mas enquanto os “baba-ovo” papagaiavam o que liam e ouviam na mediática do capital, os três safados da cúpula da Otan (Camarão, Sarkozy e Berlusconi, este aliás menos aguerrido que os dois parceiros), empenhados na tentativa de recuperar, sob novos rótulos jurídicos, seus velhos impérios coloniais, continuavam intensificando os bombardeios ditos humanitários: entre junho e o final de agosto, quando os sicários da Otan e outros bandoleiros ocuparam Trípoli, esta capital foi bárbara e mortiferamente atacada.

Khadafi, dissemos mais de uma vez, tem seguramente muitos defeitos, mas sobra-lhe a coragem física e moral de que carecem os agentes do colonialismo que o caluniam. Entre seus detratores locais, a Folha conseguiu, “comme d’habitude”, ser a mais tartufa. É sabido que o policiamento ideológico em sua redação é implacável: é proibido escrever Fidel Castro, tem de ser, obrigatoriamente, o ditador Fidel Castro. Não surpreende pois, que ela tenha aplicado a Khadafi o mesmo epíteto pejorativo. Mesmo porque não foi só ela, mas praticamente toda a mediática do capital, embalada pelo pensamento único made in US, que participou do coro de uivos contra os patriotas líbios.

Mas a Folha fez questão de ficar na linha de frente do zelo pró-Otan. Em 30 de agosto, com Trípoli nas mãos dos saqueadores e outros delinquentes, o diário da “famiglia” Frias conseguiu em poucas linhas de uma chamada da primeira página escrever cinco vezes “o ditador Khadafi”. Tanto zelo terminológico seria menos ridículo se o jornal não escrevesse sempre “o presidente Costa e Silva”, “o presidente Médici” etc. Segundo os Frias e seus escribas, esses protetores da tortura não foram ditadores; no pior dos casos, teriam sido, como diriam, “ditabrandos”. Talvez por isso a Folha tenha emprestado ao Doi-Codi, para camuflagem, os furgões que distribuíam o jornal na madrugada, colaborando assim com os degenerados que prendiam e torturavam nossos companheiros, muitas vezes até a morte. Afinal, era imperativo defender por todos os métodos Deus, a Família, a Propriedade e até a “dimócraci”, numa palavra, o “Ocidente”. É o que Marx chamava de “suja rabiscadura jornalística”.


* Professor universitário, pesquisador do marxismo e analista político.