domingo, 7 de agosto de 2011

Líderes e gestos.





Gandhi foi detonador do movimento pela independência da Índia da colonização britânica. Em 1930, após uma marcha rumo ao litoral com uma multidão, ele tomou um punhado de sal para simbolizar a rebeldia pacífica contra as imposições da metrópole de monopolizar a produção e comércio de sal, no que foi seguido pela multidão. Menos de 20 anos depois, a Índia alcançava a independência.

Intuitivamente, Getúlio Vargas mandou queimar milhões de toneladas de café ensacado, na década de 30 do século 20 para manter os preços do produto no mercado externo. Era um gesto defensivo da nação contra os efeitos daquela que foi a segunda grande crise histórica do regime capitalista, detonada em 1929. O que se seguiu é conhecido: menos de 30 anos depois, o Brasil sob a liderança de Vargas e das forças nacional-desenvolvimentistas conservadoras dera passos impressionantes em termos do desenvolvimento brasileiro. Rossevelt, que tirou os EUA da crise com o New Deal, em 1942 declarou, em viagem ao Brasil, que os “pais do New Deal” foram dois: Vargas e ele próprio. Referia-se àquele gesto inaugural do presidente do Brasil.

Lula na segunda presidência não hesitou no gesto marcante na crise deflagrada com a falência do Lehmann Brothers em setembro de 2008. Em pronunciamento à nação, na TV, instou os brasileiros a manter a confiança, consumir e sustentar o mercado interno como fator de manter aquecida a economia. Sua confiança foi atendida e o Brasil enfrentou melhor, como pouquíssimos outros países, a crise que se prolonga já por três anos.

Gestos assim são para estadistas, grandes líderes políticos.

É o que a nação necessita neste momento em que a crise econômica e financeira sistêmica capitalista entra em agudização, com o duplo mergulho recessivo nos EUA e Europa. A crise é também risco para a economia brasileira; mas igualmente é oportunidade para romper outros elos de dependência em defesa da afirmação nacional. O Brasil pode e deve “fugir para a frente”. É possível empolgar as forças vivas da nação no rumo de um projeto nacional afirmativo, de desenvolvimento democrático e de caráter popular.

Qual o gesto de Dilma? O país precisa de líderes que deflagrem consciências, motivações, clareza e reunião de forças. Nestas horas, é preciso liderar, isso é o que cabe a Dilma Rousseff.

Publicado por waltersorrentino em 06/08/2011

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