segunda-feira, 20 de junho de 2011

Deu no vermelho: "Flávio Dino fala sobre gestão na Embratur e futuro político".




O novo presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Flávio Dino, assume o cargo às 10 horas do próximo dia 29. Jurista de formação e com carreira política em ascensão, ele destaca que esses dois aspectos vão ajudá-lo na condução do setor do turismo. Sobre o futuro político, ele lançou mão da máxima “Cada dia com sua agonia” para dizer que não pode dizer se a sua ida para a Embratur o impedirá ou não de ser candidato nas próximas eleições para o cargo de Prefeito de São Luiz (MA).

Portal Vermelho: A sua área é jurídica, qual a expectativa ao assumir um cargo nesse setor?

Flávio Dino: A politica de turismo é uma política pública e como tal deve ser gerida politicamente. Essa experiência jurídica e política que eu tenho pessoalmente ajudam a compreensão dessa política pública e sua gestão. Na verdade, a política pública de turismo, que possui suas especificidades, não é isolada das demais políticas de Estado. Ao contrário, para ser bem sucedida, seja na sua dimensão interna ou internacional, depende da interface com outras políticas que são desempenhadas pelo Estado. Exatamente ai que entra essa experiência jurídica e política que eu possuo de articular política pública de turismo com outras politicas de Estado e com isso fortalecer a política pública de turismo e possibilitar a realização desses macros objetivos que nós temos, sobretudo no terreno econômico.



Vermelho: Quais são esses objetivos?

FD: A política pública de turismo é reconhecida mundialmente, algo consolidado na sua grande aptidão de gerar emprego, renda e divisa para o país, recursos para financiamento do Estado brasileiro. Esses macros objetivos sustentam a necessidade de ela ser priorizada permanentemente e, no caso brasileiro, com uma singularidade de grande importância. A política de turismo se torna mais estratégica na medida em que o Brasil sediará em 2014 e 2016 os dois maiores eventos do planeta, que devem ser trabalhados antes, durante e depois, como capazes de fortalecera imagem do país no cenário internacionais e elevar o patamar de participação do Brasil no mercado de turismo internacional que ainda é muito pequeno. A estimativa é de que um bilhão de pessoas circulam no mundo e no Brasil a presença de turistas estrangeiros está na ordem de cinco milhões e cem mil turistas. Portanto, temos um grande espaço de crescimento.



Vermelho: E com relação ao mercado interno. Com o dólar em baixa, muitos brasileiros viajam para o exterior. O que pode ser feito para estimular mercado interno e aproveitar esses turistas dentro do Brasil?

FD: Também ai os eventos esportivos ajudam. Porque nós teremos 14 cidades que serão sede de jogos da Copa do mundo e nós devemos fortalecê-las como destinos turísticos para estrangeiros e para os brasileiros. Na medida em que articularmos e promovermos ações de promoção desses destinos, que não são só os estados sedes, mas também os estados vizinhos, que podem e devem ser abrangidos por esse esforço de divulgação e promoção, se fortalece a imagem desse destinos, alguns já consolidados, outros por consolidar, também se beneficiará e se incentivará o turismo interno.



Vermelho: ...

FD: ... Além do fato dos investimentos de infraestrutura, de saneamento e de mobilidade que estão articulados com os eventos esportivos melhorarão as condições de vida para a população e para os estrangeiros.



Vermelho: Eu ia perguntar exatamente isso, de que maneira essas melhorias na infraestrutura das cidades e nos serviços, como o de segurança no Rio de Janeiro, por exemplo, ajudarão no turismo interno?

FD: Nenhuma proposta ou projeto que seja implementado nessas áreas tem efeito isolado em relação a outros aspectos. Por isso é importante compreender a centralidade dos grandes eventos para a política de turismo. Não por eles em si apenas. Eles são importantes por eles mesmos. A estimativa é que 900 mil pessoas de outros países nos visitarão para participar desses dois eventos. Isso já de grande importância, mas é fundamental aproveitar essa janela de possibilidade única. Nenhum país deve oportunidade de num espaço de tempo tão curto sediar dois eventos que geram impactos que são reconhecidos por todos.



Vermelho: Esses dois eventos podem ajudar também a ampliar a oferta de produtos turísticos no Brasil, ou seja, atraindo outros e mais eventos?

FD: O turismo de eventos e negócios é essencial. Em São Paulo, por exemplo, o turismo de eventos e negócios é de grande importância. Há um esforço da Embratur de atrair eventos internacionais e a medida que a ‘expertise’ brasileira for comprovada com a realização de dois eventos de altíssima complexidade, com certeza estimulará que outros eventos internacionais possam ser realizados no Brasil, ajudando que a imagem do nosso país tenha agregação de outros elementos, porque hoje os carros-chefes de atração de turista estrangeiros para o Brasil são a nossa natureza e o nosso povo. Precisamos agregar a isso outros elementos, entre os quais está o fato de ter atrativos naturais, cultura viva de grande diversidade, povo caloroso, alegre, hospitaleiro, mas temos o ativo da modernidade, que tem boa estrutura. Novamente aqui os grandes eventos esportivos vão ajudar a agregar esses elementos e com isso nós podemos ocupar um lugar melhor no mercado internacional do turismo na medida em que nossa imagem se pluralize com outros elementos.



Vermelho: Qual o nível de preocupação da Embratur no combate ao turismo sexual?

FD: Novamente é preciso contar com ações de outros órgãos do Estado, como o Ministério da Justiça, com ação repressiva, sobretudo, e também do Ministério dos Direitos Humanos. No caso específico da Embratur, há preocupação que existe e permanece quando da divulgação do nosso país não se fortaleça esses elementos. Inconscientemente no passado havia indevida associação entre a imagem do nosso país a fatores que estimulariam o turismo sexual. Isso tem que ser veementemente combatido.



Vermelho: Qual a sua expectativa com relação ao seu futuro polpitico. As eleições municipais estão se aproximando. Você será candidato?

FD: A expectativa é que cada dia com sua agonia (risos). Esse é um ótimo problema. De fato, o Partido está muito bem posicionado na luta política no Maranhão. Se fortalece a cada dia em São Luis e em outras cidades do estado. O Partido vem de duas campanhas vitoriosas politicamente que o colocaram no patamar muito bom de protagonismo político. A indicação para Embratur não enfraquece isso, ao contrário, fortalece esse processo de construção de uma alternativa política no estado. Como isso se traduz concretamente nas eleições para prefeito de São Luiz é algo a ser tratado em 2012. Nem é correto afirmar hoje que eu serei candidato a Prefeito de São Luiz, como também não é correto dizer que em função da indicação para Embratur eu não serei candidato a prefeito, porque se a decisão política partidária e dos aliados for que eu seja candidato a prefeito, eu serei candidato a prefeito.



De Brasília

Márcia Xavier

http://www.vermelho.org.br/

sexta-feira, 17 de junho de 2011

João Castelo, 2 anos e meio sem nada...




1. Em abril e agosto de 2009, manifestando preocupação com a situação de São Luís, o PCdoB lançou os documentos “Cem Dias Sem Nada”, e “João Castelo, mais de 200 dias: quando é que vai ?”. Em ambos analisava o quadro administrativo da cidade e constatava que havia “de um modo geral a deterioração dos serviços essenciais, a absoluta falta de transparência, uma imensa paralisia da máquina pública e a completa inexistência de um projeto de gestão para a cidade. E isso tudo a despeito de contar com recursos suficientes”;

2. Nas duas ocasiões, no exercício do democrático direito de ser oposição e reiterando a responsabilidade com a cidade e sobretudo a atitude de quem a ama e quer vê-la melhor, o PCdoB conclamou publicamente o prefeito João Castelo a sair da paralisia, do descaso e da irresponsabilidade.

3. No próximo dia 30 de junho o governo Castelo completará dois anos e seis meses e o que se nota, infelizmente, é o agravamento generalizado do descaso administrativo que gera insatisfação na população e faz prevê tempos ainda mais difíceis para uma cidade à beira dos 400 anos. João Castelo continua alheio aos graves problemas de São Luis e só se manifesta para reprisar promessas enganadoras ou anunciar uma ou outra ação maquiadora , ainda assim sem garantias reais de execução;

4. Os buracos por toda a cidade são a parte mais visível dos problemas de São Luís hoje, mas não são os mais graves, infelizmente. “Buracos” maiores estão na saúde, na educação, no sistema de transporte coletivo, no saneamento, na falta de moradia digna, limpeza pública, proteção à infância e à juventude, e na aplicação dos recursos públicos. Enfim, há buracos e mais buracos na administração pública de São Luís;

5. Há a configuração clara de um governo que atravessou mais da metade do tempo que o povo lhe concedeu sem apontar um rumo claro, sem realizar obras e serviços estruturantes, sem assegurar participação da sociedade, sem garantir transparência, sem nada de positivo, enfim. O que se vê hoje é uma cidade com seus problemas agravados e uma administração inepta, sem rumo, suspeita de graves maracutaias e incapaz de liderar um processo virtuoso às vésperas dos 400 anos desde o início da colonização européia;

6. Se já não há como recuperar o tempo e as oportunidades perdidas, ainda há como estancar o caos e diminuir os prejuízos. Por isso é que uma vez mais conclamamos publicamente o prefeito João Castelo a dizer a que veio, a mostrar algum serviço, a exercer o comando da prefeitura, a revelar o que está sendo feito com os recursos do município, a respeitar nossa cidade e nosso povo. Sr João Castelo, chega de inoperância, descaso e irresponsabilidade. São Luís merece e exige respeito! Conclamamos também, e muito especialmente, as forças vivas da sociedade a se manifestarem requerendo o cumprimento das inúmeras promessas feitas na campanha eleitoral de 2008. Só com a participação ativa da cidadania - a exemplo do que centenas de ludovicenses farão neste dia 16 no protesto em frente aos Palácios dos Leões e de La Ravardiere - será possível estancar o processo de deterioração dos serviços públicos e do definitivo estabelecimento do caos total em nossa querida São Luís.



 

São Luís, 14 de junho de 2011

Comitê Municipal do PCdoB/São Luís

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Aldo Rebelo: O Código Florestal e a quinta coluna.




Por Aldo Rebelo*



Conta a lenda que ao cercar Madri durante a Guerra Civil Espanhola o general Emilio Mola Vidal ao ser questionado sobre qual das quatro colunas que comandava entraria primeiro na cidade sitiada, respondeu: a quinta coluna. Mola referia-se aos seus agentes, que de dentro sabotavam a resistência republicana.


Durante a Segunda Guerra Mundial a expressão tornou-se sinônimo de ações contra o esforço aliado na luta para derrotar o eixo nazi-fascista. A quinta coluna disseminava boatos, procurava enfraquecer e neutralizar a vontade da resistência e desmoralizar a reação contra o inimigo.


Após a votação do Código Florestal, no último dia 24, um restaurante de Brasília acolheu os principais “cabeças” das ONGs internacionais para um jantar que avançou madrugada adentro. A Câmara acabara aprovar por 410 x 63 votos o relatório do Código Florestal e derrotara de forma avassaladora a tentativa do grupo de pressão externo de impedir a decisão sobre a matéria. O ambiente era de consternação pela derrota, mas ali nascia a tática da quinta coluna moderna para pressionar o Senado e o governo contra a agricultura e os agricultores brasileiros. Os agentes internacionais recorreriam à mídia estrangeira e espalhariam internamente a ideia de que o Código “anistia” desmatadores e permite novos desmatamentos.


A sucessão dos fatos ilumina o caminho trilhado pelos conspiradores de botequim. No último domingo o Estado de São Paulo abriu uma página para reportagem assinada pelas jornalistas Afra Balazina e Andrea Vialli com a seguinte manchete: Novo Código permite desmatar mata nativa em área equivalente ao Paraná. Não há, no próprio texto da reportagem, uma informação sequer que confirme o título da matéria. É evidente que o projeto votado na Câmara não autoriza desmatamento algum. O que se discute é se dois milhões de proprietários que ocupam áreas de preservação permanente (margem de rio, encostas, morros) devem ser expulsos de suas terras ou em que proporção podem continuar cultivando como fazem há séculos no Brasil, à semelhança de seus congêneres em todo mundo.


No jornal O Globo, texto assinado por Cleide Carvalho procura associar o desmatamento no Mato Grosso ao debate sobre o Código Florestal e as ONGs espalham por seus contatos na mídia a existência de relação entre o assassínio de camponeses na Amazônia e a votação da lei na Câmara dos Deputados. O Guardian de Londres publica artigo de um dos chefetes do Greenpeace com ameaças ao Brasil pela votação do Código Florestal. Tratam-nos como um enclave colonial carente das lições civilizatórias do império.


As ONGs internacionais consideram toda a área ocupada pela agropecuária no Brasil passivo ambiental que deve ser convertido em floresta. Acham razoável que milhões de agricultores sejam obrigados a arrancar lavoura e capim e plantar vegetação nativa em seu lugar, em um país que mantém mais de 60% de seu território de áreas verdes.


A “anistia” atribuída ao relatório não é explicada pelos que a denunciam, nem a explicação é cobrada pela imprensa. Apenas divulgam que estão “anistiados” os que desmataram até 2008. Quem desmatou até 2008? Os que plantaram as primeiras mudas de cana no Nordeste e em São Paulo na época das capitanias hereditárias? Os primeiros cafeicultores do Pará, Rio de Janeiro e São Paulo no século XVIII? Os colonos convocados pelo governo de Getúlio Vargas para cultivar o Mato Grosso? Os gaúchos e nordestinos levados pelos governos militares para expandir a fronteira agrícola na Amazônia? Os assentados do Incra que receberam suas terras e só tinham acesso ao título de propriedade depois do desmatamento?


É importante destacar que pela legislação em vigor são todos “criminosos” ambientais submetidos ao vexame das multas e autuações do Ministério Público e dos órgãos de fiscalização. Envolvidos na teia de “ilegalidade” estão quase 100% dos agricultores do País por não terem a Reserva Legal que a lei não previa ou mata ciliar que a legislação de 1965 estabelecia de cinco a 100 metros e na década de 1980 foi alterada para 30 até 500 metros.

Reconhecendo o absurdo da situação, o próprio governo em decreto assinado pelo presidente Lula e pelo ministro Carlos Minc suspendeu as multas em decorrência da exigência “legal”, cujo prazo expira em 11 de junho e que provavelmente será re-editado pela presidente Dilma.


O governo e o País estão sob intensa pressão da desinformação e da mentira. A agricultura e os agricultores brasileiros tornaram-se invisíveis no Palácio do Planalto. Não sei se quando incorporou à delegação da viagem à China os suinocultores brasileiros em busca de mercado no gigante asiático a presidente tinha consciência de que quase toda a produção de suínos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná está na ilegalidade por encontrar-se em área de preservação permanente.


A Câmara dos Deputados, por grande maioria, mostrou estar atenta aos interesses da preservação ambiental e da agricultura, votando uma proposta que foi aceita por um dos lados, mas rejeitada por aqueles que desconhecem ou precisam desconhecer a realidade do campo brasileiro. O Senado tem agora grande responsabilidade e o governo brasileiro precisa decidir se protege a agricultura do País ou se capitulará diante das pressões externas que em nome do meio ambiente sabotam o bem-estar do nosso povo e a economia nacional.


*Aldo Rebelo é deputado federal pelo PCdoB-SP e foi relator do projeto de lei do Novo Código Florestal Brasileiro já aprovado pela Câmara dos Deputados. (dep.aldorebelo@camara.gov.br)