sexta-feira, 4 de março de 2011

Equipe econômica desafina: "temos que parar de crescer"!





O anúncio da previsão do PIB referente ao exercício de 2010 expõe de maneira clara a contradição chave do novo governo: continuar o crescimento econômico, a inclusão social, a soberania nacional e a independência cultural e de informação, ou, conter o crescimento econômico, detendo a verdadeira inclusão social, comprometendo a capacidade de investimento nacional para sustentar a ciranda da especulação transnacional.


Em duas orações: avançar em um projeto nacional de desenvolvimento, com valorização do trabalho e integração soberana no concerto das nações, ou, recuar à ortodoxia financista e liberalizante dos anos noventa, onde esquartejaram nossa capacidade produtiva e de investimento em troca de um câmbio sobrevalorizado para especulação internacional.


Ao que parece a opção da equipe econômica já foi feita: "o crescimento deve ser contido"; "há o perigo da inflação"; "vamos cortar os gastos públicos" e "aumentar os juros"!


Por que o governo adota essas medidas? Porque parte de um dogma neoliberal, que se reflete em uma análise parcial e incompleta do orçamento do Estado, elegendo unilateralmente e exclusivamente as receitas e as despesas definidas como primárias. Sob essa ótica deformada, acabam não incluindo entre as despesas o que é pago em juros, limitando a compreensão completa do orçamento, principalmente onde reside a questão da dívida pública e do principal responsável pelo seu crescimento.


Mas com qual interesse o governo faz isso? Com os interesses do capital privado especulativo, que vampiriza a dívida pública através dos juros e, por tabela, toda a economia nacional. Somente os trabalhadores e os setores produtivos pagam a conta, transferindo o valor que é produzido pelo trabalho para o capital portador de juros, para especulação dos rentistas internacionais e de seus sócios menores locais.


O economista Márcio Pochmann estima que 20 mil famílias de super-ricos se beneficiam com 70% dos juros pagos pelo governo. Em 2010 o volume dos juros chegou a 200,5 bilhões de reais, isso significa que 140 bilhões de reais foram transferidos para os rentistas parasitas!


O câmbio sobrevalorizado quebra a indústria nacional, gera desemprego e, em longo prazo, uma desindustrialização. Continuaremos, portanto, a ser agroexportadores de monoculturas ou de matérias primas in natura e compradores de pacotes tecnológicos e bugigangas secundárias.


Não é nada promissor esses primeiros meses do governo Dilma. Os trabalhadores, os setores produtivos, a juventude e a intelectualidade estão sendo convocados a travarem esse debate. Afinal, aonde vai o governo Dilma?

2 comentários:

  1. Todos conhecemos essa Cartilha 666 que alguns chamam de receita do FMI.
    Seguram o crescimento do país à força, desmantelam o serviço público, privatizam o que puderem e, quando país vê que tudo piorou, os "666" rebaixam o rate do país e o lançam "às feras" - e uma enxurrada de dinheiro público vai para os banqueiros, a taxas absurdas e realimenta-se o ciclo vicioso sem fim.
    A saída, meu amigo, é uma grande e bela Tsunami, arrastando esses banqueiros, suas famílias, seus herdeiros, seus capangas(governantes) para o fundo da lava quente e restauradora !!!!
    Somente assim nos livraremos destas pragas, inimigas da humanidade. Só assim !!!

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  2. Calma Ronald... Não sejas tão extremo!!! Mas "tsunami" e "lavas restauradoras" são demais!! Rsrsrsrs!!!

    Valeu pelo comentário!

    Saudações.

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