segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Governo Dilma vacila: aumenta os juros e endurece com os trabalhadores!




Os primeiros meses do governo Dilma não tem sido nada agradáveis para os trabalhadores. Em que pese sua eleição ter ocorrido em confronto direto com a extrema direita e ter angariado amplas forças políticas e sociais, não tem demonstrado, até agora, que tem pretensões mudancistas, no sentido de ampliar as conquistas do governo Lula.


Duas questões concorrem para isso: as opções econômicas e políticas.


No que diz respeito à economia, o recente aumento na taxa de juros e o discurso da presidenta no sentido de "manter a todo custo o controle da inflação" retoma os velhos dogmas do neoliberalismo estagnacionista. Senão vejamos.


O aumento da taxa de juros eleva a dívida pública, favorece a transferência de renda para o setor financeiro - esse sim, o principal parasita da economia - e retira os investimentos das áreas produtivas que são os maiores geradores de emprego.


Se não bastasse isso, ainda há a elevação cambial artificial, fruto da especulação transnacional, na medida em que, mais dólares entram, ganham com os juros altos e vão embora, drenando as riquezas nacionais.


Quanto a inflação ela deve ser entendida como parte do processo de crescimento, principalmente do investimento. Como sinaliza Elias Jabbour em recente artigo publicado pela Fundação Maurício Grabois: "o crescimento levará sim ao crescimento da demanda sem a necessária contrapartida imediata da oferta. Virá a inflação, certamente. Mas existe o momento em que a relação entre a oferta e a demanda tende a necessária estabilidade através do crescimento econômico".


E conclui afirmando: "a inflação é um fenômeno cíclico, parte integrante do processo e não uma anomalia". "Seu 'combate progressista' se dá pela manobra planificada da variável "taxa de investimento". Ora, como Dilma espera combater a inflação sem aumento real nos investimentos? Através da recessão e da estagnação econômica? Esse remédio neoliberal é aquele que mata o doente com a desculpa de acabar com a doença.


A experiência recente do governo Lula mostra que o caminho para quebrar esse ciclo estagnacionista é a ampliação do crédito, aumento real de salário - sobretudo o mínimo -, a elevação do consumo das famílias e da taxa de investimento.


Já na política o governo Dilma faz a opção pela direita ao estabelecer como pólo principal da coalizão governista a aliança com o PMDB. Representante das oligarquias regionais e ávido por cargos, o PMDB não oferece conteúdo programático compatível com os desafios que o país enfrenta. Sustenta o governo em troca de controle orçamentário. Assim o PT abre mão do debate programático e opta por gerenciar o neoliberalismo econômico que impede o nosso desnvolvimento.


A promessa de avançar para além do governo Lula é, por enquanto, apenas uma promessa.


Ainda é cedo para afirmar se o governo Dilma vai demonstrar capacidade de romper com os grilhões políticos e ideológicos do neoliberalismo e prover nosso país de um projeto de desenvolvimento nacional ou vai fracassar como 'gerente' do neoliberalismo, aos moldes de Michelle Bachelet no Chile. O resultado todos nós sabemos: o retorno do "filhote" de Pinochet ao governo central.


No entanto fica o recado: Dilma foi eleita para mudar e avançar! Caso contrário, enfrentará dificuldades entre aqueles que defenderam seu programa.
* Baseado na intervenção do presidente nacional do PCdoB Renato Rabelo no Curso Nacional de Formação.

5 comentários:

  1. Salve Cristiano:

    Eu não me iludo com o governante por mais dito esquerda que ele se propõe a ser.
    Simplesmente, porque ele não é o governo real e sim obedece ordens da Elite mundial - não estou falando de burgueses não - a Elite inominável, inimiga da humanidade.
    David Rockefeller, seu patrono-mor disse uma vez: " não me importo com as urnas e com quem faz as leis, se controlo a Mídia e a emissão de dinheiro".
    Precisa dizer mais alguma coisa?
    Saudações,
    Ronald Mattos

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  2. Em uma coisa vc está certo Ronald: está cada vez mais difícil se libertar das amarras do grande capital financeiro internacional.

    Obrigado pelo comentário.

    Saudações.

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  3. A questão é simples:
    - Existe mais dinheiro na economia do que o total de bens e serviços disponíveis para serem adquiridos.

    - Quando a taxa de juros é muito baixa essa quantidade de dinheiro sai das aplicações financeiras e parte para a aquisição de bens, principalmente imóveis, veículos,equipamentos para locação e estoques de mercadorias para especulação em nível de atacado. Dessa forma, é gerada a inflação que prejudica principalmente as pessoas que vivem de salários fixos.
    - O governo sobe a taxa de juros para impedir esse process. Para não prejudicar o investimento, que é necessário para as empresas aumentarem a produção de bens e serviços, o governo utiliza linhas de crédito de agentes financeiros públicos como: BNDES, BNB, BB e etc.

    A política de investimentos do setor público e do setor privado tem que está em constante sintonia para que possamos crescer sem gerar desequilíbrios econômicos que provoquem a inflação.

    - O governo faz o que é lógico em relação a política monetária, pois sabe que se perder o controle da inflação colocará em risco todos os ganhos obtidos com a estabilização econômica.

    Em relação a haver muito mais dinheiro na economia global do que a quantidade de bens e serviços a serem adquiridos é um problema que não pode ser equacionado e resolvido por um único país e sim por todos os países, caso exista a consciência global de vivermos em um mundo mais estável e melhor de se viver.

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  4. Ao aumentar a taxa de juros para impedir que o dinheiro adquira bens, o governo privilegia que mais dinheiro entre na economia para "especulação com o real", sobrevalorizando nossa moeda, encarecendo nossos produtos e, a longo prazo, a desindustrializando da nação. Resultado: desemprgo estrutural, como nos dez anos de neoliberalismo (Collor+FHC).

    Portanto, Sr. anônimo, as empresas nacionais não vão "aumentar a produção", mas sim, parar de produzir, dado o encarecimento dos insumos e mercadoris...

    A nossa taxa de juros é "ilógica", a mais alta do mundo! A questão da assimetria entre dinheiro (dóllar) e a quantidade de bens e serviços pode ser resolvida com a desvalorização do real e a diminuição da taxa de juros, tal como a China faz há 20 anos!

    Não podemos sustentar o déficit norte-americano (que emitem moedas sem "lastro" para "pagar" suas dívidas!)com a desisindustrialização do país!

    O dólar como moeda de reserva internacional está no fim, precisamos de uma nova moeda internacional (internacional de fato e não norte americana)lastreada nos principais commodities.

    A questão é: o governo Dilma avança e traça caminhos novos para a soberania e crescimento ou vai retroagir para o neoliberalismo puro e simples!!!

    Até agora, e me parce que de maneira definitiva, optou pelo velho ultraliberalismo!!!

    São os limites da socialdemocracia, reformadores que são do capitalismo!

    Saudações e obrigado pela participação!

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