sábado, 29 de maio de 2010

Enquanto Castelo não trabalha e fala bobagens, Flávio Dino é mais uma vez um dos "cabeças do Congresso"!


Enquanto o incompetente e inoperante prefeito de São Luís João Castelo andava falando bobagens no salão, Flávio Dino era apresentado para o Brasil como um dos "cabeças do Congresso" pelo DIAP. É a quarta vez em quatro anos que ele aparece como um dos deputados mais influentes no país.

A falação de Castelo não poderia acontecer em um melhor momento para o eleitor: a possibilidade de voltar a comparar as duas figuras em pleno exercício dos seus mandatos. Castelo arrasta a cidade para o caos e se mostra incapaz de solucionar os principais problemas que aflige diariamente a população. Castelo está conseguindo a proeza de ser igual ou pior que a gestão da sua mulher, Gardênia Gonçalves, que terminou com a prefeitura incendiada!

No outro extremo, Flávio Dino, jovem, competente, brilhante nas suas colocações, é nacionalmente reconhecido como um dos melhores parlamentares do Brasil e é disparado, o melhor do Maranhão!

Que bom que João Castelo resolveu se juntar aos seus. O ônus dessa trágica gestão à frente da prefeitura de São Luís vai recair mais uma vez nas costas dos seus aliados. Enquanto Castelo permanecer na sua letargia incompetente, Flávio Dino aparecerá como a grande opção eleitoral em São Luís.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Nos 25 anos de legalidade, PCdoB luta pelo avanço da democracia.




Num país marcado por longos períodos de ausência de democracia, o Partido Comunista do Brasil é uma legenda forjada no combate a ditaduras e na defesa da liberdade. De sua fundação, em 1922, até 1984, teve pouco mais de dois anos de atuação permitida. Legalizado em 27 de maio de 1985, completa, agora, neste maio corrente, 25 anos de atuação livre. É de longe, portanto, seu ciclo mais longo de vida legal. Em 88 anos de existência, somente 27 foram na legalidade!

João Amazonas, destacada liderança histórica do PCdoB, ao analisar esse fato afirmou que nenhum partido do campo democrático deveria se sentir aliviado quando a reação aponta sua lança na direção da legenda comunista. Toda vez que o Partido Comunista do Brasil foi atacado, a liberdade entrou em eclipse, explicava. Desse modo, não é uma mera coincidência que se comemore quase numa mesma data, os 25 anos da redemocratização do país e igual
tempo da conquista da legalidade do PCdoB.

Compromisso permanente com a democracia Nem a proscrição legal, nem a violência do conservadorismo foram capazes de anular a atuação política do Partido Comunista do Brasil. Nunca se intimidou, nunca renunciou a seu papel histórico. No longo período de trevas da ditadura imposta pelo golpe de 1964, manteve-se atuante graças à abnegação e à coragem política de sua militância. Pela liberdade, pela democracia, na galeria dos heróis e mártires de nosso país, é expressivo o número de comunistas. Neste período, cerca de uma centena de comunistas foi assassinada. O PCdoB organizou a Guerrilha do Araguaia, a mais importante resistência armada ao regime arbitrário. No final dos anos 70,participou das greves operárias e coordenou com outras forças políticas o Movimento Contra a Carestia.

Posteriormente, esteve na linha de frente da campanha Diretas-Já e, em seguida, da jornada que elegeu Tancredo Neves, presidente da República. Se há liberdade se o povo tem espaço para lutar, a Nação prospera e suas forças políticas progressistas se fortalecem. Assim se deu com o Brasil nestes últimos 25 anos. E o florescimento do PCdoB teve como adubo inicial a legitimidade conquistada no enfrentamento da ditadura militar de 1964. Quando veio a conquista da democracia em 1985, ele rapidamente se reorganiza e passa a crescer em grande parte devido ao seu legado pela conquista da democracia. O mesmo já acontecera em 1945-47, breve e frutífero período de legalidade no qual o Partido se expande e elege 15 deputados e um senador – Luis Carlos Prestes – para a Assembleia Nacional Constituinte. Distintamente do atual ciclo de legalidade, a expansão do Partido e a democracia seriam golpeados logo depois de conquistados.

No início do segundo quinquênio dos anos 1980, dedicou-se à consolidação da transição democrática. Esse processo deságua na Constituinte de 1988, na qual o Partido participa com cinco parlamentares. Apesar de pequena, essa representação apoiada na mobilização do povo e empenhada na coesão do campo democrático deu importantes contribuições ao texto da Carta, sobretudo, nos capítulos referentes à defesa da soberania nacional, da democracia e dos direitos dos trabalhadores. Consolidar a transição democrática impunha, também, a mobilização popular. Nesse período, os comunistas batalharam com pertinácia pela reorganização e o protagonismo das entidades e movimentos dos trabalhadores e do povo.

Resistência ao neoliberalismo

A vigorosa correnteza democrática que foi se avolumando no decorrer da década de 1980 desembocou nas eleições presidenciais de 1989. O PCdoB forma com o PT e o PSB, a Frente Brasil Popular, com Luiz Inácio Lula da Silva, candidato a presidente. Todavia, a candidatura de Lula perde, e ganha Fernando Collor de Melo. O neoliberalismo começa a ser implantado, mas é momentaneamente contido pelo impeachment de Collor. O movimento juvenil dos cara- pintadas liderado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira de Estudantes Secundaristas(Ubes) e com a participação destacada da União da Juventude Socialista (UJS) tornou-se o símbolo dessa jornada. Mas, em seguida, a avalanche neoliberal avançou com os dois governos de Fernando Henrique Cardoso. A nascente democracia foi restringida, os direitos dos trabalhadores são mutilados e o patrimônio público edificado por várias gerações de brasileiros é dilapidado. Para barrar a onda neoliberal, PCdoB indicou a formação de uma ampla frente democrática, patriótica e popular, nucleada pela esquerda. Este pensamento político e a prática concreta empreendida foram determinantes à vitória histórica do povo em 2002, com a eleição do presidente Lula.

Novo ciclo político

O PCdoB foi o único partido, além do PT, a apoiar desde o primeiro turno as cinco campanhas presidenciais de Lula. Seu apoio e participação nos dois governos do presidente Lula representam, na contemporaneidade, a evolução de seu pensamento político sobre a presença dos comunistas em governos de coalizão no capitalismo. Suas realizações nas funções que exerce no governo da República, em administrações estaduais e municipais, contribuem para o avanço da democracia e das conquistas dos trabalhadores. Sua atuação parlamentar em todos os níveis é respeitada. O êxito do atual governo que sustou o processo de semi-estagnação da Nação, e repôs o país nos trilhos do desenvolvimento, tem a importante contribuição do PCdoB.

Mas, a luta em defesa e pela ampliação ascendente da democracia não para. Em 2006, depois de intensa luta política, o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a tentativa do conservadorismo de instituir a cláusula de barreira cujo objetivo era barrar a presença do Partido Comunista do Brasil e de outras legendas democráticas no parlamento brasileiro. Hoje, o PCdoB luta pela democratização da mídia, sem o que é impossível o avanço da democracia. Bate-se por uma reforma política com as bandeiras do financiamento público das campanhas eleitorais, voto em lista partidária, e ampla participação do povo na vida política do país. Defende a autonomia e o fortalecimento do movimento sindical e popular e enfrenta a renitência da direita neoliberal que insiste em tentar criminalizá-los.

Patriótico e internacionalista

Com a bandeira da democracia nas mãos o PCdoB soube relacioná-la com a causa patriótica e social. Concluída a transição democrática e diante dos efeitos da lógica do desenvolvimento desigual do capitalismo e do expansionismo neocolonial das grandes potências, compreendeu a centralidade da questão nacional. Tem a convicção de que nem o socialismo triunfa sem abraçar a causa da afirmação da soberania da Nação, nem a Nação se realiza e se fortalece sem a construção do socialismo. Esta síntese decorre da importância que atribui à luta anti-imperialista. Vem do diagnóstico de que o domínio imperialista, o saque de nossas riquezas, o domínio da lógica do capital financeiro e especulativo, o conluio do capital estrangeiro com setores majoritários das classes dominantes são causas nucleares do cerceamento do progresso social e econômico.

É um Partido proletário, patriótico e internacionalista. Denunciou e batalhou contra todas as investidas de dominação ianque na América Latina e em nosso país. A cada episódio desencadeou uma campanha, buscou unir o campo patriótico ante a colossal pressão neocolonial. Exemplos disso são a jornada que derrotou a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) e o movimento permanente de defesa da soberania nacional sobre a Amazônia brasileira.

Ante a agressividade do imperialismo e de sua sanha guerreira, soube compreender a radicalidade da bandeira da Paz e empunhá-la com firmeza. Toda essa atividade contribuiu para fortalecer uma consciência patriótica no povo, na sociedade, em contraponto ao pensamento colonizado e subserviente das elites.

Em 2008, o Partido Comunista do Brasil foi anfitrião do 10º Encontro dos Partidos Comunistas e Operários, que reuniu na cidade São Paulo 65 legendas revolucionárias de 55 países. Este fato simboliza seu acúmulo histórico numa questão que o distingue de outras legendas. Como diz seu Programa, “Seu compromisso com a solidariedade entre as nações, com a política de paz e de cooperação entre os Estados” e sua oposição resoluta à agressão imperialista e sua conduta de defesa “da amizade entre os trabalhadores e povos do mundo”. Na atualidade, sob o incentivo do Partido e de segmentos progressistas foi criado o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), que realiza importante agenda, com destaque para a luta em defesa da paz e contra a guerra imperialista no Iraque e no Afeganistão.

O empenho para unir os trabalhadores e fortalecer suas lutas Em cada dia de liberdade e legalidade conquistadas, o PCdoB tem atuado para fortalecer o nível de organização, de unidade e atuação política dos trabalhadores, pois tem a convicção de que a luta do povo é a força germinal das mudanças. Sabe que os vínculos com a luta da classe trabalhadora é uma fonte vital de sua força.

Em 1981, empenhou-se pelo êxito da Conferência das Classes Trabalhadoras, Conclat. Neste período, orienta-se por sua diretriz de atuar no campo mais amplo e sempre em busca da unidade dos trabalhadores. Em 1988, com o objetivo de aglutinar a união de setores combativos do movimento sindical criou a Corrente Sindical Classista (CSC). Nos anos 1990, com a CSC atuando na Central Única dos Trabalhadores (CUT), esteve na vanguarda da resistência dos trabalhadores contra a ofensiva neoliberal. Com a posse de Lula, defende autonomia das entidades sindicais e a mobilização social tanto para impulsionar as mudanças quanto para defender o governo da oposição golpista das elites conservadoras. Esforçou-se para compreender a evolução do mundo do trabalho, a composição e as aspirações da classe trabalhadora contemporânea. Em 2007, apoiou a fundação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), uma entidade plural que, rapidamente, conquista razoável respaldo de sindicatos e outras entidades. A CTB tem como tarefa central a luta por um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento com a valorização do trabalho e luta por bandeiras como a redução da jornada de trabalho e a defesa da unidade dos trabalhadores e de suas centrais sindicais.

Desde a época dos coronéis latifundiários da República Velha, desfraldou a bandeira da Reforma Agrária. Nos início dos anos 1980, o Partido esteve presente nas jornadas da luta pela terra no sul do Pará das quais são mártires destacadas lideranças dos camponeses. Nesse período, enfrentou a famigerada União Democrática Ruralista (UDR), organização dos latifundiários. Na Constituinte de 1988, participou das mobilizações dos camponeses pela reforma agrária e em defesa da agricultura familiar. Na atualidade, segue cultivando seus vínculos com a luta dos trabalhadores rurais, seus movimentos e entidades sindicais.

Participa de um conjunto de movimentos sociais abarcando um leque amplo de temas, causas e bandeiras: direito à moradia, reforma urbana, movimento comunitário, cultural, ambiental, pelos direitos humanos, os direitos indígenas, contra a homofobia etc. Em 1988, incentivou a fundação da União dos Negros pela Igualdade (Unegro), uma das referências da luta antirracista. Trunfo importante é seu vínculo com a juventude e o movimento estudantil, cujo símbolo é o dinamismo e a representatividade da União da Juventude Socialista (UJS), fundada em 1984. Sublinhem-se, ainda, o valor e a importância que atribui à luta pelos direitos das mulheres. Em relação à luta feminista, nos anos 80, estimulou a criação da União Brasileira de Mulheres (UBM) e a revista Presença da Mulher, instrumentos importantes da luta emancipacionista. Em 2007, realizou a Conferência Nacional sobre a Questão da Mulher, iniciativa inédita entre os partidos políticos.

Ideias para uma prática transformadora Com o oxigênio da democracia, o PCdoB disseminou suas ideias e interagiu com o pensamento avançado da sociedade. Teve melhores condições para superar equívocos e aprimorar sua elaboração e seu pensamento político. O 8º Congresso de 1992 e a Conferência de 1995 refletem o rico debate com o qual o PCdoB enfrentou a denominada crise do socialismo e a avalanche anticomunista desencadeada no triênio 1989-91 com a derrota da União Soviética e a queda dos governos do Leste europeu. Resgata-se a essência transformadora do marxismo e, como afirma Renato Rabelo, fizemos “um acerto de contas com a velha concepção dogmática e reducionista que condicionou um largo período de estagnação teórica. Rompemos com três preceitos esquemáticos: inevitabilidade de duas etapas da revolução nos países dependentes ou semicoloniais; existência de um modelo universal (único) de socialismo; trânsito direto à construção socialista após a conquista do poder”.

Houve, então, um salto de qualidade no pensamento estratégico do PCdoB. Superadas as manifestações de dogmatismo, o Programa Socialista para o Brasil, de 1995, configura o esforço de renovar o socialismo, de enriquecê-lo com as lições de seu primeiro ciclo histórico.

No presente, procura intensificar sua inserção na luta de ideias, participando dos debates sobre os principais problemas e dilemas teóricos e políticos de nosso tempo. Fortalece sua atividade de formação, propaganda e comunicação, coerente com seu esforço que vem desde a criação do jornal A Classe Operária, em 1925. Seus instrumentos ganham qualidade crescente: a Escola Nacional de Formação, a Fundação Maurício Grabois, a revista Princípios, e sua comunicação na internet, com o portal Vermelho. Concentra seu foco no domínio das singularidades do capitalismo contemporâneo, na nova luta pelo socialismo, e na tarefa de desvendar em profundidade a realidade brasileira. Desafios que empreende em diálogo permanente com o pensamento marxista e progressista do país. Dessa maneira atua para enriquecer e desenvolver o marxismo.

O caminho brasileiro para o socialismo

Em seu 12º Congresso, realizado em novembro de 2009, aprovou seu quinto programa. Programa Socialista para o Brasil – o socialismo é o rumo, e o fortalecimento da Nação é o caminho! Este programa apurou seu pensamento estratégico. É o coroamento das reflexões teóricas e da prática política propiciadas por esse longo ciclo de democracia. Preserva e aperfeiçoa o que há de melhor no Programa de 1995 e dá um salto de qualidade ao delinear o caminho da revolução no Brasil, isto é, o caminho brasileiro para o socialismo. A proposta emana do contexto da realidade mundial e da dinâmica concreta da história social, econômica e política do país.

Nação jovem, o Brasil conheceu dois ciclos civilizacionais. O primeiro, a formação e os primórdios da Nação. A Independência. A Abolição. A República. No segundo, com a Revolução de 1930, o Brasil se moderniza, industrializa-se. Empreendeu-se então um ciclo de desenvolvimento capitalista que se estendeu até o final dos anos 1970. Depois, seguem-se duas décadas “perdidas”: 1980 e 1990. Esta última foi pior, pois com a dominância do neoliberalismo, a Nação entrou em relativa decadência. A vitória de Lula sustou esse processo de aviltamento; seu segundo mandato, sobretudo, repôs o país nos trilhos do desenvolvimento. O Programa sistematiza os 11 obstáculos que impedem o desenvolvimento pleno do Brasil. O texto explica por que o socialismo é a solução e o apresenta como terceiro salto da civilização brasileira. Contudo, afirma ainda não estarem maduras as condições para sua implantação imediata. Em decorrência disso, a luta, agora e já, por um NPND é o caminho brasileiro para o socialismo. As bandeiras desse novo projeto têm conteúdo anti-imperialista e de combate à oligarquia financeira e ao latifúndio improdutivo. Visa a tornar realidade um ciclo de desenvolvimento duradouro, arrojado, sustentável ambientalmente, com fortalecimento da soberania nacional e reforço da integração solidária do Brasil com os países latino-americanos. Lança nove reformas para ampliar a democracia brasileira com conquistas políticas, econômicas, sociais e culturais.

O 12º Congresso, também, renovou concepções e diretrizes para a construção de um partido comunista à altura dos desafios de nosso tempo e das tarefas de seu Programa. Um partido que floresce na fértil realidade política nacional dos últimos anos, no curso de uma grande crise capitalista e na dinâmica da nova luta pelo o socialismo que se robustece no Século 21. Tais ideias estão contidas no importante documento, Política de Quadros. Este texto firma a seguinte perspectiva: construir um Partido combativo, unido, influente política e eleitoralmente, imerso na luta política, social e de idéias, apto a lutar pela hegemonia no rumo de seu projeto programático; combinar de forma justa a atuação dos quadros na esfera político-institucional no seio do Estado vigente com a perspectiva estratégica de acumulação de forças para mudanças profundas na sociedade; alcançar uma estável e extensa militância, coesa, estruturada em organizações de base enraizadas na luta dos trabalhadores e do povo brasileiro.

Uma legenda que beira os 90 anos e já vislumbra o centenário, talvez, mais que qualquer outra, saiba o valor da democracia para os direitos dos trabalhadores e os interesses da Nação. Por isto, o Partido Comunista do Brasil comemora seus 25 anos de legalidade na luta para que a democracia tenha continuidade e ganhe avanços ainda maiores. Sua convivência democrática com as demais legendas, seu acervo de realizações e lições, sua galeria de heróis que deram sua vida pela causa do Brasil, da democracia, e do socialismo, se constituem num alicerce que sustenta e alimenta a teimosia de um povo que não abre mão de ser feliz. Inspiram as gerações contemporâneas a edificar um Partido e uma frente política e social capazes de liderar as lutas necessárias para o triunfo de seu Programa Socialista.


São Paulo, 23 maio de 2010.

O Comitê Central do Partido Comunista do Brasil, PCdoB

terça-feira, 25 de maio de 2010

PCdoB, PT e PSB apresentam chapa que vencerá às eleições de 2010!




Integrantes do PT, PSB e PCdoB apresentaram em entrevista coletiva os integrantes da chapa formada pelos três partidos e que deverá disputar as eleições de outubro. A chapa é encabeçada pelo deputado federal Flávio Dino (PCdoB), que será candidato ao governo do estado. A coligação traz como vice a ex-deputada Terezinha Fernandes (PT) e como candidatos a senador o ex-governador José ReinaldoTavares (PSB) e Bira do Pindaré, indicado pelo PT.

A chapa foi definida durante o segundo encontro de definição de tática eleitoral do partido, ocorrido nos dias 21 e 22 de maio. A atividade faz parte do cumprimento do calendário de atividades estabelecido pela direção nacional do PT e reuniu 89 delegados – dois a mais que a maioria que decidiu pelo apoio a Flávio Dino nos dias 26 e 27 de março.

Na última sexta-feira, um ofício da direção nacional do PT afirmou que a situação maranhense estaria em pauta na Convenção Nacional do partido, a ser realizada em junho. A pré-candidata Terezinha Fernandes, porém, garantiu a legalidade do ato político realizado no final de semana. “Não estamos de maneira nenhum confrontando a direção do partido ou o presidente Lula. Estamos cumprindo aquilo que a maioria dos petistas do Maranhão decidiu”, disse ela, lembrando que a coligação representará um palanque forte para a candidatura da ministra petista Dilma Roussef.

Frente popular

O pré-candidato ao Senado e secretário de formação do PT no Maranhão, Bira do Pindaré, lembrou ainda que a aliança montada entre PT, PcdoB e PSB no Maranhão é a mesma montada em 1989, primeiro ano em que Lula concorreu à Presidência da República, e em 2006, quando o presidente concorreu à reeleição. Para Bira, isso é mais um indício de que os componentes da chapa são aliados históricos. “Temos um compromisso com a democracia e com o povo maranhense, que precisa sair da miséria e do abandono”, disse.

O deputado federal Flávio Dino, que é pré-candidato ao governo do estado, agradeceu o apoio dos partidos aliados e elogiou as escolhas feitas pelo PT e pelo PSB. “Temos candidatos com experiências diferentes, trajetórias diferentes, mas é isso que traz o enriquecimento dessa nossa chapa”, avaliou.

Em seu discurso, Flávio Dino reforçou com os militantes e a imprensa o compromisso de fazer um governo voltado para os interesses dos movimentos sociais e as camadas da população mais pobres, buscando o desenvolvimento do Maranhão, com responsabilidade e sustentabilidade. O pré-candidato também lembrou o Encontro Nacional do PCdoB, ocorrido em São Paulo no último final de semana. Na ocasião, o partido decidiu por unanimidade reforçar o apoio à candidatura de Flávio para o governo.

Flávio Dino também pediu uma salva de palmas para homenagear os três jornalistas maranhenses falecidos na última semana: Jurtivê Macedo, Walter Rodrigues e Telma Borges.

“Camisa não vota”

Vice-presidente do PT do Maranhão, Augusto Lobato disse não acreditar que vá haver intervenção da coordenação nacional na legenda no sentido de revogar o apoio ao PCdoB.

Atualmente o terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, Flávio diz ter certeza que a maior parte do PT, mesmo a parcela nacional da legenda, deseja a sua candidatura. De acordo com as pesquisas de intenção de voto realizadas até o momento, Flávio Dino ocupa o terceiro lugar nas intenções de voto e registrou crescimento de quase 5% no último mês. Ele credita ao rápido crescimento as tentativas de dificultar a sua candidatura. “Já ultrapassou muito a fronteira normal da política e virou quase uma tentativa de coação”, definiu

Flávio Dino relembrou ainda que a aliança construída este ano no Maranhão é idêntica à da última eleição presidencial. “Em 2006, fizemos a mesma aliança e não houve intervenção nem anulação nem nada. Por que agora?”, questionou. E completou, confirmando que seria candidato ao governo mesmo que o apoio do PT não se concretizasse. “Mesmo que fosse forçado o apoio aos nossos adversários, eles levariam só o cartório, isto é, só o tempo de campanha e as camisas. Só que camisa não vota, e os corações estariam com a gente”, concluiu.

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Maranhão: dois palanques favorecem Dilma e o Estado.

A esperança ainda precisa vencer no Maranhão. Com o povo que tem, a extensão do território e o volume de riquezas naturais, nada justifica os indicadores de desenvolvimento humano dos mais retardatários do país. Não é justo, não é aceitável, não é necessário.


Por Walter Sorrentino

Secretário de Nacional de organização do PCdoB.


Uma oportunidade como nunca antes se abre em outubro. Esperança de renovação política como condição para impulsionar o desenvolvimento econômico e social. Vários Estados do Nordeste tiveram essa chance e a aproveitaram, sobretudo nos anos benfazejos de Lula presidente. É hora do Maranhão. Não é questão de pressa – em que pesem quarenta anos de um mesmo grupo político no poder, com brevíssimo interregno – mas de oportunidade.

A disputa política que se institui no Estado, até no seio das forças que sustentam a caminhada de Dilma à presidência da República, é positiva e necessária. Em primeiro lugar, para a própria Dilma: dois palanques estaduais serão mais fortes que um único. É um caso em que 2 + 2 são 5: não subtrai de um lado nem de outro, e soma porque não deixa ninguém pelo caminho. Isso, num estado de divisões políticas radicalizadas, não é secundário. Em segundo lugar, favorecem o povo, indica-lhe que há mais de um caminho, além do poder que se perpetua. Sabe-se que tudo que permanece longo tempo se vicia, sobretudo em política. Isso cria visgo de interesses, bloqueia a iniciativa e a vida institucional, acaba por atrasar o desenvolvimento.

Aliás, dois palanques estaduais ocorrem em muitos Estados do país, e as forças que apóiam Dilma tiveram experiência em administrar as situações, respeito às particularidades. Também no Maranhão isso é necessário. Respeito pelo anseio de renovação presente, pela legitimidade da disputa política, e respeito entre os parceiros que sustentam Dilma. Que deixem o povo escolher a melhor via.

O Maranhão quer renovação. São poderosas e objetivas as exigências dessa renovação. Poderosas igualmente as forças que contrapõem à renovação todo tipo de obstáculos. O PCdoB nesse caso acredita ser indispensável disputar o governo para fortalecer a eleição de Dilma e o projeto nacional, com Flávio Dino.

Flávio Dino é quadro que raras vezes desabrocha no cenário político. Homem de capacidade, compromisso, inteligência, dinamismo, representatividade e liderança, sua candidatura ao governo será forte impulso para o Maranhão, para as forças progressistas desse Estado e para os interesses de todo o país.

O PCdoB e Flávio Dino dispõem-se, por isso, a sustentar o projeto de conquistar o governo com amplas forças políticas e sociais e formulando um programa de avanço para o povo maranhense. Querem representar o futuro político do Estado, promovendo uma renovação política que seja inclusiva de amplas forças, com respeito e convívio democrático em torno de projeto maior para o país, compreendendo as disputas políticas sem o sectarismo e as vicissitudes que têm marcado o cenário político no Estado. Não são anti-nada, tampouco são adesistas. Simplesmente querem reunir forças comprometidas com o futuro, mobilizar a energia das forças vivas do Maranhão, para pôr o estado em alinhamento e sintonia com o que acontece no país sob o governo Lula, e que deverá se aprofundar com Dilma Presidente. Dar, enfim, uma nova coluna para vertebrar a vida política no Maranhão.

Esse rumo tem ampla perspectivas, já demonstradas nas eleições de 2006 e 2008. PCdoB e PSB nuclearam um projeto eleitoral para 2010. Os dois encontros do PT deliberando somar-se a isso são auspiciosos, indicativos da vontade legítima da maioria e de suas bases sociais. Para além das siglas, reúnem-se ainda as forças dos movimentos sociais e da sociedade civil, prefeitos, círculos econômicos empresariais e outros partidos. Não há como socavar todo esse potencial no canal político estreito e entupido que marca a vida política no Estado. Aliás, PCdoB, PSB e PT estiveram juntos e galvanizaram a esperança para o povo porque, pela primeira vez, em 2006, se alternou o grupo político no poder do Estado das últimas quatro décadas.

Mais estrategicamente, grandes desafios se põem diante da nação brasileira neste momento. O mundo vive em aberta transição de correlação de forças, que traz instabilidades e oportunidades. A afirmação do Brasil tem se desenvolvido não sem grandes obstáculos postos pelas potências econômicas – em primeiro lugar os EUA. O mais certo nessa situação é fortalecer a esquerda brasileira, a frente de esquerda, um núcleo estratégico de esquerda no seio do futuro governo Dilma. Ao lado de assegurar governabilidade, para a qual fazem falta o PMDB e numerosas outras legendas politicamente de centro, democráticas e desenvolvimentistas do país. Essa união e fortalecimento da esquerda foi uma das reflexões apresentadas por Dilma Rousseff que levou o PCdoB a manifestar seu apoio, mais uma vez em todos os Estados. Por isso, fortalecer essas legendas, entre as quais o PCdoB, não é secundário.

Lula tem seus compromissos e devemos respeitá-los. Mas não é demais esperar do PT e de sua candidata a presidente, compreensão no sentido de que o fortalecimento dos partidos frentistas é uma premissa de qualquer aliança estratégica. Quando o PT deu as costas a esse entendimento, certo ou tarde houve prejuízo para si e para a esquerda em geral.

O PCdoB quer e vai disputar o governo do Maranhão por essa razão: fortalecer o movimento de mudança que o país vive e os maranhenses reclamam de modo profundo. O projeto do PCdoB no Maranhão é de caráter nacional. Estamos todos empenhados em lutar por ele, porque é o que melhor corresponde aos interesses da luta nacional para levar Dilma à Presidência da República, e o que mais profundamente corresponde aos interesses de renovação do desenvolvimento para o Maranhão e seu povo indômito.

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domingo, 23 de maio de 2010

PCdoB de São Luís chama fâmulos do Imirante de "irresponsáveis"!

Em nota assinada pelo presidente municipal do PCdoB, Márcio Jerry, os comunistas classificam matéria postada no Imirante como "mentirosa" e "irresponsável", "típica de quem deseja atropelar decisões democráticas".

Não é a primeira vez e nem será a última. A carcomida e degenerada oligarquia Sarney utiliza o Imirante para ser o frágil porta-voz das suas intrigas e mesquinharias. Foi-se o tempo onde a decadente oligarquia utilizava jornalistas de verdade para defender suas idéias. Hoje qualquer parvo de quinta categoria despeja fofocas, intrigas, mexericos, futricas e é logo alçado ao posto de "dono do lixeiro". O caso em questão é exemplar.

A incompetência é tanta que um desses mentecaptos chegou a escrever que Flávio Dino "armou" com "repórteres da Veja, Época, Folha de S. Paulo, Estadão e O Globo, todos ligados ao pré-candidato tucano José Serra" para inventar a história da compra de delegados petistas para apoiar Roseana. Ou seja, ele mesmo admite que a "Globo" - empresa em que ele trabalha e em última instância sustenta o Portal Imirante e o seu próprio blog - apóia o Serra.

Ora, se a Globo apoia o Serra, que coerência há em acusar Flávio Dino se o próprio missivista é um fâmulo de quinta categoria das Organizações Globo? É muita contradição para pouco texto. E o mais engraçado é que o energúmeno não percebeu que preposterou a lógica do seu argumento.

A nota do PCdoB de São Luís põe esses oportunistas em seu devido lugar: na direita burra, lugar que ocupam e da qual não vão sair.

E assim caminha o velho Maranhão das atrasadas oligarquias... Para trás!



NOTA DO PCDOB DE SÃO LUÍS.


Sobre a matéria(?) “PCdoB do MA faz jogo sujo de Serra e tenta prejudicar Dilma Roussef por causa da aliança PT/Roseana”, o Partido Comunista do Brasil tem a dizer:


O PCdoB mantém com o PT uma aliança duradoura, estável, profícua e muitíssimo respeitosa; é o partido que esteve com Lula e o PT em todas as batalhas eleitorais;

O PCdoB apóia de forma resoluta, clara e dedicada o governo do Presidente Lula, tendo sido uma das principais forças de sustentação do governo nas horas difíceis em que a direita e oportunistas de vários matizes tentavam desestabilizá-lo;

O PCdoB foi o primeiro partido político a anunciar o apoio à candidatura da ex-ministra Dilma, fundamentando este apoio em bases programáticas, políticas e ideológicas;

O PCdoB, pois, não fez, não faz, nem fará qualquer “jogo sujo de Serra” para “prejudicar Dilma Roussef”, como contido na “matéria”.

O PCdoB quer, ao contrário, dar mais uma grande contribuição à eleição de Dilma, oferecendo a ela um palanque democrático e popular no Maranhão, de modo a canalizar para a candidatura presidencial o imenso apoio que ela tem nos movimentos sociais do estado, os quais nem de longe mantém qualquer identidade com a candidatura do PMDB;

O PCdoB ,por fim, nao "plantou" nota alguma e repudia energicamente a acusaçao irresponsável feita pelo Imirante. E repudia com vigor o “jogo sujo” de quem deseja atropelar decisões democráticas e legítimas por quaisquer tipos de armações, chantagens, pressões fisiológicas e mentiras.

São Luis, 21 de maio de 2010

Márcio Jerry Saraiva Barroso
Presidente do PCdoB/São Luís

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Integrantes da tendência Construindo um Novo Brasil - CNB - lançam manifesto em favor de Flávio Dino.



Manifesto em defesa do PT, de Dilma e Dino.

N
ós, militantes do Partido dos Trabalhadores da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), nos dirigimos à sociedade maranhense, ao povo brasileiro e aos dirigentes do Partido dos Trabalhadores, neste momento decisivo da história do Maranhão e do Brasil, para manifestar publicamente nossa discordância, em relação à tentativa de golpe a democracia interna do PT, e também reafirmar o nosso compromisso de contribuir de todas as formas para as eleições de Dilma Roussef e Flávio Dino, por um Maranhão Democrático e Progressista.

1. Participamos de uma construção coletiva, o Partido dos Trabalhadores, que se notabilizou por agregar diferentes correntes de pensamentos, mas todas com o mesmo ideal – combate às desigualdades sociais e pela consolidação de uma sociedade justa, fraterna e igualitária. Assim tem sido há 30 anos: expomos e debatemos nossas idéias e a maioria dos filiados decide. É o exercício pleno da democracia que faz do PT um partido diferenciado, amado e respeitado;

2. É inadmissível que o Partido dos Trabalhadores no Maranhão retroceda para atender aos interesses do grupo oligárquico, que fracassou na gestão do Estado, que usa o bem público para beneficiar apenas aos seus e que deixa a maioria da população em situação caótica. A história de luta e resistência do PT maranhense tem raízes sólidas nos movimentos organizados e populares; custou sangue, suor, lágrimas e até mortes, seja no campo na luta contra o latifúndio, como nas manifestações populares (greves, passeatas, outros);

3. O Brasil mudou com o governo do presidente Lula e vai continuar mudando com o governo da presidenta Dilma Rousseff;

4. O nosso desafio é construir um país que seja efetivamente de todos e que todos possam se beneficiar da riqueza produzida pelo Brasil;

5. O povo maranhense não pode continuar excluído das conquistas do governo Lula, mantendo baixos índices de desenvolvimento humano;

6. Para que a presidenta Dilma Rousseff possa continuar a obra do governo Lula é preciso também que se elejam nos estados governadores, deputados federais e estaduais comprometidos com as mudanças sociais, a distribuição de renda e a geração de trabalho;

7. No Maranhão, o Encontro Estadual de Tática Eleitoral decidiu pela aliança do PT com o PCdoB e PSB e pela candidatura do deputado federal Flávio Dino ao governo do Estado;

8. Defendemos o resultado legítimo desse encontro e pedimos que as instâncias partidárias respeitem e façam respeitar essa decisão;

9. O PCdoB e PSB são antigos e firmes aliados do Partido dos Trabalhadores na construção de um projeto democrático de nação;

10. A aliança nacional com o PMDB - necessária para a construção da vitória eleitoral de Dilma Rousseff em 2010 - não pode se dar pela renúncia ao fortalecimento do campo democrático e popular no país, respeitando as particularidades de cada estado;

11. Por isso, repudiamos a intervenção planejada do grupo que apóia Roseana Sarney no Partido dos Trabalhadores, orquestrada por parte da CNB-MA, que se nega a respeitar a decisão do encontro estadual;

12. O projeto de poder do grupo Sarney apresenta claros sinais de esgotamento e enfrenta a resistência de grande parte do eleitorado, que deseja a mudança e a renovação da política maranhense;

13. Em consonância com o desejo de mudança e renovação do povo do Maranhão, convidamos todas as pessoas que almejam um BRASIL PARA TODOS a participarem da campanha de Dilma Rousseff para Presidência da República e Flávio Dino para o governo do Estado do Maranhão.

São Luís (MA), 20 de maio de 2010

Foto: Marla Silveira, Marlon Henrique, Ed Wilson Araújo, Chico Sales, Nivaldo Araújo e Marlon Botão

blogdoedwilson.blogspot.com

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A INCOMPETÊNCIA DO GOVERNO ROSEANA E DE SEUS ALIADOS.



O Ministério do Trabalho e Emprego adverte: o PIAUI, PARÁ e CEARÁ geram mais empregos do que o MARANHÃO.

Milton Campelo (*)

O Ministério do Trabalho e Emprego – MTE disponibilizou em sua pagina na internet (www.mte.gov.br), a posição, até abril 2010, da evolução do número de empregos formais, com carteira assinada, no país.

Veja o acumulado nos últimos 12 meses do Maranhão e seus vizinhos laterais e referenciais:

- CEARÁ: 84.635 empregos;

- PARÁ: 30.809 empregos;

- PIAUI: 21.406 empregos e

- MARANHÃO: apenas 12.924 empregos.

Traduzindo: o Piauí tem uma economia 02 vezes mais dinâmica do que a Maranhense, o Pará 03 vezes mais e o Ceará 08 vezes mais do que o Maranhão! Pelo menos nos últimos doze meses.


Quantas reflexões esses números propiciam. Um deles é que o Ceará gera por mês o que o Maranhão consegue em 11 meses de atividade econômica!

Do ponto de vista territorial, o Maranhão com seus 331.983,293 km2 de extensão, sendo o do Brasil em tamanho, é capaz de abrigar em seu espaço até 07 Estados brasileiros ( Alagoas, Espírito Santos, Paraiba, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Sergipe).

O MARANHÃO apresentou um PIB ( Produto Interno Bruto ) estimado de R$ 31.606 bilhões, o que proporciona R$ 5.165,23 per capita com um IDH (Indice de Desenvolvimento Humano) de 0,636.

Se compararmos o Maranhão com os “ setes estados que cabem aqui” teremos o quadro abaixo:

ALAGOAS: R$ 17.793 bilhões (R$ 5.858,37 per capita) (IDH=0,649)

ESPÍRITO SANTOS: R$ 60.340 bilhões (R$ 18.002,92 per capita) (IDH=0,765)

PARAIBA: R$ 22.202 bilhões (R$ 6.097,04 per capita) (IDH=0,661)

RIO G DO NORTE: R$ 22.926 bilhões (R$ 7.607,01 per capita) (IDH=0,705)

RIO DE JANEIRO: R$ 296.768 bilhões (R$ 19.245,08 per capita) (IDH=0,807)

SANTA CATARINA: R$ 104.623 bilhões (R$ 17.834,00 per capita) (IDH=0,822)

SERGIPE: R$ 16.896 bilhões (R$ 8.711,70 per capita) (IDH=0,682)

Esses 07 Estados juntos produzem um PIB de R$ 541.548 bilhões, enquanto o Maranhão apenas 5,8% desse total. Não é preciso nem comparar nosso IDH com os demais.


A vantagem dos números é que eles estão disponíveis nos sistemas corporativos governamentais e eles revelam o brutal descompasso da economia maranhense das demais realidades nacionais. O resto é a utilização desproprocional de recursos midiáticos para mascarar essa realidade.


Milton Campelo

Engenheiro Agrônomo e Administrador de Negócios

Membro Direção Nacional do CEBRAPAZ

terça-feira, 18 de maio de 2010

O MAIOR GOL DE LULA.



A proposta brasileira e turca de acabar com o impasse sobre o programa nuclear iraniano foi a melhor atuação da política externa brasileira desde os territórios alcançados por intermédio do Barão do Rio Branco.

É quase um consenso depois da tragédia iraquiana que a política de "força bruta" dos EUA não é a mais indicada para tratar dessas questões. Novos atores internacionais precisam aparecer em cena e apresentar indícios de solução para os grandes desafios de um mundo que caminha rapidamente para um cenário de multipolaridade.

O medo das grandes potências com o acordo fechado são as mudanças de poder no mundo, que alteram profundamente o equilíbrio político vigente a mais de meio século e que privilegia o domínio euro-americano.

Repercussões no mundo.

O jornal inglês Financial Times disse que: "Ambos os países estão se colocando como atores importantes para superar a desconfiança entre o ocidente e o mundo islâmico (no caso de Ancara) e o mundo emergente em geral (no caso de Brasília)", diz o diário. "Ainda que o acordo termine em uma rua sem saída, o papel das potências emergentes é bem-vindo".

Já a China, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, anunciou que "Apoiamos o acordo, consideramos importante. Esperamos que isto ajude a promover uma solução pacífica à questão nuclear iraniana", declarou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Ma Zhaoxu.

Defensores do império.

Também não deixa de ser interessante observar que nessas questões internacionais - onde os interesses do imperialismo aparecem de forma clara e cristalina - os fâmulos da mídia local e seus ventríloquos na câmara e no senado repetem, ipisis verbis, as idéias e as palavras do império. São críticos de Lula, mas tão dóceis com a unipolaridade burra dos anglo-saxões.

Meia dúzia de cretinos que não enxergam um palmo adiante do nariz, não conseguem compreender a importância estratégica desse acordo para os interesses do Brasil e dos países emergentes na construção de um mundo multipolar, onde os consensos não podem ser só de "Washington", mas devem ser construídos levando em consideração os novos atores internacionais.

Jogada de mestre.

No momento que o sistema baseado no capital financeiro vive sua pior crise, onde os EUA estão atolados no Iraque e no Afeganistão com sua política de "primeiro agredir e depois propor acordos", é salutar ver que o Brasil tem respaldo para propor uma solução negociada com os iranianos, tão temidos pelo dito "ocidente cristão e imperialista".

A copa não começou, mas Lula já está dando de goleada.

Direção do PT desmascara golpe e reafirma apoio a Flávio Dino.

Comunicado

Considerando as informações veiculadas no jornal O Estado do Maranhão, edição de 17.05.10, de suposto apoio do PT à candidatura de Roseana Sarney, comunicamos que:

a) O PT já decidiu em Encontro Estadual, instância máxima de deliberação do partido, coligar com o PCdoB e PSB e apoiar a candidatura de Flávio Dino ao governo do Estado do Maranhão;

b) A reunião organizada pelo grupo de Washington com Roseana Sarney não traduz a decisão do PT, mas apenas a do grupo, que se nega a acatar a decisão do Encontro Estadual;

c) Esta é a quinta tentativa do grupo de Washington contra a decisão do Encontro de Tática Eleitoral, numa atitude de profundo desrespeito às instâncias partidárias e ao próprio regimento interno do PT;

d) O grupo de Washington já apresentou recursos à direção nacional, pediu intervenção no Maranhão, defendeu a retirada da candidatura de Flávio Dino, propôs a revisão da decisão anterior em novo encontro e, agora, quer substituir o encontro do PT por reunião de tendência e abaixo assinado;

e) Vamos informar a direção nacional do PT o que está acontecendo no Estado do Maranhão e solicitar que esta instância partidária faça respeitar as normas partidárias e a decisão do Encontro Estadual;

Para consolidar as conquistas do governo Lula, o PT decidiu em encontro unificar o campo democrático e popular em torno da candidatura Dilma à Presidência da República e Flávio Dino ao governo do Maranhão, com o apoio dos movimentos sociais.

ESTA ESTRELA É NOSSA!

São Luís, 17 de maio de 2010.

Augusto Lobato
Vice-presidente do PT

Bira do Pindaré
Secretário de Organização

sexta-feira, 14 de maio de 2010

DEU NO SÍTIO VERMELHO: Flávio Dino, aliança representa o projeto de Dilma e Lula no MA



Nesta entrevista, o pré-candidato do PCdoB ao governo do Maranhão, deputado federal Flávio Dino, fala sobre sua atuação no parlamento, sobre o cenário político em seu estado e sobre as perspectivas de sua candidatura e da aliança com o PT local. “O papel fundamental deste polo (de esquerda) é ter coerência com o projeto nacional e fazer com que o Maranhão não fique para trás neste processo. Hoje, é como se o Brasil caminhasse numa direção e o estado em outra”, argumenta.

Por Gustavo Alves

Vermelho: Deputado, o senhor está no final do seu primeiro mandato como deputado federal e é apontado como um dos cabeças do Congresso. Isso é resultado de muito trabalho ou de muito diálogo?

Flávio Dino:
As duas coisas se complementam: muito trabalho de acompanhamento dos projetos, de preparação técnica, dos debates parlamentares, apresentação de proposições e também esta preocupação de que não basta ter boas ideias e apresentá-las; é preciso articulação para que elas se viabilizem, especialmente num cenário difícil, com a Câmara muito fragmentada, sem maiorias políticas claras. Por isso, cada projeto, seja ele de qual natureza for, sempre demanda uma grande articulação. Portanto é preciso ter as duas coisas: iniciativa e também habilidade para que tal iniciativa seja bem recebida. Aqui não é uma Casa de indivíduos, de exercício de individualidades, mas uma Casa de construção de maiorias. É preciso ter iniciativa, mas se essa iniciativa não corresponder ao sentimento da maioria, ela vai cair no vazio. Essa é minha concepção desta faceta do trabalho parlamentar, a do trabalho como legislador. O exercício parlamentar não compreende apenas a função legislativa, pelo contrário. Se fosse apenas isso, ela não daria conta dos grandes desafios que hoje recaem sobre o Parlamento. Existe a função fiscalizadora, por exemplo, de controle sobre os outros poderes do Estado, de encaminhamento das reivindicações das entidades de classe, de municípios, de regiões, de setores econômicos, de setores sociais etc. No trabalho parlamentar, é preciso muita humildade para escutar e respeitar outros pontos de vista para, a partir desta pluralidade, encontrar o caminho que viabilize a construção de uma norma, de uma lei mais avançada, mais democrática e que amplie os direitos da maioria da população.

Vermelho: Você protagonizou debates importantes como a Reforma Política e o projeto Ficha Limpa. Qual tema acompanhou com mais interesse e qual o acredita que o Parlamento deixou de tratar?

FD: Desde o início eu acompanhei isso o que se convencionou chamar de Reforma Política; e acho que o correto é imaginar sempre no plural, “reformas políticas”, porque não há um momento mágico em que, de uma só vez, se realizará a reforma dos sonhos individuais de quem quer que seja. Na verdade, é um processo continuado, permanente – a meu ver muito bem sucedido no Brasil – de construção de instituições políticas democráticas. Não é simples fazer isso porque não temos uma tradição democrática longa no país, pelo contrário. Nestes 120 anos de República, nós vivemos longos períodos de ditaduras, de rupturas, muitas constituições, muitos marcos normativos. Não temos uma história partidária longa, tanto que o nosso partido, o PCdoB, é o mais antigo do país e tem somente 88 anos, enquanto o Brasil tem mais de 500 anos, então mesmo o mais antigo é relativamente recente.

Nesse cenário, nós não vamos conseguir, de uma vez só, instituições políticas ideais. Assistimos agora na Inglaterra, que pratica este sistema político eleitoral há séculos, questionamentos bastante radicais acerca do voto distrital, do sistema assentado em três partidos e da dificuldade de construção de uma maioria parlamentar que conduza o governo. Ou seja, mesmo países de democracia formal mais longeva enfrentam questionamentos. Tenho a impressão de que há um grau de exigência excessivamente alto com as instituições brasileiras. Penso que temos tido sucesso na implementação das reformas políticas. Situo a reforma eleitoral de 2009, da qual eu fui relator, e agora este projeto Ficha Limpa, da qual eu fui um dos co-autores, como momentos importantes de aperfeiçoamento das instituições políticas brasileiras, evitando inclusive retrocessos. Esse é um aspecto muito especial para o nosso partido e acho que concluímos esta legislatura com muito êxito no sentido de garantir avanços e evitar retrocessos.

No princípio se imaginava uma pauta para a reforma política que passasse pela reintrodução de cláusula de barreira, pelo fim do sistema proporcional, restrição ao funcionamento de pequenos partidos, o que representaria o aniquilamento de um traço fundamental do sistema representativo que é o respeito à pluralidade. Portanto, acho que conseguimos nesta 53ª legislatura avançar em alguns pontos. Ainda não em todos, pois permanece uma longa agenda a ser percorrida, principalmente aquela referente ao financiamento público de campanha, mas evitamos retrocessos. Foi um período de êxitos para o PCdoB neste debate da reforma política.

Vermelho: Sua candidatura à prefeitura de São Luis em 2008 consolidou um novo pólo político na Maranhão e também mostrou um novo modo de fazer política. Qual a sua avaliação daquele processo eleitoral?

FD: Aquele foi um processo bastante rico, um momento de muitos ensinamentos, de muito aprendizado para mim, individualmente, e para o nosso partido. Foi a primeira disputa majoritária que eu participei e que o PCdoB do Maranhão e o de São Luís participaram. Conseguimos constituir um campo. Começamos nas pesquisas com 3 ou 4 por cento e chegamos ao segundo turno e quase vencemos as eleições. Polarizamos o debate político e saímos vitoriosos no sentido de acumular forças. Incorporamos novos quadros, militantes e simpatizantes, ampliamos a nossa influência social, elegemos uma bancada de dois vereadores, o que corresponde a 10% Câmara Municipal, uma força significativa para a situação que tínhamos anteriormente. Isso possibilitou que nós abríssemos este campo político novo, não só na cidade como no estado. Digo novo por ser evidentemente um continuador de experiências anteriores, mas novo na perspectiva de ter uma maior amplitude e uma força, inclusive eleitoral, mais significativa. Evidente que sempre existiu a atuação política da esquerda em São Luis e no Maranhão, sou inclusive filho desta tradição, seu continuador, e a minha formação política no Maranhão se deve aos quadros políticos anteriores da esquerda maranhense. Mas conseguimos agora ir um pouco adiante porque fomos capazes de estabelecer uma polarização na capital que permitiu um arejamento da esquerda democrática e popular. Portanto, saí bastante satisfeito deste processo e tenho muita honra, alegria e orgulho de ter podido ajudar naquele instante.

Vermelho: O PCdoB está sendo protagonista no processo eleitoral deste ano no Maranhão. Como está a construção da sua pré-candidatura ao governo?

FD: Estamos num momento de grandes definições, porque é impossível disputar o governo de um estado, qualquer que seja ele, sem alianças. O PCdoB sempre compreendeu isso; é da nossa tradição e do nosso programa. Fizemos isso com muito sucesso no plano nacional, agora estamos na sexta eleição presidencial consecutiva em que este campo político se confirma e vamos fazer isso também aqui no maranhão. Ensaiamos isso na disputa de São Luís, onde tivemos uma aliança com o PT, e agora estamos buscando aliança também com o PSB. Neste instante temos exatamente isso: uma aliança do PCdoB com o PT e o PSB e com os movimentos sociais, lideranças da sociedade, sejam sindicais, religiosas, empresarias que têm essa visão programática de modernização democrática, de justiça social, de inclusão social. A pré-candidatura está em crescimento, em momento de afirmação, construção do plano de governo que apresentaremos e definição das alianças nos municípios. Há apenas um debate em aberto que diz respeito a uma tentativa de reverter a decisão do PT de nos apoiar. No dia 27 de março, o PT foi confrontado com duas alternativas: apoiar a nossa pré-candidatura ou apoiar a candidatura da atual governadora Roseana Sarney e nós vencemos a disputa. Há agora um movimento de anular esta decisão. Evidentemente, não concordamos com isso uma vez que as regras estatutárias e legais foram plenamente cumpridas. Então, diria que é um momento muito positivo. Temos um ponto de interrogação ainda no caminho, mas tenho a perspectiva de que será solucionado nas próximas semanas e teremos a definição das pré-condições fundamentais para que nós disputemos o governo e possamos vencer as eleições.

Vermelho: Como avalia o papel deste novo pólo político encabeçado pela sua pré-candidatura na campanha de Dilma no Maranhão?

FD: Em primeiro lugar, cumprindo este papel de efetivamente representar a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff no Maranhão. Há muitas forças políticas que hoje fazem parte desta aliança nacional, há muita gente embaixo deste guarda-chuva, só que não são todos iguais. Cada um tem sua história, seu patrimônio político, sua visão programática, sua perspectiva. Somos da esquerda, defendemos o avanço das marcas do governo Lula que são o desenvolvimento com justiça social, o desenvolvimento com distribuição acelerada de riqueza, o desenvolvimento com participação popular, desenvolvimento com combate à corrupção; é isso que nós representamos. E esta é, em minha opinião, a essência do projeto representado pela ministra Dilma. E é isso que nós buscamos mostrar: a ligação entre a aliança nacional, entre o projeto nacional e a realidade do estado. O papel fundamental deste pólo é ter coerência com o projeto nacional e fazer com que o Maranhão não fique para trás neste processo. Hoje, é como se o Brasil caminhasse numa direção e o Maranhão em outra. O Maranhão é um estado marcado por inúmeras potencialidades, por condições especiais de infraestrutura e geográficas, mas é o estado que tem os piores indicadores sociais e isso seguramente não atende aos objetivos do projeto nacional. Então este pólo de esquerda popular, democrático, amplo tem esse grande objetivo, de garantir que esse modelo, esse novo projeto de desenvolvimento, como o PCdoB defende, seja executado também no estado.

Vermelho: Como seria o Maranhão com Flávio Dino governador?

FD: Um estado que vai enfrentar os desafios com firmeza, ousadia, sinceridade e honestidade. Um estado que vai conseguir desenvolver suas múltiplas vocações econômicas e um estado justo. O Maranhão é um estado com muitas contradições; é muito rico, porém o povo é muito pobre porque a riqueza é mal aplicada, mal distribuída regionalmente e socialmente. Temos este diagnóstico e sabemos como resolver esta contradição. O presidente Lula, no plano nacional, e a pré-candidatura de Dilma representam o caminho. Precisamos que o Maranhão siga efetivamente este caminho. Iremos governar com essa obsessão de superar as graves injustiças sociais que vitimam milhões de maranhenses, milhões de crianças que nascem e vivem sem esperanças. Vamos fazer um governo de afirmação da grandeza do Maranhão e um governo onde a esperança vai vencer.

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=129383&id_secao=1

Obs: os negritos são por munha conta e risco.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Seminário Internacional conclui: é preciso voltar a Lênin




Por André Cintra e Oswaldo Bertolino

Num de seus ensaios mais célebres, datado de 1913, o teórico e revolucionário russo Vladimir Ilitch Ulianov, o Lênin, dissecou as chamadas “três fontes e três partes constitutivas do marxismo”. Quase cem anos depois, o seminário "Pensar Lênin —Aspectos Contemporâneos de sua Teoria" transformou o crítico em objeto de crítica. Realizado no Hotel Braston, em São Paulo, no sábado (8), o encontro debateu as matrizes, a influência e a atualidade do pensamento leninista.

“Há uma tendência de os meios acadêmicos e políticos desprezarem o papel de Lênin como teórico. Mas suas contribuições são incalculáveis. A atualidade de Lênin é um patrimônio que tem de ser valorizado”, afirmou, na conferência de abertura do seminário, José Barata-Moura, ex-reitor da Universidade de Lisboa.

Convidado especial da Fundação Maurício Grabois, promotora do seminário, o pensador português elogiou a iniciativa de resgatar as ideias de Lênin em meio às comemorações dos 140 anos de seu nascimento. Segundo Barata-Moura, o leninismo ganhou mais força, coesão e coerência na década de 1910, a partir da maior incorporação da dialética hegeliana às suas análises.

Num livro como Materialismo e Empiriocriticismo, concluído em 1908, Lênin cita poucas vezes Hegel ao opor o materialismo ao idealismo burguês. A obra foi escrita no rastro de dois traumas nacionais: as rebeliões populares contra o czarismo (que foram duramente reprimidas) e a derrota do Império Russo na Guerra Russo-Japonesa.

Já nos Cadernos Filosóficos, que são de 1913, Lênin aprofunda “a dimensão filosófica do pensar — subsidia-se mais em Hegel para fazer uma releitura aprofundada no materialismo”, lembra Barata-Moura. “E é um livro também elaborado num período de refluxo, às portas da 1ª Guerra Mundial e em meio a muitas traições de altos dirigentes comunistas.”

Atitude filosófica

Num prefácio à Ciência da Lógica, de Hegel, escreve Lênin: “Não é possível compreender plenamente O Capital, de Marx, e particularmente o seu capítulo 1 sem ter estudado a fundo e sem ter compreendido toda a Lógica de Hegel. Por conseguinte, meio século depois nenhum marxista compreendeu Marx!”.

É nesse sentido que Barata-Moura destaca a “atitude filosófica” de Lênin, que, por sinal, não deixa de tecer críticas também a pensadores materialistas. “O pensamento leninista é uma prova de que, para estar diante do materialismo, não basta apenas conceber a matéria como categoria filosófica. Muitas matrizes idealistas ressuscitam disfarçadas, com figurinos mais sofisticados”, afirma.

“Lênin demonstra que a prática tem de ser um processo de verificação da objetividade de nossos conhecimentos — uma ação transformadora. Não é só com a filosofia que transformamos o mundo, mas, sem a compreensão concreta dos fatos, não há transformação duradoura”, ressalta o ex-reitor. “A teoria é uma peça montada sobre o contexto da luta de classes. É preciso representar no movimento presente o futuro desse mesmo movimento.”

Diferença brutal

O primeiro palestrante da tarde foi Aloísio Teixeira, reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que iniciou sua exposição situando o contexto em que Lênin produziu a sua obra teórica. Ele explicou que era a época em que os bancos passaram a ter novo papel, as empresas iniciaram uma nova fase em suas formas de organização com a administração científica e a concorrência monopolista começava a se impor. Aloísio Teixeira lembrou que o termo imperialismo surgiu na época de Benjamin Disraeli, escritor e histórico dirigente político britânico — um símbolo do conservadorismo da era vitoriana.

Para ele, o debate marxista sobre o imperialismo revelou três visões — a de Lênin, a de Rosa Luxemburgo e a de Karl Kautski. Mas há um certo consenso de que o imperialismo tem algo de novo em relação aos impérios da antigüidade, ou mesmo àqueles dos albores da modernidade capitalista, que foram instrumentos de acumulação originária do capital, disse.

Hoje, explicou Aloísio Teixeira, existe uma diferença brutal entre os Estados Unidos e o resto do mundo. Com a desvinculação do padrão ouro, no início da década de 70, o império norte-americano passou a usar também o dinheiro como símbolo do exercício do poder. Pela primeira na história, destacou, há uma relação de troca baseada em algo que não é real.

Desenvolvimento desigual

O segundo palestrante da tarde foi Luiz Fernandes, cientista político e professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), que iniciou sua intervenção enfatizando que lamentavelmente Lênin não é muito valorizado na academia. E até o termo imperialismo caiu em desuso. Mas, segundo ele, a obra de Lênin é fundamental para se entender a filosofia da atual ordem internacional, para a valorização da política.

Segundo ele, o pensamento leninista foi determinante para a revolução russa, mas é também indispensável para o entendimento da realidade atual. Luiz Fernandes destacou que o conceito de desenvolvimento desigual, na teoria do imperialismo, é um elemento importante para o entendimento do que acontece hoje. Ele citou o exemplo de nações da periferia do sistema capitalista que passam por um rápido processo de desenvolvimento, um fenômeno explicado por Lênin, e a neofinaceirização, determinante para a geopolítica atual.

Convicção inabalável

O terceiro palestrante, João Quartim de Maoraes, titular de filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também fez uma análise sobre a conjuntura em que Lênin desenvolveu sua obra e enfatizou o nexo político indissolúvel entre a teoria e a política. Para ele, a tese de Lênin de conformação de um partido de combate foi uma superação das debilidades da Segunda Internacional.

A firmeza de princípios de Lênin, disse João Quartim de Moraes, decorre da sua convicção inabalável sobre os preceitos do marxismo a respeito do desenvolvimento das relações de produção capitalista. Segundo ele, a capitulação da Segunda Internacional fez Lênin repensar a trajetória do marxismo. E o desenvolvimento da revolução, principalmente a partir da vitória sobre o nazi-fascismo em 1945, mostrou a pujança soviética, que pôs na defensiva as potências imperialistas.

A derrota da União Soviética e seu desmantelamento, disse João Quartim de Moraes, representou o início de uma fase contra-revolucionária. Para ele, as experiências de resistência merece uma observação atenta. O exemplo da China, que seria uma Nova Política Econômica (NEP) em proporções gigantescas, encerra contradições que precisam ser analisadas no debate sobre o caminho para o socialismo, destacou.

Preceitos mecanicistas

Renato Rabelo, presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), encerrou as palestras dizendo que o a derrocada do campo socialista representa uma derrota estratégica. Mas ressaltou que foi uma experiência inicial, um ensaio curto, de 1917 a 1989/91, que representa, na história, um período diminuto. E Lênin foi o grande pensador de uma teoria para a revolução do século XX, para a vitória da União Soviética na Segunda Guerra Mundial e os êxitos das lutas pela libertação nacional.

A débâcle dessa primeira experiência socialista fez os Estados Unidos assumirem a posição hegemônica do imperialismo. Ou seja: uma ofensiva capitalista e imperialista em todos os terrenos, na qual se destaca a ofensiva financeira, denominada de neoliberalismo. Para Renato Rabelo, é preciso tirar ensinamentos dessa situação para desenvolver a teoria revolucionária, com uma compreensão materialista-dialética.

Ele disse também que no Brasil os comunistas ficaram presos a preceitos mecanicistas, como a inevitabilidade de duas etapas para a revolução, o modelo universal único de socialismo e o trânsito direto ao socialismo após a conquista do poder. Segundo Renato Rabelo, essa limitação dificultou o horizonte, a elaboração de um programa que refletisse a realidade do Brasil e de países semelhantes.

Voltar a Lênin

O presidente do PCdoB também comentou alguns aspectos da derrocada da União Soviética, que desabou por dentro. Para ele, a fusão partido-Estado foi uma doutrina para justificar uma determinada política de Estado. O resultado foi uma estrutura política que fossilizou, que levou a uma estagnação do modelo soviético de desenvolvimento econômico.

Toda essa reflexão, disse, levou à conclusão de que a época é de uma nova luta pelo socialismo, que não prescinde da contribuição de Lênin com sua atualidade em muitos aspectos. Renato Rabelo destacou que nas condições da luta revolucionária hoje, é preciso valorizar a tática de acumulação de forças para sair da defensiva estratégica e apontar para a transição ao socialismo. E para isso é preciso voltar a Lênin, concluiu.

Comentário do Blog.

Participei do Seminário Internacional dia 8 de maio, no Hotel Braston, em São Paulo, e fiquei impressionado com a qualidade das intervenções. Segue link de artigo de minha autoria que integrou a coletânia sobre o seminário.

http://fmauriciograbois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=8&id_noticia=1036

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Os neo-roseanistas perdem mais uma dentro do PT.


Os neo-roseanistas do PT maranhense estão cada vez mais isolados. Agora foram os companheiros da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), a mesma do Lula e da Dilma, que declararam apoio à candidatura ao governo do Deputado Federal Flávio Dino (PCdoB- MA). Com isso os neo-roseanistas perdem ainda mais espaços às vésperas de mais uma decisão no arraial petista.

Por outro lado, a decisão de alguns setores da direção nacional do PT em mudar as regras ao longo do jogo, não agradou nem aos sarneístas com pedigree, que chegaram a chamar José Eduardo Dutra, presidente nacional do PT, de "Pôncio Pilatos" - em referência ao general romano que nada fez para salvar Jesus Cristo da crucificação - nem aos novos sarneístas de carteirinha, que vivem dizendo que vai haver intervenção do nacional para salvar seus empregos.

Dessa forma, os neo-roseanistas aprofundam ainda mais o erro que os levaram às últimas derrotas políticas. Isolados dentro do partido no Maranhão e a cada dia perdendo militantes e quadros políticos experientes, os novos sarneístas também ainda não se sentem confortáveis na casa grande, e vira e mexe recebem bordoadas dos neo-aliados.

Fernando 'Xetrepa' Silva se assusta até com a sombra!

Em uma carta intitulada "Em respeito aos trabalhadores da educação", o ex-dirigente sindical e atual neo-roseanista, cria o maior estardalhaço com as declarações do Sindicato dos Professores sobre seu afastamento para assumir emprego no governo. A carta despropositada só demonstra o quanto Fernando Silva está assustado com sua nova condição de "patrão" da categoria dos professores. Até ontem defendia os trabalhadores e atacava o governo Roseana, hoje está do outro lado da mesa, defendendo os interesses do patrão.

O movimento sindical tem uma dinâmica própria, com suas especificidades e cultura internas. Quem passa para o lado do patrão de 'mala e cuia' é inexerovelmente chamado de "pelego"! Talvez esse seja o maior medo de Fernando 'Xetrepa'. Se Fernando Silva vai ficar conhecido pelo resto da vida como "pelego sarneísta" não é uma questão teórica, mas sim prática. Vai depender de como ele vai encarar os professores nas ruas exigindo seus direitos.

O que se escuta dentro da categoria é que Roseana indicou os petistas para servirem de anteparo as movimentações que se aproximam. Também se escuta cada vez mais forte que os professores devem ir às ruas e exigir seus direitos e, se não forem atendidos, devem cruzar os braços por tempo indeterminado.

Aí sim, na prática, veremos a quem vai servir a carapuça de pelego.

sábado, 1 de maio de 2010

Serra esboça política externa contrária ao interesse nacional (I)




Por Ronaldo Carmona*


Fatos políticos das últimas semanas reforçaram a percepção de que nas eleições de outubro próximo estarão em jogo duas questões fundamentais para a nação brasileira: a forma de como vemos e como nos relacionamos com nosso entorno sul-americano e a continuidade da projeção progressista do Brasil no cenário internacional.

A esdrúxula e antibrasileira oposição de Serra ao Mercosul

O ex-governador paulista defende que o Mercosul retroceda para uma simples área de livre comércio, fase anterior à atual, de união aduaneira.

Como argumentou em palestra a empresários mineiros, na semana passada, o objetivo declarado é nos livrarmos de “uma barreira para o Brasil fazer acordos comerciais”. Para ele, “a união aduaneira é uma farsa, exceto quando serve para atrapalhar”. Assim, “ficar carregando este Mercosul não faz sentido” (Valor, 20/04/10).

Os ataques de Serra repercutiram tão mal que geraram reações até mesmo do chanceler argentino, além de forçar uma entrevista do candidato, nitidamente na defensiva, para se explicar na Folha de São Paulo, no último domingo.

A reação em si é positiva, demonstrativo de que a idéia da integração ganha espaço e força no imaginário e na forma brasileira de ver o mundo, enfim, no projeto nacional brasileiro.

Os ataques de Serra ao Mercosul partem de uma limitada visão mercantilista primária, lente exclusiva pela qual parece enxergar a inserção internacional do Brasil. Assim, propõe que a variável central de política externa brasileira seja a busca de acordos comerciais com países ricos, aparentemente, independente de seus custos.

No lançamento de sua pré-candidatura, o tucano já havia sinalizado essa visão. Em tom queixoso, estarreceu-se com o fato de que “nos últimos anos, mais de 100 acordos de livre comércio foram assinados em todo o mundo. São um instrumento poderoso de abertura de mercados. Pois o Brasil, junto com o Mercosul, assinou apenas um novo acordo (com Israel), que ainda não entrou em vigência!”.

Não interessa ao Brasil, nem ao Mercosul, celebrar acordos de livre comércio no formato proposto pelos países centrais.
Por exemplo: nesta semana, tendo em vista a realização em maio próximo da Cúpula de chefes de estado do Mercosul e da União Européia, foram retomados contatos entre os dois blocos para explorar possibilidades de anuncio do relançamento das negociações comerciais, nas próximas semanas, em Madri. Entretanto, as negociações vêm sendo travadas devido ao fato de que a “a indústria (européia) aumenta as exigências e agora cobra do Mercosul abertura de 100% de seu mercado, e não apenas de 90%, como até então” (Valor, 26/04/10). Os 10% referem-se a uma lista de bens protegidos por tarifas em setores estratégicos que necessitem de proteção, algo absolutamente legítimo e largamente praticado pelos países ricos no caminho que os levou ao desenvolvimento.

Mesmo se observarmos pela ótica estritamente comercial, é preciso ter em conta, antes de mais nada, que os países ricos, nomeadamente União Européia e Estados Unidos só aceitam acordos comerciais de tipo assimétrico com os países em desenvolvimento, com uma agenda similar ao que eram as propostas da ALCA.

Os países desenvolvidos (EUA e UE à frente) reproduzem essencialmente tratados assimétricos e desiguais – que lembram, em sua essência, os tratados desiguais que o Brasil assinou no século XIX após sua independência, os quais impediram sua industrialização precoce tal como defendida por José Bonifácio.

Atualmente, os modelos de TLC’s com países ricos envolvem quase que um “contrato de associação” à economia norte-americana ou européia, proibindo, por exemplo, exigência de conteúdo nacional em compras públicas ou determinados incentivos em política industrial – sem tocar é claro, nos escandalosos subsídios à agricultura dos países ricos. No caso europeu, em alguns países, a simples manutenção de uma vaca gera benefícios monetários diretos ao agricultor, enquanto altas taxas são impostas aos produtos agrícolas provenientes dos países em desenvolvimento.

O caminho proposto por Serra – “flexibilizar” o Mercosul e privilegiar TLC’s com países centrais –, do ponto de vista econômico, representa atar nosso destino numa relação de dependência em relação ao bloco dos países ricos, uma vez que impõe pesados constrangimentos à autonomia e a soberania brasileira sobre sua política econômica e industrial.

Em síntese, “flexibilizar” o Mercosul atenta fortemente contra o interesse nacional.

*Membro da Comissão de Relações Internacionais do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=3135&id_coluna=85