quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Em discurso na Câmara, Flávio Dino apresenta desafios para o governo Dilma Roussef.




Ao ocupar a tribuna da Câmara na tarde desta quinta-feira, o deputado federal Flávio Dino disse que seu partido o PCdoB “considera fundamental administrar as flutuações de câmbio com a finalidade de alcançar uma taxa capaz de evitar a chamada desindustrialização”.Na opinião do parlamentar maranhense, enfrentar a guerra cambial deverá ser uma das prioridades do governo de Dilma Roussef.

Entre outras medidas, o deputado defendeu o estabelecimento de limites para a entrada e saída de dólares do país, além da redução da taxa de juros a patamares similares ou médios dos demais países emergentes. São medidas essenciais para evitar que o Brasil acabe sendo um atrativo especial para o capital especulativo.
“Sustentamos que é necessário incentivar o uso de outras moedas que não o dólar nas relações comerciais, assim como defendemos que o fundo soberano do Brasil seja utilizado contra a volatilidade cambial”, afirmou.

Segundo ele, o enfrentamento da guerra cambial está entre as prioridades programáticas, políticas e administrativas defendidas pelo partido neste momento de transição entre os governos Lula e Dilma.

Flávio Dino disse, ainda, que outra prioridade defendida pelo seu partido e classificada por ele de programática diz respeito à conclusão da votação do marco legal do pré-sal tal como foi aprovado na Câmara dos Deputados, já que no Senado houve alterações. O parlamentar desatacou ser necessário concluir a votação dessa matéria ainda neste ano “pela importância que tem para o ciclo de crescimento econômico com distribuição de riqueza”.

O parlamentar enfatizou ainda que o próximo governo deverá dar continuidade à política de aumento real do salário mínimo, bem como discutir a redução da jornada de trabalho para 40h. Flávio entende que para que haja desenvolvimento para todos, é necessário que haja distribuição de riqueza. “É impossível distribuir riqueza sem a valorização do trabalho humano”, pontuou.

Na opinião de Flávio Dino, o novo governo também deverá dar atenção especial para as áreas da saúde e da segurança pública, adotando medidas emergenciais, quando necessário, e planejando imediatamente medidas futuras. O parlamentar voltou a defender a necessidade do término da votação da PEC n° 300 considerada por ele de “grande relevância para os profissionais da segurança pública”. Flávio concluiu o seu discurso defendendo que o governo Dilma seja apoiado na força do povo e que de fato transforme a esperança em realidade.


ASSESSORIA DE IMPRENSA

8 comentários:

  1. Caro Capovilla, voltando ao debate:
    Vc disse em seu comentário: "Barbárie é todo ato de lesa-humanidade, anti-civilizacional que se pratica em nome de religiões, políticas ou "civilizações"."

    Os povos barbaros (na concepção historica do termo) são muitos (indios, africanos, orientais, arabes, aborigenes, polinésios ...) cada um deles com sua propria humanidade (noção do que seja isso)

    Vc mesmo depois refurta: "Os maiores atos de barbárie foram e são cometidos dentro da civilização."

    Ora, podemos analisar que:
    1)o povo civilizado é desumano
    2)o homem é parte da natureza, isso os barbaros entendem bem, o civilizado quer dominar a natureza e a destroi, destruindo parte de si, pois é parte dela.
    3)mas é dificil falar isso prum marxista -comunista ortodoxo, eles só entendem de uma forma humana e a tem como unica, a forma ocidental, eles só analisam o homem dentro do sistema capitalista.
    4)Não há filhos da elite branca presos em Pedrinhas, a Casa Grande não permite. So os "destribalizados" barbaros.

    Por enquanto é isso. Espero ter minimamente contribuindo para a compreenssão do debate. Sei do carater limitado das afirmações aqui postas, mas, a gente vai aparando as arestas aos poucos.
    abração!

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  2. Caro Carlos Leen.

    No caso do texto que escrevi "O MA. e a barbárie" o termo "barbárie" não está centrado na concepção greco-romana de "bárbaro".

    Essa, associa os bárbaros ao fato de não viverem na pólis (grega) ou na civitas (romana). Todos que não moram na cidade, sob suas instituições, leis, costumes e línguas, não são Racionais ou civilizados.

    O conteúdo histórico e social do termo barbárie que fiz referência, diz respeito ao projeto da contemporaneidade capitalista, tecnicista e mecanicista de transformar em mercadoria tudo o que toca, inclusive vida humana, cultura, arte, etc..

    Se os "bárbaros" da antiguidade apenas ameaçavam as cidades, hoje esse complexo do imperialismo ameaça a própria humanidade, a própria civilização.

    A máxima "socialismo ou barbárie", proposta ainda no século XX por Lênin, é, para mim, válida.

    Nada contra ser "marxista-comunista", mas "ortodoxo" acredito que não me caiba bem!!!

    Saudações.

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  3. ”Todos que não moram na cidade, sob suas instituições, leis, costumes e línguas, não são Racionais ou civilizados."
    É sobre esse ponto que eu quis explicitar no meu comentário: A noção de civilização e barbárie tal a conhecemos. O conceito de racionalidade da dita civilização tem que ser revisto, pois é a mesma racionalidade que legitima atos grotescos na nossa sociedade dita "civilizada", como por exemplo, o massacre de milhões de indígenas, proporcionada pelos espanhóis no processo de colonização.
    Pelo seu perfil dá pra perceber que você não é ortodoxo. Alias quando me referi a "marxistas-comunistas-ortodoxos" estava na verdade me referindo a alguns companheiros da esquerda e no partido que atualmente milito, o Psol.
    O termo "socialismo ou barbárie” apregoada por Lênin dizia respeito há um momento histórico especifico determinado. Nem ele, nem Marx, imaginariam o nível de aceleração que as forças produtivas poderiam chegar. O grande problema é que vivemos num mundo de recursos naturais finitos, aonde a lógica do capitalismo industrial vai se apoderando. Ninguém me tira a idéia de que os bárbaros são aqueles que fazem à luta anti-capitalista objetivamente falando. E quem são eles? Os árabes, os índios etc.
    Estes são os que realmente ameaçam as cidades, o imperialismo, a própria civilização meu caro. Os ruralistas tremem só em pensar o aumento da reserva Araribóia, em Amarante, onde o povo Gavião faz pressão. A Vale morre de medo dos Awá interditarem a ferrovia etc.
    Vamos dialogando....

    Saudações !

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  4. Entendi e respeito seu ponto de vista Carlos Leen, mas o meu é ao contrário.

    Para mim nada há de mais bárbaro, anti-racional e anticivilizacional do que o imperialismo. A rigor, como dizia o velho Marx "ainda estamos na pré-história da humanidade".

    Enquanto o processo de produção e reprodução do capitalismo continuar a coisificar relações humanas, naturalizar a história, endeusar o mercado e fetichizar a mercadoria, nossa sociedade não passará de um gigantesco amontoado de barbáries, dessas que deixam os "velhos bárbaros" parecendo criancinhas inocentes.

    A minha opinião, portanto, é contrária a sua: os "novos" bárbaros são o imperialismo e sua cultura pop, o seu modo de vida consumista e suas produções coisificantes. Os não bárbaros, logo, os civilizados, são os que lutam pelo socialismo contra a barbárie!

    É esse o sentido profundo da frase de Lênin que citei acima. Os verdadeiros bárbaros são os que destroem as civilizações. E não são os índios, os socialistas, os árabes ou os camponeses que fazem isso.

    Como disse no comentário acima, a bandeira da civilização não é mais das elites, mas sim dos trabalhadores. Cabe aos trabalhadores nos livrar da barbárie, isto é, do capitalismo,e construir novas e desenvolvidas formas de relações históricas e sociais.

    Saudações.

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  5. Mas aqui que tá a inversão do paradguima:
    Vc está falando dos bárbaros e não dos civilizados.
    Os ditos civilizados chamam de bárbaros os que não estão sob sua egíde. Civilizado é o ruralista, o diplomata, o empresário, o politico.
    Bárbaro é quem não participa disso, dessas desumanidades que acontecem. Pelo visto vc acredita no legado da ilustração e que portanto acredita nas possibilidades que o iluminismo pode trazer. Acho isso bom isso, importante. No dia que não pudermos mais contar com nosso poder de comunicação estaremos encurralados, perdidos. Pra fechar: a sua ideia de civilização pressupoe um unico modo de ser ? Ou não, haveria espaço para os selvagens?

    saudações!

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  6. Caro Carlos Leen.

    Vamos ver se dessa vez melhora:

    A) O que vc e todos chamam de civilização, esclarecimento, ilustração, iluminismo eu chamo simplesmente de capitalismo, pois entendo que esse conceito é mais universal e contém todos os outros. Capitalismo é o modo de vida, produção e reprodução da existência dos homens desde a modernidade.

    B) O capitalismo (que todos, inclusive vc, chama de civilização, iluminismo etc..)é, na sua essência, uma barbárie, de práticas e relações sociais de lesa-humanidade. É esse modo de existência que põe em risco o mundo, a humanidade, a civilização.A ideologia dominante inverte a essência dos objetos, aparecendo como civilizado, mas, no fundo, é ao contrário.

    C) Portanto, ao contrário do que todos acham, inclusive vc,os bárbaros estão no poder e mandam no mundo.Existe personagens mais bárbaros na história recente do que os Bush!!! Existe algo mais anti-civilizacional do que a indústria cultural norte-americana???

    D) Acho que devemos vencer a barbárie e salvar a civilização destruindo o capitalismo e construindo novas formas de produção e reprodução da existência fora dos marcos do capital.

    E) Como deve ser este novo modo de vida? Eu não sei e nem vou especular. A tarefa da minha geração é a mesma que Drummond nos fala na poesia "Nosso tempo":

    "O poeta
    declina de toda responsabilidade
    na marcha do mundo capitalista
    e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas
    promete ajudar
    a destruí-lo
    como uma pedreira, uma floresta,
    um verme".

    F) Espero que tenha deixado claro meu ponto de vista.

    Saudações.

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  7. Meu caro:
    "Todos" é muita gente. E eu sinceramente não acho que os que estão no poder são civilizados, parece que nao ficou claro pra vc esa parte. Volto a reafirmar que segundo a egide da ideologia capitalista-industrial-dominante,é desqualificar os povos originarios e tradicionais, chamando-os de "barbaros' ou "incultos" ou "selvagens".
    Os conceitos utilizados aqui neste debate tem que ser revistos. A ideia de civilzação que inclusive vc defende é por demais unica, imutavel, a razão pode transformar a partir das condiçoes reais de existencia.
    Bom de qualquer forma voce em seu comentario aponta uma pespectiva anti-capitalista se quisermos que as coisas não fiquem piores. Eu concordo.
    A dita civilização transformou o homem num ser destruidor.

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  8. Caro Carlos Leen.

    Sinceramente acho que deixei claro meu ponto de vista, mas, pelos seus comentários, parece que vc ainda não entendeu, continuando a repetir a mesma coisa desde o seu primeiro comentário.

    Não posso ser mais claro do que já fui.

    Foi pensando em vc, e na minha dificuldade em me fazer entendido, que postei a matéria logo acima. É um artigo do Lozano - camarada do Partido Comunista Colombiano - que trata exatamente do que estamos debatendo.

    Se, ao ler o texto do Lozano, vc também não entender quem é bárbaro e quem é civilizado no atual momento da luta de classes no mundo, desisto desse assunto e vamos partir para outro debate, porque esse já deu o que tinha que dar e infelizmente não saimos do lugar.

    De qualquer forma obrigado por sua participação.

    Saudações.

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