sábado, 6 de novembro de 2010

Crise econômica, guerra cambial ou por que o mundo precisa superar o imperialismo norte-americano.



A crise mundial do capitalismo se arrasta há dois anos e agora vivemos mais um capítulo: a chamada guerra cambial. Mas o que isso tem a ver conosco? Tudo. Pois cada real que pagamos de juros ou inflação vai acabar, numa complexa cadeia de causalidade do valor, financiando o déficit norte americano ou, em outras palavras, acabamos por financiar com o nosso trabalho a guerra do Iraque e do Afeganistão.

Mas como é que isso acontece? Ora, a partir da crise anterior (1930) e das duas grandes guerras mundiais, o dólar passou a ser utilizado como moeda de reserva internacional. No chamado sistema de Bretton Woods foi acordado que cada país deveria adotar uma política monetária que mantivesse uma taxa de câmbio de suas moedas dentro de um determinado valor indexado ao dólar —mais ou menos um por cento— cujo valor, por sua vez, estaria ligado ao ouro numa base fixa de 35 dólares por onça Troy. Isso quer dizer que o lastro para aceitação do dólar como moeda de reserva era o ouro, garantia última de sustentação do papel moeda.Também estava previsto a provisão pelo FMI de financiamento para suportar dificuldades temporárias de pagamento.

Todo o sistema capitalista foi reestruturado na primeira metade do século XX tendo o dólar como moeda padrão e os EUA como potência imperialista. Com isso os EUA e seus aliados estavam preparados para enfrentar os rigores de uma guerra fria que se aproximava.


Esse sistema financiou a reconstrução do capitalismo e a hegemonia dos EUA por quase trinta anos. Entretanto começou a dar problemas derivados da degradação das finanças norte-americanas. Para financiar seu déficit orçamentário houve um aumento da emissão de dólares que, por um lado, começou a criar problemas aos restantes países membros do acordo, porque os obrigava a emitir suas próprias moedas para manterem o cambio "fixo", criando pressões inflacionárias na sua economia, e por outro, associado a uma degradação da conta corrente norte-americana, com as importações crescendo mais rápido que as exportações. Um dos motivos para esse descontrole dos gastos dos EUA foram as guerras que se envolveram e os gastos com sua incrível máquina militar.

Com isso a quantidade de dólares passou a exceder o estoque de ouro, diminuindo a vontade dos outros países de deter dólares. Em 1971, Richard Nixon, então presidente dos EUA, suspendeu unilateralmente o sistema de Bretton Woods, cancelando a conversibilidade direta do dólar em ouro. Daí surgiu um novo padrão monetário, o chamado dólar flexível, inédito na história das relações internacionais, e ainda mais vantajoso para os EUA, uma vez que o dólar seria lastreado na própria economia norte-americana, sem constrangimentos objetivos.

Este acontecimento também marca a volta da grande finança ao centro do poder, numa espécie de revanche contra aqueles que lutaram contra a liberdade dos capitais no período de Bretton Woods. Isso ficou evidente nos anos 1990 quando a vitória do neoliberalismo parecia incontestável e o dólar se configurou como a moeda da globalização financeira, sendo o "lastro" para a farra de outros papéis, títulos, bônus, dívidas, etc..

Pois bem. Pressionado pelos setores mais conservadores que saíram vitoriosos nas eleições legislativas dos EUA, quarta feira, dia 3 de novembro de 2010, o FED (Banco Central dos EUA) injetaram US$ 600 bilhões na compra dos próprios títulos públicos, inundando o mercado internacional com a moeda norte-americana, desvalorizando-a, o que barateia suas exportações, diminui seu gigantesco déficit e, ainda por cima, quebra os chamados países emergentes, uma vez que dificulta suas exportações.

Os EUA tem a vantagem - inédita na história da economia mundial - de ter a moeda das transações comerciais e, ao mesmo tempo, emitir ao seu bel prazer. É como ter uma máquina de dinheiro em casa: precisando é só imprimir, quem quiser que corra atrás do prejuízo. E, em troca desse dinheiro sem lastro e em franca decadência, nossas florestas, minérios, trabalhos, valores vão sendo drenados para o centro do sistema imperialista. Nós apenas ficamos com o papel pintado de verde que logo, logo não terá nenhum valor.

É esse sistema financeiro internacional que sustenta o parasitismo dos EUA. Todos nós financiamos o consumismo, a poluição e as guerras do imperialismo norte-americano. É uma situação completamente insustentável a médio e longo prazo.

Há saídas para essa situação? Imediatamente há idéias de estabelecer uma nova moeda internacional (internacional de fato, uma vez que o dólar é a moeda nacional dos EUA) que seria lastreada nas principais commodities, o que impediria sua emissão desregulada, gerando assim estabilidade nos câmbios.

Outra saída, mais estratégica e de longo prazo, é derrotar o imperialismo norte-americano e estabelecer uma nova ordem econômica. A cada dia que passa é a alternativa que mais se impõe: ou derrotamos o imperialismo financeiro ou ele arrastará o mundo para a barbárie.

4 comentários:

  1. Essa idéia de moeda única chega a me dar arrepios só de pensar. A idéia, por trás de qualquer centralização, é domínio e escravização das nações. As nações que aderiram ao Euro estão se arrependendo agora, com suas economias bombardeadas por ataques de "BANKSTERS", com suas soberanias vilipendiadas por pseudo-agências classificadoras(na verdade são capangas dos "BANKSTERS"), que "do nada" jogam economias, pessoas e soberanias no lixão das nações dilaceradas pelo capital mafioso mundial.
    Portugal está querendo pular fora desta escravidão, mas seus dirigentes estão atolados até o pescoço nas mãos dos BANKSTERS.
    Outra expressão, que me causa urticária, é: NOVA ORDEM MUNDIAL e seus derivantes: nova "qualquer coisa" mundial.
    Não nos iludamos em achar que centralizando tudo - economias, modo de pensar, leis,documentos, etc - vamos ter progresso, liberdade, etc.
    Na realidade, estamos dando o nosso aval para o controle absoluto, estamos colocando nossas cabeças na guilotina, estamos ajundando os BANKSTERS a colocarem seus planos de destruição de nossa humanidade de forma mais rápida e eficiente.
    Precisamos ter muito cuidado com essas coisas que parecem boas, inocentes e aparentemente progressistas. Elas podem e, na maioria das vezes acontece, escondem objetivos vis e autoritários.
    Viva a soberania, a diversidade, o caráter nobre, a firmeza de opiniões, o voluntariado social, o desprezo pelo preconceito social, a descentralização total de países, economias, leis, o fim de blocos econômicos, do autoritarismo dos Bancos, da hegemonia de certas nações em prol do bem comum, da nossa humanidade como seres divinos que somos, dos nossos filhos - herdeiros do mundo que criarmos.
    Como diria Einstein: " SEJA UM HOMEM DE VALOR, NÃO UM HOMEM DE SUCESSO".
    Saudações a todos.

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  2. Caro Ronald.

    A questão de uma nova moeda para as transações comerciais internacionais não diz respeito a "moeda única" tipo europeu. Lá a moeda é de fato única em transações nos estados nacionais. Mas não é aceita internacionalmente como substituição ao dólar.

    A proposta é substituir o dólar - lastreado somente na economia dos EUA - por uma moeda que tenha um lastro mais objetivo, não sujeiro somente as determinações de um só país, como é o caso agora.

    Concordo com você com a tentativa de controle absoluto dos bancos e grandes coorporações sobre os cidadãos.

    Obrigado pelo comentário.

    Saudações.

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  3. Salve Cristiano:

    Eu sei que estão falando de um cesta de moedas. Este é o primeiro passo, logo transformarão esta cesta em uma moeda. É a tal tática do diferimento - nunca mudar de forma drástica; mude aos poucos e não terá resistência.
    O dólar como moeda está realmente afundando pela ausência total da capacidade de pagamento da monstruosa dívida pública americana, que já se sabe impagável.
    Por isso, os EUA estão "cercando" o mundo com suas guerras de conquista e colocando suas bases nos pontos estratégicos - Ásia, América Latina( Colômbia, Haiti, Honduras, Cuba- Guantânamo)- quando for necessário, fecharão o cerco e decretarão Lei Marcial. Quem irá protestar? a ONU ?- veja o Iraque; O Wikileaks? O Irã?
    Do jeito que as coisas vão, é só uma questão de meses.
    Não se trata de conspiracionismo não, é a história se desenrolando nas nossas fuças.
    Um abraço,
    Ronald

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  4. De fato os EUA são os grandes beneficiários desse sistema baseado no dólar flexível.

    Obrigado pelos comentários e volte sempre.

    Saudações.

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