terça-feira, 30 de novembro de 2010

Revolução na internet: WikiLeaks desmascara imperialismo dos EUA!





O que ficava anos e anos escondido como "segredo de estado" agora está na internet para todos verem. O que era trabalho para os historiadores do futuro agora está disponível para qualquer um em qualquer lugar do planeta. Essa é a maior revolução que a internet trouxe para os cidadãos do mundo: apropriação coletiva da informação!

Pois bem. O sítio WikiLeaks, depois de demonstrar através de documentos que a guerra no Iraque e no Afeganistão é uma "guerra suja", com violações dos direitos humanos, torturas e assassinatos de civis inocentes, agora mostra que os EUA vivem espionando todo mundo, inclusive a ONU, incentivando golpes de estado e a guerra contra o Irã.

A base de dados revela a atividade de espionagem exercida pelas embaixadas dos Estados Unidos na Bósnia, Bulgária, Croácia, Macedônia e Turquia, em busca de informação que possa ser utilizada em chantagens contra esses países, alguns deles aliados dos Estados Unidos na Europa Oriental. Armênia, Azerbaijão e Geórgia também aparecem nos documentos vazados, além também de Rússia, China e República Popular Democrática da Coréia (RPDC). Índia, Afeganistão, Paquistão, países árabes e africanos, assim como Honduras, Colômbia, Paraguai, Brasil e Venezuela, na América Latina, foram também objetos de ampla espionagem por parte dos Estados Unidos.

Manuel Zelaya, presidente hondurenho deposto em um golpe no ano de 2009, falou sobre a cumplicidade americana no golpe que o tirou do governo em julho de 2009, após verificar os documentos sobre o seu país. "Fica clara a cumplicidade dos EUA ao conhecer previamente o planejamento e a execução do golpe de Estado e mesmo assim fazer silêncio", diz Zelaya em nota enviada da República Dominicana.

Mais uma vez fica a lição para aqueles que acham que a luta de classes e o imperialismo acabaram em 1989: o imperialismo está presente e é a causa de todos os principais conflitos no mundo.

Definitivamente, o império está nu.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Prêmio "José Augusto Mochel" 2010.

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C O N V I T E


O Comitê Municipal do Partido Comunista do Brasil – São Luis e o deputado federal Flávio Dino têm a honra de convidar para a solenidade de entrega do Prêmio José Augusto Mochel 2010.

A solenidade será realizada no dia 29 de novembro, às 18 horas, no auditório do Quality Hotel Grand São Luis(Antigo Vila Rica).

Contamos com sua presença,

Atenciosamente,

Márcio Jerry Saraiva Barroso

Pres. Comitê Municipal do PCdoB/São Luis



Homenageados 2010


FETAEMA

Profa Maria José Costa

Prof. Francisco Gonçalves da Conceição

José dos Santos ( Mestrinho)

Márlon Reis

Haroldo Lima

Alquimar Guterres (in memoriam)

Magno José Cruz (in memoriam)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Ponto de Cultura Juventude Marambaia.




Convite


A Sociedade Recreativa Escola de Samba MARAMBAIA tem a honra de convidar V.Sa. a participar do lançamento do Ponto de Cultura Juventude Marambaia que se realizará no dia 19 de novembro de 2010, às 19h30min na Sede Recreativa, localizada à Rua Professor Mata Roma s/n, Bairro de Fátima.


Maria Célia Ribeiro
Presidente

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Governadores mais ricos comandam regiões mais pobres.


AE - Agência Estado

Os 27 governadores eleitos no mês passado declaram à Justiça Eleitoral uma fortuna de R$ 63,53 milhões em patrimônio pessoal. Na média, cada chefe de executivo estadual tem R$ 2,35 milhões em bens. São 14 os que informaram ter patrimônio acima do R$ 1 milhão. O mais rico deles é o governador reeleito de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), que apresentou declaração de bens que soma R$ 14,62 milhões.

Levantamento feito na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra ainda que oito governadores eleitos apresentaram evolução patrimonial superior a 200% nos últimos anos. Neste caso, a líder é a governadora também reeleita do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). Em 2006, a declaração dela listava 15 bens, mas informava apenas o valor depositado em seu fundo de previdência privada: R$ 172.734,71 - em valores corrigidos. Para esta eleição, Roseana apresentou declaração com 25 bens e valor total de R$ 7.838.530,34. O crescimento foi de 4.437,90% em quatro anos.

As Alagoas de Teotônio e o Maranhão de Roseana ocupam a 25.ª e a 26.ª posição, respectivamente, no ranking do Produto Interno Bruto (PIB) per capita dos Estados, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dois Estados também estão nas duas últimas posições do ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que lista indicadores na área de Educação, renda e expectativa de vida.

Entre os governadores eleitos que tiveram expressiva evolução patrimonial, também destacam-se o de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB), e o do Acre, Tião Viana (PT). Prefeito eleito de Ariquemes em 2008, Moura informou à Justiça Eleitoral na ocasião ter patrimônio de R$ 385.775,34, em valores atualizados. Agora, apresentou declaração de R$ 8.554.881,14. Crescimento de 2.117,58%. Quando se elegeu para o Senado em 2006, Viana disse ter patrimônio de R$ 28.794,65. Agora, passou para R$ 551.098,50, avanço de 1.813,89%.


http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,governadores-mais-ricos-comandam-regioes-mais-pobres,640259,0.htm

Lozano: O capitalismo é violento pela sua própria natureza.




Por Carlos A. Lozano Guillén*



Barbárie ou civilização? É o tema que nos traz a este importante seminário, em que vários acadêmicos e peritos farão os seus depoimentos à luz de um mundo unipolar, que avança com mudanças de significados diferentes no começo da segunda década do século XXI.

Alguns, quem sabe, em direção à barbárie, pela arrogante política do imperialismo dos E.U.A. e das principais potências europeias que nunca renunciaram à violência, às guerras de rapina, à agressão de outros povos e à autoridade dominante, como se o mundo tivesse regressado às piores épocas do colonialismo.

Nos finais dos anos oitenta e começos de noventa do século passado, quando sobreveio o derrube do “socialismo real” na Europa oriental, que levou ao colapso da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, anunciou-se o fim da guerra fria, a vitória do capitalismo e até o fim da história. A confrontação leste-oeste e a contradição internacional entre o capitalismo e o socialismo chegaram ao final, disseram os acadêmicos burgueses, acabando o mundo bipolar de dois sistemas opostos em confronto dialético e de busca da supremacia histórica de um sobre o outro. Emergiu o mundo unipolar, dominado pelo capitalismo, na pior das suas formas: o imperialismo, explicado por Vladimir Ilich Lênin como o desenvolvimento e continuação direta das propriedades fundamentais em geral do capitalismo. “Mas o capitalismo transformou-se em imperialismo capitalista unicamente ao chegar a um grau determinado, muito elevado, do seu desenvolvimento, quando algumas das características fundamentais do capitalismo começaram a converter-se na sua antítese, quando tomaram corpo e se manifestaram em toda a linha os traços da época de transição do capitalismo para uma estrutura econômica e social mais elevada”. Por esta razão, para Lênin, de maneira simples, “o imperialismo é a fase monopolista do capitalismo” (1).

O imperialismo, na opinião de Lênin, está montado sobre um Estado proprietário ou Estado agiota, sem escrúpulos, apoiado, se for o caso, na violência para impor a acumulação de capital. Por esta razão nunca poderá haver uma “terceira via” ou um “capitalismo humano”, como preconizam tantos intelectuais, mesmo de esquerda, que concluíram que depois da queda do muro de Berlim a situação mundial seria dominada por um “capitalismo de rosto humano”. Pelo contrário, o que sobreveio foi o modelo neoliberal (alguns chamam-lhe “capitalismo selvagem”), que arrasou, como uma onda violenta, com o patrimônio público, com o Estado eficaz e os direitos dos trabalhadores. Foi uma espécie de Tsunami político, social e econômico que ainda não terminou. Muitos dos desiludidos da esquerda, ficaram frustrados perante a terrível realidade que ainda não acabou, porque o capitalismo, não importa o lugar ou o momento histórico, está baseado na maior mais-valia, na super-exploração dos trabalhadores e na acumulação de lucros.

É possível que, no auge da onda neoliberal, em pleno século XXI, o capitalismo arraste uma crise cíclica, que afeta o modelo, ainda que não seja sistêmica. “É uma crise cíclica. Daquelas que, como no seu tempo advertiu Karl Marx, afetariam o capital de quando em vez e das quais o capitalismo se recompõe enquanto as massas populares não estão em condições de mudar a história e produzir a transformação revolucionária da sociedade. Alguns economistas, não sem razão, asseguram que a crise atual é uma réplica do crash de 1929 que sacudiu o capitalismo. Não é, pois, tão inofensiva como alguns crêem “(2).

O capitalismo é violento por natureza. Os capitalistas ou burgueses são impiedosos na forma, violenta se necessário, de proteger os seus interesses. No Dezoito de Brumário de Luís Bonaparte, Karl Marx demonstra, em referência à França, que “a ordem burguesa, que nos inícios do século pôs o Estado de guarda à parcela recém criada e a avalisou com honrarias, converteu-se num vampiro que lhe chupa o sangue e a medula e o atira à caldeira de alquimista do capital. O Código de Napoleão já não é mais que o código dos embargos, dos leilões e das adjudicações forçadas”(3).

Nos nossos dias, disse Samir Amin, “a continuação do modelo de desenvolvimento da economia real, tal como o vamos conhecendo, assim como o do consumo que o vai amparando, tornou-se, pela primeira vez na história, uma verdadeira ameaça para o futuro da humanidade e do planeta”(3). Nem de outra forma podem explicar-se as agressões imperialistas no Médio Oriente e na Ásia, mediante ofensivas e ações militares desproporcionadas e criminosas, em nome da civilização e da democracia ocidental, que não passam de sinais de barbárie no século XXI. Para Amin, o conflito Norte/Sul constitui o eixo central das lutas e conflitos que hão-de vir. A exploração dos recursos naturais de cada Estado-Nação por parte das potências imperialistas.

O capitalismo é pela barbárie. As forças democráticas e o socialismo pela civilização. Na esteira dos acontecimentos do 11 de Setembro de 2001, conhecidos como o derrube das torres gêmeas em Nova York, o mundo, na época unipolar, sofreu um golpe de Estado, como o qualificou o comandante Fidel Castro, quando o então presidente George W. Bush traçou a sua estratégia global contra o terrorismo. Barack Obama, nove anos depois, embora com uma linguagem mais moderada, mantém o mesmo rumo político, num cenário de desprezo pelas liberdades democráticas e a auto-determinação dos povos.

É uma política de Estado, uma definição de interesses comuns aos norte-americanos, representados no sistema bipartidarista de democratas e republicanos, na luta pelo controle dos recursos naturais no mundo, descrito assim por Amin: “se os Estados Unidos fixaram como objetivo o controle militar do planeta é porque sabem que sem esse controle não podem assegurar o acesso exclusivo a tais recursos. Como bem se sabe, a China, a Índia e o Sul no seu conjunto também necessitam desses recursos para o seu desenvolvimento. Para os Estados Unidos trata-se imperativamente de limitar esse acesso e, em última instância, só existe um meio: a guerra”(4).

Todavia, estas políticas fracassarão num mundo que está para lá da classe dominante e da burguesia transnacionalizada, e que se pronuncia cada vez com mais força pela civilização e pelas saídas políticas dos conflitos, assim os belicistas imponham a força e a barbárie. Ao fim e ao cabo as massas populares criam também as suas próprias formas de resistência, muitas audazes e contundentes. “(…) A crise econômica e financeira (no momento atual) coincide com o fracasso da estratégia imperialista de guerra preventiva que deu lugar à chamada luta contra o terrorismo e teve as suas mais violentas expressões nas invasões do Iraque e Afeganistão, assim como em outros casos de intervencionismo militar”(5).

A América Latina é uma região em ebulição, é um fervedouro de conflitos políticos e sociais, com processos de fortalecimento de projetos de emancipação, em diferentes níveis e alcances. Não há um modelo preconcebido, não existe um paradigma, mas sim processos à margem da influência e da dominação ianque. A América Latina não é mais o pátio das traseiras do império do norte. Demonstram-no os processos de integração regional como a UNASUR e outros sem a presença norte-americana. Inclusive começa-se a falar de uma nova forma de organização de países da América e do Caribe sem a presença tutelar dos Estados Unidos. São novas realidades de um mundo em que é evidente a barbárie dos poderosos, mas também as tendências para a civilização e para as mudanças de sentido positivo.

A esquerda e os revolucionários estão pela civilização, associada ao progresso democrático e social. “A civilização é, pois, o estádio de desenvolvimento da sociedade em que a divisão do trabalho, a mudança entre indivíduos que dela deriva, e a produção mercantil que abarca um e outro, alcançam o seu pleno desenvolvimento e provocam uma revolução em toda a sociedade anterior”. Palavras escritas há tantos anos por Engels, em tempos da primeira época do capitalismo, levantando-se, embora de forma incipiente, sobre as ruínas do sistema feudal, mas que colocado nos termos da modernidade, da revolução industrial e tecnológica, nos tempos do ciberespaço e grandes conquistas da ciência, a filosofia burguesa do maior lucro e de colocar o conhecimento ao serviço dos interesses do capital, continua a ser igual. Como igual é a luta de classes, a confrontação dialética, porque as forças democráticas e progressistas pretendem mudanças e transformações estruturais e de fundo para que as conquistas da humanidade e da civilização se coloquem ao serviço das massas populares, dos homens e das mulheres que constituem o conglomerado social nas diferentes latitudes.

(1) LENIN, V.I. O Imperialismo fase superior do capitalismo. Tomo 3 das Obras Escolhidas, Editorial Progreso, 1961. Pág. 764.
(2) Em Recessão econômica. Crise do modelo ou crise do sistema? Carlos Lozano G. (Editor). (Artigo de Carlos A. Lozano Guillén). Fundação Semanário VOZ, Fevereiro de 2009. Pág. 13.
(3) MARX, Carl, ENGELS, Frederico. Obras Escolhidas. Dezoito Brumário de Luís Bonaparte, Editorial Progreso, 1955. Tomo I. Pág. 465.
(4) Em Recessão Econômica. Crise do modelo ou crise do sistema? Carlos Lozano G. (Editor). (Em artigo de Samir Amin). Fundação Semanário VOZ. Pág. 66.
(5) Ibidem Pág. 67.
(6) Em Recessão Econômica. Crise do modelo ou crise do sistema? Carlos Lozano G. (Editor). (Em artigo de Jairo Estrada Alvarez) Fundação Semanário VOZ. Pág. 33.
(7) ENGELS, Frederico, A origem da família, a propriedade privada e o Estado. Obras Escolhidas de Carl Marx e Frederico Engels em três tomos. Editorial Progreso 1955, Tomo II Pág. 341.

* Carlos Lozano é diretor do semanário de Voz, jornal do Partido Comunista da Colômbia. Texto em português publicado em www.odiario.info.

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Em discurso na Câmara, Flávio Dino apresenta desafios para o governo Dilma Roussef.




Ao ocupar a tribuna da Câmara na tarde desta quinta-feira, o deputado federal Flávio Dino disse que seu partido o PCdoB “considera fundamental administrar as flutuações de câmbio com a finalidade de alcançar uma taxa capaz de evitar a chamada desindustrialização”.Na opinião do parlamentar maranhense, enfrentar a guerra cambial deverá ser uma das prioridades do governo de Dilma Roussef.

Entre outras medidas, o deputado defendeu o estabelecimento de limites para a entrada e saída de dólares do país, além da redução da taxa de juros a patamares similares ou médios dos demais países emergentes. São medidas essenciais para evitar que o Brasil acabe sendo um atrativo especial para o capital especulativo.
“Sustentamos que é necessário incentivar o uso de outras moedas que não o dólar nas relações comerciais, assim como defendemos que o fundo soberano do Brasil seja utilizado contra a volatilidade cambial”, afirmou.

Segundo ele, o enfrentamento da guerra cambial está entre as prioridades programáticas, políticas e administrativas defendidas pelo partido neste momento de transição entre os governos Lula e Dilma.

Flávio Dino disse, ainda, que outra prioridade defendida pelo seu partido e classificada por ele de programática diz respeito à conclusão da votação do marco legal do pré-sal tal como foi aprovado na Câmara dos Deputados, já que no Senado houve alterações. O parlamentar desatacou ser necessário concluir a votação dessa matéria ainda neste ano “pela importância que tem para o ciclo de crescimento econômico com distribuição de riqueza”.

O parlamentar enfatizou ainda que o próximo governo deverá dar continuidade à política de aumento real do salário mínimo, bem como discutir a redução da jornada de trabalho para 40h. Flávio entende que para que haja desenvolvimento para todos, é necessário que haja distribuição de riqueza. “É impossível distribuir riqueza sem a valorização do trabalho humano”, pontuou.

Na opinião de Flávio Dino, o novo governo também deverá dar atenção especial para as áreas da saúde e da segurança pública, adotando medidas emergenciais, quando necessário, e planejando imediatamente medidas futuras. O parlamentar voltou a defender a necessidade do término da votação da PEC n° 300 considerada por ele de “grande relevância para os profissionais da segurança pública”. Flávio concluiu o seu discurso defendendo que o governo Dilma seja apoiado na força do povo e que de fato transforme a esperança em realidade.


ASSESSORIA DE IMPRENSA

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Como o blogue já havia antecipado: "Mantega botou o dedo na ferida: o mundo precisa de uma nova moeda".

Por Umberto Martins.

A reunião de cúpula do G20 será aberta nesta quinta-feira (11) em Seul à sombra de uma guerra cambial que ameaça degenerar em conflitos comerciais e políticos mais sérios entre as nações. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, botou o dedo na ferida ao defender a substituição do dólar como moeda mundial. Mas é pouco provável que a proposta seja debatida ou acatada. O encontro na capital da Coreia do Sul lembra o ruidoso parto da montanha que gerou um rato.

Mantega defende uma reforma no sistema monetário internacional que subtraia do dólar a condição de moeda mundial, aceita universalmente como meio de pagamento, unidade de referência para contratos e preços e reserva de valor.

O dinheiro de Tio Sam, que não leva em conta o interesse alheio na definição de sua política monetária, seria substituído por um novo papel, supranacional, cujo valor seria estabelecido com base nas principais moedas da atualidade: o dólar, o iuane (chinês), o euro, o iene (japonês), a libra esterlina (britânica) e, segundo a sugestão do ministro, o real brasileiro.

Privilégio americano

Mantega citou como exemplo o Direito Especial de Saque (DES) do Fundo Monetário Internacional (FMI), também baseado numa cesta das principais moedas (excluindo, entre as citadas, o real). A proposta não chega a ser propriamente uma novidade. A China já tinha lançado ideia parecida no ano passado, mas o debate não prosperou.

O ministro tem razão. O pano de fundo da chamada guerra cambial (expressão que ele usou pela primeira vez para caracterizar a instabilidade monetária desses dias) é a posição especial ocupada pelo dólar na economia internacional, ao mesmo tempo em que cabe aos EUA o privilégio da emissão, ou seja, a atribuição de estabelecer o valor relativo das verdinhas ou pelo menos influenciar poderosamente nesta direção, através das políticas monetária e fiscal.

Não se pode negar às autoridades estadunidenses a soberania sobre a política monetária e o direito de emitir dólares, do mesmo modo que não se pode negar à China a soberania sobre a política cambial. O problema, no primeiro caso, é que o dólar é a moeda mundial. Não circula apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. É a referência dos preços das mercadorias, a começar pelo petróleo, e dos contratos.

Inflação mundial

Sendo assim, é inevitável que a emissão excessiva de dólares (como no caso dos 600 bilhões para compra de títulos do Tesouro anunciado pelo Federal Reserve) resulte em desalinhamento cambial, gerando conflitos nos preços relativos das moedas (guerra cambial), reações unilaterais das nações e inflação mundial. Boa parte da alta das commodities, por exemplo, ocorre em contrapartida ao declínio do dólar.

A instabilidade cambial, conforme notaram vários empresários, é pior do que a valorização ou desvalorização da moeda para os negócios, pois inviabiliza o planejamento, sujeita exportadores e importadores a ganhos ou prejuízos inesperados, fomenta a especulação e, como inflação, transforma o comércio exterior num jogo perigoso.

Crise da hegemonia

Vítima dos desequilíbrios colossais e do crescente parasitismo cultivados pelo imperialismo, decorrentes de quatro décadas de acumulação de déficit comercial e refletidos numa escandalosa necessidade de financiamento externo, o padrão dólar há muito não é capaz de garantir estabilidade aos mercados de câmbio. Não tem mais condições de desempenhar as funções de moeda mundial. Daí o clamor crescente por sua substituição.

O diabo é que este tipo de problema não será resolvido apenas no campo da economia. Depende de condições políticas que certamente ainda não estão maduras. Afinal, a supremacia do padrão dólar é emblemática da hegemonia americana. A crise do dólar é mais uma expressão da crise da hegemonia dos EUA e sua solução envolve mudanças mais amplas em direção a uma nova ordem mundial. Mas não creio que isto seja sequer sinalizado pela cúpula de Seul. E tampouco que virá sem luta.

www.vermelho.org.br


OBS: Segue anexo dois textos que escrevi sobre o tema. Um deles é de 28 de julho do ano passado e o outro é da semana passada.


http://pneuma-apeiron.blogspot.com/2010/11/crise-economica-guerra-cambial-ou-por.html

http://pneuma-apeiron.blogspot.com/2009/07/o-fim-do-dolar-ou-porque-tecnocracia.html

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Maranhão e a barbárie.



58 mortes violentas em "outubro sangrento" na grande São Luís, a maioria das vítimas eram jovens pobres.

Assalto ao banco de Buriticupu, reféns, tiroteio e ação estadual do crime organizado.

Rebelião na penitenciária de Pedrinhas, mortes, destruição e a completa ausência de direitos básicos à condição humana.

Como há séculos atrás, índios e policiais trocam tiros e se matam no interior do Maranhão.

As profundas desigualdades sociais e econômicas, o mandonismo sem limites da oligarquia Sarney, a corrupção, o patrimonialismo e os piores índices de desenvolvimento humano do país cobram o seu preço: a barbárie que estamos assistindo!

A oligarquia e seus velhos e novos aliados são os responsáveis finais, em uma cadeia de causalidade responsável, pelo estado de coisas que agora se apresentam.

A propaganda e o ufanismo não podem substituir a realidade fenomênica, pois essa é o móbile do entendimento. Portanto, a miséria da política apresenta sua conseqüência mais obscura na bárbara violência.

Pobre Maranhão.

sábado, 6 de novembro de 2010

Crise econômica, guerra cambial ou por que o mundo precisa superar o imperialismo norte-americano.



A crise mundial do capitalismo se arrasta há dois anos e agora vivemos mais um capítulo: a chamada guerra cambial. Mas o que isso tem a ver conosco? Tudo. Pois cada real que pagamos de juros ou inflação vai acabar, numa complexa cadeia de causalidade do valor, financiando o déficit norte americano ou, em outras palavras, acabamos por financiar com o nosso trabalho a guerra do Iraque e do Afeganistão.

Mas como é que isso acontece? Ora, a partir da crise anterior (1930) e das duas grandes guerras mundiais, o dólar passou a ser utilizado como moeda de reserva internacional. No chamado sistema de Bretton Woods foi acordado que cada país deveria adotar uma política monetária que mantivesse uma taxa de câmbio de suas moedas dentro de um determinado valor indexado ao dólar —mais ou menos um por cento— cujo valor, por sua vez, estaria ligado ao ouro numa base fixa de 35 dólares por onça Troy. Isso quer dizer que o lastro para aceitação do dólar como moeda de reserva era o ouro, garantia última de sustentação do papel moeda.Também estava previsto a provisão pelo FMI de financiamento para suportar dificuldades temporárias de pagamento.

Todo o sistema capitalista foi reestruturado na primeira metade do século XX tendo o dólar como moeda padrão e os EUA como potência imperialista. Com isso os EUA e seus aliados estavam preparados para enfrentar os rigores de uma guerra fria que se aproximava.


Esse sistema financiou a reconstrução do capitalismo e a hegemonia dos EUA por quase trinta anos. Entretanto começou a dar problemas derivados da degradação das finanças norte-americanas. Para financiar seu déficit orçamentário houve um aumento da emissão de dólares que, por um lado, começou a criar problemas aos restantes países membros do acordo, porque os obrigava a emitir suas próprias moedas para manterem o cambio "fixo", criando pressões inflacionárias na sua economia, e por outro, associado a uma degradação da conta corrente norte-americana, com as importações crescendo mais rápido que as exportações. Um dos motivos para esse descontrole dos gastos dos EUA foram as guerras que se envolveram e os gastos com sua incrível máquina militar.

Com isso a quantidade de dólares passou a exceder o estoque de ouro, diminuindo a vontade dos outros países de deter dólares. Em 1971, Richard Nixon, então presidente dos EUA, suspendeu unilateralmente o sistema de Bretton Woods, cancelando a conversibilidade direta do dólar em ouro. Daí surgiu um novo padrão monetário, o chamado dólar flexível, inédito na história das relações internacionais, e ainda mais vantajoso para os EUA, uma vez que o dólar seria lastreado na própria economia norte-americana, sem constrangimentos objetivos.

Este acontecimento também marca a volta da grande finança ao centro do poder, numa espécie de revanche contra aqueles que lutaram contra a liberdade dos capitais no período de Bretton Woods. Isso ficou evidente nos anos 1990 quando a vitória do neoliberalismo parecia incontestável e o dólar se configurou como a moeda da globalização financeira, sendo o "lastro" para a farra de outros papéis, títulos, bônus, dívidas, etc..

Pois bem. Pressionado pelos setores mais conservadores que saíram vitoriosos nas eleições legislativas dos EUA, quarta feira, dia 3 de novembro de 2010, o FED (Banco Central dos EUA) injetaram US$ 600 bilhões na compra dos próprios títulos públicos, inundando o mercado internacional com a moeda norte-americana, desvalorizando-a, o que barateia suas exportações, diminui seu gigantesco déficit e, ainda por cima, quebra os chamados países emergentes, uma vez que dificulta suas exportações.

Os EUA tem a vantagem - inédita na história da economia mundial - de ter a moeda das transações comerciais e, ao mesmo tempo, emitir ao seu bel prazer. É como ter uma máquina de dinheiro em casa: precisando é só imprimir, quem quiser que corra atrás do prejuízo. E, em troca desse dinheiro sem lastro e em franca decadência, nossas florestas, minérios, trabalhos, valores vão sendo drenados para o centro do sistema imperialista. Nós apenas ficamos com o papel pintado de verde que logo, logo não terá nenhum valor.

É esse sistema financeiro internacional que sustenta o parasitismo dos EUA. Todos nós financiamos o consumismo, a poluição e as guerras do imperialismo norte-americano. É uma situação completamente insustentável a médio e longo prazo.

Há saídas para essa situação? Imediatamente há idéias de estabelecer uma nova moeda internacional (internacional de fato, uma vez que o dólar é a moeda nacional dos EUA) que seria lastreada nas principais commodities, o que impediria sua emissão desregulada, gerando assim estabilidade nos câmbios.

Outra saída, mais estratégica e de longo prazo, é derrotar o imperialismo norte-americano e estabelecer uma nova ordem econômica. A cada dia que passa é a alternativa que mais se impõe: ou derrotamos o imperialismo financeiro ou ele arrastará o mundo para a barbárie.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Quantas esperanças.




Quem viveu as agruras da queda do "muro de Berlim", da ascensão do neoliberalismo, da patética teoria do "fim da história", dos trágicos governos Collor e FHC e de todos os outros mitos criados e recriados pelo imperialismo e seus sócios menores, não pode deixar de se satisfazer com a linda cena de ver uma bandeira do Partido Comunista do Brasil tremular comemorando a vitória de Dilma para presidente!

A cena foi reproduzida pela CNN e correu o planeta. O que será que passou pela cabeça dos donos do mundo quando viram essa cena? Dilma, "ex-terrorista", do Partido dos Trabalhadores, ganhou eleição e, dentre a multidão que comemorava, uma bandeira vermelha com a foice e o martelo destacava-se. -"Mas o comunismo não morreu?" Dirão alguns. -"Parece que não!" Dirão outros.

Já os trabalhadores em greve na França ficarão contentes. Os camponeses da Itália estão felizes. Na Inglaterra e nos EUA ninguém irá entender nada. Na Índia e na China bilhões irão entender tudo. Em algum lugar na Faixa de Gaza pessoas comemoram. Em Angola e Moçambique tambores rufam. Em Cuba e na Argentina todos reconhecerão essa imagem. Todos confirmarão que a América Latina está na esquerda.

A singela, pequena e reluzente bandeira do Partido Comunista do Brasil comemorando a vitória de Dilma manda um vigoroso sinal para esse sistema de poder decrépito: a história não acabou, os dados ainda estão rolando, o tempo não pára e os comunistas estão jogando.

Quantas esperanças no mundo estão embaladas naquela simples bandeira da foice e do martelo!

Parabéns ao povo brasileiro!

Viva aos trabalhadores!

Viva a luta antiimperialista!