terça-feira, 5 de outubro de 2010

Considerações gerais acerca das eleições.



Embora ainda chamuscado pelo calor da batalha eleitoral, me atrevo a fazer algumas considerações gerais acerca das eleições.

1º. Lula e parte do PT não aprendem mesmo! Sempre subestimam a direita e tratam mal os aliados. Com uma campanha despolitizada, onde o centro da questão - um projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho - não foi tratado como deveria, isto é, como contraposição ao neoliberalismo e ao imperialismo que Serra representa. Resultado: Dilma não conseguiu se diferenciar dos demais candidatos.

Dilma ficou só no "ta tudo muito bom e vamos melhorar"... Nada de combate às privatizações, especulação, subserviência aos interesses estrangeiros. Procurou construir uma campanha "bem comportada", ficou com medo de inflamar o povo, de politizá-lo e esclarecer quem são seus inimigos estratégicos. Resultado: Serra já fez muitas coisas como "homem público", Marina quer "salvar o meio ambiente" e Dilma não aparece como novidade, apenas como a aliada de Sarney, Collor e outros tantos políticos conservadores e oligárquicos. Fica mais uma vez a lição para os lulistas de plantão: se vocês não têm coragem de radicalizar, a direita tem!

2º. Como já havia dito antes, a intervenção do PT nacional para obrigar o PT maranhense a apoiar Sarney acabou refletindo negativamente para Dilma não no MA, onde obteve uma boa votação, mas no sudeste, maior colégio eleitoral do país. Quando se põe Sarney, Collor e outros desse naipe em cena, o resultado é esse: rejeição e suspeita de corrupção. O efeito colateral de apoio a Sarney apareceu em São Paulo e Minas. Esse ônus Zé Dirceu não tinha percebido.

3º. Mais uma vez o maior vitorioso na eleição majoritária maranhense foi Flávio Dino. Com quatro anos de política partidária, Flávio Dino tem um currículo impressionante: é deputado federal com uma das maiores votações do Estado; dois anos depois concorreu à prefeitura de São Luís indo ao 2º turno e obtendo 214 mil votos e agora foi o 2º mais votado no Estado superando os 800 mil votos!

Sem dúvida Flávio Dino alcançou o status de maior nome da oposição maranhense, sendo conhecido e reconhecido em todo estado como o representante da mudança e da transformação social. Nunca ninguém foi tão longe com tão pouco em tão curto espaço. Flávio Dino materializa as esperanças do sofrido povo maranhense por uma nova época de justiça social.

4º O grupo Sarney demonstrou que depende única e exclusivamente da máquina estatal, da proteção jurídica e de muito dinheiro para se manter, as duras penas, no poder. Sem programa, sem projetos e com uma ficha corrida sem precedentes, o grupo Sarney continua no poder graças a sua incrível capacidade de bajular os presidentes de plantão. Mas a cada dia cresce a rejeição a esse mandonismo sem limites e a incompetência gerencial dos Sarneys.

5º Jackson Lago encerra sua participação política confirmando a decadência que começou desde que estava no governo. Com um governo anti-popular, cujo centro estava nas mãos do PSDB, Jackson Lago permitiu a omissão do povo ao golpe judiciário que o tirou do poder. Daquele momento em diante Jackson passou a ser visto como alguém que tinha "a faca e o queijo nas mãos", mas resolveu, por arrogância e incompetência, dá-los aos Sarneys. Parece-me que Jackson é uma página virada da história política maranhense.

6º. Destaque para os esquerdistas do PSTU. Sem dúvida essa foi a melhor campanha de Marcos Silva. Escolheu o alvo certo: Roseana Sarney. Embora sem programa de governo e cheio de chavões, soube se portar e explicar suas críticas. Foi, merecidamente, o mais votado dos nanicos. Já Josivaldo do PCB deveria ter expressado melhor suas idéias. Parte delas nós não conseguimos entender. Saulo Arcangeli do PSOL foi o pior de todos. Com dificuldade em coordenar o plural das orações, a cara fechada como quem está de mal com o mundo e disparando críticas como um estudante secundarista, amargou uma votação ridícula, tal qual seu papel nas eleições 2010.

Embora com um tempo considerável de tv, os esquerdistas não contribuíram para que houvesse segundo turno no Estado. Esses discursos radicalóides são até engraçados na hora de ver e ouvir, mas não dão votos. Ninguém vota nessa turma. Os três somados não conseguiram 4% do eleitorado, ajudando sobremaneira a Roseana vencer no primeiro turno.

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