domingo, 17 de outubro de 2010

Carta à minha pátria.




Caros patrícios.

Defronte às eleições que se aproximam não poderia deixar passar esta oportunidade para falar-lhes coisas que realmente são importantes, mas que poucos comentam. Uma delas é responder, por exemplo, quais os caminhos que nosso povo deve percorrer para alcançar a libertação nacional?

Essa pergunta, aparentemente simples, é uma daquelas perguntas fundamentais que só podem ser respondidas se antes, por pressuposto, tivermos clareza que quinhentos anos de história nos assiste e atormenta nossas mentes.

A liberdade, a verdadeira, não se confunde com o ir ou vir de corpos que não sabem aonde querem chegar, mas aquela que aparece quando estamos no meio de um arraial de bumba-meu-boi ou no meio de um salão de carnaval ou no meio da praça. É aquela liberdade de se sentir livre, como indivíduo, partícipe de um coletivo que lhe arrebata pelo espírito, fazendo-o comungar com sua própria história, transcendendo de um simples elemento particular e localizado, para a comunhão com o "espírito do povo" - volksgeist, como chamavam os primeiros românticos - universal e nacional.

Os caminhos para essa liberdade - espiritual, histórica, por isso mesmo a verdadeira e real liberdade - são contraditórios e cheios de percalços. Mas mesmo assim e justamente por isso é que devemos tirar os véus da ignorância e enxergar para além das aparências. Toda vez que o espírito pensante quer ir além do imediatamente dado ele vai à história no sentido de buscar o que já foi pelo que é e o que é pelo que já foi, com a intenção última de querer vislumbrar o devir, o vir-a-ser, o futuro, a finalidade do percurso, a objetivação da liberdade do povo.

Pois bem. A candidatura de José Serra do PSDB representa, na cadeia de causalidade histórica do Brasil, as práticas sociais há muito repetidas pelas carcomidas elites que sempre desprezaram e espoliaram nossa pátria. São esses sócios menores dos interesses exógenos que têm vergonha do nosso povo e da nossa nação, que agora se dizem competentes e vivem abraçando os trabalhadores.

As práticas históricas desse mandonismo secular estão aí, como chagas sociais, para quem quiser experimentar pelos sentidos uma verdade que é histórica e conceitual. As escravidões - indígena e africana - a submissão aos impérios, a crueldade para com o povo, os latifúndios, os oligopólios, os juros, as dívidas. Tudo isso são monumentos bestiais que essas elites sempre reservaram para nossa nação.

O Brasil da vergonha, da baixa estima, que vivia de costas para os irmãos latinos. O gigante subjugado, explorado, vilipendiado e vendido a preço de banana para o estrangeiro. Esse é o país que José Serra representa. Não exatamente por ser o José Serra, indivíduo careca e feio, mas o projeto e os interesses históricos que estão por trás e determinam suas ações.

Todos os filhos da nação, meus patrícios, todos que amam o "espírito do povo", sua cultura, sua arte e seu trabalho, devem se unir para evitar que os engravatados da Avenida Paulista e da Faria Lima, que vivem das migalhas que caem dos banquetes dos imperialistas, retornem ao executivo da república!

Cada um deve fazer o seu esforço, como brasileiro, para evitar esse retrocesso para nós, nosso povo e nosso continente. O mundo nos assiste em suspense. Querem saber se, apesar dos percalços particulares, ainda vamos continuar nossa marcha rumo à construção da nossa própria, bela e morena liberdade!

Por isso companheiros, conterrâneos, camaradas, vós digo: vamos eleger Dilma e o projeto que ela representa. É nessa margem do rio, à esquerda, que se reúnem os melhores dessa nação, os mais legítimos representantes do povo, aqueles que amam nossa pátria e querem construir uma nova nação.

Pelo Brasil, vote 13 e ajude a eleger Dilma presidenta.



"Sim! Quando o tempo entre os dedos
Quebra um século, uma nação...
Encontra nomes tão grandes,
Que não lhe cabem na mão!...
Heróis! Como o cedro augusto
Campeia rijo e vetusto
Dos séculos ao perpassar,
Vós sois os cedros da história,
A cuja sombra de glória
Vai-se o Brasil abrigar."

Castro Alves

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após moderação.