quarta-feira, 21 de julho de 2010

Paul Craig Roberts: As últimas mentiras de Hillary Clinton.



A BBC noticiou, em 4 de julho, que a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que a base de mísseis balísticos instalada na Polônia não era dirigida contra a Rússia. "O objetivo da base", disse, "é proteger a Polônia contra a ameaça iraniana".

Por que o Irã seria uma ameaça à Polônia? O que acontece com a credibilidade dos EUA, quando a Secretária de Estado faz essa afirmação tão estúpida? Será que Hillary pensa que não está enganando os russos? Ou que alguém, na Terra, acredita nela? Qual é a finalidade de uma mentira tão evidente? Encobrir um ato de agressão americano contra a Rússia?

Sem perder o fôlego, Hillary advertiu que há um "torno de aço" de repressão, esmagamento da democracia e das liberdades civis ao redor do mundo. Os jornalistas americanos podem se perguntar se ela se referia ao próprio país. Glenn Greenwald contou, na edição do Quatro de Julho da "Salon", que a Guarda Costeira, que não tem poder legislativo, emitiu uma regra determinando que os jornalistas que se aproximem a menos de 65 pés das operações de limpeza no Golfo do México realizadas pela BP, sem autorização, serão punidos com uma multa de 40 mil dólares e prisão de 1 a 5 anos.

O "New York Times" e vários outros jornalistas relatam que a BP, a Guarda Costeira, o Departamento de Segurança Doméstica (Homeland Security) e as polícias locais estão proibindo os jornalistas de fotografar os danos maciços resultantes do fluxo contínuo de óleo e produtos químicos tóxicos para o Golfo.

Em 5 de julho, Hillary Clinton esteve em Tbilisi, Geórgia, onde, segundo o Washington Post, acusou a Rússia da "invasão e ocupação" da Geórgia. Qual é o sentido dessa mentira? Até mesmo os governos-fantoches americanos da Europa emitiram relatórios em que documentam que a Geórgia iniciou a guerra com a Rússia, e que rapidamente a perdeu, por invadir a Ossétia do Sul, em um esforço para destruir os separatistas.

Parece que o resto do mundo e o Conselho de Segurança da ONU deram passe livre para as mentiras sem fim, abrindo de vez a porta para Washington atingir o seu objetivo de hegemonia mundial. Como isto pode ser benéfico ao Conselho de Segurança e ao mundo? O que se passa aqui?

Depois que o presidente Clinton deturpou o conflito entre a Sérvia e os albaneses do Kosovo, enganando a Otan e levando-a à agressão militar contra a Sérvia; e depois que o presidente Bush, o vice-presidente Cheney, o secretário de Estado, o conselheiro de segurança nacional e quase todos os membros do regime de Bush enganaram o ONU e o mundo sobre as armas de destruição em massa de Saddam Hussein, conseguindo ardilosamente invadir o Iraque, por que o Conselho de Segurança da ONU cai na conversa de Obama de que o Irã tem um programa de armas nucleares?

Em 2009, todas as dezesseis agências de inteligência dos EUA emitiram um relatório unânime, informando que o Irã abandonou seu programa de armas em 2003. O Conselho de Segurança ignora este relatório?

Os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica em território iraniano têm consistentemente relataram que não há desvio de urânio do programa de energia. O Conselho também ignora os relatórios da AIEA?

Se não ignora, por que o Conselho de Segurança da ONU aprova sanções contra o Irã por este dar cumprimento ao seu direito, assegurado no Tratado de Não-Proliferação Nuclear, de ter um programa de energia nuclear? As sanções da ONU são injustas. Elas violam os direitos do Irã como um dos signatários do Tratado. É este o "torno de aço" de que Hillary falou?

Assim que Washington obteve as sanções do Conselho de Segurança, o governo Obama acrescentou unilateralmente sanções ainda mais severas. Obama está usando as sanções da ONU como um veículo para adicionar ainda mais sanções. Talvez seja este o "torno de aço" de opressão sobre o qual Hillary falou.

Por que o Conselho de Segurança da ONU deu luz verde ao regime de Obama para iniciar mais uma guerra no Oriente Médio?

Por que a Rússia se colocou de lado? Por insistência de Washington, o governo russo ainda não entregou o sistema de defesa aérea adquirido pelo Irã. A Rússia vê o Irã como uma ameaça maior a si própria do que os EUA, que cercam a Rússia com mísseis e bases militares e financiam "revoluções coloridas" em antigas partes constituintes dos impérios russo e soviético?

Por que a China se colocou de lado? O crescimento da economia da China depende de recursos energéticos. A China tem grandes investimentos em energia no Irã. Os EUA têm, como política para conter a China, negar-lhe o acesso à energia. A China é o banqueiro dos Estados Unidos. A China pode destruir o dólar dos EUA em poucos minutos.

Talvez a Rússia e a China tenham decidido deixar os americanos irem cada vez mais longe, até que se autodestruam.

Por outro lado, talvez todos estejam calculando mal e preparando mais morte e destruição do que se imagina

Tal como no Golfo do México.


Por Paul Craig Roberts, no site global Research


Comentário do blog:

A imprensa dos EUA é cheia de jornalistas coerentes mas que não conseguem furar o "círculo de fogo" da "democracia midiática" dos poderosos oligopólios da comunicação daquele país.

A ditadura dos EUA é mais sofisticada: só dois partidos iguais se revezam no poder e cujo líderes são eleitos de forma indireta; só há comunicação através de poderosos grupos midiáticos; sempre utilizaram a força para impor suas vontades, são os maiores responsáveis por golpes de estado e ditaduras no mundo; mentem, inventam e passam por verdades suas invenções, tudo em nome da "democracia liberal"; são os maiores fatores de instabilidade e guerras no mundo contamporâneo; ninguém diz, mais foram os únicos que utilizaram "armas de destruição em massa": a bomba atômica no Japão; dominam, pelo mercado e pelo dinheiro, a cultura, sendo o maior exportador do "lixo pop", verdadeira conquista das almas para o american way of life; transformaram sua moeda nacional em moeda de troca das transações internacionais, deixando as economias dos outros países dependentes da sua taxa de juros e de seu endividamento externo e interno...

Em suma: isso é o que sinteticamente chamamos de imperialismo. Para muitos o mandonismo dos EUA é "natural". Para mim, não há nada de "natural" no imperialismo, apenas a aceitação de uma condição de subserviência material e espiritual a grande nação do norte. Por isso é também uma opção histórica e social lutar contra o "rei" e seu "império" de apologetas!

Quem quiser que universalize os conceitos enlatados de "democracia", "liberdade" e "cultura" made in USA. Eu os rejeito conceitualmente e politicamente. Deixo a unanimidade burra da imprensa burguesa e seus valores na lata de lixo da história.

Em que pese seus poderes gigantescos, basta uma ou duas verdades, ditas por qualquer um, e logo tudo se abala, tudo se destrói... O imperialismo grita e fala muito, mas seu conteúdo é frágil e não resiste há uma análise mais racional.


2 comentários:

  1. Seja o que for que os EUA, juntamente com a Inglaterra, estejam planejando, será uma vitória de Pirro, pois 2012 está aí e vai sobrar muita pouca coisa inteira para dominar e escravizar.
    Esse pessoal vai ter uma decepção inimaginável, fruto de sua cegueira materialista e vil.

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  2. Por que 2012???

    Por acaso vai acontecer algo de especial nesse ano?

    Saudações.

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