terça-feira, 15 de junho de 2010

Flávio Dino e o Maranhão de Ignácio Rangel.

Ignácio de Mourão Rangel foi o mais completo pensador brasileiro do século XX. Maranhense de formação jurídica, tornou-se economista, levado que foi a sê-lo diante dos desafios que a compreensão do Brasil – e de seu futuro – colocavam em sua mente. Militante político, marxista e desenvolvimentista, Rangel encerra não somente as melhores tradições do pensamento nacional brasileiro e maranhense. Sua história é o contraponto não somente das tentativas neoliberais de assalto ao futuro do Brasil, mas também o contraponto a uma das mais violentas oligarquias feudais que ainda hoje respira poder em seu estado natal.




O economista maranhense Ignácio Rangel

Filho de um juiz de direito, diz que as trilhas do Maranhão encerravam mais do que caminhadas idílicas pelo Estado. Encerravam a caçada aos liberais oposicionistas da “República do Café com Leite” pela via de transferências cotidianas de comarcas.

Flávio Dino, 42 anos de idade. Juiz de direito, deputado federal pelo PCdoB e filho do nobre deputado Sálvio Dino, que teve seu mandato cassado pela ditadura militar. Ditadura esta em cujos quadros de sustentação figurou José Sarney, notadamente o maior inimigo do progresso do Maranhão. Flávio Dino é uma das maiores revelações da política brasileira recente, um “marxista cristão”, no melhor sentido que o termo pode revelar. Com uma obstinação única, colocou em suas costas o desafio de livrar o Maranhão – de uma vez por todas – das raias da miséria e da degradação política e social. As coincidências entre esses dois grandes brasileiros e maranhenses não param por aí: Rangel foi produto de um Brasil que começava a tomar o destino em suas mãos. Como Sérgio Buarque de Hollanda e Gilberto Freyre, Rangel era de uma geração fascinada pelo Brasil novo que nascia com a Revolução de 1930, encabeçada pelo patriota e estadista Getúlio Vargas.

Flávio Dino, por sua vez, é a negação de um país que fora quase que condenado a retornar a um destino sonhado por muitos intelectuais pessimistas da década de 1920 do século passado. É expressão do Brasil de Lula, do Brasil que volta a pensar grande e de um “povo que não desiste nunca”. É expressão da necessidade de implementação de um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento para o Brasil e para o Maranhão. O Maranhão não pode ser condenado ao retorno à Idade da Pedra.

Em uma das últimas visitas ao seu estado natal, Ignácio Rangel levantou inúmeras hipóteses de desenvolvimento futuro de seu Maranhão. Ao contrário dos teóricos do "subdesenvolvimento", para Rangel o Nordeste (e o Brasil) não é um binômio de atraso e estagnação, mas sim de atraso e dinamismo. Logo, para Rangel o desenvolvimento do Maranhão deveria se pautar por uma história de dinamismo único no Nordeste, o qual, no entanto, foi se perdendo ao longo do século XX. Esse desenvolvimento estaria centrado basicamente na edificação de uma diversificada indústria, lastreada em um moderno sistema de transportes. Eis o caminho antevisto por Rangel para colocar esse Estado “numa posição de elite, no vigoroso organismo em que se converteu o Brasil”. Para o Maranhão alcançar esse objetivo, segundo Rangel, seria necessário condenar o estado a “pensar grande”.

Ora, no concreto, o que significa essa condenação ao “pensar grande”? O que se encerra em tal expressão? Condenar o Maranhão a “pensar grande” passa necessária e definitivamente pela eleição de Flávio Dino ao governo desse maravilhoso estado. Repito: o Maranhão não pode ser condenado ao retorno à Idade da Pedra.

Elias Jabbour é doutorando em Geografia Humana pela FFLCH-USP. E-mail: eliasjabbour@terra.com.br.

http://www.fmauriciograbois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=8&id_noticia=2445


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