sexta-feira, 25 de junho de 2010

Código Florestal, brasilidade e soberania nacional .

Por Ronaldo Carmona


O parecer de Aldo Rebelo sobre o Código Florestal enfrenta temas agudos para a nação brasileira. Ao discutir o contexto em que se dá o debate, ajuda a enxergar para muito além de aspectos específicos do diploma legal a ser revisto. A leitura do parecer, pois, é indispensável para se compreender algumas das questões essenciais a dirimir, se quisermos, coletivamente, efetivar um projeto nacional.


Primeiro ao enfrentar, no plano conceitual, duas questões de enorme relevância. A primeira diz respeito à relação íntima entre agricultura e formação social brasileira, entre o campo e a brasilidade – tema tão bem explorado, originalmente, na maior obra da sociologia brasileira, Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre.

A segunda questão conceitual enfrentada com brilhantismo pelo texto são as idéias retrogradas de Thomas Malthus e da corrente neomauthusiana. Anacrônicas de berço, tais teses seguem influenciando numerosas parcelas da esquerda brasileira e latino-americana, sendo intensamente propagada por intelectuais e centros de estudos de países centrais. Um exemplo atualíssimo: no debate latino-americano sobre socialismo do século XXI, junto com ideias que aportam à renovação do pensamento marxista, aparecem como novas velhas ideias já desmascaradas inclusive pelo próprio Marx. Reaparecem ideias típicas das correntes utópicas do socialismo em flerte direto com teses mauthusianas. É o caso de proposições que se opõem diretamente, sem meias palavras, à centralidade do desenvolvimento no caso latino-americano – como se pudesse haver transição ao socialismo sem multiplicação da base material. Esse é um exemplo de um dos temas mais candentes para a nova luta pelo socialismo e que Aldo, sem dúvida, ajuda a enfrentar.

Quanto a temas contemporâneos, o parecer de Aldo – versando sobre o contexto e a moldura do debate sobre o Código Florestal – aponta três riscos e ameaças ao Brasil: a “guerra comercial” contra a agricultura brasileira, visando a conter a expansão de nossa fronteira agrícola; as pressões ideológicas por trás do debate sobre as mudanças climáticas, e, finalmente, as visões santuaristas sobre a Amazônia, que se opõem à sua incorporação definitiva ao território nacional – uma das grandes tarefas pendentes dos brasileiros neste início de século XXI.

A reação ao protagonismo brasileiro no cenário internacional se intensificará no próximo período. Além dos temas citados por Aldo, é longa a lista de riscos e ameaças ao Brasil. Exemplo fresco foi a enorme reação à Declaração de Teerã e todos os riscos presentes no debate sobre o Tratado de Não-Proliferação de armas nucleares (TNP), com ameaças de contenção do direito ao uso de tecnologia nuclear com fins de produção de energia pelos países em desenvolvimento.

De conjunto, são temas agudos de nossa questão nacional: como realizar as imensas potencialidades de nossa grande nação. Por isso mesmo, são temas que geram histeria na corrente cosmopolita radical, com intensa atuação na sociedade brasileira atual, com ramificações à direita e à "esquerda”. Não por acaso, está no alvo destes setores o parecer do camarada Aldo Rebelo. Que as forças vivas da nacionalidade enfrentem com determinação essa crucial luta de ideias.

http://grabois.org.br/portal/revista.int.php?id_sessao=9&id_publicacao=230&id_indice=2032

4 comentários:

  1. O texto, elaborado por uma bancada ruralista e apresentado pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB/SP), acaba com a função social das propriedades rurais, concede anistia sem critério para quem já desmatou e coloca na mão do contribuinte a obrigação de pagar pela conservação ambiental.

    “O projeto do Aldo Rebelo é o Código do desmatamento. Ele dá mil oportunidades para a derrubada de florestas, e de quebra entrega para Estados e Municípios um poder perigoso, que pode ser usado como barganha política, e que de forma alguma vai garantir a proteção do meio ambiente”, diz Rafael Cruz, Coordenador da Campanha de Código Florestal.


    Tudo que foi desmatado até julho de 2008, data da aprovação da Lei de Crimes Ambientais, deixa de configurar crime.

    “É uma proposta inaceitável. Em tempos de crise climática batendo à nossa porta, o que nos obriga a construir uma nova economia no futuro próximo, o código sugerido por Aldo Rebelo e a bancada ruralista é algo fora de lugar, fora de contexto. Ou a sociedade se mobiliza para brecar esse absurdo, ou o Brasil vai se tornar o maior exemplo de retrocesso ambiental no mundo de hoje”, concluiu Rafael Cruz.

    Xavier Heraud

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  2. Caro Xavier Heraud.

    Por favor não ofenda a minha inteligência!!!

    Se vc quiser debater, fique a vontade, mas falar essa bobagem de que o parecer do Aldo é feita pela "bancada ruralista" é coisa de cretino insano ou de esquerdista desmiolado!!

    O parecer está em debate e, pelo que acompanhei, várias sugestões não cretinas, isto é, que não estejam de mãos dadas com os interesses do imperialismo norte americano(ver artigo do Aldo logo acima), devem ser acatados pelo relator.

    Portanto, esse papo furado de bancada ruralista pode enganar os da tua turma, ou laia se preferir, mas aqui não tem essa não. Proteger a natureza sim, mas não às custas dos interesses norte americanos.

    Saudações.

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  3. O Aldo é um exemplo muito interessante para o Brasil (...) A gente se entende não é de agora. Gosto de repetir que, se não fosse o Aldo Rebelo, ainda não teríamos transgênico funcionando no Brasil

    Senadora Kátia Abreu (DEM-TO)

    Tarefa (...) esta do PC do B. PArtidão, este, viu!!! De mãos dadas com a gangue da tia Kátia. Já andaram com a tia Rose. E agora, mais esta!!! hehehhehehehehehe

    Seu camarada,

    Xavier Heraud

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  4. Caro Xavier.

    Pela sua escrita primária e argumentos de baixo nível, deduzo que o sr. só pode ser um adepto do trotskismo travestido ( ou seria transviado?) de verde !!!

    Mas em ambos caminhos o sr. não foge da questão central típica dos trotskistas ou dos verdes, a saber: defender os interesses do imperialismo norte americano a partir do rebaixamento no desenvolvimento das forças produtivas nacionais.

    Isso é de vocês e ninguém tira!

    Que bom que o Aldo nos mostrou quem de fato defende esses interesses made in USA no texto logo acima!

    Saudações.

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