terça-feira, 18 de maio de 2010

O MAIOR GOL DE LULA.



A proposta brasileira e turca de acabar com o impasse sobre o programa nuclear iraniano foi a melhor atuação da política externa brasileira desde os territórios alcançados por intermédio do Barão do Rio Branco.

É quase um consenso depois da tragédia iraquiana que a política de "força bruta" dos EUA não é a mais indicada para tratar dessas questões. Novos atores internacionais precisam aparecer em cena e apresentar indícios de solução para os grandes desafios de um mundo que caminha rapidamente para um cenário de multipolaridade.

O medo das grandes potências com o acordo fechado são as mudanças de poder no mundo, que alteram profundamente o equilíbrio político vigente a mais de meio século e que privilegia o domínio euro-americano.

Repercussões no mundo.

O jornal inglês Financial Times disse que: "Ambos os países estão se colocando como atores importantes para superar a desconfiança entre o ocidente e o mundo islâmico (no caso de Ancara) e o mundo emergente em geral (no caso de Brasília)", diz o diário. "Ainda que o acordo termine em uma rua sem saída, o papel das potências emergentes é bem-vindo".

Já a China, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, anunciou que "Apoiamos o acordo, consideramos importante. Esperamos que isto ajude a promover uma solução pacífica à questão nuclear iraniana", declarou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Ma Zhaoxu.

Defensores do império.

Também não deixa de ser interessante observar que nessas questões internacionais - onde os interesses do imperialismo aparecem de forma clara e cristalina - os fâmulos da mídia local e seus ventríloquos na câmara e no senado repetem, ipisis verbis, as idéias e as palavras do império. São críticos de Lula, mas tão dóceis com a unipolaridade burra dos anglo-saxões.

Meia dúzia de cretinos que não enxergam um palmo adiante do nariz, não conseguem compreender a importância estratégica desse acordo para os interesses do Brasil e dos países emergentes na construção de um mundo multipolar, onde os consensos não podem ser só de "Washington", mas devem ser construídos levando em consideração os novos atores internacionais.

Jogada de mestre.

No momento que o sistema baseado no capital financeiro vive sua pior crise, onde os EUA estão atolados no Iraque e no Afeganistão com sua política de "primeiro agredir e depois propor acordos", é salutar ver que o Brasil tem respaldo para propor uma solução negociada com os iranianos, tão temidos pelo dito "ocidente cristão e imperialista".

A copa não começou, mas Lula já está dando de goleada.

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