sábado, 10 de abril de 2010

Os neo - roseanistas.



A confirmação das nomeações de Anselmo Raposo e Edmilson dos Santos para a Secretaria de Educação e de Desenvolvimento Social do Estado, respectivamente, mostra que a direção da CNB do Maranhão aprofunda o erro político que a levou à derrota nas prévias para escolha das alianças para 2010.

O erro em questão é insistir no absurdo político de negar uma aliança estratégica – nacional e local - com o PCdoB, por uma composição conjuntural, tática, com o PMDB de Roseana Sarney. E mais. O erro aumenta de intensidade a qualquer sinal de aproximação com o atual governo, uma vez que o PT estruturou sua identidade histórica justamente em cima de uma crítica feroz contra o sarneísmo. Qualquer aproximação com Roseana é, ao mesmo tempo, uma destruição da história e da identidade do PT maranhense. Isso é tão verdade que alguns ‘companheiros’ neo-roseanistas vão ter que dizer a famosa frase: “esqueçam o que falei ou escrevi!”.

Equívoco esse que aparece de forma cristalina para o povo: o PT escolheu Flávio Dino como candidato a governador, mas vai participar do governo de Roseana Sarney! O oportunismo dessa formulação transcende aos meios políticos e vai às ruas, praças e mercados. Essa contradição também expressa a compreensão de que a presidência do PT estadual, longe de ser o que prometeu em campanha interna, não segue às determinações da maioria da base partidária. Nessa contradição o PT perde sua institucionalidade.

O professor e jornalista Ed Wilson escreveu que a participação no pequeno governo de Roseana Sarney só serve a “um pedaço humilhado e amilhado” do PT. Ele tem razão. No caso da SEDUC, o PT vai servir apenas como anteparo da explosão, uma vez que César Pires (ex- secretário e agora confortavelmente procurando sua reeleição na Assembléia) e a própria Roseana já armaram a bomba que está prestes a detonar! O futuro secretário apenas oferecerá a face, impotente e incapaz, ante às enormes aberrações que afligem nossa educação. Quando os trabalhadores começarem a exigir seus direitos nas ruas, ficará ruim para o secretário, e ainda mais para o PT neo-roseanista, que servirão de fâmulos da carcomida oligarquia.

Se o PT já escolheu democraticamente sua aliança com Flávio Dino, se a participação no pequeno governo de Roseana Sarney – que já faz água, apesar de toda propaganda - serve apenas para contrapor o PT aos trabalhadores e ao povo, se a CNB já perdeu esse debate político dentro e fora do PT, então por que mesmo assim se aliar à oligarquia Sarney? Infelizmente só resta a triste conclusão de que alguns cargos comissionados são mais importantes do que tudo que foi exposto acima. Não há outras explicações plausíveis na lógica política que justifique aprofundar um erro que já se sabe errado. Se existissem elas apareceriam, mas não há.

Ao sarneísmo, o de sempre: cooptação de servos utilizando-se da máquina pública.

Quem inventou essa ‘saída’ sarneísta para a banda “humilhada” do PT, apenas reforçou a justeza e a honestidade política daqueles que escolheram a opção progressista, democrática e de esquerda representada pela aliança com o PCdoB de Flávio Dino. Expõe ao povo métodos e técnicas antidemocráticas da oligarquia moribunda que tem medo de encarar o coveiro que vai sepultá-la. E, acima de tudo, indica que a experiência dos neo-roseanistas no comando dessas secretarias será curta e trágica.

Como dizia meu avô: “Pior a emenda que o soneto”.

6 comentários:

  1. A esse respeito penso que a leitura de Michel Maffesoli, dos livros O tempo das tribos e A tranafiguração do político: a tribalização do mundo é obrigatória.
    O que se assiste com essa manobra é o que há de pior no que se conhece como tribalização do político, que descarta, abandona os valores e princípios que um dia adotoram, aeja por acesso ou apenas invólucro, pelo envolvimento com dinheiro e poder.
    Quando isso acontece, não se sabe bem em quem confiar dentre tais sujeitos.
    Assistimos assim, ao que pode chamar de tribalização da agremiação política, de membros que não prezam ou sustentam seu nexo identitário, isto é, no qual foram um dia atrelados.
    São efeitos do que se pode denominar de declínio do homem público, de materializações da crise do ofício político, não mais dirigida ao estadista prepotente, mas ao político que não se explica, que faz uso de um discurso simplista pautado no mesmo, que não se explica e permanece numa esfera de um vocabulário que não atende mais às transformações culturais do mundo atual.
    É algo muito similar ao que se passa com o que se assiste materializado por sujeitos específicos da dinâmica política maranhense, realidade que se expande e se expressa nos modos muito peculiares de gerir o Estado, com resultados escandalosos mas que as malhas da imprensa, não mais informam, mas encenam o espetáculo, criam verdades, o que para um mundo onde se tornou escasso o tempo de reflexão, esse espetáculo tem seu peso.
    No entanto, conforme o próprio Maffesoli, os paradoxos da democracia levam ao aparecimento outros grupos no seio da tribalização, que não se deixam levar por tais manipulações e procuram atentar e expressar outras formas de regeneração cultural.
    Penso que no seio dessas tribalizações, o episódio de vitória no encontro do PT, marcada pelo apoio ao PCdoB, sustentam nossas reflexões de que ainda é possível optar pela opção de assumir a "audácia da esperança" para o Maranhão e amputar gradativamente os laços da rede de trabalho do ofício tradicional do político, que a tribalização imposta pela sedução do poder e dinheiro de grupos hegemônicos colocou em desenvolvimento.
    Penso que essa amputação dessa rede, começou a se manifestar quando daquele encontro do PT, no qual a tribalização de forças de esquerda e progressistas, da união popular se fez resistir com a audácia da esperança voltada para a reconstrução do Maranhão.
    Os últimos acontecimentos históricos da dinâmica política do Maranhão, provam que nós podemos vencer.
    Sim, nós podemos vencer, porque agora é a nossa vez.
    Ricardo André
    Membro do Partido Comunista do Brasil
    Mestre em Gestão Desportiva
    PS: preciso de teu endereço eletrônico, envie para rico.andres@hotmail.com

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  2. Caro Cristiano,
    parabéns. Bom texto.
    Tem gente nesse rol que a trajetória de vida não deixa dúvida que está lugar que mais comunga com seu DNA. Acho que foi só uma saída do armário...

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  3. Caro Ricardo André.

    Como vc mesmo cita é necessário a "audácia da esperança"!

    Com relação aos neo-roseanistas diria que pegaram a contramão da história, entraram em um barco que já está fazendo água.

    É triste, mas vão ser enterrados junto com a oligarquia que pretendiam ressucitar!

    Saudações.

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  4. Caro Chico.

    De fato, bem que vc já havia me avisado...

    O que é mais patético é que eles nem percebem a artimanha da oligarquia utilizando-os como anteparo das críticas à miséria historicamente constituída.

    Ou seja, botaram os neo-roseanistas para lavar o banheiro com escovas de dentes... E olha que esse banheiro está bem sujo!

    Obrigado pelos comentários.

    Saudações.

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  5. Na verdade concordo com a idéia de que o PT esteja perdendo a identidade. A identidade que se aproxima do extremismo xiita.

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  6. Caro Carlos.

    Estão deixando de ser "xiitas" para serem "sionistas"... Acho que isso não resolve o problema. É aquela velha desculpa esfarrapada e oportunista: "Sou contra Zé Reinaldo por isso vou de Roseana"!!!!

    É a aceitação submissa de uma dualidade esquizofrênica e despolitizada.

    De qualquer forma o PT já deu sua resposta: vai de Flávio Dino !!!

    Saudações.

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