terça-feira, 30 de março de 2010

Dino: "nossa candidatura não é para marcar posição, é para vencer!"



“Não há vencedores nem vencidos no PT. A disputa foi entre a mudança e Roseana Sarney. O partido adotou uma postura combativa, valente, independente e comprometida com a mudança. E nessa disputa Roseana Sarney foi a única derrotada”, disse o deputado Flávio Dino, do PCdoB, durante coletiva de imprensa ontem (29), em São Luís, após seu nome ter sido indicado como pré-candidato a governador em encontro do PT.

No encontro, ocorrido sábado, houve acirrada disputa em que a decisão foi tomada com a diferença de apenas dois votos. O deputado e pré-candidato manifestou convicção de que os petistas entrarão unificados na campanha.

Para Flávio Dino a decisão do encontro do PT antecipou o que acontecerá em outubro. “Nossa candidatura não é para marcar posição, é para vencer. Vamos virar a página da história e conectar o Maranhão com as mudanças que estão acontecendo no Brasil no governo Lula”, afirmou.

Flávio Dino reiterou o apoio ao presidente Lula e à ministra Dilma Rousseff, pré-candidata a presidenta. “A ministra Dilma já tem um palanque no Maranhão, o principal palanque, que é o nosso, é o da esquerda”, garantiu.


Unidade do PT

Flávio Dino acredita que o PT estará unido em seu palanque. Ele disse que o próprio presidente do partido, Raimundo Monteiro, já declarou que a decisão dos delegados será respeitada. A possibilidade de uma intervenção do diretório nacional para alinhar o partido com Roseana foi descartada por Flávio Dino e também pelo vice-presidente do PT maranhense, Augusto Lobato.

Na proclamação dos resultados, ao final do encontro, o Secretário Nacional de Organização, Paulo Frastechi, afastou qualquer possibilidade de intervenção ao dizer que todo o processo tinha transcorrido com normalidade.

Apoios

Depois do anúncio oficial do apoio do PT, Flávio Dino receberá no dia 10 de abril a adesão do PSB, conforme ele próprio anunciou. Outros partidos também estão sendo procurados, como o PCB, PPS, PRB, PP, PMN e PRTB. “Vamos conversar com todos aqueles que estiverem dispostos a se engajar num grande movimento de renovação e mudança no Maranhão”, disse.

A entrevista de ontem, conforme planejamento da pré-campanha, foi a primeira de uma série de atividades que serão realizadas durante o mês de abril para divulgar a pré-candidatura de Flávio Dino.

www.vermelho.org.br

domingo, 28 de março de 2010

SIM, O POVO PODE VENCER !


"As armas ensaia,
Penetra na vida:
Pesada ou querida,
Viver é lutar.
Se o duro combate
Os fracos abate,
Aos fortes, aos bravos,
Só pode exaltar."

Gonçalves Dias.


Já está inscrito nos anais da história política contemporânea maranhense a decisão do PT a favor da aliança com o PCdoB e PSB tendo FlávioDino candidato à governador. Essa batalha deixa muitas lições sobre a movimentação das forças políticas para 2010. Algumas delas anoto abaixo.

A maior vitória foi obtida pelas forças democráticas, progressistas e de esquerda, representadas principalmente pelos petistas que mostraram coerência ideológica entre o projeto nacional mudancista e a busca de alternativas locais para o poder no estado. A unidade das esquerdas venceu à discussão política, deixando desnudada a tese do "pragmatismo de cargos" tão propalada pela mídia sarneísta.

Lição 1: não menospreze o poder das idéias! Elas custam pouco e, se forem justas, mobilizam corações e mentes!

O maior derrotado foi o PMDB de Roseana Sarney. Foi dela a iniciativa de "conquistar" o PT através dos métodos convencionais: promessas de cargos, favores, muita mídia e... Pouca política. Essa foi a maior derrota da oligarquia desde 2006. O PMDB utilizou da sua poderosa máquina para avançar sobre os petistas, fizeram um trabalho grande, em várias frentes, local e nacional, mas não conheciam o terreno e subestimaram o adversário.

O terreno desconhecido era o PT, uma vez que ao longo dos trinta anos desse partido no MA, nunca os sarneístas se importaram com ele e, de repente, quiseram vender a idéia de que um não podia viver sem o outro. A aproximação rápida, por cima e cimentada por uma mídia fâmula e ufanista - que ficavam cantando vitória antes do fim da batalha - acabou por ter um efeito contrário do que esperavam: unificou o sentimento petista contra essa invasão alienígena!

Subestimaram o adversário porque observaram que o PCdoB é um pequeno partido que não tem uma máquina como o PMDB e, segundo alguns, "máquina é votos!". Desconsideraram as profundas relações políticas, ideológicas e históricas que os comunistas têm com o PT desde 1989! Não observaram que o PT, como partido da esquerda, ESTÁ NO CAMPO DO PCdoB. Que quando se luta contra um poderoso exército invasor no seu próprio campo, utiliza-se tática de guerrilha, furtiva, pelos flancos, não enfrentando o inimigo com as suas armas, mas derrotando sua própria estratégia de ação. A força da máquina sarneísta no terreno petista acabou virando a maior fraqueza do próprio PMDB.

Lição 2: "apresento ao inimigo as minhas forças como se de fraquezas se tratasse, ao mesmo tempo que tranformo as suas forças em fraquezas, e busco onde mais fraco ele será. Oculto meus rastros para que ninguém os note e conservo-me calado para que ninguém me ouça". Sun Tzu em A Arte da Guerra.

Por fim, mas não menos importante, a vitória da esquerda, sua unidade, mostra ao povo que ele pode vencer. Sim, nós podemos! Não temos "a máquina" mas estamos armados com as melhores idéias, faremos o melhor programa, conhecemos o terreno e o povo e, acima de tudo, somos bons de luta.

Por enquanto é apenas uma pequena vitória em uma batalha... Mas logo, logo seu eco será escutado por todo maranhão.

Viva a unidade das esquerdas!
Viva o povo do Maranhão !
Flávio Dino governador !


quinta-feira, 25 de março de 2010

A DECISÃO PETISTA.



Nos dias 26 e 27, sexta e sábado, os delegados petistas escolherão entre a aliança com a decadente oligarquia sarneísta ou com os setores progressistas, democráticos e de esquerda do nosso estado. Essa decisão muito interessa ao povo do Maranhão que acompanha, ao seu modo, o desenrolar dos acontecimentos. De um modo geral a população observa com surpresa essa viragem do petismo no rumo de Sarney. Sua parte mais ativa, os movimentos sociais organizados, sindicatos de trabalhadores rurais e urbanos, intelectuais, artistas e religiosos se expressaram em diversos e grandiosos eventos sobre o absurdo desse desvio de direita no PT.

Nessas últimas semanas o debate político em torno da opção pelo PMDB, que até então transcorria nos bastidores, ganhou ares públicos e, finalmente, apareceram os argumentos e as pessoas. Uma parte do grupo liderado pelo Deputado Washington defende a tese que uma aliança com Sarney no Maranhão se sustenta apenas por “ordens partidárias nacionais”. Esse seria o argumento da “questão nacional” e é repetido como um mantra que, ao invés de iluminar, tudo encobre sob a capa da “Dilma presidente”.
O problema é que com o avançar da oposição pública a essa tese, inclusive dentro da própria CNB, logo ficou claro que por baixo do manto “Dilma Presidente” havia negociações e acordos que envolvem participar do pequeno governo de Roseana Sarney. Já agora às vésperas da reunião, o discurso cristalizou-se: “vamos participar do poder!” (olha que a eleição nem ocorreu!), “vamos mudar por dentro o sistema oligárquico!” Exclamaram os mais empolgados.

Essa dificuldade pública da apresentação da tese de aliança do PT com Sarney e seus fâmulos, demonstra que o grupo do Washington perdeu o debate político no meio dos trabalhadores e da sociedade civil organizada, deixando a tarefa de explicar essa aliança aos meios sarneístas de comunicação. E por qual razão essa tese foi derrotada politicamente? Porque a aliança com o PCdoB demonstrou ser mais benéfica e trazer as maiores vantagens para o PT! É isso que pretendo expor abaixo.

Vantagens políticas da aliança do PT com o PCdoB.

Unidade interna do PT. Em 2006 a ala de Washington apoiou Flávio Dino para prefeito com um programa de “construir uma alternativa política democrática, progressista e de esquerda que crie condições de derrotar as facções intra-oligárquicas que sempre mandaram no Maranhão”. Agora, em 2010, o Deputado Domingos Dutra também aderiu a esse programa. Portanto, aliança em torno da candidatura de Flávio Dino governador unifica as alas do PT na construção de um campo político que rompa com as práticas oligárquicas em nosso estado.

No Maranhão são melhores dois palanques para Dilma. A instância máxima do PT, o Congresso Nacional, deliberou sobre a plena possibilidade de dois palanques para Dilma nos estados. Essa proposta derrotou por ampla maioria a que defendia o “PMDB como aliado prioritário”. A única rejeição ficou por conta das alianças com o PSDB e o DEM. É exatamente isso que devemos seguir no Maranhão: deixar o PMDB, DEM e outros da mesma natureza ter um palanque para Dilma e criar o palanque da esquerda com PT, PCdoB, PSB e ainda, quem sabe, atrair o PDT, uma vez que sua direção nacional também “liberou do palanque único”, mas não do apoio à candidatura da Dilma. Portanto, a opção pela aliança popular e de esquerda favorece e amplia os apoios à Dilma, caso contrário, palanque único, esses apoios tendem a diminuir.

A coligação de esquerda elege muito mais. Com um programa de mudanças e transformação do Maranhão igual ao que lula e Dilma fizeram e farão no Brasil, um candidato ficha limpa, que materialize essa esperança de renovação e transformação, teremos amplas chances de eleger Flávio Dino governador, senadores, deputados federais e estaduais. Coisa que não aconteceria em outras coligações. Até porque a oligarquia hegemônica detém a maioria das vagas de deputados estaduais e federais e não vão abrir espaços na janela para quem está entrando agora no ônibus lotado!

Manter a coerência histórica. O PT sempre teve um discurso anti-sarneísta. Independente do mérito dessas críticas, o PT do Maranhão construiu essa marca histórica e, de alguma forma, essa posição se transformou em patrimônio do partido. Devemos ao PT e às suas profundas relações com os movimentos sociais à denúncia das graves injustiças e crimes cometidos pelo sistema de poder oligárquico do qual o grupo hegemônico extrai sua força política. Ao propor uma aliança que contradiga esse patrimônio petista, coloca-se em risco toda essa luta construída ao longo desses trinta anos. Ao se aliar com Sarney no Maranhão o PT perde sua identidade própria.

A opção ideológica. Já demonstrei em artigo anterior que a aliança tática com o centro (PMDB) para ganhar e governar o Brasil não se confunde com as transformações profundas que o país necessita. Não vai se esgotar nessa aliança tática o rompimento com os grilhões do neoliberalismo, embora ela seja feita com a intenção de acumular forças e crescer para propiciar às condições dessa virada. Não podemos confundir a tática de ganhar e governar com a estratégia de crescer e criar condições para transformar o Brasil. A tática é particular ao momento. A estratégia deve estar dentro da tática fornecendo sentido às ações imediatas, como a imanência do universal no particular. A verdadeira luta pela transformação social é uma bandeira histórica das esquerdas e não pode, de uma hora para outra, ser arriada em nome de uma conjuntura particular. Assim, mais uma vez, a aliança com o PCdoB é também melhor ideologicamente para o PT.

Conclusões.

É por tudo isso que a tese da aliança do PT com Sarney perdeu o debate político. Isso está claro para a maioria do povo. Não quer dizer que essa tese esteja derrotada. Mas diz muito sobre o futuro do PT caso essa aliança seja aprovada mesmo sem argumentos políticos, históricos e ideológicos. Isso porque, aquém do que foi apontado acima, só resta o jogo bruto e estúpido dos interesses individuais, da utilização da máquina pública como moeda de troca por apoio político e de vãs promessas que jamais serão cumpridas. É em nome das verdadeiras vantagens e benefícios que a aliança com o PCdoB traz objetivamente ao PT, é que temos a certeza que esse é o melhor caminho para o povo do Maranhão.

Por fim, faço minhas as palavras do Professor Wagner Cabral ditas no Ciclo de Debates “Alternativas Populares e Democráticas para o Maranhão”: “logo veremos, portanto, com que cores os delegados petistas pretendem pintar o futuro dos trabalhadores e trabalhadoras do Maranhão”. Espero que escrevam com tintas vermelhas e que lá esteja: “Vai avançar, vai avançar, a unidade popular!”.

terça-feira, 23 de março de 2010

O samba está em casa: Leci Brandão se filia ao PCdoB!


"Pensou que eu não vinha mais, pensou.
Cansou de esperar por mim.
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Aqui é meu lugar
Eu vim."

Chico Buarque


No próximo domingo, dia 28, o PCdoB de São Paulo fará uma grande festa para comemorar os 88 anos da legenda com a filiação da cantora e compositora Leci Brandão. O churrasco– na quadra do Sindicato dos Bancários – contará também com a presença do vereador Netinho de Paula, entre outras lideranças políticas e dos movimentos sociais, e terá apresentações musicais.

“A filiação de Leci é a demonstração de que o partido vem colhendo grandes frutos devido à política coerente que aplica em plano nacional”, diz Wander Geraldo, presidente do partido na capital paulista. “O PCdoB faz parte de um grupo de forças que estão proporcionando uma nova perspectiva para o país e isso abre nossos horizontes a novas lideranças”, argumentou.Wander Geraldo diz ainda que esta filiação tem um tom especial. “Leci é mulher, é negra, de origem operária e com uma forte consciência política que a fez, ao longo de sua trajetória, lutar contra a ditadura militar e contra as desigualdades sociais. De maneira talentosa, coloca sua composição e seu canto a serviço dessa luta. A vinda dessa grande brasileira para nossas fileiras tem que ser muito comemorada”.


O vereador Netinho de Paula concorda: “é com muito orgulho e satisfação que recebemos nesta grande família, que é o PCdoB, a diva do samba brasileiro Leci Brandão. A Leci representa muito bem a figura da mulher brasileira. Uma mulher guerreira, inteligente, trabalhadora e de muita fibra. Sou suspeito para falar da Leci, pois sou seu eterno admirador”. Ele chama atenção para o cenário político nacional, dizendo que a cantora “chega ao nosso partido justamente no momento em que a ministra Dilma Rousseff cresce nas pesquisas e ganha força dentro do cenário eleitoral brasileiro. Felizmente, o preconceito com relação às mulheres na política nacional tem diminuído gradativamente. Este é um claro sinal de que a democracia está criando bases sólidas em nosso país”.



A festa de filiação é aberta ao público e acontecerá domingo, dia 28, a partir das 15h na quadra do Sindicato dos Bancários, Rua Tabatinguera, 192, Centro, próximo ao metrô Sé.


http://www.pcdob.org.br/noticia.php?id_noticia=126249&id_secao=3


segunda-feira, 22 de março de 2010

12 teses e ½ sobre a conjuntura do Maranhão.


Wagner Cabral da Costa
Historiador / UFMA

1. Nunca é demais lembrar o ponto central das disputas políticas no Maranhão, do ponto de vista democrático de esquerda, que é o enfrentamento da mais velha oligarquia do país. Esta foi a tônica predominante nas últimas décadas, com seus acertos e erros, sucessos e derrotas.

2. Filha direta da ditadura militar, a oligarquia se manteve no poder durante quatro décadas em virtude, em primeiro lugar, das relações com o poder central, com o que teve e tem acesso a cargos federais e verbas públicas, manejados visando preservar e ampliar seu poder. Dos militares, apoiou a Nova República (do PMDB de Tancredo Neves), passando depois pelo PSDB de Fernando Henrique e agora pelo PT de Luís Inácio.

3. Sua ideologia é não ter ideologia, abraçando qualquer idéia, desde que oriunda do centro de poder, num governismo e adesismo congênitos que a transformaram desde sempre numa oligarquia “de uso exclusivo da Presidência da República”. Numa eventual vitória tucana em 2010, logo a veremos reconvertida ao credo do PSDB, dando-lhe sustentação política e governabilidade.

4. Em outro ângulo, a oligarquia também é produto e patrocinadora minoritária do processo de modernização conservadora da economia. Processo levado adiante pelo grande capital nacional e estrangeiro, com o apoio decisivo do Estado, e que transformou o Maranhão num corredor de exportação de produtos e insumos básicos, ao custo da superexploração dos trabalhadores, da destruição da agricultura familiar, da explosão dos conflitos no campo, do assassinato de lideranças populares, da destruição do meio ambiente. Nesse sentido, a oligarquia é expressão e aliada orgânica do grande capital.

5. A modernização conservadora também modificou parcialmente as bases de sustentação da oligarquia. Pois, ao lado do patrimonialismo (uso da máquina federal e estadual, nepotismo, clientelismo e corrupção), a oligarquia se constituiu em grupo econômico, com ramificações mafiosas em setores-chave da economia e do Estado nacional (vide as Minas e Energia), laços com empreiteiras e construtoras (corrompendo licitações e contratos), além da imensa fortuna familiar (visível e invisível).

6. O quase monopólio dos meios de comunicação de massa é outro componente da estrutura oligárquica, um controle direto (Sistema Mirante) ou indireto (aliados políticos e financiamento da mídia por verbas públicas). Estruturou-se dessa forma um Ministério da Mentira (MiniMent), espalhado na TV, no rádio, em jornais e na internet, cuja função é fabricar falsas verdades e distribuir falsas ilusões de progresso e desenvolvimento. Com a aproximação do período eleitoral, passou a vigorar o “vale-tudo”, com a divulgação sistemática de falsas notícias e pesquisas, de boatos e mexericos fabricados para comprometer seus adversários e críticos.

7. A violência e o medo formam ainda um dos sustentáculos da estrutura oligárquica. A violência física e simbólica voltada contra os trabalhadores e suas organizações, contra políticos e partidos da oposição. Alimenta-se a crença de que o chefe oligárquico é um Deus onipotente e onipresente, que tudo pode e tudo quer. No entanto, a imagem divina de um mestre de marionetes apenas esconde a fragilidade de toda essa estrutura de poder, sustentada não na consciência popular, mas na coerção, no clientelismo, na compra de votos, no abuso de poder político, econômico e midiático. A oligarquia é apenas a caricatura de um falso Deus.

8. Por outro lado, a trajetória das oposições tem sido múltipla, fragmentada e sem continuidade, por diversas razões que convém brevemente examinar. Em primeiro lugar, pelo espaço ocupado por dissidentes da oligarquia, cuja ruptura se deu por questões menores, pois em sua maioria são meros parricidas, que pretendem eliminar o deus-oligarca apenas para ocupar o seu lugar, repetindo a estória do José que substituiu o Vitorino. Ou ainda retornando ao ninho da oligarquia ao primeiro sinal de adversidade e à primeira promessa de benesses, pois se trata de uma classe política majoritariamente patrimonial e governista.

9. O exemplo do governo deposto pelo golpe judiciário do TSE deve ser retomado. Eleito num Condomínio de forças políticas contraditórias, tanto conservadoras quanto progressistas, o governo pedetista optou por privilegiar o atraso, afastando-se das esperanças e aspirações populares. O sentido parricida logo se revelou no projeto de substituir a velha oligarquia e não avançar na perspectiva da democratização da política e da participação popular, promovendo um governo de efetivas reformas. Nada disso aconteceu e pagamos todos hoje o alto preço da opção pelo atraso, com o retorno ilegítimo da filha oligarca ao poder.

10. Ainda quanto à trajetória das oposições, verificou-se historicamente um amplo processo de cooptação no seio dos setores e partidos do campo democrático e popular. Cooptação de lideranças, militantes e partidos, que foram absorvidos e depois aniquilados pela máquina política da oligarquia. Em lugar de comemorar, devemos lamentar tais trajetórias, já que, se tivessem permanecido na luta, outro seria o quadro político e outras seriam as possibilidades de transformação do Maranhão. Assim, muito nos preocupa, nesse momento, que companheiros do PT estejam cogitando aliar-se com a oligarquia, em nome de um projeto nacional que, por todos os pontos de vista, não ficará comprometido se a decisão tomada for pela construção de uma candidatura do bloco de esquerda e progressista. Não há um único argumento a favor da aliança com a oligarquia que não tenha sido refutado no debate público estabelecido nas últimas semanas. Mas se o debate político já foi ganho, o jogo de bastidores e o processo de cooptação continuam...

11. A hora, portanto, é de preocupação. Mas principalmente de conclamar todos esses companheiros e companheiras a rever sua posição pró-aliança com a oligarquia, a rever sua opção pelo atraso, pois a construção de um novo Brasil não pode se dar ao custo da preservação do velho Maranhão!. Em nome de suas próprias histórias de vida e das histórias de todos os combatentes sociais desse estado, que lutaram e morreram em nome das idéias de democracia e transformação social, não se deixem seduzir pelo canto de sereia da oligarquia, que agora promete cargos e votos, apenas para cooptá-los, utilizá-los e depois jogar todos vocês fora. Não troquem sua história nas lutas e nos movimentos sociais para virar a chupa da laranja. Não se tornem o bagaço da cana, depois de bem triturado na moenda da Casa Grande do José. O juízo da história é implacável, como nos lembra o poema de Bertold Brecht:
Há homens que lutam um dia, e são bons; Há outros que lutam um ano, e são melhores; Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons; Porém há os que lutam toda a vida. Estes são os imprescindíveis!

12. Nesse espírito de (re)construção da unidade política do campo democrático, popular e progressista é preciso avançar também na construção de uma cultura política democrática, que supere a luta fratricida que tanto custou e ainda custa para o avanço das forças de esquerda em nosso estado, e que só serve aos interesses dominantes. A construção do protagonismo da esquerda passa também pela recomposição dos laços internos entre tendências e facções, num jogo de colaboração onde todos ganham politicamente, ao passo em que constroem coletivamente alternativas populares e democráticas para o Maranhão.

12 e ½. Para finalizar, aos que eventualmente estranharam o título de minha intervenção no debate, gostaria de dizer que a 13ª tese será escrita pelos delegados do PT em seu Encontro Estadual. Logo veremos com que tintas os companheiros pretendem contar a sua história. Se pretendem ou não continuar imprescindíveis às lutas sociais, construindo o protagonismo das forças de esquerda e aproveitando as possibilidades abertas na atual conjuntura para a derrota da oligarquia no campo eleitoral e a formulação de um projeto alternativo para o Maranhão.
Logo veremos, portanto, com que cores pretendem pintar o futuro dos trabalhadores e trabalhadores do Maranhão. Sinceramente, contamos que seja um futuro onde se desmascare o falso deus e onde possamos cantar, com Mercedes Sosa: “Gracias a la vida, que me ha dado tanto”. Pois, mais uma vez, a ESPERANÇA terá vencido o MEDO!


Palestra proferida em 19 de março de 2010, durante o Ciclo de Debates “Alternativas Populares e Democráticas para o Maranhão”, promovido pela Fundação Maurício Grabois, CUT, CTB, FETAEMA, MST, CEBRAPAZ.

quarta-feira, 17 de março de 2010

CICLO DE DEBATES "ALTERNATIVAS POPULARES E DEMOCRÁTICAS PARA O MARANHÃO".


A CTB, CUT. FMG. MST, CEBRAPAZ, E FETAEMA, convidam os companheiros para o ciclo de debates alternativas populares e democráticas para o Maranhão que realizar-se-á na próxima sexta-feira dia 19 das 14:00h às 18:00h no Hotel Holiday ( antigo La Ravadiere), no São Francisco.

Está na hora dos movimentos sociais deste Estado dizerem o que é preciso para melhorar a qualidade de vida do nosso povo. Venham debater conosco sejam construtores do nosso futuro. Contamos com vocês.

PROGRAMAÇÃO

14:00h – Abertura

14:00h – Mesa Redonda: “O Maranhão hoje: Conjuntura Política”.

Participantes:

Wagner Cabral (Professor do Departamento de História da UFMA
Debatedores – CTB e CUT
15:00h – Intervenções do plenário (30 minutos)

15:30h – Intervalo (coffee Break)

16:00h – Mesa Redonda: “Realidade econômica e projeto alternativo de desenvolvimento para o Maranhão”.

Participantes:

Milton Campelo (Fundação Mauricio Grabois e diretor do CEBRAPAZ-MA
Debatedores: FETAEMA e MST

17:00h – Intervenções (30 minutos)

18:00h – Encerramento com leitura e aprovação do manifesto

Realização: CTB, Fundação Mauricio Grabois, CEBRAPAZ, FETAEMA, CUT, MST.

terça-feira, 16 de março de 2010

Comparação exagerada!

Na última postagem fiz uma comparação entre a 'sugestão' da candidatura de Flávio Dino como senador com a 'traição' de Silvério dos Reis à Tiradentes. Confesso que essa comparação foi exagerada e desproporcional!
Portanto, quero me desculpar publicamente com o professor Anselmo Raposo. Ele tem todo o direito de expressar suas opiniões e defender suas idéias sem que para isso lhe seja atribuída tal caracterização. Afinal, não foi assumido nenhum compromisso cuja quebra implicasse em 'traição' de quem quer que seja.
Apesar das suas análises não terem sustentação política, é de outra forma e com outras palavras que devemos demonstrar tal situação, mas nunca caracterizando pejorativamente por defender alguma idéia.
Espero que todos entendam minha posição e aceitem minhas desculpas.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Flávio Senador: a proposta de Silvério dos Reis!


Circula pela rede uma proposta escrita para que Flávio Dino seja candidato ao senado tendo Roseana Sarney como governadora. Mais uma vez, através dos seus fâmulos de quarta e quinta ordens, a velha e carcomida oligarquia tenta cooptar a única esperança de renovação da política maranhense.

A diferença é que dessa vez o recado veio do lado que não se esperava. O bilhete é tão "chapa branca" que o articulista 'esqueceu' (?) que "o Senado ainda é o ninho dos Coronéis..." do nordeste!

Coincidência ou não, justamente no dia 15 de março de 1789, rememora-se à traição de Joaquim Silvério dos Reis à Conjuração Mineira, também conhecida como Inconfidência Mineira. Foi ele o responsável por delatar ao governador da Província de Minas Gerais os planos de libertação e independência que haviam sido construídos por Tiradentes. Em troca de alguns benefícios pessoais, o traidor mudou de lado e entregou seus antigos aliados.

Desde então, a figura do traidor é particularmente execrada pelos brasileiros.

Será coincidência que o artigo saiu no mesmo dia da traição?

quarta-feira, 10 de março de 2010

AOS COMPANHEIROS PETISTAS: PORQUE PC DO B E NÃO PMDB.






“A tarefa é grande
mal bastamos.
É preciso primeiro refazer a vida,
uma vez refeita
poderemos cantá-la”

Maiakóvski



A questão nacional.

O PCdoB compreende que é necessário avançar nas conquistas do governo Lula. Para tanto, o único caminho possível é a eleição da Dilma Rousseff à presidência da república. Caso contrário, como sempre tem ocorrido desde a redemocratização, às forças neoliberais retornariam ao centro do poder da república, e isso, como sabemos, são de tristes lembranças para nosso povo e nossa nação.

Portanto, cabe aos comunistas em 2010 eleger Dilma e aprofundar as transformações que o Brasil necessita, ou seja, superar os verdadeiros entraves para um desenvolvimento sustentável que favoreça a maioria trabalhadora. Acreditamos que somente num governo democrático, com socialização do trabalho e da renda, as forças progressistas e de esquerda crescerão, pois a discussão política se eleva ao programático, às saídas objetivas para os dilemas da nação. O PCdoB tem um programa para apresentar, por isso muito interessa esse ambiente de discussão. Para os comunistas isso faz parte do movimento de crescimento e acumulação de forças. Participar dessa batalha e vencer as eleições é a principal tarefa do PCdoB em 2010.

Com esse objetivo definido, entendemos que para ganhar às eleições e construir a governabilidade em um continente chamado Brasil, o PMDB é chave, porque atualmente ocupa o papel de centro do espectro político nacional, sendo sempre disputado pela direita neoliberal e pela esquerda. Por cumprir com esse papel o PMDB sempre se divide em uma maioria governista e uma minoria da oposição. Ter a maioria do centro político para ganhar e governar é uma ação tática coerente que têm relações com os objetivos estratégicos. A tese de eleições plebiscitárias favorece a distinção dos campos que realmente disputam o poder central no país, obrigando o centro a se posicionar.

Mas, então, se o PMDB é de importância fundamental para vencer e governar, qual a verdadeira importância da esquerda na coalizão que elegerá a Dilma? Ora, a esquerda deve ser a força política que dá sentido ao programa e ao futuro governo! A questão da conquista do centro político, principalmente do PMDB, é um movimento coerente da tática política frentista, é condizente como movimento para se atingir determinado objetivo, mas não se confunde com o objetivo em si. É a esquerda que deve dar sentido a qualquer governo de esquerda. Essa é a questão estratégica!

A aliança tática com o centro para ganhar e governar não se confunde com as transformações profundas que o Brasil necessita. Não vai se esgotar nessa aliança tática o rompimento com os grilhões do neoliberalismo, embora ela seja feita com a intenção de acumular forças e crescer para propiciar às condições dessa virada. Não podemos confundir a tática de ganhar e governar com a estratégia de crescer e criar condições para transformar o Brasil. A tática é particular ao momento. A estratégia deve estar dentro da tática fornecendo sentido às ações imediatas, como a imanência do universal no particular. Quem confunde esses dois movimentos políticos distintos (mas não separados) é reformista ou oportunista!

O caso da coalizão da Concertación no Chile é emblemática: após vinte anos de governo, a coalizão de centro esquerda estagnou nas ações políticas de transformação do país. Isso levou a descrença do povo com o processo político mudancista. O resultado foi à eleição em 2010 do filhote da ditadura e empresário Piñera. De certa maneira, o que a Concertación fez foi à adoção de políticas sociais para tentar diminuir o abismo existente entre a população mais pobre, a classe média e os mais ricos do país. Essa política foi aprofundada, principalmente, no governo da Presidente Michelle Bachelet. Entretanto, não foram adotadas medidas que pudessem solucionar os problemas em sua essência. Foram tomadas medidas paliativas para resolver questões estruturais. O resultado foi a volta da direita.

Cabe aos companheiros da esquerda saberem distinguir a aparência da essência do fenômeno político por qual estamos passando, sob pena de perdermos com o tempo a conexão entre os elos mudancistas, populares e de esquerda que compõe o atual cenário da sucessão nacional.

Como diz o companheiro André Singer do PT: “Desde há muito o PMDB deixou de ter apego a um programa. Talvez uma análise minuciosa mostre que o ciclo programático do partido se esgotou quando promulgada a Constituição de 1988. Desde então, a sigla se transformou em um condomínio de lideranças regionais, com as mais diversas inclinações". Ainda sobre o PMDB diz: "A ausência de um ideário comum possibilita maior flexibilidade na ocupação de espaços de poder. Tanto apóia a opção neoliberal do segundo mandato de Fernando Henrique quanto o caminho desenvolvimentista do segundo mandato de Lula. Nunca se ouviu falar de um debate interno ao partido sobre os diferentes projetos que tais governos representam".
Essa é a diferença entre a opção tática e a estratégica.

A questão local.

É um grande equívoco defender a tese de que a melhor aliança para Dilma é com Sarney. Como foi dito acima a questão central da eleição da Dilma é o crescimento e o acúmulo de força dos setores progressistas, democráticos e de esquerda, para realização das tarefas estratégicas que o Brasil precisa. Essa é a essência da coalizão. É esse o seu sentido maior. Portanto, para sermos coerentes com a questão nacional, é imperioso que entendamos que não cabe ceder espaços políticos para o PMDB. O PMDB não precisa de espaços políticos no Maranhão. Pelo contrário. Os têm até demais.

Aqui, pela peculiaridade maranhense, é mais necessário criar e fortificar o campo de esquerda, estratégico, do que “doar” espaços políticos para Sarney. Porque a aliança do PT com Sarney no Maranhão é somente transferência do espaço social petista à influência patrimonialista da velha oligarquia.

A transformação da tática de “ganhar o centro”, o PMDB, em condição estratégica para o Maranhão, não se sustenta do ponto de vista da lógica da política. A política coerente é aquela que aproxima a tática da estratégia. Pois bem, tanto do ponto de vista tático (ajudar a eleger Dilma) quanto do ponto de vista estratégico (dar um sentido de esquerda ao seu governo) a aliança do PT é com o PCdoB e com O PSB! A opção pelo PMDB perde sentido tático quando vem para o plano estadual, uma vez que a questão estratégica (a aliança da esquerda) aqui está sendo prejudicada ao ceder espaços políticos para o PMDB.

A absolutização da aliança com os sarneístas contraria a lógica política da esquerda. Fere os objetivos essenciais da coligação que elegeu Lula e irá eleger Dilma. Fragmenta ainda mais o PT. Dificulta a aliança estratégica das esquerdas no Maranhão. Não contribui para a superação do modo oligárquico e patrimonialista que as carcomidas oligarquias sempre utilizaram para tornar esse estado refém da miséria.

Conclusões críticas.

O PCdoB já se aliou com Roseana com o meu consentimento enquanto dirigente. Era outro momento em outra época. Não havia unidade nas esquerdas do Maranhão. Ao contrário dos que pensam que isso é uma fragilidade do PCdoB é, antes, uma autoridade para nós dizermos que independente das promessas de Roseana ou Sarney ao PT, a constituição interna do sistema oligárquico deglute qualquer pretensão mudancista, democrática ou de esquerda que se pretenda implementar. Nem que Roseana quisesse mudaria o sistema oligárquico historicamente constituído do qual nutre seu poder. O PCdoB pode falar de alianças com Roseana. Já tivemos essa experiência. Não recomendamos ao PT.

Agora, diferente de antes, temos a possibilidade concreta de consolidarmos um pólo de esquerda que rompa com as oligarquias patrimonialistas que infestam o aparelho público e que crie condições de novos atores políticos exercerem com dignidade republicana o poder no estado e nas cidades maranhenses. O PT não pode dar essa guinada à direita contrariando a essência do projeto nacional que elegeu Lula e elegerá Dilma presidente do Brasil.

Conclamo aos setores mais esclarecidos do PT a manter-se coerente com o projeto nacional, construindo sua réplica progressista aqui no nosso estado. Junto com o PT, o PCdoB, o PSB e outros, temos todas as possibilidades de elegermos uma grande bancada de proporcionais, senadores, o governador e a ampla maioria dos votos para Dilma Rousseff. Esse é o único projeto coerente que deve ser defendido pelo bem do povo maranhense.