terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A batalha de Stalingrado.


De todos os feitos dos povos em luta pela liberdade e contra a opressão ao longo da história, sem dúvida um dos maiores foi a vitória dos comunistas sobre as forças fascistas na cidade de Stalingrado! Um feito épico, tenebroso, mortal, incomensurável em seu sofrimento, na sua luta, na justeza da tática e da estratégia, na soma de esforços, na inquebrantável força espiritual dos que lutam pela liberdade, contra o terror e a opressão! Assim foi Stalingrado!

Minha profunda homenagem aos que lá tombaram, anônimos, mas que sabiam que suas resistências seguravam o espírito do mundo em suas mãos. A vitória em Stalingrado demonstrou para o mundo que os homens podem vencer a escuridão e o medo, que os exércitos só serão fortes quando estiverem junto ao povo, que uma nação brota da força de seus filhos.


Segue abaixo uma seleta da maior homenagem na língua portuguesa à vitória em Stalingrado: Carlos Drummond Andrade em A rosa do povo (1945).



CARTA A STALINGRADO.



Stalingrado...

depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades.

O mundo não acabou, pois que entre as ruínas

outros homens surgem, a face negra de pó e pólvora,

e o hálito selvagem da liberdade

dilata os seus peitos, Stalingrado,

seus peitos que estalam e caem

enquanto outros, vingadores, se elevam.



A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.

Os telegramas de Moscou repetem Homero.

Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo

que nós, na escuridão, ignorávamos.

Fomos encontrá-la em ti, cidade destruída,

na paz das tuas ruas mortas mas não conformadas,

no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas,

na tua fria vontade de resistir.


(...)


(...) Sinto-te como uma criatura humana, e que és tu, Stalingrado, senão isto?

Uma criatura que não quer morrer e combate,

contra o céu, a água, o metal, a criatura combate,

contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura combate,

contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura combate,

e vence.


As cidades podem vencer, Stalingrado!

Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas uma fumaça

subindo do Volga.

Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão contra tudo.


Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres,

a grande cidade de amanhã erguerá a sua ordem.

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