quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

André Singer: “a exclusividade da coalizão PT e PMDB não faz bem ao Brasil”.


Nesses períodos de intensas especulações políticas para sucessão estadual e nacional, não custa nada lembrar o artigo do professor do Departamento de Ciências Políticas da USP e ex- secretário de Impresa e porta-voz da Presidência da República no governo Lula André Singer. Em artigo publicado em 21 de dezembro de 2009 na Folha de S. Paulo, ele argumenta, na defesa de Ciro como vice da Dilma, que a aliança incondicional com o PMDB pode levar o PT a cometer o mesmo erro do PSDB quando se juntou ao PFL (hoje DEM). Para ele "Tal junção descaracterizou o PSDB, como a de hoje com o PMDB ameaça o PT. Menos pelas concessões programáticas que acarreta do que pela falta de conteúdo que implica".

O petista argumenta que "Desde há muito o PMDB deixou de ter apego a um programa. Talvez uma análise minuciosa mostre que o ciclo programático do partido se esgotou quando promulgada a Constituição de 1988. Desde então, a sigla se transformou em um condomínio de lideranças regionais, com as mais diversas inclinações". Ainda sobre o PMDB diz: "A ausência de um ideário comum possibilita maior flexibilidade na ocupação de espaços de poder. Tanto apoia a opção neoliberal do segundo mandato de Fernando Henrique quanto o caminho desenvolvimentista do segundo mandato de Lula. Nunca se ouviu falar de um debate interno ao partido sobre os diferentes projetos que tais governos representam".

Para ele, o PT, "consciente de que não tem a maioria dos votos no país, é correto buscar uma aproximação com outras correntes, sabendo que aliança se faz com aquele que pensa diferente. Mas, para um partido de esquerda que deseja compor uma frente eleitoral, o diálogo esperado é com os vizinhos, sejam de centro-esquerda, como o PSB e o PDT, sejam de esquerda, como o PCdoB e até mesmo o PSOL. Pular sobre essas forças para unir-se ao PMDB sem discussão programática alguma é negar o sentido ideológico da escolha".

Esse é o debate nacional que os companheiros do Partido dos Trabalhadores travam, como é da sua característica, no ambiente da sucessão de Lula. Quero dizer que como comunista compreendo a aliança nacional do PT com o PMDB, mas acredito que essa aliança nacional não deve implicar em uma 'correia de transmissão automática' para os diversos estados da federação.
Acredito também que a opinião do Singer tem caráter nacional, mas também serve para definir parâmetros de discussão nos estados.
Mas, e aqui no Maranhão, como se dará o debate dentro do PT?

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