domingo, 19 de dezembro de 2010

Flávio Dino: sai o parlamentar, entra o “cidadão do debate”

A semana no Parlamento foi marcada pelas despedidas dos deputados que não voltam à Casa na próxima legislatura. O deputado Flávio Dino (PCdoB-MA), que concorreu nas eleições deste ano para o Governo do Maranhão, fez um discurso de prestação de contas de sua atuação parlamentar, manifestou preocupação com os temas que devem pautar o trabalho da próxima legislatura, adiantando que atuará “como cidadão do debate”, e agradeceu a todos – camaradas e adversários.

Dino destacou o seu empenho com os temas relacionados às questões de Estado, sobretudo à reforma política. Na opinião dele, a reforma política, “ tão necessária e tão premente, é um processo sempre em curso — e esperamos que a 54ª Legislatura conclua o que fizemos na 53ª Legislatura, com destaque para a nova Lei Eleitoral de 2009 e para a Lei da Ficha Limpa.”

Ele destacou a importância do debate sobre alteração do Código Eleitoral, “que será uma oportunidade para que tudo isso se resolva, recompondo a inteireza e dando segurança às regras do jogo democrático”.

Para ele, a lei deve garantir que todos, “a Direita e a Esquerda, cidadãos, políticos ou não, possam ter a certeza de que, a cada eleição, não saberemos o resultado antecipadamente, porque é próprio da democracia que haja alternância e que haja, portanto, imprevisibilidade quanto ao resultado, mas que também haja a previsibilidade, segurança quanto às regras do jogo, que evitarão casuísmo e abusos de toda a ordem, que, infelizmente, no quotidiano ainda são perpetrados, sobretudo no que se refere ao uso da máquina e do poder econômico”.

O deputado anunciou que voltará à vida profissional, como professor e advogado. Mas, em entrevista à imprensa, já adiantou que concorrerá as eleições municipais de 2012 como candidato à Prefeitura de São Luis (MA).

E, citando o Livro dos Provérbios, que recebeu de presente de um companheiro do PT, esta semana, disse que “nós procuramos trilhar essa estrada, continuamos nela, na estrada dos patriotas que travam o bom combate com honestidade, firmeza e coragem, que acreditam no Brasil e lutam pelo nosso povo.” A estrada a que se refere é a que cita a Bíblia: “A estrada dos homens de justiça, dos homens justos, é como a aurora: sempre progride, até a plena claridade do dia”.

Segurança e Justiça

Flávio Dino destacou os outros temas a que se dedicou durante o seu mandato: segurança pública e Justiça. Sobre o sistema de justiça, ele lembrou “a necessidade de dotá-lo de presteza e eficiência para servir bem ao nosso povo, sobretudo aos mais pobres.”

“Dediquei-me também à temática atinente à segurança pública, tema de grande importância para os cidadãos e cidadãs que nos ouvem, pela necessidade de se enfrentar a violência urbana, romper o ciclo de impunidade, enfrentar a macrocriminalidade e dar conta do fenômeno das organizações criminosas transnacionais que ameaçam a paz dos cidadãos e das famílias brasileiras”, explicou.

O parlamentar comunista avalia que “o problema da segurança pública não é apenas policial, mas sobretudo político, de políticas públicas. O Programa Nacional de Segurança com Cidadania é um importante marco normativo na constituição daquilo que deve ser uma política contemporânea de segurança pública.”

Cidadão do debate

Quando esteve pela primeira vez na Câmara dos Deputados, ainda como juiz, Flávio Dino veio tratar da reforma do Judiciário. Como parlamentar, também dedicou-se a este tema. E, na despedida do mandato, renovou o seu compromisso com o assunto.

Ele disse que é importante “dar passos importantes e decisivos para a consecução de um modelo capaz de propiciar um serviço jurisdicional de qualidade, justo e em tempo adequado para os cidadãos e as cidadãs brasileiras.”

Comemorou que, após 13 anos de tramitação legislativa, fosse aprovada Emenda Constitucional que garantiu a instituição do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, “órgãos de superposição administrativa que tem dado importantes contribuições para o adequado gerenciamento e para o controle social da atividade desses ramos do sistema de justiça”, analisou.

E parabenizou “o Congresso Nacional que acertou, com todos os seus defeitos, com todos os seus problemas, em deixar esse legado positivo, esse passo na construção desse sistema de justiça, capaz de efetivamente ser justo para a maioria do nosso povo, sobretudo para os mais pobres.”

Flávio Dino também manifestou desejo de que em 2011, na terceira fase da reforma do Poder Judiciário, sejam aprovados os novos Códigos, “que são as normas que consolidarão ou não novos marcos normativos capazes de balancear, de temperar segurança jurídica com adequada velocidade no funcionamento do sistema de Justiça.”

Ele disse que participará “como cidadão do debate” na 54ª Legislatura, que se iniciará em fevereiro próximo, na votação na Câmara, do novo Código de Processo Penal, já aprovado no Senado.

“Caberá a esta Câmara fazer as necessárias adequações, para que tenhamos leis modernas, que sejam reconhecidas, tradição de nosso sistema jurídico, como modelos para todo o mundo, como outras obras legislativas que este Parlamento já aprovou”, afirmou.

Agradecimentos

O discurso de despedida de Flávio Dino incluiu agradecimentos a todos – do povo do seu Estado do Maranhão ao seu Partido – o PCdoB – que o trouxeram à Câmara, até os adversários. Em referência a determinação de manter-se na vida pública, disse que renovava “o compromisso com a mudança da política da nossa terra, com a sua modernização, com a sua plenitude democrática, com a republicanização das suas instituições.”

Nos agradecimentos, inclui todos os Parlamentares, de todas as correntes de opinião. “Quero dizer do tanto que aprendi com meus adversários políticos, aqueles que não compartilham das posições idênticas às que nós da Esquerda defendemos. Fazendo a oposição necessária, colaboraram para que nós outros da base do Governo e da Esquerda política pudéssemos enxergar defeitos e falhas, e com isso encontrar melhores caminhos para nosso País.”

E aos camaradas da base de Governo disse que reconhecia “o grande esforço que todos nós fizemos para elevar o nome do Parlamento brasileiro.”

De Brasília
Márcia Xavier

www.vermelho.org.br


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Vendilhão Serra já tinha combinado a entrega do Pré-Sal, mostra Wikileaks .




As petroleiras americanas não queriam a mudança no marco de exploração de petróleo no pré-sal que o governo aprovou no Congresso, e uma delas ouviu do então pré-candidato favorito à Presidência, José Serra (PSDB), a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse.

É isso que mostra telegrama diplomático dos EUA, de dezembro de 2009, obtido pelo site WikiLeaks (www.wikileaks.ch).
"Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava... E nós mudaremos de volta", disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama.
Um dos responsáveis pelo programa de governo de Serra, o economista Geraldo Biasoto confirmou que a proposta do PSDB previa a reedição do modelo passado.

Segundo Biasoto, essa era a opinião de Serra e foi exposta a empresas do setor em diferentes reuniões, sendo uma delas apenas com representantes de petroleiras estrangeiras. Ele diz que Serra não participou dessa reunião, ocorrida em julho deste ano. "Mas é possível que ele tenha participado de outras reuniões com o setor", disse.

SENSO DE URGÊNCIA

O despacho relata a frustração das petrolíferas com a falta de empenho da oposição em tentar derrubar a proposta do governo brasileiro.

O texto diz que Serra se opõe ao projeto, mas não tem "senso de urgência". Questionado sobre o que as petroleiras fariam nesse meio tempo, Serra respondeu, sempre segundo o relato: "Vocês vão e voltam".

A executiva da Chevron relatou a conversa ao representante de economia do consulado dos EUA no Rio. A mudança que desagradou às petroleiras foi aprovada pelo governo na Câmara no começo deste mês. Desde 1997, quando acabou o monopólio da Petrobras, a exploração de campos petrolíferos obedeceu a um modelo de concessão. Nesse caso, a empresa vencedora da licitação ficava dona do petróleo a ser explorado -pagando royalties ao governo por isso. Com a descoberta dos campos gigantes na camada do pré-sal, o governo mudou a proposta. Eles serão licitados por meio de partilha.

Assim, o vencedor terá de obrigatoriamente partilhar o petróleo encontrado com a União, e a Petrobras ganhou duas vantagens: será a operadora exclusiva dos campos e terá, no mínimo, 30% de participação nos consórcios com as outras empresas.


Leia mais em: EsquerdoNews

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Arafat morreu ! Viva Arafat !





“Então repeti ao povo:

- Desperta do sono teu !
Sansão – derroca as colunas !
Quebra os ferros – Prometeu !
Vesúvio curvo – não pares,
Ígneas como solta aos ares,
Em lavas inunda os mares,
Mergulha o gládio no céu.”

Castro Alves



O filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1775-1854), em sua Filosofia da História, nos diz da existência de quatro espécies de homens que se distinguem por suas contribuições para o avanço do espírito na busca pela liberdade ao longo da História. Entre estes homens há o herói, cujo espírito funde o individual com o universalmente social na busca do absoluto. Ele é o sujeito da História e não importa por que meios, ou de que forma, o objetivo do espírito do mundo (Weltgeist) se fará real através dos seus atos. Ele fala por seu povo e executa a sua vontade. Por isso a moral do herói é a realização do espírito do mundo na busca da sua concretização. Ele está livre das convenções imediatas e seus atos só se farão medir pelo olhar secular do tempo histórico.

O líder palestino Yasser Arafat se encaixa na definição proposta pelo filósofo alemão. Protagonista de um dos principais entraves políticos da contemporaneidade – a questão palestina – Arafat escreveu uma das mais complexas biografias políticas da segunda metade do século XX e início do século XXI.

Com uma História recheada de dominações por povos estrangeiros - principalmente por sua localização estratégica e pela proximidade com os centros produtores de petróleo - a região da Palestina foi ocupada na Primeira Guerra Mundial pelos ingleses que, através do “acordo” de San Remo (1918) previa a criação de um Estado judeu na região. É bom que se diga que por Estado judeu entende-se a ocupação das terras por norte-americanos, ingleses, franceses e alemães que tinham por religião o judaísmo. Tal “acordo” causou intensa revolta entre os árabes.

Durante a II Guerra Mundial, o movimento sionista favoreceu a imigração clandestina e a compra de terras na região, expulsando os antigos moradores. Em 1947, com a irreversibilidade da ocupação sionista e com apoio das potências ocidentais, a ONU decidiu partilhar a Palestina entre um Estado judeu e um Estado árabe. Os árabes se sentiram enganados e queriam de volta suas terras ocupadas. A situação se agravou quando da proclamação unilateral do Estado de Israel (14 de maio de 1948). Os Estados da Liga Árabe entraram em guerra com o novo Estado, ao fim da qual, em 1949, o Estado judeu vitorioso expandiu-se para além dos seus limites, ocupando o que seria o então Estado árabe da Palestina. Este último ficou diminuído e repartido em dois: a Cisjordânia e o território de Gaza. Em 1967, na ‘guerra dos seis dias’ Israel, com sofisticados armamentos norte-americanos, derrotou o Egito, a Jordânia e a Síria e ocupou definitivamente essas regiões.

Esse é o palco onde Yasser Arafat passa a ser protagonista. Começou atuando na política ainda muito jovem e, em 1948, na primeira das guerras Árabe-Israelenses, estreou em campanhas militares. Inconformado com a invasão e posterior expulsão dos palestinos das suas terras, decidiu entregar-se de corpo e alma em defesa da sua gente sofrida e humilhada. Em 1952 presidiu a Federação Palestina dos Estudantes, onde ajudou a congregar jovens para a luta contra a ocupação dos territórios palestinos por tropas da Inglaterra. Em 1956 formou o primeiro embrião da organização que surgiria no Kwait em 1959, a Al-Fatha . Em 1965 o braço armado da Al-Fatha, Al-´Asifa (A Tempestade) iniciou ações armadas contra Israel.

Em 1969 foi eleito presidente da Organização para a Libertação da Palestina – OLP, que passou a se tornar uma coalizão de organizações político-militares autônomas, preconizando prioritariamente a guerra de guerrilhas contra Israel. Dirigindo a tendência moderada, Arafat foi se tornando progressivamente o principal dirigente da resistência palestina. Hábil político, conseguiu a atenção do mundo sobre o drama do seu povo e, aos poucos, foi mostrando os horrores que eram cometidos contra os palestinos por parte dos judeus dominantes.

Em 1982 aconteceu um dos episódios mais macabros da sangrenta luta pela emancipação palestina. O exército de Israel ocupou o sul do Líbano para desalojar os militantes da OLP que ali estavam instalados, protegendo os campos de refugiados palestinos. Arafat e seus homens foram obrigados a se retirar deixando desprotegidos os campos de moradores. No dia seguinte à retirada, milícias pró-israelenses (dizem que comandadas pelo próprio general Ariel Sharon, hoje atual primeiro ministro) massacraram jovens, velhos e mulheres nos campos de Sabbra e Chatilla. Uma investigação da ONU responsabilizou o governo de Israel pelo massacre e acusou Sharon de crimes de guerra.

Na missão de construir o Estado Palestino Arafat evoluiu de chefe de um pequeno movimento de libertação nacional para um estadista ganhador do premio Nobel da Paz, respeitado em todo mundo. Nos últimos tempos, impotente para vencer a força do inimigo, Arafat buscou por todos os meios diplomáticos o estabelecimento do Estado Palestino tal qual previa a resolução da ONU. Já no fim da vida, conseguiu somente uma autonomia relativa dos territórios ocupados. Mas a sua força se fez presente quando Israel, no início de 2002, cercou o quartel general de Arafat em Rahmalla e prometia destruí-lo, encerrando de vez com o maior líder palestino. Entretanto, o que parecia simples se mostrou complexo, e o poderoso exército invasor não teve força moral para assassinar Arafat, deixando-o em prisão domiciliar até sua saída para a França onde morreu.

O desaparecimento de Arafat não é o fim do ideal de autodeterminação do povo palestino na busca do seu Estado soberano. Por mil diferentes caminhos essa idéia se concretizará e o herói, mesmo morto, viverá em seu legado.

Nota: esse texto foi publicado originalmente no sítio do sinproesemmma em 2004, quando do desaparecimento do líder Palestino. Volto a publicá-lo em comemoração ao fato do Estado brasileiro ter reconhecido a legitimidade dos palestinos terem uma nação autônoma.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Deu no blogue Com Texto Livre: Os ‘arcana imperii’ e a ribanceira da História.



É grave a revelação, entre tantas outras dos papéis do Departamento de Estado, da versão de um diálogo entre o embaixador Clifford Sobel e o ministro Nelson Jobim. De acordo com o documento, Jobim disse ao representante de Washington que o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães “odeia” os Estados Unidos e que o Itamaraty é um obstáculo a uma aproximação maior do Brasil com Washington. Se realmente houve a conversa, nos termos da informação do embaixador ao Departamento de Estado, estamos diante de um fato muito sério. É conveniente duvidar de que Jobim, como ministro de Estado, possa se ter referido ao Itamaraty como se noticia.

Ele é ministro da Defesa de um país soberano, e deveria seguir as regras da Realpolitik, entre elas a de que, em princípio, todos os países devem ser tratados como amigos, mas, conforme as cautelas históricas, também como eventuais inimigos – sobretudo os mais poderosos. Se ele continuar no governo de Dilma Rousseff, como se dá por certo, como poderá reunir-se com os demais ministros da Defesa dos países da América do Sul, depois dessa revelação? Todos os países da América Latina já sofreram os golpes promovidos por Washington.

O político gaúcho é personalidade controvertida. Não é a primeira vez que se destaca no noticiário, pelo açodamento e incontinência verbal. Sua incursão em assuntos estranhos à alçada é conhecida. Mas, com toda a gravidade – que deve ser avaliada pela nova chefe de Estado – o episódio Jobim é apenas um detalhe nas revelações do WikiLeaks.

Os Estados Unidos, depois dos papéis do Pentágono, no caso do Vietnã, e dos documentos relativos à guerra no Iraque, sofrem golpe ainda mais severo em sua credibilidade política no mundo. Entre as informações já divulgadas, há algumas que irritam pelo desaforo, como a de solicitar aos diplomatas que busquem a imagem da íris, a identidade genética (DNA) e as impressões digitais de líderes estrangeiros.

Acossados pela rejeição do mundo, com a China em seus calcanhares; desconfiando de aliados que lhes pareciam firmes, como o Paquistão; dominados pelo capital financeiro, que arrosta as leis e faz e desfaz os poderes republicanos, a grande nação de Jefferson e Payne resvala pela ribanceira da História.

Os comunicados diplomáticos divulgados revelam um país amedrontado, que tenta defender-se amedrontando. Faz tempo que vêm caindo os seus arcana imperii, a que aludia Tácito e, com os segredos revelados, seu poder se desfaz. As mentiras do governo Bush, com relação ao Iraque e suas “armas de destruição em massa”, foram logo desmascaradas. É com lastro em seu poderio bélico, embora desmentido no Vietnã, como se desmente agora no Iraque e no Afeganistão, que eles ainda insistem em mostrar-se como senhores do mundo, ao dar ordens aos chefes de Estado para que atuem como vassalos de Washington. Mao disse, certa vez, que os Estados Unidos são um tigre de papel. Com as revelações do WikiLeaks, a metáfora parece confirmar-se.

Os grandes países do mundo procuram ignorar a seriedade das revelações. É provável que países como a Inglaterra, a França, a China e a Alemanha temam que os seus papéis secretos também venham a ser divulgados.

No que nos concerne, seja verdadeiro ou não o diálogo entre Jobim e Sobel, confirma-se o acerto da diplomacia independente, determinada por Lula. Os dois grandes executores dessa política de Estado, Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães, cumpriram o seu dever de fidelidade para com o governo Lula, e, com fidelidade ainda maior, ao povo brasileiro que, ao longo da História, nos conflitos externos, nunca perdeu seu brio.

Mauro Santayana


http://contextolivre.blogspot.com/2010/12/os-arcana-imperii-e-ribanceira-da.html

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Durante entrega do prêmio Augusto Mochel, Flávio Dino diz que 2010 foi um ano de vitórias.



Durante a solenidade de entrega do prêmio José Augusto Mochel 2010, o deputado federal Flávio Dino fez uma avaliação da situação da oposição no Maranhão e das lideranças de esquerda no restante do país. Para Flávio Dino, o ano de 2010 foi de vitórias. "Tivemos uma grande vitória eleitoral, representada tanto pelos nossos companheiros de chapa que se elegeram quanto pela consolidação da autonomia de um campo de esquerda democrático e popular no Maranhão", afirmou Flávio Dino.

A solenidade de entrega do prêmio José Augusto Mochel, que está em sua quarta edição, foi realizada na noite de segunda-feira, 29 de novembro, no auditório do Quality Grand São Luís Hotel. O prêmio é uma realização do PCdoB de São Luís e do gabinete do deputado federal Flávio Dino. Para o presidente do PCdoB de São Luís, Márcio Jerry Saraiva Barroso, o prêmio comemora também um bom momento para a legenda. "Este é o momento alto da vida partidária do PCdoB e também do mandato do deputado Flávio Dino", disse Márcio Jerry.

Flávio Dino destacou a luta política representada pelos homenageados da noite. "Foi em nome de princípios e idéias que os nossos homenageados de hoje lutam e lutaram. Esta noite não é só uma homenagem individual ou a entidades. É também o reconhecimento a um ponto de vista histórico, que nós fazemos por intermédio dessa premiação. O ponto de vista que representa a vitória dos princípios sobre os interesses de conveniência e de ocasião", disse Flávio Dino.

Homenagens

Em 2010, na categoria institucional, o prêmio José Augusto Mochel homenageou a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Maranhão (Fetaema). Também foram homenageados a professora Zezé Costa, o professor da UFMA Francisco Gonçalves, o sindicalista Mestrinho, do PCdoB de Bacabal e o juiz Marlon Reis, representado no evento pela sua irmã, Maria Arlinda Reis. O presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, também foi premiado, mas não pôde comparecer por problemas de agenda. Ele receberá o prêmio em outra ocasião.

A segunda parte da noite foi dedicada às homenagens póstumas. Foi homenageado o engenheiro e militante político Magno Cruz, representado na solenidade pela viúva Telma Maria Abreu Silva, pelo filhos Magno Filho, Marco e Márcio, e pela irmã Maria Cecília. Também recebeu o prêmio o militante político alquimar guterres, militante político do PCdoB na cidade de Caxias, na década de 40, e preso duas vezes pelo regime militar. Alquimar foi representado na solenidade pela viúva, Judite de Moraes Rêgo.

Ao final da solenidade, Flávio Dino garantiu aos presentes a continuidade do prêmio José Augusto Mochel nos próximos anos, mesmo que não esteja mais na condição de deputado federal. " O prêmio ficará sob responsabilidade do diretório municipal do PCdoB em São Luís", disse ele. Flávio Dino justificou a continuidade da premiação dizendo que ela vai além da disputa eleitoral. "É a premiação de uma luta política e ideológica. Temos grandes perspectivas de futuro, porque quem tem utopia não perdeu nada. Ao contrário, somos autênticos vitoriosos. Temos a vitória da coragem, da ousadia e de podermos dormir tranquilos. sabendo que somos sinceros com aquilo em que acreditamos todos os dias", concluiu.

Assessoria de Imprensa.


Comentário do blogue.

Foi uma noite memorável. O discurso de Flávio Dino resgatando a vitória estratégica de consolidação de um campo democrático, progressista e de esquerda no Maranhão.

Os homenageados do ano: a FETAEMA, representada pelo seu presidente Chico Salles que afirmou a necessidade de um novo projeto de desenvolvimento que inclua os trabalhadores rurais;

a professora Zezé Costa, a "Zezé", uma dirigente sempre alerta para importância da organização e mobilização das bases partidárias;

o professor Francisco Gonlçaves, intelectual progressista, destacou a importância de toda uma geração que lutou para consolidar a democracia no país;

o juiz Marlon Reis, que enviou um vídeo, árduo defensor da revolucionária lei da ficha limpa;

homenagens póstumas ao militante das causas populares e étnicas, Magno Cruz, representado pela viúva e filhos;

Também uma oportuna e necessária homenagem póstuma a Alcmar Ribeiro Guterres, que junto com José Augusto Mochel, reorganizou o PC do B no Maranhão durante os "anos de chumbo", além de militar em Caxias e São Luís, sendo por isso mesmo preso em duas ocasiões.

Mas quero mesmo é destacar, como representativo da noite, a homenagem ao militante José dos Santos, 78, conhecido em Bacabal como "Mestrinho". Contou sua história de militante desde a década de sessenta no Ceará. Que foi operário têxtil e organizou os trabalhadores no sindicato. Que foi perseguido e teve que fugir para o Maranhão. Que foi difícil essa vida clandestina. Que as filhas, que agora assistiam da platéia o depoimento, depois entenderam o que se passou. Que estava emocionado pela homenagem, pois era a primeira vez na sua vida. Declarou- se à disposição do PCdoB.

Foi uma noite que serviu para recarregar as energias revolucionárias e dar sentido ao movimento político que fazemos.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Revolução na internet: WikiLeaks desmascara imperialismo dos EUA!





O que ficava anos e anos escondido como "segredo de estado" agora está na internet para todos verem. O que era trabalho para os historiadores do futuro agora está disponível para qualquer um em qualquer lugar do planeta. Essa é a maior revolução que a internet trouxe para os cidadãos do mundo: apropriação coletiva da informação!

Pois bem. O sítio WikiLeaks, depois de demonstrar através de documentos que a guerra no Iraque e no Afeganistão é uma "guerra suja", com violações dos direitos humanos, torturas e assassinatos de civis inocentes, agora mostra que os EUA vivem espionando todo mundo, inclusive a ONU, incentivando golpes de estado e a guerra contra o Irã.

A base de dados revela a atividade de espionagem exercida pelas embaixadas dos Estados Unidos na Bósnia, Bulgária, Croácia, Macedônia e Turquia, em busca de informação que possa ser utilizada em chantagens contra esses países, alguns deles aliados dos Estados Unidos na Europa Oriental. Armênia, Azerbaijão e Geórgia também aparecem nos documentos vazados, além também de Rússia, China e República Popular Democrática da Coréia (RPDC). Índia, Afeganistão, Paquistão, países árabes e africanos, assim como Honduras, Colômbia, Paraguai, Brasil e Venezuela, na América Latina, foram também objetos de ampla espionagem por parte dos Estados Unidos.

Manuel Zelaya, presidente hondurenho deposto em um golpe no ano de 2009, falou sobre a cumplicidade americana no golpe que o tirou do governo em julho de 2009, após verificar os documentos sobre o seu país. "Fica clara a cumplicidade dos EUA ao conhecer previamente o planejamento e a execução do golpe de Estado e mesmo assim fazer silêncio", diz Zelaya em nota enviada da República Dominicana.

Mais uma vez fica a lição para aqueles que acham que a luta de classes e o imperialismo acabaram em 1989: o imperialismo está presente e é a causa de todos os principais conflitos no mundo.

Definitivamente, o império está nu.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Prêmio "José Augusto Mochel" 2010.

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C O N V I T E


O Comitê Municipal do Partido Comunista do Brasil – São Luis e o deputado federal Flávio Dino têm a honra de convidar para a solenidade de entrega do Prêmio José Augusto Mochel 2010.

A solenidade será realizada no dia 29 de novembro, às 18 horas, no auditório do Quality Hotel Grand São Luis(Antigo Vila Rica).

Contamos com sua presença,

Atenciosamente,

Márcio Jerry Saraiva Barroso

Pres. Comitê Municipal do PCdoB/São Luis



Homenageados 2010


FETAEMA

Profa Maria José Costa

Prof. Francisco Gonçalves da Conceição

José dos Santos ( Mestrinho)

Márlon Reis

Haroldo Lima

Alquimar Guterres (in memoriam)

Magno José Cruz (in memoriam)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Ponto de Cultura Juventude Marambaia.




Convite


A Sociedade Recreativa Escola de Samba MARAMBAIA tem a honra de convidar V.Sa. a participar do lançamento do Ponto de Cultura Juventude Marambaia que se realizará no dia 19 de novembro de 2010, às 19h30min na Sede Recreativa, localizada à Rua Professor Mata Roma s/n, Bairro de Fátima.


Maria Célia Ribeiro
Presidente

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Governadores mais ricos comandam regiões mais pobres.


AE - Agência Estado

Os 27 governadores eleitos no mês passado declaram à Justiça Eleitoral uma fortuna de R$ 63,53 milhões em patrimônio pessoal. Na média, cada chefe de executivo estadual tem R$ 2,35 milhões em bens. São 14 os que informaram ter patrimônio acima do R$ 1 milhão. O mais rico deles é o governador reeleito de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), que apresentou declaração de bens que soma R$ 14,62 milhões.

Levantamento feito na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra ainda que oito governadores eleitos apresentaram evolução patrimonial superior a 200% nos últimos anos. Neste caso, a líder é a governadora também reeleita do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). Em 2006, a declaração dela listava 15 bens, mas informava apenas o valor depositado em seu fundo de previdência privada: R$ 172.734,71 - em valores corrigidos. Para esta eleição, Roseana apresentou declaração com 25 bens e valor total de R$ 7.838.530,34. O crescimento foi de 4.437,90% em quatro anos.

As Alagoas de Teotônio e o Maranhão de Roseana ocupam a 25.ª e a 26.ª posição, respectivamente, no ranking do Produto Interno Bruto (PIB) per capita dos Estados, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dois Estados também estão nas duas últimas posições do ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que lista indicadores na área de Educação, renda e expectativa de vida.

Entre os governadores eleitos que tiveram expressiva evolução patrimonial, também destacam-se o de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB), e o do Acre, Tião Viana (PT). Prefeito eleito de Ariquemes em 2008, Moura informou à Justiça Eleitoral na ocasião ter patrimônio de R$ 385.775,34, em valores atualizados. Agora, apresentou declaração de R$ 8.554.881,14. Crescimento de 2.117,58%. Quando se elegeu para o Senado em 2006, Viana disse ter patrimônio de R$ 28.794,65. Agora, passou para R$ 551.098,50, avanço de 1.813,89%.


http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,governadores-mais-ricos-comandam-regioes-mais-pobres,640259,0.htm

Lozano: O capitalismo é violento pela sua própria natureza.




Por Carlos A. Lozano Guillén*



Barbárie ou civilização? É o tema que nos traz a este importante seminário, em que vários acadêmicos e peritos farão os seus depoimentos à luz de um mundo unipolar, que avança com mudanças de significados diferentes no começo da segunda década do século XXI.

Alguns, quem sabe, em direção à barbárie, pela arrogante política do imperialismo dos E.U.A. e das principais potências europeias que nunca renunciaram à violência, às guerras de rapina, à agressão de outros povos e à autoridade dominante, como se o mundo tivesse regressado às piores épocas do colonialismo.

Nos finais dos anos oitenta e começos de noventa do século passado, quando sobreveio o derrube do “socialismo real” na Europa oriental, que levou ao colapso da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, anunciou-se o fim da guerra fria, a vitória do capitalismo e até o fim da história. A confrontação leste-oeste e a contradição internacional entre o capitalismo e o socialismo chegaram ao final, disseram os acadêmicos burgueses, acabando o mundo bipolar de dois sistemas opostos em confronto dialético e de busca da supremacia histórica de um sobre o outro. Emergiu o mundo unipolar, dominado pelo capitalismo, na pior das suas formas: o imperialismo, explicado por Vladimir Ilich Lênin como o desenvolvimento e continuação direta das propriedades fundamentais em geral do capitalismo. “Mas o capitalismo transformou-se em imperialismo capitalista unicamente ao chegar a um grau determinado, muito elevado, do seu desenvolvimento, quando algumas das características fundamentais do capitalismo começaram a converter-se na sua antítese, quando tomaram corpo e se manifestaram em toda a linha os traços da época de transição do capitalismo para uma estrutura econômica e social mais elevada”. Por esta razão, para Lênin, de maneira simples, “o imperialismo é a fase monopolista do capitalismo” (1).

O imperialismo, na opinião de Lênin, está montado sobre um Estado proprietário ou Estado agiota, sem escrúpulos, apoiado, se for o caso, na violência para impor a acumulação de capital. Por esta razão nunca poderá haver uma “terceira via” ou um “capitalismo humano”, como preconizam tantos intelectuais, mesmo de esquerda, que concluíram que depois da queda do muro de Berlim a situação mundial seria dominada por um “capitalismo de rosto humano”. Pelo contrário, o que sobreveio foi o modelo neoliberal (alguns chamam-lhe “capitalismo selvagem”), que arrasou, como uma onda violenta, com o patrimônio público, com o Estado eficaz e os direitos dos trabalhadores. Foi uma espécie de Tsunami político, social e econômico que ainda não terminou. Muitos dos desiludidos da esquerda, ficaram frustrados perante a terrível realidade que ainda não acabou, porque o capitalismo, não importa o lugar ou o momento histórico, está baseado na maior mais-valia, na super-exploração dos trabalhadores e na acumulação de lucros.

É possível que, no auge da onda neoliberal, em pleno século XXI, o capitalismo arraste uma crise cíclica, que afeta o modelo, ainda que não seja sistêmica. “É uma crise cíclica. Daquelas que, como no seu tempo advertiu Karl Marx, afetariam o capital de quando em vez e das quais o capitalismo se recompõe enquanto as massas populares não estão em condições de mudar a história e produzir a transformação revolucionária da sociedade. Alguns economistas, não sem razão, asseguram que a crise atual é uma réplica do crash de 1929 que sacudiu o capitalismo. Não é, pois, tão inofensiva como alguns crêem “(2).

O capitalismo é violento por natureza. Os capitalistas ou burgueses são impiedosos na forma, violenta se necessário, de proteger os seus interesses. No Dezoito de Brumário de Luís Bonaparte, Karl Marx demonstra, em referência à França, que “a ordem burguesa, que nos inícios do século pôs o Estado de guarda à parcela recém criada e a avalisou com honrarias, converteu-se num vampiro que lhe chupa o sangue e a medula e o atira à caldeira de alquimista do capital. O Código de Napoleão já não é mais que o código dos embargos, dos leilões e das adjudicações forçadas”(3).

Nos nossos dias, disse Samir Amin, “a continuação do modelo de desenvolvimento da economia real, tal como o vamos conhecendo, assim como o do consumo que o vai amparando, tornou-se, pela primeira vez na história, uma verdadeira ameaça para o futuro da humanidade e do planeta”(3). Nem de outra forma podem explicar-se as agressões imperialistas no Médio Oriente e na Ásia, mediante ofensivas e ações militares desproporcionadas e criminosas, em nome da civilização e da democracia ocidental, que não passam de sinais de barbárie no século XXI. Para Amin, o conflito Norte/Sul constitui o eixo central das lutas e conflitos que hão-de vir. A exploração dos recursos naturais de cada Estado-Nação por parte das potências imperialistas.

O capitalismo é pela barbárie. As forças democráticas e o socialismo pela civilização. Na esteira dos acontecimentos do 11 de Setembro de 2001, conhecidos como o derrube das torres gêmeas em Nova York, o mundo, na época unipolar, sofreu um golpe de Estado, como o qualificou o comandante Fidel Castro, quando o então presidente George W. Bush traçou a sua estratégia global contra o terrorismo. Barack Obama, nove anos depois, embora com uma linguagem mais moderada, mantém o mesmo rumo político, num cenário de desprezo pelas liberdades democráticas e a auto-determinação dos povos.

É uma política de Estado, uma definição de interesses comuns aos norte-americanos, representados no sistema bipartidarista de democratas e republicanos, na luta pelo controle dos recursos naturais no mundo, descrito assim por Amin: “se os Estados Unidos fixaram como objetivo o controle militar do planeta é porque sabem que sem esse controle não podem assegurar o acesso exclusivo a tais recursos. Como bem se sabe, a China, a Índia e o Sul no seu conjunto também necessitam desses recursos para o seu desenvolvimento. Para os Estados Unidos trata-se imperativamente de limitar esse acesso e, em última instância, só existe um meio: a guerra”(4).

Todavia, estas políticas fracassarão num mundo que está para lá da classe dominante e da burguesia transnacionalizada, e que se pronuncia cada vez com mais força pela civilização e pelas saídas políticas dos conflitos, assim os belicistas imponham a força e a barbárie. Ao fim e ao cabo as massas populares criam também as suas próprias formas de resistência, muitas audazes e contundentes. “(…) A crise econômica e financeira (no momento atual) coincide com o fracasso da estratégia imperialista de guerra preventiva que deu lugar à chamada luta contra o terrorismo e teve as suas mais violentas expressões nas invasões do Iraque e Afeganistão, assim como em outros casos de intervencionismo militar”(5).

A América Latina é uma região em ebulição, é um fervedouro de conflitos políticos e sociais, com processos de fortalecimento de projetos de emancipação, em diferentes níveis e alcances. Não há um modelo preconcebido, não existe um paradigma, mas sim processos à margem da influência e da dominação ianque. A América Latina não é mais o pátio das traseiras do império do norte. Demonstram-no os processos de integração regional como a UNASUR e outros sem a presença norte-americana. Inclusive começa-se a falar de uma nova forma de organização de países da América e do Caribe sem a presença tutelar dos Estados Unidos. São novas realidades de um mundo em que é evidente a barbárie dos poderosos, mas também as tendências para a civilização e para as mudanças de sentido positivo.

A esquerda e os revolucionários estão pela civilização, associada ao progresso democrático e social. “A civilização é, pois, o estádio de desenvolvimento da sociedade em que a divisão do trabalho, a mudança entre indivíduos que dela deriva, e a produção mercantil que abarca um e outro, alcançam o seu pleno desenvolvimento e provocam uma revolução em toda a sociedade anterior”. Palavras escritas há tantos anos por Engels, em tempos da primeira época do capitalismo, levantando-se, embora de forma incipiente, sobre as ruínas do sistema feudal, mas que colocado nos termos da modernidade, da revolução industrial e tecnológica, nos tempos do ciberespaço e grandes conquistas da ciência, a filosofia burguesa do maior lucro e de colocar o conhecimento ao serviço dos interesses do capital, continua a ser igual. Como igual é a luta de classes, a confrontação dialética, porque as forças democráticas e progressistas pretendem mudanças e transformações estruturais e de fundo para que as conquistas da humanidade e da civilização se coloquem ao serviço das massas populares, dos homens e das mulheres que constituem o conglomerado social nas diferentes latitudes.

(1) LENIN, V.I. O Imperialismo fase superior do capitalismo. Tomo 3 das Obras Escolhidas, Editorial Progreso, 1961. Pág. 764.
(2) Em Recessão econômica. Crise do modelo ou crise do sistema? Carlos Lozano G. (Editor). (Artigo de Carlos A. Lozano Guillén). Fundação Semanário VOZ, Fevereiro de 2009. Pág. 13.
(3) MARX, Carl, ENGELS, Frederico. Obras Escolhidas. Dezoito Brumário de Luís Bonaparte, Editorial Progreso, 1955. Tomo I. Pág. 465.
(4) Em Recessão Econômica. Crise do modelo ou crise do sistema? Carlos Lozano G. (Editor). (Em artigo de Samir Amin). Fundação Semanário VOZ. Pág. 66.
(5) Ibidem Pág. 67.
(6) Em Recessão Econômica. Crise do modelo ou crise do sistema? Carlos Lozano G. (Editor). (Em artigo de Jairo Estrada Alvarez) Fundação Semanário VOZ. Pág. 33.
(7) ENGELS, Frederico, A origem da família, a propriedade privada e o Estado. Obras Escolhidas de Carl Marx e Frederico Engels em três tomos. Editorial Progreso 1955, Tomo II Pág. 341.

* Carlos Lozano é diretor do semanário de Voz, jornal do Partido Comunista da Colômbia. Texto em português publicado em www.odiario.info.

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Em discurso na Câmara, Flávio Dino apresenta desafios para o governo Dilma Roussef.




Ao ocupar a tribuna da Câmara na tarde desta quinta-feira, o deputado federal Flávio Dino disse que seu partido o PCdoB “considera fundamental administrar as flutuações de câmbio com a finalidade de alcançar uma taxa capaz de evitar a chamada desindustrialização”.Na opinião do parlamentar maranhense, enfrentar a guerra cambial deverá ser uma das prioridades do governo de Dilma Roussef.

Entre outras medidas, o deputado defendeu o estabelecimento de limites para a entrada e saída de dólares do país, além da redução da taxa de juros a patamares similares ou médios dos demais países emergentes. São medidas essenciais para evitar que o Brasil acabe sendo um atrativo especial para o capital especulativo.
“Sustentamos que é necessário incentivar o uso de outras moedas que não o dólar nas relações comerciais, assim como defendemos que o fundo soberano do Brasil seja utilizado contra a volatilidade cambial”, afirmou.

Segundo ele, o enfrentamento da guerra cambial está entre as prioridades programáticas, políticas e administrativas defendidas pelo partido neste momento de transição entre os governos Lula e Dilma.

Flávio Dino disse, ainda, que outra prioridade defendida pelo seu partido e classificada por ele de programática diz respeito à conclusão da votação do marco legal do pré-sal tal como foi aprovado na Câmara dos Deputados, já que no Senado houve alterações. O parlamentar desatacou ser necessário concluir a votação dessa matéria ainda neste ano “pela importância que tem para o ciclo de crescimento econômico com distribuição de riqueza”.

O parlamentar enfatizou ainda que o próximo governo deverá dar continuidade à política de aumento real do salário mínimo, bem como discutir a redução da jornada de trabalho para 40h. Flávio entende que para que haja desenvolvimento para todos, é necessário que haja distribuição de riqueza. “É impossível distribuir riqueza sem a valorização do trabalho humano”, pontuou.

Na opinião de Flávio Dino, o novo governo também deverá dar atenção especial para as áreas da saúde e da segurança pública, adotando medidas emergenciais, quando necessário, e planejando imediatamente medidas futuras. O parlamentar voltou a defender a necessidade do término da votação da PEC n° 300 considerada por ele de “grande relevância para os profissionais da segurança pública”. Flávio concluiu o seu discurso defendendo que o governo Dilma seja apoiado na força do povo e que de fato transforme a esperança em realidade.


ASSESSORIA DE IMPRENSA

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Como o blogue já havia antecipado: "Mantega botou o dedo na ferida: o mundo precisa de uma nova moeda".

Por Umberto Martins.

A reunião de cúpula do G20 será aberta nesta quinta-feira (11) em Seul à sombra de uma guerra cambial que ameaça degenerar em conflitos comerciais e políticos mais sérios entre as nações. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, botou o dedo na ferida ao defender a substituição do dólar como moeda mundial. Mas é pouco provável que a proposta seja debatida ou acatada. O encontro na capital da Coreia do Sul lembra o ruidoso parto da montanha que gerou um rato.

Mantega defende uma reforma no sistema monetário internacional que subtraia do dólar a condição de moeda mundial, aceita universalmente como meio de pagamento, unidade de referência para contratos e preços e reserva de valor.

O dinheiro de Tio Sam, que não leva em conta o interesse alheio na definição de sua política monetária, seria substituído por um novo papel, supranacional, cujo valor seria estabelecido com base nas principais moedas da atualidade: o dólar, o iuane (chinês), o euro, o iene (japonês), a libra esterlina (britânica) e, segundo a sugestão do ministro, o real brasileiro.

Privilégio americano

Mantega citou como exemplo o Direito Especial de Saque (DES) do Fundo Monetário Internacional (FMI), também baseado numa cesta das principais moedas (excluindo, entre as citadas, o real). A proposta não chega a ser propriamente uma novidade. A China já tinha lançado ideia parecida no ano passado, mas o debate não prosperou.

O ministro tem razão. O pano de fundo da chamada guerra cambial (expressão que ele usou pela primeira vez para caracterizar a instabilidade monetária desses dias) é a posição especial ocupada pelo dólar na economia internacional, ao mesmo tempo em que cabe aos EUA o privilégio da emissão, ou seja, a atribuição de estabelecer o valor relativo das verdinhas ou pelo menos influenciar poderosamente nesta direção, através das políticas monetária e fiscal.

Não se pode negar às autoridades estadunidenses a soberania sobre a política monetária e o direito de emitir dólares, do mesmo modo que não se pode negar à China a soberania sobre a política cambial. O problema, no primeiro caso, é que o dólar é a moeda mundial. Não circula apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. É a referência dos preços das mercadorias, a começar pelo petróleo, e dos contratos.

Inflação mundial

Sendo assim, é inevitável que a emissão excessiva de dólares (como no caso dos 600 bilhões para compra de títulos do Tesouro anunciado pelo Federal Reserve) resulte em desalinhamento cambial, gerando conflitos nos preços relativos das moedas (guerra cambial), reações unilaterais das nações e inflação mundial. Boa parte da alta das commodities, por exemplo, ocorre em contrapartida ao declínio do dólar.

A instabilidade cambial, conforme notaram vários empresários, é pior do que a valorização ou desvalorização da moeda para os negócios, pois inviabiliza o planejamento, sujeita exportadores e importadores a ganhos ou prejuízos inesperados, fomenta a especulação e, como inflação, transforma o comércio exterior num jogo perigoso.

Crise da hegemonia

Vítima dos desequilíbrios colossais e do crescente parasitismo cultivados pelo imperialismo, decorrentes de quatro décadas de acumulação de déficit comercial e refletidos numa escandalosa necessidade de financiamento externo, o padrão dólar há muito não é capaz de garantir estabilidade aos mercados de câmbio. Não tem mais condições de desempenhar as funções de moeda mundial. Daí o clamor crescente por sua substituição.

O diabo é que este tipo de problema não será resolvido apenas no campo da economia. Depende de condições políticas que certamente ainda não estão maduras. Afinal, a supremacia do padrão dólar é emblemática da hegemonia americana. A crise do dólar é mais uma expressão da crise da hegemonia dos EUA e sua solução envolve mudanças mais amplas em direção a uma nova ordem mundial. Mas não creio que isto seja sequer sinalizado pela cúpula de Seul. E tampouco que virá sem luta.

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OBS: Segue anexo dois textos que escrevi sobre o tema. Um deles é de 28 de julho do ano passado e o outro é da semana passada.


http://pneuma-apeiron.blogspot.com/2010/11/crise-economica-guerra-cambial-ou-por.html

http://pneuma-apeiron.blogspot.com/2009/07/o-fim-do-dolar-ou-porque-tecnocracia.html

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Maranhão e a barbárie.



58 mortes violentas em "outubro sangrento" na grande São Luís, a maioria das vítimas eram jovens pobres.

Assalto ao banco de Buriticupu, reféns, tiroteio e ação estadual do crime organizado.

Rebelião na penitenciária de Pedrinhas, mortes, destruição e a completa ausência de direitos básicos à condição humana.

Como há séculos atrás, índios e policiais trocam tiros e se matam no interior do Maranhão.

As profundas desigualdades sociais e econômicas, o mandonismo sem limites da oligarquia Sarney, a corrupção, o patrimonialismo e os piores índices de desenvolvimento humano do país cobram o seu preço: a barbárie que estamos assistindo!

A oligarquia e seus velhos e novos aliados são os responsáveis finais, em uma cadeia de causalidade responsável, pelo estado de coisas que agora se apresentam.

A propaganda e o ufanismo não podem substituir a realidade fenomênica, pois essa é o móbile do entendimento. Portanto, a miséria da política apresenta sua conseqüência mais obscura na bárbara violência.

Pobre Maranhão.

sábado, 6 de novembro de 2010

Crise econômica, guerra cambial ou por que o mundo precisa superar o imperialismo norte-americano.



A crise mundial do capitalismo se arrasta há dois anos e agora vivemos mais um capítulo: a chamada guerra cambial. Mas o que isso tem a ver conosco? Tudo. Pois cada real que pagamos de juros ou inflação vai acabar, numa complexa cadeia de causalidade do valor, financiando o déficit norte americano ou, em outras palavras, acabamos por financiar com o nosso trabalho a guerra do Iraque e do Afeganistão.

Mas como é que isso acontece? Ora, a partir da crise anterior (1930) e das duas grandes guerras mundiais, o dólar passou a ser utilizado como moeda de reserva internacional. No chamado sistema de Bretton Woods foi acordado que cada país deveria adotar uma política monetária que mantivesse uma taxa de câmbio de suas moedas dentro de um determinado valor indexado ao dólar —mais ou menos um por cento— cujo valor, por sua vez, estaria ligado ao ouro numa base fixa de 35 dólares por onça Troy. Isso quer dizer que o lastro para aceitação do dólar como moeda de reserva era o ouro, garantia última de sustentação do papel moeda.Também estava previsto a provisão pelo FMI de financiamento para suportar dificuldades temporárias de pagamento.

Todo o sistema capitalista foi reestruturado na primeira metade do século XX tendo o dólar como moeda padrão e os EUA como potência imperialista. Com isso os EUA e seus aliados estavam preparados para enfrentar os rigores de uma guerra fria que se aproximava.


Esse sistema financiou a reconstrução do capitalismo e a hegemonia dos EUA por quase trinta anos. Entretanto começou a dar problemas derivados da degradação das finanças norte-americanas. Para financiar seu déficit orçamentário houve um aumento da emissão de dólares que, por um lado, começou a criar problemas aos restantes países membros do acordo, porque os obrigava a emitir suas próprias moedas para manterem o cambio "fixo", criando pressões inflacionárias na sua economia, e por outro, associado a uma degradação da conta corrente norte-americana, com as importações crescendo mais rápido que as exportações. Um dos motivos para esse descontrole dos gastos dos EUA foram as guerras que se envolveram e os gastos com sua incrível máquina militar.

Com isso a quantidade de dólares passou a exceder o estoque de ouro, diminuindo a vontade dos outros países de deter dólares. Em 1971, Richard Nixon, então presidente dos EUA, suspendeu unilateralmente o sistema de Bretton Woods, cancelando a conversibilidade direta do dólar em ouro. Daí surgiu um novo padrão monetário, o chamado dólar flexível, inédito na história das relações internacionais, e ainda mais vantajoso para os EUA, uma vez que o dólar seria lastreado na própria economia norte-americana, sem constrangimentos objetivos.

Este acontecimento também marca a volta da grande finança ao centro do poder, numa espécie de revanche contra aqueles que lutaram contra a liberdade dos capitais no período de Bretton Woods. Isso ficou evidente nos anos 1990 quando a vitória do neoliberalismo parecia incontestável e o dólar se configurou como a moeda da globalização financeira, sendo o "lastro" para a farra de outros papéis, títulos, bônus, dívidas, etc..

Pois bem. Pressionado pelos setores mais conservadores que saíram vitoriosos nas eleições legislativas dos EUA, quarta feira, dia 3 de novembro de 2010, o FED (Banco Central dos EUA) injetaram US$ 600 bilhões na compra dos próprios títulos públicos, inundando o mercado internacional com a moeda norte-americana, desvalorizando-a, o que barateia suas exportações, diminui seu gigantesco déficit e, ainda por cima, quebra os chamados países emergentes, uma vez que dificulta suas exportações.

Os EUA tem a vantagem - inédita na história da economia mundial - de ter a moeda das transações comerciais e, ao mesmo tempo, emitir ao seu bel prazer. É como ter uma máquina de dinheiro em casa: precisando é só imprimir, quem quiser que corra atrás do prejuízo. E, em troca desse dinheiro sem lastro e em franca decadência, nossas florestas, minérios, trabalhos, valores vão sendo drenados para o centro do sistema imperialista. Nós apenas ficamos com o papel pintado de verde que logo, logo não terá nenhum valor.

É esse sistema financeiro internacional que sustenta o parasitismo dos EUA. Todos nós financiamos o consumismo, a poluição e as guerras do imperialismo norte-americano. É uma situação completamente insustentável a médio e longo prazo.

Há saídas para essa situação? Imediatamente há idéias de estabelecer uma nova moeda internacional (internacional de fato, uma vez que o dólar é a moeda nacional dos EUA) que seria lastreada nas principais commodities, o que impediria sua emissão desregulada, gerando assim estabilidade nos câmbios.

Outra saída, mais estratégica e de longo prazo, é derrotar o imperialismo norte-americano e estabelecer uma nova ordem econômica. A cada dia que passa é a alternativa que mais se impõe: ou derrotamos o imperialismo financeiro ou ele arrastará o mundo para a barbárie.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Quantas esperanças.




Quem viveu as agruras da queda do "muro de Berlim", da ascensão do neoliberalismo, da patética teoria do "fim da história", dos trágicos governos Collor e FHC e de todos os outros mitos criados e recriados pelo imperialismo e seus sócios menores, não pode deixar de se satisfazer com a linda cena de ver uma bandeira do Partido Comunista do Brasil tremular comemorando a vitória de Dilma para presidente!

A cena foi reproduzida pela CNN e correu o planeta. O que será que passou pela cabeça dos donos do mundo quando viram essa cena? Dilma, "ex-terrorista", do Partido dos Trabalhadores, ganhou eleição e, dentre a multidão que comemorava, uma bandeira vermelha com a foice e o martelo destacava-se. -"Mas o comunismo não morreu?" Dirão alguns. -"Parece que não!" Dirão outros.

Já os trabalhadores em greve na França ficarão contentes. Os camponeses da Itália estão felizes. Na Inglaterra e nos EUA ninguém irá entender nada. Na Índia e na China bilhões irão entender tudo. Em algum lugar na Faixa de Gaza pessoas comemoram. Em Angola e Moçambique tambores rufam. Em Cuba e na Argentina todos reconhecerão essa imagem. Todos confirmarão que a América Latina está na esquerda.

A singela, pequena e reluzente bandeira do Partido Comunista do Brasil comemorando a vitória de Dilma manda um vigoroso sinal para esse sistema de poder decrépito: a história não acabou, os dados ainda estão rolando, o tempo não pára e os comunistas estão jogando.

Quantas esperanças no mundo estão embaladas naquela simples bandeira da foice e do martelo!

Parabéns ao povo brasileiro!

Viva aos trabalhadores!

Viva a luta antiimperialista!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

"Maranhão e Dilma" e outros comentários.

MARANHÃO E DILMA.

Publicado por Walter Sorrentino em 24/10/2010

O Estadão hoje, em coluna de opinião assinada por João Domingos e outros, alega que a “irritação de Lula” sobra até para os aliados. Supostamente, Lula “acha que Flávio Dino está se queixando à toa… Tem denunciado fraude na vitória de sua opositora ao governo do Maranhão, o que pode atrapalhar o trabalho de união em torno de Dilma no Estado”.

Se não for especulação, é estranho. Na verdade, incongruente.

Não foi Flávio Dino ou o PCdoB que moveram processo para apurar fraude na apuração, vencida por Roseana Sarney por 0,08 % dos votos evitando o segundo turno. Foi o Ministério Público. O PCdoB e Flávio aguardam a apuração.

Estranha a questão de união em torno de Dilma no Estado. Flávio liderou a oposição, dentro do campo Dilma no primeiro turno. Dos 50% do eleitorado, apoiadores de Flávio e do outro candidato, mais da metade apoiaram Flávio e Dilma, defendida pelo candidato.

No segundo turno, a campanha Dilma unifica o PCdoB em todo o país. Aliás isso é público no pronunciamento do PCdoB maranhense, até as pedras sabem disso, que dirá Lula. Se há preocupação com o volume de votos da campanha no Maranhão, melhor seria procurar razões no comando estadual da campanha, monopolizado pelo grupo Sarney que não representa, em absoluto, o sentimento das parcelas mais avançadas e dos movimentos sociais. Aliás, nem o PT maranhense está unido nessa matéria.

Agora, há um fato ruidoso nisso tudo: no primeiro turno foi desconsiderado, liminarmente, entendimento consagrado no Conselho Político da campanha Dilma, que oficialmente deliberou respeito aos diversos palanques estaduais que apoiariam a campanha nacional. Não foi o que ocorreu no Maranhão. Flávio Dino não recebeu nenhuma sinalização, nem mesmo após o término do segundo turno. PCdoB e PSB no Estado fizeram sua parte. O PCdoB segue isso no segundo turno. Quem não respeitou compromissos foram outros.

O Maranhão não precisa dessa “união” supostamente pregada por Lula. Estamos com Dilma, certamente. Há um governo eleito e há uma oposição, como deve ser.

O Maranhão precisa de respeito, só isso.

http://www.waltersorrentino.com.br/2010/10/24/maranhao-e-dilma/


Observações sobre o texto do Sorrentino.

Chamo atenção à declaração de que "a campanha Dilma unifica o PCdoB em todo o país".

A meu ver essa passagem não trata de "lulismo" ou outra coisa qualquer, mas de que o PCdoB realizou um grande e exaustivo 12º Congresso em 2009, onde aprovou um novo programa, que, entre outras coisas, trata do necessário acúmulo de força na esquerda para o crescimento de um partido com as características socialistas e de defesa dos movimentos sociais como é o partido comunista. Sem um projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho não há futuro para a nação. São esses os parâmetros para a opção Dilma pelo PCdoB.

A candidatura de Flávio Dino teve como móbile principal, além da sua própria vontade, a compreensão e o apoio do coletivo partidário nacional e local. O partido abriu mão de um dos seus mais brilhantes representantes na câmara federal porque acreditou no projeto! Essa é a questão determinante e não a aceitação ou não de Lula e de parte do PT.

Sem Lula e às vezes contra Lula a candidatura saiu e obteve uma grande vitória, redesenhando a toponímia da política maranhense.

Portanto, nada mais incoerente e infantil do que cobrar um posicionamento individual, particular e específico de Flávio Dino em apoio a José Serra só porque Sarney apóia Dilma. Exigir isso seria como esquecer ou abstrair toda a teia política e partidária que configurou a disputa eleitoral e social em nosso estado e no país. Seria retroagir o pensar político ao mais primitivo empirismo - só as sensações imediatas são o fundamento da verdade -, seria a consagração da política paroquial e bairrista que tanto agrada aos comentaristas locais.

Como dizia o saudoso Walter Rodrigues "a Sé não cabe na Santaninha, mas a Santaninha cabe na Sé".

domingo, 24 de outubro de 2010

A pax americana: subserviência aos vivos ou paz para os mortos!




O site norte-americano Wiki Leaks
acaba de divulgar milhares de documentos secretos das forças armadas dos EUA sobre a guerra do Iraque e, como todos presumiam, os dados são aterrorizantes: das 109.032 mortes, 66.081 são civis, 23.984 são os guerrilheiros (rotulados como insurgentes), 15.196 são das forças do governo iraquiano e 3.771 são das forças de coalizão. O que quer dizer que 63% das mortes ocasionadas pelos invasores são de civis!

Mas não é só isso. Relatórios também dão conta que tortura, estupros e assassinatos sumários estão ocorrendo diariamente no Iraque ocupado. As denúncias são tão graves que o comissariado da ONU exigiu explicações do governo norte-americano por essa prática de lesa-humanidade.

A invasão e dominação do Iraque começou em 2003 com apoio unânime das nações imperialistas e com grande aceitação da mídia fâmula. O argumento era que Saddam Hussein estava armado até os dentes e com "poderosas armas de destruição em massa". O mundo estava em perigo e era necessário o xerife botar ordem no planeta.

Vendiam a guerra como "justa", "pela democracia", pela "liberdade do povo do Iraque"... Mas a face do imperialismo é outra e os grandes oligopólios logo mostram o que realmente interessa e está por trás da "liberdade"... O petróleo, o mercado, o capital.

Mais uma vez só os tolos ou os mal intencionados aceitaram os argumentos democráticos do imperialismo. Assistimos agora uma repetição com o Irã. "Armas de destruição em massa", "falta de democracia"! Nada como o Tio Sam ir lá para restaurar a "ordem"!

De quanto petróleo os consumidores norte-americanos precisam para manter seus possantes carros V8? Quantos iraquianos, afegãos e, futuramente, iranianos, precisarão morrer para que os consumidores norte-americanos se sintam satisfeitos no seu consumismo irracional e desenfreado?

Esse é o estranho mundo comandado pelos oligopólios imperialistas e sua principal nação, os EUA.

E isso é porque ainda há mentecaptos metidos a jornalistas que acham que essa história de luta de classes, imperialismo são coisas que não existem mais. É com cretinos dessa natureza que ainda temos que conviver. Haja ignorância!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Deu no vermelho: " Flávio Dino denuncia fraude e questiona posição do PT no Maranhão".

Disputar uma eleição no Maranhão contra a família Sarney não é tarefa fácil para nenhum postulante ao Palácio dos Leões. Mas, Flávio Dino não se intimidou nem mesmo quando soube que não teria o apoio do PT nacional. Aos poucos, ele foi conquistando adesões por todo o estado até quase chegar ao segundo turno. Nesta entrevista, o deputado federal fala sobre sua experiência e volta a denunciar o intenso uso da máquina e os abusos do poder econômico, “intensamente utilizados pelo grupo Sarney”.


Vermelho: Como avalia o processo eleitoral no Maranhão?
Flávio Dino: Acho que esta análise deve levar em conta fatores nacionais e locais. No primeiro caso, tivemos uma grave dificuldade que foi a decisão da direção nacional do PT de intervir no Maranhão e isso nos tirou tempo de televisão e agudizou as dificuldades que já haviam, postas pela assimetria material. Ela (Roseana Sarney) tinha uma estrutura gigantesca, está no comando do estado, faz parte de um grupo poderoso. Isso foi um fator determinante para esses oito centésimos que faltaram para a definição ir para o segundo turno. Já na cena local, destaco dois aspectos. Primeiro, o campo da mudança, de quem quer ver o estado andar para frente, é majoritário no Maranhão e a nossa candidatura conseguiu representar esse sentimento, o que fez com que saíssemos de um patamar bastante baixo, de um dígito, e chegássemos à ante-sala imediata do segundo turno, com 30% dos votos. O segundo aspecto diz respeito ao intenso uso da máquina, aos abusos do poder econômico, do poder político, a fraude eleitoral, a corrupção, a compra de votos, todos esses fatores ilícitos que foram intensamente utilizados pelo grupo Sarney.

Vermelho: E diante desses fatos, há alguma iniciativa sua ou do partido para buscar justiça?
FD: A princípio, vamos aguardar a iniciativa do Ministério Público porque são fatos públicos e notórios, noticiados inclusive pela imprensa nacional. Há, por exemplo, quitação de contas de água e luz feita pela campanha dela em diversos bairros e municípios, quitação em massa em proveito de eleitores. Isso tudo está documentado, tem a ação da polícia. Então, nossa atitude, num primeiro momento, é a de denunciar politicamente que não foi uma eleição normal; foi uma eleição desigual, ilícita. Ao mesmo tempo, vamos aguardar que as instituições do estado – no caso o MP e a Justiça Eleitoral – tomem as providências necessárias.

Vermelho: Se houver ações por parte dessas instituições, em que elas podem resultar?
FD: A rigor, se o Ministério Público considerar que esses fatos são graves – e na nossa avaliação, eles o são – poderia levar até mesmo a uma nova eleição, juridicamente falando.

Vermelho: Como avalia o comportamento do PT no caso das eleições maranhenses?
FD: O PT do Maranhão foi exemplar. Ele decidiu apoiar minha candidatura, apesar da intervenção nacional. A imensa maioria do PT no estado fez campanha para mim, tanto na capital quanto nas cidades do interior; presidentes de partido, lideranças sindicais e populares, entidades sindicais dirigidas por petistas aderiram à nossa campanha, inclusive dirigentes da CUT estavam majoritariamente na minha campanha, dirigentes da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado Maranhão (Fetaema) etc. Não tenho queixas em relação ao PT do Maranhão. Foi uma minoria que ficou efetivamente com a Roseana. Agora, a direção nacional do PT, na minha avaliação, não respeitou o que o PCdoB representa nessa aliança desde 1989 porque a intervenção feita no Maranhão foi a única no país contra um aliado histórico e contra um deputado que teve, nesses últimos quatro anos, um desempenho muito leal ao governo, e isso, infelizmente, não foi levado em conta. Creio que este seja um tema que deve ser levado para a presidência do PT: por que há dois pesos e duas medidas quando se trata do PCdoB?

Moradores de São Luis apoiando Flávio
Vermelho
: Em que momento você acha que finalmente será possível haver uma quebra nessa situação vivida pelo Maranhão?
FD: Acho que o resultado da eleição poderá levar a um reposicionamento da direção nacional do PT. Sou um otimista e sempre acredito que há uma evolução no desenrolar dos fatos políticos no Brasil. Acho que o resultado no Maranhão evidenciou o quanto foi artificial a atitude tomada contra a nossa candidatura. O apoio do PT ao grupo Sarney é incompatível com a própria lógica histórica do desenvolvimento do estado. É insustentável uma situação em que você tem um grupo que domina a cena política de um estado há praticamente cinco décadas e esse estado é o que tem os piores indicadores sociais do Brasil. Durante a campanha, debati exaustivamente este aspecto e cobrava deles: “olha, vocês estão dizendo que querem uma nova chance, uma nova oportunidade, mas por que não fizeram antes, se tiveram todas as oportunidades?”. E colocava para os eleitores: “esse pessoal teve oportunidade de desenvolver o estado e se mostrou incapaz de fazê-lo e não será agora que fará”. E não fará mesmo porque o projeto deles tem um vício de essência: na verdade, eles governam para os grandes; acreditam que são os grandes projetos que supostamente irão redimir e salvar o Maranhão e isso faz com que eles adotem uma estratégia de desenvolvimento totalmente dissociada da maioria da sociedade. Tanto é que as zonas mais dinâmicas da economia maranhense votaram pela mudança, ou em mim ou no Jackson (Lago, ex-governador e candidato do PDT); não votaram nela. Seus votos são essencialmente da máquina, do abuso do exercício do poder político e econômico. Passadas as eleições, creio que – até pela cobertura que a imprensa nacional fez – a direção nacional do PT reposicionará sua tática em relação ao Maranhão e tentará, progressivamente, a partir do próximo governo – que espero ser o da Dilma – fazer com que haja maior respeito pelas forças progressistas, democráticas e populares do Maranhão.

Vermelho: Apesar de conhecer o Maranhão, suas andanças pelo estado durante a campanha te mostraram algo que te surpreendeu?
FD: A campanha é uma imensa escola, é como se fosse uma pós-graduação intensiva em política. Este é o lado indiscutivelmente positivo. Hoje, me sinto mais preparado, mais qualificado, mais apto a ajudar a exercer um papel de mudança no Maranhão justamente por este aprendizado. Para mim, campanha tem dois aspectos a serem destacados. Um deles é o aprofundamento do conhecimento das realidades regionais. Na verdade, o Maranhão é um estado muito grande, tem 331 mil quilômetros quadrados e regiões com dinâmicas muito próprias, como se tivéssemos muitos estados dentro de um só. E na medida em que visitamos as comunidades, dialogamos mais e distinguimos mais claramente essas singularidades microrregionais.

E há, também, um saldo emocional da campanha. É inevitável não se emocionar com as inaceitáveis injustiças que marcam o cotidiano dos maranhenses. Atravessar uma campanha dessas nos deixa mais indignados. Vi muita pobreza, exclusão, negação de direitos que, evidentemente, eu sabia que existiam, mas uma coisa é o saber teórico, outra coisa é o contato prático, vivo, com essas pessoas. Por tudo isso, sinto-me ainda mais motivado porque não se trata apenas de racionalizar uma realidade social, mas também de sentir as dores do povo como dores suas, se indignar, saber que aquilo pode e deve ser diferente e transformar essa indignação em energia criativa e transformadora. E essa é uma atitude, sobretudo, política, porque nos faz mover forças que consigam transformar esse sentimento de indignação em transformação concreta. Lógico que gostaríamos muito de ter ganhado – e os militantes, em geral, heróis anônimos da luta pela democracia, mereciam essa vitória. E é lógico também que a derrota deixa um travo amargo na boca, superado por essa leitura de que a vida continua. Nós continuamos com a nossa ação política e no meu caso particular, sinto-me mais qualificado. Precisamos extrair lições de tudo isso, sem perder a motivação.

Vermelho: Como será a atuação de Flávio Dino e do PCdoB local no segundo turno?
FD: Evidentemente, mantemos nossa posição política, apesar da situação indesejável que se criou. Não podemos perder a perspectiva política mais geral do que é melhor para o Brasil. Por isso é que na entrevista que dei já no dia seguinte ao segundo turno, eu já dizia que o partido do Maranhão sempre esteve e continua estando na campanha com Dilma Rousseff.

Vermelho: Em 31 de janeiro, se encerra o seu mandato como deputado federal. Quais são seus planos para depois?
FD: Primeiro, eu lamento muito deixar a Câmara porque é um espaço de atuação política que me ensinou muito e ao qual me dediquei muito nesses últimos quatro anos. E o que sinto é, de fato, a dor de uma perda, de algo que vai deixar saudades. Agora, é preciso entender que esse “sacrifício” era necessário em razão do momento político do Maranhão. Nunca coloquei as zonas de conforto pessoal na frente da minha missão política; quando deixei de ser juiz, foi em razão disso. Renunciei a um cargo que me trazia conforto familiar e pessoal e que exerci por 12 anos e de que gostava muito porque era necessário, na minha avaliação, ajudar a recompor o quadro partidário no estado. Da mesma forma agora: eu poderia ter sido candidato à reeleição; muitos diziam que seria fácil – eu discordo, porque toda eleição é difícil – mas, digamos que até matematicamente seria mais fácil na medida em que para deputado federal são 18 vagas e para governador, apenas uma vaga. Mas, nunca coloquei o conforto pessoal na frente e não me arrependo disso.

O que fazer depois disso depende mais do partido do que de mim porque sou presidente estadual do PCdoB e sempre disse em meus discursos que não sou político profissional; sou advogado e professor, e sempre vivi das minhas profissões desde muito jovem. Então, a princípio é isso: retornar ao exercício das minhas profissões e aguardar outras missões políticas que serão definidas coletivamente. Não reivindico rigorosamente nada para mim porque acho que não sou credor de ninguém. Acho, na verdade, que sou devedor porque ter disputado o governo, apoiado pelo meu partido, pelo PPS, PSB e PT, é uma honra.

Destaco que o PCdoB é uma força crescente no Maranhão e tenho muita alegria de ver a quantidade de novas lideranças que se incorporam à política, vindas de outros segmentos da sociedade; isso me orgulha muito. E o PCdoB, não tenho dúvida, em razão desse excelente resultado eleitoral de 2010, sempre estará sentado à mesa das decisões políticas do Maranhão, sem hegemonismos ou exclusivismos, pelo contrário, com muita humildade valorizando os aliados. E o PCdoB sempre estará sentado à mesa do lado certo, do lado daqueles que querem a mudança, que lutam contra as injustiças, que denunciam as práticas oligárquicas, as desonestidades, porque estar sentado do lado errado dessa mesa não nos interessa; vamos continuar cumprindo este papel no estado e acreditando que nós, em conseqüência desse processo de acúmulo de forças, vamos extrair excelentes resultados eleitorais em 2012 e 2014.


Da redação,
Priscila Lobregatte


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