quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Viva! aniversário de Gonçalves Dias.


A língua portuguesa no Brasil está em festa. Comemora-se 186º aniversário de nascimento do poeta maior Antônio Gonçalves Dias (1823-1864). Gonçalves Dias é um desses raros artistas que consegue sintetizar em suas palavras o espírito do povo brasileiro. O seu romantismo resgata o que há de melhor nesse movimento, trazendo para a língua portuguesa do Brasil a expressão do nosso povo e da nossa terra, seus verdadeiros heróis, suas paixões e misturas.


Descobri Gonçalves Dias no ensino médio e nunca mais o abandonei. Pelo contrário! A cada reencontro aprendo, absorvo a força do seu verso, a concisão ideal da sua poesia, as verdades universais que jorram das suas palavras, o profundo conhecimento que tinha das letras, da gente e da língua pátria. Seu poema respira e transpira a força do nosso espírito, a amálgama entre a terra e o homem.


Poderia transcrever várias poesias imortais do Gonçalves Dias, "o poeta maior", mas prefiro citar a poesia de Olavo Bilac em sua homenagem. Isso porque Olavo Bilac, como todos sabemos, fez parte da corrente parnasiana, que tem por cânone a primazia pelo culto da pureza formal da poesia e o realismo das descrições, em clara oposição ao simbolismo e ao romantismo. Na Europa chegou a ter mortes devido a disputas entre os defensores de cada corrente literária. Já no Brasil, até mesmo o maior dos parnasianos teve que se render à forma e ao conteúdo da poesia romântica de Gonçalves Dias. É uma bela e justa homenagem para o nosso maior poeta.



A Gonçalves Dias


"Celebraste o domínio soberano

Das grandes tribos, o tropel fremente

Da guerra bruta, o entrechocar insano

Dos tacapes vibrados rijamente,


O maracá e as flechas, o estridente

Troar da inúbia, e o canitar indiano...

E, eternizando o povo americano,

Vives eterno em teu poema ingente.


Estes revoltos, largos rios, estas

Zonas fecundas, estas seculares

Verdejantes e amplíssimas florestas


Guardam teu nome: e a lira que pulsaste

Inda se escuta, a derramar nos ares

O estridor das batalhas que contaste."

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