quinta-feira, 27 de agosto de 2009

"Surfista calhorda, você não surfa nada!"



A grande mídia fâmula do imperialismo quer jogar para o governo Lula a pecha de "governo de direita" dado às suas alianças com o PMDB, reforçadas pela crise do senado. Já o PSDB é apresentado como o 'centro' do espectro político nacional, como o representante da social-democracia européia no Brasil. Figurões do PSDB aparecem criticando a 'direitização do PT'. O pior é que muitos incautos da esquerda acabam por se deixar levar por essas 'ondas' que a direita sabe muito bem orquestrar.

Como bem dizia uma antiga banda de rock dos anos 80 - Os Replicantes: "surfista calhorda! você não surfa nada!". Para os "surfistas calhordas" que se afogam em marolas midiáticas, que não aguentam o mar bravio, vou lembrar os feitos do 'Partido da Social Democracia Brasileira' durante seus dez anos de poder (dois como super ministro da fazenda e oito como presidente), para ver quem é centro e quem é direita nesse país.

Uma das premissas falaciosas utilizadas pela grande mídia é querer criar uma oposição entre ser social-democrata e de direita. A verdade é que a nível internacional a social-democracia, após a queda da URSS, abandonou o keynesianismo e em alguns casos a própria defesa do estado de bem estar social, adotando sem reservas as novas teses, reformas e políticas neoliberais. Com isso, deslocou-se do centro político (que ocupava durante a guerra fria) para ser a renovação da ortodoxia econômica do capitalismo, efetivando suas políticas nos mercados financeiros liberalizados. Temos vários casos paradigmáticos desta virada neoliberal da social-democracia, como os casos de Felipe González do Partido Socialista da Espanha; o de Gerhard Schröder do histórico SPD alemão e de Tony Blair do Partido Trabalhista inglês.

Já no Brasil, o PSDB foi quem capitaneou a modernização conservadora da política e da economia. Ao assumir a presidência da república, o PSDB de Fernando Henrique Cardoso em aliança com o PFL (atual DEM) de Antônio Carlos Magalhães, Jorge Bornhausen, Marco Maciel e outros ícones da ditadura militar, conduziu o país pelas diretrizes políticas e econômicas do ‘Consenso de Washington’, tendo como metas fundamentais de seu governo as reformas neoliberais de abertura comercial, privatizações, desregulamentação e liberalização financeira. Tal receituário iniciou o maior ataque à nação brasileira desde as tentativas das cortes portuguesas de retornar o Brasil à condição de colônia.

O resultado dessa política desastrosa e antinacional nós já conhecemos. O país ancorou seu processo de desenvolvimento no déficit em conta corrente, aumentando o nosso endividamento externo financeiro e patrimonial, provocando um vertiginoso endividamento público, passando de 30% do PIB em 1992 para 56,5% em 2002. Segundo dados do IPEA, só durante a vigência do cambio fixo, paridade Real-Dólar, a dívida externa bruta saltou de US$ 148 bilhões em 1994 para US$ 241 bilhões em 1998.

A desnacionalização do parque industrial e de serviços através da transferência de propriedade de empresas nacionais, públicas e privadas, para o capital estrangeiro (leia-se desregulamentação e privatização), provocou a maior onda de desemprego da história recente brasileira. Segundo o IBGE, em fins de 1994 o desemprego vitimava 4,5 milhões de trabalhadores, ou 6,1% da força de trabalho no país. Ao término do primeiro mandato de FHC em 1998 o desemprego avançara para 7 milhões de brasileiros ou, 9,2% da PEA: leia-se, em seu primeiro mandato o PSDB foi responsável por mais 2,5 milhões de desempregados. Ao final do seu segundo mandato, com o país esfacelado o desemprego emerge para 15% da PEA. Todos nos lembramos da degradação social, do arrocho nos salários e do aumento das desigualdades. Por fim, o PSDB saiu e ainda 'apagou as luzes', literalmente, deixando para o futuro governo um 'apagão' - crise energética- que terminou de quebrar a economia nacional.

Portanto, o PSDB e seus líderes são o que há de mais direitista na política nacional e não há nada que eles possam fazer a respeito, a não ser mudar de partido! Já para os surfistas da esquerda, recomendamos que não morram na praia, levantem a cabeça e olhem por cima das ondas, procurem ver o mar... E quando aparecer uma onda midiática-direitista, apenas surfem, deslizem sobre elas e voltem de novo aos seus postos para pegar outra e mais outra e quantas vierem. Caso contrário, vão morrer afogados nas marolas da direita!

4 comentários:

  1. Meu único elogio ao Muláh Ignácio Silva (título islâmico de governante, me entenda) é ter mantido as diretizes econômicas do governo passado com o melhor e mais competente desse governo, Henrique meireles.

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  2. "Um velho barbudo, no século XIX já dizia: as pessoas não são aquilo que dizem ser, mas aquilo que são na prática. A frase não é bem essa, a citação é mambembe, mas a idéia é essa. Não adianta o PT dizer que ainda é socialista. O partido virou uma máquina eleitoral social-democrata – e olhe lá. Não adianta o Serra dizer que ele é social-democrata; porque o partido dele foi responsável por um governo ultraliberal e privatista."

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  3. Caro Luís.

    Discordo da sua opinião. É justamente no Banco Central que está o que restou da ortodoxia neoliberal dos governos anteriores. A destituição dessa linha liberalizante significaria quebrar as algemas financeiras que ainda atrapalham o desenvolvimento nacional e social.
    O próximo governo da esquerda deve romper com os financistas e firmar acordo com os trabalhadores e com os setores produtivos.

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  4. Caro Carlos Leen.

    Esse debate sobre a natureza de classe do PT percorreu as décadas de 80 e 90. De fato, o PT é um partido social-democrata com setores socialistas. Há que se reconhecer que a experiência da social-democracia petista é diferente da européia, pois a tonalidade esquerdista do PT é superior aos seus congeneres do exterior. Além disso, o PT captaneou, na pessoa do Lula, a oposição ao neoliberalismo e, atualmente, realiza um governo de esquerda, democrático e progressista.
    No meu entender o governo do PT cumpre um papel muito importante nesse momento da luta de classes antiimperialista.Além disso, pode iniciar uma transição a um novo poder político, com hegemonia dos trabalhadores e dos setores produtivos, para rompermos com os grilhões do atraso nacional e social.

    Logo, logo ficará explícito se os setores socialistas do PT imitarão seus parceiros europeus ou se evoluirão, junto com outras agremiações socialistas, para transformação efetiva da sociedade brasileira.

    Saudações.

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