segunda-feira, 17 de agosto de 2009

12º Congresso do PCdoB:A crise do capitalismo e a perspectiva socialista.



Dando continuidade ao debate acerca das teses ao 12º Congresso Nacional do PCdoB, o Projeto de Resolução Política Sobre a Crise do Capitalismo reúne uma acurada análise das causas e conseqüências da crise sistêmica por qual passamos, indo além da simples caracterização como crise de superprodução e trazendo à tona os elementos sigulares do fenômeno atual.

A crise começou nos EUA e emanou para todo o mundo, sendo, portanto, sistêmica e expondo os limites estruturais do capitalismo. Em geral, segundo Karl Marx, as crises manifestam-se como superprodução relativa de mercadorias e capitais. No caso atual, a superprodução ocorreu na construção civil e foi fomentada pelo crédito e pela inflação no ramo, abrindo espaço para a especulação e estimulando a expansão do capital fictício. Ou seja, capitalistas resolveram investir em imóveis aproveitando abundante disponibilidade de crédito, ao mesmo tempo, os valores dos terrenos e dos imóveis subiram, gerando preços irreais, o que mudou o perfil dos financiamentos tornando-os mais caros. Muitas casas sendo construídas a preços altos, muitas dívidas de financiamentos sendo negociadas e terceirizadas como papéis no mercado financeiro, muitas hipotecas de alto risco (subprime), muita especulação em torno do crédito disponível, da capacidade de individamento, do valor dos imóveis, dos preços exorbitantes e uns poucos especuladores ganhando dinheiro em cima dessa anarquia. O resultado não podia ser outro: houve uma redução ontológica na especulação, as vendas iniciaram uma trajetória de queda, derrubando os preços e desencadeando a crise.

A crise mostra a irracionalidade do capitalismo, uma vez que a competição entre agentes individuais gera uma anarquia na produção. Explicita a contradição fundamental do sistema que é entre a produção social (construção de casas que todos precisam, mais nem todos possuem) e apropriação privada dos meios de produção e circulação (construção de casas para especular e acumular, não para as pessoas morarem). A crise, portanto, não é inerente somente a esfera financeira, mas, sim, decorrente da natureza contraditória do sistema capitalista como um todo. A superprodução no setor imobiliario é apenas o detonador do colapso atual, não sua causa. É superficial apontar como causa da crise uma "desconfiança", uma "conduta irresponsável" por parte dos operadores do mercado financeiro. Isso seria cair no individualismo metodológico, que procura fatores subjetivos e psicológicos para explicar a crise real, escondendo os limites das relações capitalistas de produção para saciar as necessidades da vida. A crise exibe com nitidez as tendências regressivas do capitalismo.

São, portanto, características da crise atual:1) revés da dominância financeira e insolvência latente dos maiores mercados financeiros, EUA e Europa; 2) recessão severa, colapso dos investimentos, queda de preços e desemprego; 3) falência da política de liberalização econômica, comercial e financeira (neoliberalismo) e 4) declínio relativo da economia dos EUA face às mudanças na divisão internacional do trabalho,a partir dos países emergentes, especialmente a China.

O núcleo da crise é o capital financeiro e a sua ideologia neoliberal. A financeirização, hegemônica a partir dos anos 70 do século passado, expressa a exarcebação do capital fictício no capitalismo contemporâneo. A acumulação do capital deslocou-se da esfera produtiva para a esfera especulativa, financeira. Prevaleceu, nas últimas décadas, a lógica do capital portador de juros na dinâmica do capitalismo contemporâneo, isso difere essa das crises anteriores. A acumulação real passou a gerar recursos que alavancam a especulação financeira. Ou, em momentos de ritmo lento de acumulação, liberam-se recursos para a especulação financeira. Como não é possível a expansão contínua da economia capitalista, tornam-se inviáveis o acúmulo de mais-valia em montantes ininterruptos e crescentes para remuneração do capital fictício. Ocorrendo, então, a redução ontológica, isto é, o valor chama à realidade os papéis que circulam na especulação! A contradição entre o trabalho social e a apropriação privada desse trabalho aflora. Essa redução da especulação ao valor real, fruto do descolamento entre produção, circulação e acúmulo de capitais, gera ausência de liquidez e a contração do crédito que, por sua vez, golpeam a indústria e o comércio. É esse o momento por qual estamos passando.
Mas isso é apenas uma face da questão. Há, ainda, a relação da economia com a política. Afinal é a economia política que nos interessa. Isso ficará para um próximo post.

NO PRÓXIMO POST: PARASITISMO E DESENVOLVIMENTO DESIGUAL - TRAÇOS FUNDAMENTAIS DO IMPERIALISMO.

Para ler os documentos do 12º Congresso do PCdoB: www.pcdob.org/12congresso/

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