quinta-feira, 27 de agosto de 2009

"Surfista calhorda, você não surfa nada!"



A grande mídia fâmula do imperialismo quer jogar para o governo Lula a pecha de "governo de direita" dado às suas alianças com o PMDB, reforçadas pela crise do senado. Já o PSDB é apresentado como o 'centro' do espectro político nacional, como o representante da social-democracia européia no Brasil. Figurões do PSDB aparecem criticando a 'direitização do PT'. O pior é que muitos incautos da esquerda acabam por se deixar levar por essas 'ondas' que a direita sabe muito bem orquestrar.

Como bem dizia uma antiga banda de rock dos anos 80 - Os Replicantes: "surfista calhorda! você não surfa nada!". Para os "surfistas calhordas" que se afogam em marolas midiáticas, que não aguentam o mar bravio, vou lembrar os feitos do 'Partido da Social Democracia Brasileira' durante seus dez anos de poder (dois como super ministro da fazenda e oito como presidente), para ver quem é centro e quem é direita nesse país.

Uma das premissas falaciosas utilizadas pela grande mídia é querer criar uma oposição entre ser social-democrata e de direita. A verdade é que a nível internacional a social-democracia, após a queda da URSS, abandonou o keynesianismo e em alguns casos a própria defesa do estado de bem estar social, adotando sem reservas as novas teses, reformas e políticas neoliberais. Com isso, deslocou-se do centro político (que ocupava durante a guerra fria) para ser a renovação da ortodoxia econômica do capitalismo, efetivando suas políticas nos mercados financeiros liberalizados. Temos vários casos paradigmáticos desta virada neoliberal da social-democracia, como os casos de Felipe González do Partido Socialista da Espanha; o de Gerhard Schröder do histórico SPD alemão e de Tony Blair do Partido Trabalhista inglês.

Já no Brasil, o PSDB foi quem capitaneou a modernização conservadora da política e da economia. Ao assumir a presidência da república, o PSDB de Fernando Henrique Cardoso em aliança com o PFL (atual DEM) de Antônio Carlos Magalhães, Jorge Bornhausen, Marco Maciel e outros ícones da ditadura militar, conduziu o país pelas diretrizes políticas e econômicas do ‘Consenso de Washington’, tendo como metas fundamentais de seu governo as reformas neoliberais de abertura comercial, privatizações, desregulamentação e liberalização financeira. Tal receituário iniciou o maior ataque à nação brasileira desde as tentativas das cortes portuguesas de retornar o Brasil à condição de colônia.

O resultado dessa política desastrosa e antinacional nós já conhecemos. O país ancorou seu processo de desenvolvimento no déficit em conta corrente, aumentando o nosso endividamento externo financeiro e patrimonial, provocando um vertiginoso endividamento público, passando de 30% do PIB em 1992 para 56,5% em 2002. Segundo dados do IPEA, só durante a vigência do cambio fixo, paridade Real-Dólar, a dívida externa bruta saltou de US$ 148 bilhões em 1994 para US$ 241 bilhões em 1998.

A desnacionalização do parque industrial e de serviços através da transferência de propriedade de empresas nacionais, públicas e privadas, para o capital estrangeiro (leia-se desregulamentação e privatização), provocou a maior onda de desemprego da história recente brasileira. Segundo o IBGE, em fins de 1994 o desemprego vitimava 4,5 milhões de trabalhadores, ou 6,1% da força de trabalho no país. Ao término do primeiro mandato de FHC em 1998 o desemprego avançara para 7 milhões de brasileiros ou, 9,2% da PEA: leia-se, em seu primeiro mandato o PSDB foi responsável por mais 2,5 milhões de desempregados. Ao final do seu segundo mandato, com o país esfacelado o desemprego emerge para 15% da PEA. Todos nos lembramos da degradação social, do arrocho nos salários e do aumento das desigualdades. Por fim, o PSDB saiu e ainda 'apagou as luzes', literalmente, deixando para o futuro governo um 'apagão' - crise energética- que terminou de quebrar a economia nacional.

Portanto, o PSDB e seus líderes são o que há de mais direitista na política nacional e não há nada que eles possam fazer a respeito, a não ser mudar de partido! Já para os surfistas da esquerda, recomendamos que não morram na praia, levantem a cabeça e olhem por cima das ondas, procurem ver o mar... E quando aparecer uma onda midiática-direitista, apenas surfem, deslizem sobre elas e voltem de novo aos seus postos para pegar outra e mais outra e quantas vierem. Caso contrário, vão morrer afogados nas marolas da direita!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Flávio Dino e as alianças para 2010.


O fortalecimento da pré-candidatura de Flávio Dino para governador em 2010 tem provocado alvoroço, temor, preocupação, satisfação, alegria e muito debate sobre o caminho por trás do vertiginoso crescimento do comunista. Várias opiniões foram formuladas mostrando a dimensão do acontecimento no mundo da sucessão estadual. Duas correntes de opinião, porém, devem ser aqui tratadas: as dos setores oligárquicos (sarneístas e anti-sarneístas) e dos setores esquerdistas carentes da perspectiva da luta pelo poder político.

Os setores oligárquicos buscam reativar a 'lógica do terceiro excluído', isto é, a tentativa de afastar como ilegítima qualquer outra possibilidade política de mudança exógena (de fora das oligarquias), tentando excluir, assim, novos e importantes setores sociais e populares da luta pelo poder do Estado. A luta entre oligarquias da 'situação' e da 'oposição' é, portanto, o que desejam esses setores para 2010. Uma eleição puramente formal, mecânica, provinciana, sem conteúdo de classe. Por isso uma ou outra fração aristocrática acusa Flávio Dino de receber apoio "desta" ou "daquela" oligarquia, tentando destruir na fonte uma terceira possibilidade. Já alguns setores da esquerda acreditam que a pré candidatura de Flávio Dino, que cresce em apoios e adesões, pode perder o rumo, pois ao aliar-se a setores 'burgueses' tradicionais, estaria perdendo a pureza e esquecendo sua história de lutas etc. Temem uma contaminação do vírus oligárquico, por isso exigem 'pureza política' na confecção das alianças.

Ora, no meu humilde entendimento, são duas opiniões com um único objetivo: golpear no nascedouro a candidatura de Flávio Dino, tentando deslegitimá-la enquanto porta-voz das esperanças do povo maranhense. A busca de compromissos, apoios, de ampliação da frente de esquerda que sustenta a pré-candidatura da Flávio Dino ao governo do estado é um movimento tático coerente e imprescindível com o objetivo estratégico de angariar forças políticas suficientes para ganhar as eleições e mudar os rumos do Maranhão. A política de alianças deve ser elaborada levando-se em conta, serenamente, com estrita objetividade, todas as forças que compõe em determinado contexto histórico a disputa em questão.

As tradicionais oligarquias maranhenses não conseguiram renovar seu repertório político. Pelo contrário, apresentam nomes surrados que já estiveram no comando do estado e nada fizeram de significativo para diferenciar suas práticas baseadas na corrupção, no clientelismo e no patrimonialismo. A pretensa luta entre sarneístas e anti-sarneístas é apenas uma negação formal, clássica, entre ambos. Esses setores da política maranhense não se diferenciam, pelo contrário, se igualam, uma vez que basta estar do outro lado da mesa para ser verdadeiro, sem, no entanto, ter diferença do conteúdo falso que se quer negar. Basta ver os últimos governos da situação e da oposição oligárquicas para entender a formalidade da negação entre eles. Esses setores querem desqualificar o debate sucessório rotulando de 'coptação' a busca de apoios a pré-candidatura de Flávio Dino. Porém, o que realmente querem é que a candidatura de Flávio Dino permaneça 'isolada', sem condições de representar uma ampla frente, com núcleo na esquerda e nos movimentos sociais, contra os projetos do continuísmo introligáquico. Já alguns setores esquerdistas querem que o Flávio Dino represente a esquerda 'pura', mas tão 'pura', que suas alianças e o seu programa seria apenas a expressão do desejo subjetivo de meia dúzia de iluminados. Seria pior que a derrota na batalha, seria a rendição antes da luta. Seria o próprio isolamento.

Se de fato queremos mudar o Maranhão, primeiramente precisamos vencer as poderosas forças que comandam o continuísmo oligárquico. Para isso é necessário mostrar capacidade para construir uma nova maioria política. O desafio é aglutinar essa nova maioria, com o centro nos partidos de esquerda, para ganhar as eleições e ter força para governar e efetivar as transformações necessárias ao desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida da sofrida populção maranhense. É isso que a maioria da população quer: mudança, desenvolvimento e qualidade de vida. É isso que a candidatura de Flávio Dino representa.

O momento histórico é propício para romper com o ciclo das lutas intraoligárquicas e concretizar um projeto alternativo para o Maranhão. Os desgastes das contendas oligarquicas não só educaram o povo no sentido da verdadeira mudança, como também criou fissuras entre os grupos que sustentavam essas carcomidas elites. Há grupos que se deslocaram da periferia oligárquica e procuram adequar-se aos novos ventos da esquerda que sopram desde Brasília. A falência do modelo patrimonialista e clientelista no tratamento das questões do estado, implodiu o vasto campo das forças que sustentavam as oligarquias em contenda. A falta de um projeto de desenvolvimento, a corrupção, a miséria e a pobreza de amplos setores da sociedade, levam os trabalhadores, os setores médios do empresariado e os movimentos sociais e religiosos ao apoio a um projeto alternativo de poder. Tais relações são objetivas e conduzem a uma perspectiva de crescimento ainda maior da pré-candidatura de Flávio Dino ao governo do estado.

Lideranças políticas do campo democrático ou mesmo segmentos que foram vínculados a esse ou aquele governo oligárquico, por motivações variadas, aproximam-se da esquerda. Tais apoios e alianças não implicam em renunciar ao programa progressista e de mudanças. O programa é um compromisso histórico dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais com o povo maranhense. Ocupa o centro de gravidade o desenvolvimento com valorização do trabalho, a ampliação dos direitos básicos do povo como educação, saúde, moradia, água, esgoto, energia, segurança etc. A democracia, a transparência e o combate à corrupção. Por isso a candidatura do Flávio Dino é a mais consistente, por sua trajetória e por seus compromissos. É a única que está à altura de mudar os rumos do Maranhão, virando a página das épocas oligárquicas em nosso estado.

É nesse contexto que está o apoio de amplos setores políticos e sociais a uma frente alternativa, democrática e de esquerda, captaneada por Flávio Dino, ao governo do estado. Ao contrário do que acham os setores oligárquicos e esquerdistas, o movimento de apoio e adesão deve ser estimulado. Mais apoios devem vir para garantir que o programa mudancista vai estar no segundo turno das eleições estaduais.

Quanto as opiniões puristas, da direita ou da esquerda, não passam de elocubrações ingênuas ou mal intencionadas, mas em ambos os casos procuram golpear a única alternativa viável de angariar forças políticas e sociais para executar um projeto de poder democrático e de esquerda para salvar nosso estado. Esta é a razão dos fatos. O resto é conversa de quem quer mudar tudo sem mudar nada.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

12º Congresso do PCdoB:A crise do capitalismo e a perspectiva socialista.



Dando continuidade ao debate acerca das teses ao 12º Congresso Nacional do PCdoB, o Projeto de Resolução Política Sobre a Crise do Capitalismo reúne uma acurada análise das causas e conseqüências da crise sistêmica por qual passamos, indo além da simples caracterização como crise de superprodução e trazendo à tona os elementos sigulares do fenômeno atual.

A crise começou nos EUA e emanou para todo o mundo, sendo, portanto, sistêmica e expondo os limites estruturais do capitalismo. Em geral, segundo Karl Marx, as crises manifestam-se como superprodução relativa de mercadorias e capitais. No caso atual, a superprodução ocorreu na construção civil e foi fomentada pelo crédito e pela inflação no ramo, abrindo espaço para a especulação e estimulando a expansão do capital fictício. Ou seja, capitalistas resolveram investir em imóveis aproveitando abundante disponibilidade de crédito, ao mesmo tempo, os valores dos terrenos e dos imóveis subiram, gerando preços irreais, o que mudou o perfil dos financiamentos tornando-os mais caros. Muitas casas sendo construídas a preços altos, muitas dívidas de financiamentos sendo negociadas e terceirizadas como papéis no mercado financeiro, muitas hipotecas de alto risco (subprime), muita especulação em torno do crédito disponível, da capacidade de individamento, do valor dos imóveis, dos preços exorbitantes e uns poucos especuladores ganhando dinheiro em cima dessa anarquia. O resultado não podia ser outro: houve uma redução ontológica na especulação, as vendas iniciaram uma trajetória de queda, derrubando os preços e desencadeando a crise.

A crise mostra a irracionalidade do capitalismo, uma vez que a competição entre agentes individuais gera uma anarquia na produção. Explicita a contradição fundamental do sistema que é entre a produção social (construção de casas que todos precisam, mais nem todos possuem) e apropriação privada dos meios de produção e circulação (construção de casas para especular e acumular, não para as pessoas morarem). A crise, portanto, não é inerente somente a esfera financeira, mas, sim, decorrente da natureza contraditória do sistema capitalista como um todo. A superprodução no setor imobiliario é apenas o detonador do colapso atual, não sua causa. É superficial apontar como causa da crise uma "desconfiança", uma "conduta irresponsável" por parte dos operadores do mercado financeiro. Isso seria cair no individualismo metodológico, que procura fatores subjetivos e psicológicos para explicar a crise real, escondendo os limites das relações capitalistas de produção para saciar as necessidades da vida. A crise exibe com nitidez as tendências regressivas do capitalismo.

São, portanto, características da crise atual:1) revés da dominância financeira e insolvência latente dos maiores mercados financeiros, EUA e Europa; 2) recessão severa, colapso dos investimentos, queda de preços e desemprego; 3) falência da política de liberalização econômica, comercial e financeira (neoliberalismo) e 4) declínio relativo da economia dos EUA face às mudanças na divisão internacional do trabalho,a partir dos países emergentes, especialmente a China.

O núcleo da crise é o capital financeiro e a sua ideologia neoliberal. A financeirização, hegemônica a partir dos anos 70 do século passado, expressa a exarcebação do capital fictício no capitalismo contemporâneo. A acumulação do capital deslocou-se da esfera produtiva para a esfera especulativa, financeira. Prevaleceu, nas últimas décadas, a lógica do capital portador de juros na dinâmica do capitalismo contemporâneo, isso difere essa das crises anteriores. A acumulação real passou a gerar recursos que alavancam a especulação financeira. Ou, em momentos de ritmo lento de acumulação, liberam-se recursos para a especulação financeira. Como não é possível a expansão contínua da economia capitalista, tornam-se inviáveis o acúmulo de mais-valia em montantes ininterruptos e crescentes para remuneração do capital fictício. Ocorrendo, então, a redução ontológica, isto é, o valor chama à realidade os papéis que circulam na especulação! A contradição entre o trabalho social e a apropriação privada desse trabalho aflora. Essa redução da especulação ao valor real, fruto do descolamento entre produção, circulação e acúmulo de capitais, gera ausência de liquidez e a contração do crédito que, por sua vez, golpeam a indústria e o comércio. É esse o momento por qual estamos passando.
Mas isso é apenas uma face da questão. Há, ainda, a relação da economia com a política. Afinal é a economia política que nos interessa. Isso ficará para um próximo post.

NO PRÓXIMO POST: PARASITISMO E DESENVOLVIMENTO DESIGUAL - TRAÇOS FUNDAMENTAIS DO IMPERIALISMO.

Para ler os documentos do 12º Congresso do PCdoB: www.pcdob.org/12congresso/

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Viva! aniversário de Gonçalves Dias.


A língua portuguesa no Brasil está em festa. Comemora-se 186º aniversário de nascimento do poeta maior Antônio Gonçalves Dias (1823-1864). Gonçalves Dias é um desses raros artistas que consegue sintetizar em suas palavras o espírito do povo brasileiro. O seu romantismo resgata o que há de melhor nesse movimento, trazendo para a língua portuguesa do Brasil a expressão do nosso povo e da nossa terra, seus verdadeiros heróis, suas paixões e misturas.


Descobri Gonçalves Dias no ensino médio e nunca mais o abandonei. Pelo contrário! A cada reencontro aprendo, absorvo a força do seu verso, a concisão ideal da sua poesia, as verdades universais que jorram das suas palavras, o profundo conhecimento que tinha das letras, da gente e da língua pátria. Seu poema respira e transpira a força do nosso espírito, a amálgama entre a terra e o homem.


Poderia transcrever várias poesias imortais do Gonçalves Dias, "o poeta maior", mas prefiro citar a poesia de Olavo Bilac em sua homenagem. Isso porque Olavo Bilac, como todos sabemos, fez parte da corrente parnasiana, que tem por cânone a primazia pelo culto da pureza formal da poesia e o realismo das descrições, em clara oposição ao simbolismo e ao romantismo. Na Europa chegou a ter mortes devido a disputas entre os defensores de cada corrente literária. Já no Brasil, até mesmo o maior dos parnasianos teve que se render à forma e ao conteúdo da poesia romântica de Gonçalves Dias. É uma bela e justa homenagem para o nosso maior poeta.



A Gonçalves Dias


"Celebraste o domínio soberano

Das grandes tribos, o tropel fremente

Da guerra bruta, o entrechocar insano

Dos tacapes vibrados rijamente,


O maracá e as flechas, o estridente

Troar da inúbia, e o canitar indiano...

E, eternizando o povo americano,

Vives eterno em teu poema ingente.


Estes revoltos, largos rios, estas

Zonas fecundas, estas seculares

Verdejantes e amplíssimas florestas


Guardam teu nome: e a lira que pulsaste

Inda se escuta, a derramar nos ares

O estridor das batalhas que contaste."

domingo, 9 de agosto de 2009

Paulo Henrique Amorim: "a Globo e a Folha de S. Paulo estão exageradamente golpistas!"



Em debate promovido pelo portal Vermelho, na sexta-feira (07), Paulo Henrique Amorim, do blog Conversa Afiada, disse que veículos como a Globo e a Folha de S. Paulo estão "exageradamente golpistas", em consequência da convocação da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) e pela descoberta de petróleo na camada de pré-sal durante o governo Lula.
O debate "Como enfrentar o PIG - Partido da Imprensa Golpista" organizado pelo Portal Vermelho contou com a presença Paulo Henrique Amorim, da TV Record e do blog Conversa Afiada; Laurindo Lalo Leal Filho, ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC); e Altamiro Borges, diretor do Vermelho. Após o debate, a noite de sexta-feira foi marcada também pelo coquetel de lançamento de dois livros publicados recentemente pela Associação Vermelho: ''Comunicação pública no Brasil: uma exigência democrática'', organizado por Renata Mielli; e ''A ditadura da mídia'', de Altamiro Borges.

Bem-humorado, o jornalista Paulo Henrique Amorim citou mais uma expressão que passará a utilizar no blog Conversa Afiada: o "PUM do PIG", Programa Unificado da Mídia do Partido da Imprensa Golpista, expressão que utiliza para denunciar a atuação unificada dos grandes veículos de comunicação em torno de alguns objetivos. Segundo ele, há dois exemplos em curso de PUM, o primeiro é a opinião do PIG de que, devido à ineficácia do gov Lula, o Brasil morrerá de gripe suína, e o segundo é derrubar Sarney. E então o jornalista ironiza: "O PIG descobriu que o Sarney é o Sarney".

PHA se apresentou cético em relação aos resultados da Confecom. Para o jornalista, o governo Lula cometeu um erro estratégico ao não criar bases institucionais para derrotar o "PIG". O jornalista também defendeu a implementação de políticas públicas de estímulo aos veículos alternativos e considera que o avanço mais significativo na comunicação seja o trabalho de democratização do acesso à internet, embora lamente o engavetamento do projeto da Ancinav. Além da Confecom, Paulo Henrique Amorim citou a descoberta de petróleo na camada de pré-sal como um dos motivos recentes de fúria da grande mídia e comparou a descoberta ao momento da campanha "O Petróleo é Nosso" e a situação política que levou ao suicídio de Getúlio.

Já o professor Laurindo Lalo Leal foi além: "o golpe que matou Getúlio e o que derrubou João Goulart foram organizados pela imprensa". Lalo defendeu que os caminhos para enfrentar o PIG passam pela presença regulatória mais forte do Estado em relação às concessões de espectro e o estímulo a veículos contra-hegemônicos. O ouvidor da EBC discorreu sobre os avanços em termos da democratização da comunicação em diversos países da América Latina, destacando-se o investimento em rádio e em veículos públicos. Quanto ao Brasil, considera que o principal avanço foi a criação da EBC. Entretanto, ressaltou que qualquer tentativa de regulamentação é rapidamente taxada pelos veículos da mídia hegemônica como censura e citou o próprio caso da classificação indicativa e também a Ancinav."O debate sobre o PIG está crescendo, e deixa de ser coisa para especialistas".

Com voz de satisfação, foi com esta frase que Altamiro Borges, o Miro, iniciou sua intervenção no debate. O jornalista valorizou a forte presença de movimentos sociais na conferência estadual de comunicação de São Paulo e soltou: "comunicação contaminada faz mais mal à saúde que água suja". Miro avaliou que o processo da Confecom é pedagógico, ajuda na tarefa de estimular o senso crítico e acredita que mais pessoas estão se dando conta de que a comunicação é um direito e uma questão primordial à democracia. E levantou algumas bandeiras a serem defendidas na Conferência: fortalecimento da rede pública; rediscussão das concessões públicas; inclusão digital; fortalecimento da radiodifusão comunitária; estabelecimento de critérios para a distribuição da publicidade oficial, visto que hoje 48% desta verba é destinada só para a TV Globo; controle social e a constituição de um novo marco regulatório para a comunicação no país. E finaliza: "além do grande esforço da TV Pública".

Miro defendeu ainda a criação da "Sociedade de Amigos da TV Brasil". Para Miro, para combater o PIG é necessário organizar o "PIB", Partido Independente dos Blogueiros, termo alcunhado pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, do blog "Vi o mundo", que estava presente ao debate. Miro defende que, respeitando a diversidade, a riqueza dos blogs e outros veículos alternativos, é urgente criar uma sinergia entre esses veículos. Neste tema, Paulo Henrique Amorim defendeu a constituição de um fundo público, sem vínculos partidários ou religiosos, para financiar veículos alternativos. O PL do Senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) também foi citado como instrumento que tem o objetivo de cercear o uso da internet, considerado até então um espaço mais democrático.


sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Objeções ao artigo de Sarney.



Recentemente o senador José Sarney (PMDB-AP) publicou artigo sobre “a morte dos direitos individuais” (EMA, dois de agosto de 2009), em clara referência à crise do senado e a execração pública que ele e sua família estão sendo submetidos pela grande mídia. No artigo, levanta duas ordens de questões – uma teórica e outra política – para tentar explicar o que lhe acontece. Mas, no meu entendimento, não é isso que ocorre. Acuado, o senador tropeça nos argumentos, tenta agradar gregos e troianos e, por fim, não nomeia os responsáveis pela “morte dos direitos individuais”. Vamos aos argumentos que são objetos de minhas objeções.

I.Objeções teóricas
Sarney, do ponto de vista teórico, compreende a política como “a arte de harmonizar conflitos”, estando, portanto, excluída a guerra e a luta da sua definição. Fora dela, somente o “ser autoritário” faz da força “método” para alcançar seus objetivos. Hitler e Lênin são citados como exemplos da anti-política, cabendo a esse último a confecção do método da guerra aplicado à política, isto é, seria o líder bolchevique um adepto da não discussão de idéias, pois sua máxima era que “o fim justificam os meios”.
Levando-se em conta que é apenas um artigo de jornal, o senador Sarney deveria tomar mais cuidado com as simplificações teóricas. Logo essas que aparentemente demonstra ter tanto apreço. Ora, todos sabem que a época contemporânea, a nossa época, foi ‘parida’ pela revolução francesa! Todos nós, burgueses e proletários, somos filhos dessa revolução!O parto do nosso mundo começa com a tomada da bastilha a vai até a derrota de Napoleão Bonaparte! Toda a filosofia, o direito, as artes, a técnica e as ciências foram transformadas nesse período. Até o Brasil foi beneficiário desse processo, uma vez que a fuga de D.João VI, provocada pelas invasões napoleônicas, é um dos pressupostos da formação do Brasil como nação.
Os próprios princípios liberais – liberdade, igualdade e fraternidade – além dos direitos individuais, são coisas da contemporaneidade e, portanto, filhos da revolução burguesa e da luta entre as classes. Antes dos princípios liberais se tornarem hegemônicos na Europa e na América do Norte, os burgueses e o povo tiveram que se impor nas barricadas, nos campos de batalha e na guilhotina. Muito sangue foi derramado para que os ‘princípios individuais’ fossem universalizados e positivados em lei. Não foi somente um ‘debate de idéias’ entre a burguesia e o clericalismo da nobreza feudal que tornou o liberalismo político e econômico hegemônico na Europa e no novo-mundo. Foi também a “crítica das armas”!
Parece-me descabido do ponto de vista histórico, portanto, a definição sarneísta de política como a tentativa de harmonizar interesses diversos em todo e qualquer caso, independente das circunstâncias, excluindo para sempre a luta da esfera política. Essa definição, me parece, está mais para uma máxima do próprio Sarney, isto é, uma regra prática condizente com as inclinações da sua vida política imediata, do que uma determinação universal da razão, ou seja, uma determinação que vale para todo e qualquer caso, objetiva. Como máxima subjetiva, ela só é válida em determinados casos particulares e, mesmo nesses, deve ser verificado o escopo do seu alcance.
Ora, se a definição de Sarney para a ação política está sustentada em uma máxima subjetiva, então a disjunção absoluta que ele quer estabelecer entre ‘luta’ e ‘política’ é também um caso particular. A ciência política e a arte da guerra ou a arte política e a ciência da guerra há muito demonstram similitudes, relações e conexões. O próprio Aristóteles (que Sarney outorgou-lhe o título de fundador da “arte da política”, esquecendo do seu mestre, Platão, e da sua “República”) foi preceptor de ninguém menos que Alexandre da Macedônia, “o grande”. Não me consta que Alexandre persuadia seus adversários políticos. Pelo contrário! Ele universalizou as teorias aristotélicas na ponta da lança das falanges, abrindo caminho para os maiores impérios da antiguidade. Ainda sobre esse ponto cabe citar Carl Von Clausewitz e o seu trabalho clássico “Da guerra” (Vom Kriege, em alemão). Valendo-se do entendimento de que a lógica da guerra pertence à política e que esta orienta a condução da guerra em suas manifestações específicas, Clausewitz mostra como a guerra e a políticas têm aspectos em comum, principalmente no que se refere às ações políticas fortes, como a tomada do poder e a manutenção do mesmo. Portanto, mais uma vez, a disjuntiva sarneísta está equivocada, fruto das suas contingências subjetivas. Muito me espantou essa separação absoluta entre ‘guerra’ e ‘política’, principalmente vindo de um estadista, ex-presidente da nossa república.
A comparação entre Hitler e Lênin é um atentado a história política do século XX. O primeiro é um fascista, racista, que queria destruir as nações pelo poder militar, abrindo caminho aos oligopólios alemães. O segundo foi o líder da revolução russa que, tal qual a francesa em seu tempo, inseriu uma nova classe - o proletariado - na disputa pelo poder político. De fato, nada tão oposto quanto essas figuras históricas. Mas os equívocos sarneístas não param por aí. Lênin foi acima de tudo um grande político. Ao contrário de Hitler, não foi general, mas estrategista político e grande teórico. Quem, a véspera de uma revolução, escreve livros sobre economia e geopolítica (Imperialismo fase superior de capitalismo, de 1916), sobre teoria do estado (O estado e a Revolução, de 1917) que se tornariam clássicos para o entendimento do século XX e XXI? Só um grande preconceito sobre a figura de Lênin pode ocultar esses fatos.
Quanto atribuir a Lênin o pensamento de que “os fins justificam os meios” é risível! Ora, foi Maquiavel que afirmou, ao se referir no Príncipe, que “toda ação é designada em termos do fim que se procura atingir”, pois “os regimes não se mantém com padre-nossos”. Isso mesmo senador, foi Maquiavel não Lênin, que separou a moral cristã, medieval e individual, da moral política, autônoma, que atenda ao coletivo, ao estado. Da próxima vez que lhe acusarem de ‘maquiavélico’ direi que lhe falta subsídios para receber esta alcunha.

II. Objeções políticas.
Como num ‘salto quântico’, Sarney deixa a teoria e põe os pés no chão! Afirma que “na sociedade da comunicação” a guerra aplicada à política “é pior que a guilhotina”, é o “vale-tudo”, “insulto”, “calúnia”, “invenção e falsificação de provas”... Se o leitor for desatento e passar direto do ‘teórico’ para o ‘político’, achará que Sarney está falando de algum país do leste europeu no tempo da ‘cortina de ferro’ ou então da Alemanha hitlerista. Mas não. Ele está se referindo ao Brasil e a cobertura da grande mídia na crise do senado. A grande mídia declarou guerra política ao senador Sarney! Mas isso não era coisa de comunista? Não foi Lênin quem inventou essa história de guerra aplicada à política? Num passe de mágica e em contradição com o exposto anteriormente, Sarney descobre que não! Que não são os comunistas que tem a propriedade privada dos grandes meios de comunicação. Que a livre concorrência do liberalismo econômico leva inexoravelmente aos monopólios e aos oligopólios. Que a ‘liberdade de imprensa’, nos marcos da nova ortodoxia liberal, é apenas a liberdade que esses oligopólios têm de mentir, insultar e caluniar quem vai contra seus interesses particulares. Que os grandes meios de comunicação se apropriam da informação social, coletiva, e a transformam em mercadoria para auferir fabulosos lucros privados.
Ora, Sarney está experimentando um pouco do liberalismo ortodoxo das elites do sudeste. As mesmas que levaram Getúlio Vargas ao suicídio e apoiaram o golpe militar de 1964. Que elegeram Collor em 1989 e que hoje fazem campanha aberta para o retorno do PSDB ao comando do executivo. É por isso, senador José Sarney, que o senhor está sendo atacado! Com certeza o senhor sabe disso. Seus “direitos individuais” estão morrendo não por culpa de Lênin ou de um ditador fascista qualquer... Eles estão sendo assassinados pelas contradições internas do próprio liberalismo, pela evolução negativa da ortodoxia neoliberal, pelo poder titânico dos oligopólios industriais, comerciais e financeiros, contra quais os indivíduos nada podem fazer, como o senhor mesmo constata ao final do seu artigo.

III.Conclusão.
A exposição dos argumentos teóricos no artigo do senador José Sarney carece de profundidade conceitual e validação histórica. Sua pedra de toque, a definição da política como “a arte de harmonizar conflitos”, é particular, uma máxima subjetiva constrangida pelas inclinações sensíveis do momento. É uma definição que jamais pode ser universalizada, não atingindo, portanto, o nível do conceito. Argumentos que não contém conceitos não são, a rigor, teóricos, mas simples representações empíricas e subjetivas.
Quanto à separação entre ‘guerra’ e ‘política’, creio ter demonstrado que há uma vasta literatura teórica e exemplos históricos que sustentam essa relação. Sarney foi obrigado a omitir tais constatações para manter a coerência com sua máxima subjetiva sobre a política.

Por fim, a melhor parte do texto de Sarney é quando abandona sua representação empírica e passa a descrever à ação dos oligopólios da comunicação. O senador escamoteia na teoria o que na prática ele próprio demonstra. Ideologicamente tenta atacar a esquerda, politicamente constata sua impotência frente aos oligopólios de comunicação a serviço dos neoliberais. Perdido no meio do caminho entre sua ideologia ultrapassada e a força dessa 'máquina de triturar gente' que é a grande mídia a serviço dos neoliberais, o texto de Sarney nada diz de importante ou relevante. Fica evidente que não há nexo causal entre as duas ordens de questões (teóricas e políticas) que formam o artigo. Sugiro ao senador, em nome da coerência racional, que prepostere a ordem das questões, reformulando profundamente o seu arcabouço teórico, além de nomear seus verdadeiros algozes.
Link onde pode ser lido o texto de Sarney: http://colunas.imirante.com/marcosdeca/page/3/

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Palestina: representante do PCdoB se reúne com Mahamoud Abbas


Teve inicio nesta terça-feira, dia 4, na cidade histórica de Belém, na Palestina, o 6º Congresso do Fatah, o primeiro a ser realizado em solo palestino, que ainda se encontra sob ocupação de Israel. Depois de 20 anos – o último congresso ocorreu em 1989 em Tunis – a instância máxima do movimento de Libertação Nacional palestino, finalmente volta a se reunir.


“Trata-se de um congresso histórico porque é o primeiro que se realiza sem apresença do fundador e líder histórico dos palestinos, Iasser Arafat. Além disso, há uma grande expectativa em torno das decisões do congresso, que busca encontrar novas estratégias na condução da luta pela independência e construção do Estado palestino”, conta Milton Alves, representante do PCdoB no evento e presidente do partido no Paraná. Até o momento, há mais de 2.500 delegados, além de delegações estrangeiras e equipes de apoio e de segurança.


O congresso teve início com uma intervenção do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, que tomou praticamente toda a manhã. “Ele traçou um quadro político realista da situação e apontou as perspectivas no sentido de encontrar os caminhos para a libertação completa e definitiva da Palestina”, disse Alves. Abbas também denunciou a política de agressão de Israel e a continuidade dos assentamentos de colonos judeus, subtraindo ainda mais porções do território palestino.

Milton relatou ainda ter participado de breve reunião com o presidente Abbas. “Durante o encontro, expressei a opinião do partido e a solidariedade efetiva dos brasileiros e dos comunistas em particular com a causa da libertação e construção de um Estado palestino forte, democrático e soberano”. Alves também manteve contatos bilaterais com outras organizações palestinas, como a Frente Democrática, a Frente Popular, Fida e PPP.

O congresso acontece até a próxima sexta-feira, dia 6. Porém, as sessões desta quarta e quinta-feira não permitem a presença de delegações estrangeiras.

Do vermelho.org.br, com informações de MIilton Alves, de Belém (Palestina)