terça-feira, 28 de abril de 2009

Diálogos entre Hegel e Lênin.

Uma forte tradição do pensamento marxista do século XX é o chamado “marxismo soviético” sistematizado pela primeira vez em 1938. Tal programa filosófico era constituído por uma ontologia materialista de cunho naturalista que, por sua vez, condicionava uma gnosiologia representada pela “teoria do reflexo”. A dialética era compreendida como sendo simples método de aplicação. Vários pensadores marxistas aceitam que esse núcleo racional foi elaborado por Lênin e exposto no ‘Materialismo e Empiriocriticismo’ de 1909. Entretanto, contemporaneamente, essas afirmações estão sendo questionadas a partir dos novos estudos sobre sua obra póstuma: os ‘Cadernos Filosóficos’, escritos originalmente entre 1914-15. Elaborada em um contexto histórico complexo, os manuscritos mostram um Lênin que recorre à filosofia para responder aos crescentes dilemas políticos que o marxismo da II Internacional não conseguia. O dirigente russo concentra seus esforços na assimilação crítica da ‘Ciência da Lógica’, das ‘Lições sobre História da Filosofia’ e das ‘Lições sobre Filosofia da História’ de Hegel, além de observações e comentários sobre a ‘Metafísica’ de Aristóteles. O que nos revela ‘Cadernos’ é um contraste entre a primeira e a segunda filosofia de Lênin. As posições defendidas em 1909 sofrem uma autocrítica, emergindo um novo programa de pesquisa filosófico marxista, cujo núcleo é a dialética, compreendida como uma configuração do pensamento conceitual onde Ser, Conhecer e Linguagem se determinam reciprocamente, criando às condições de possibilidade para uma exposição racional da totalidade histórico-social.

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