quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Lutas, vitórias e conquistas em 2010 !!!!!



ANO-NOVO


MEIA-NOITE. FIM

DE UM ANO. INÍCIO

DE OUTRO. OLHO O CÉU:

NENHUM INDÍCIO.


OLHO O CÉU:

O ABISMO VENCE

O OLHAR. O MESMO

ESPANTOSO SILÊNCIO


DA VIA-LÁCTEA FEITO

UM ECTOPLASMA

SOBRE A MINHA CABEÇA:

NADA ALI INDICA

QUE UM ANO NOVO COMEÇA.


E NÃO COMEÇA

NEM NO CÉU NEM NO CHÃO

DO PLANETA:

COMEÇA NO CORAÇÃO.


COMEÇA COMO ESPERANÇA

DE VIDA MELHOR

QUE ENTRE OS ASTROS

NÃO SE ESCUTA


NEM SE VÊ

NEM PODE HAVER:

QUE ISSO É COISA DE HOMEM

ESSE BICHO

ESTELAR QUE SONHA

(E LUTA).



FERREIRA GULLAR


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Flávio Dino se consolida nas pesquisas.


Com a divulgação da pesquisa Sensus realizada pelo grupo da governadora Roseana Sarney, temos como comparar com as outras duas pesquisas, a de setembro realizada pelo IPOP e a de outubro encomendada pelo PSDB. Em todas, o que mais destaca e chama atenção dos observadores da cena política maranhense, é a consistência do crescimento da candidatura do deputado Flávio Dino (PCdoB) para governador. Senão vejamos:

Embora as pesquisas tenham metodologias um pouco diferentes, em todas, principalmente na Sensus, Flávio Dino aparece com dois dígitos há aproximadamente um ano das eleições. Isso acontece em um cenário em que o candidato comunista ainda é menos conhecido que a atual e o ex-governador. Ademais, Flávio Dino ainda está em seu primeiro mandato, embora acumule larga vantagem em São Luís, fruto das eleições de 2008.

O crescimento sustentável de Flávio Dino acontece nos grandes e médios centros urbanos, onde justamente Roseana e Jackson Lago tem as maiores rejeições. Nessas cidades - onde, segundo mapa do TRE, estão cerca de 60% do eleitorado do Maranhão - o esgotamento do ciclo oligárquico sarneísta e a decepção com a gestão de Jackson Lago, abrem caminhos para o discurso da mudança, indicando que o eleitorado médio quer um novo sentido para a política maranhense. É justamente por essa estrada sólida que Flávio Dino começa a cimentar seus passos rumo à disputa de 2010.

O claro exemplo do que foi afirmado acima é São Luís. É Flávio Dino que disputa com Roseana a preferência do eleitorado, deixando Jackson Lago amargando a terceira colocação muito distanciado dos demais. Isso porque recai sobre o ex-governador cassado o ônus da péssima gestão que Castelo executa na cidade. Nesse sentido, à aproximação de Castelo a Roseana também pode favorecer o comunista, uma vez que reúne as atrasadas oligarquias maranhenses em um mesmo palanque. Em suma: a trágica gestão de Castelo na prefeitura é o principal cabo eleitoral de Flávio Dino. Azar para Roseana Sarney, Jackson Lago e o minúsculo Roberto Rocha, todos patrocinadores da gestão de Castelo.

Outra questão importante das pesquisas é que em todas Lula aparece como um grande cabo eleitoral. Por isso o PT passa a ser cada vez mais importante na mudança ou na permanência das oligarquias no estado. O PT e o PCdoB completam vinte anos de alianças estratégicas, desde 1988, que ajudaram a tranformar o Brasil. E vários foram os sinais, de todos os grupos do PT maranhense, de que querem re-editar a aliança vitoriosa da esquerda em 2010. A divisão do palanque da Dilma no estado favorece a esquerda e uma eventual aliança PT-PCdoB, subtraindo votos que iriam para Roseana Sarney. Esses votos não iriam para o candidato apoiado pelo PSDB no estado. O voto de Lula ou é da esquerda ou de Sarney.

Embora pesquisas representem apenas uma fotografia do momento, elas explicam muito das ações dos grupos que ora se posicionam para a disputa de 2010. No caso de Flávio Dino, o que era apenas uma intenção, aparece agora como algo objetivo, fruto da necessidade histórica e social do povo maranhense de superar as oligarquias e descortinar um novo ciclo político para nosso estado. A candidatura de Flávio Dino é uma exigência de toda uma geração política que acredita que podemos superar o atraso do nosso estado através de uma revolução democrática.

Flávio Dino é a grande surpresa positiva da política maranhense. Sem ele a disputa no estado fica igual a profecia do sábio Persa Zoroastro (século V a.C.) sobre o inferno: "a única mudança é o eterno retorno do mesmo".

Comparação estatística entre as três pesquisas realizadas.

Roseana Sarney (PMDB): 40,3%

Jackson Lago (PDT) : 29,5%

Flávio Dino (PCdoB): 15,5%

Roberto Rocha (PSDB): 4,6%

Indecisos, nulos e brancos: 10,1%

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Golpistas no Paraguai !!!


Transcrevo entrevista dos comunistas paraguaios Najeeb Amado, secretário-geral do Partido Comunista Paraguaio (PCP), e Ernesto Benítez, liderança camponesa paraguaia, ao jornal argentino Página 12. Aqui eles afirmam que pode ocorrer um golpe contra o presidente Fernando Lugo no mesmo molde institucional que ocorreu em Honduras.

Isso mostra que as oligarquias dominantes locais, sob apoio e orientação do imperialismo, já acharam a fórmula do "golpe legal" para recuperar o poder perdido nas urnas. O que mostra que o elemento decisório, em última instância, deve ser da capacidade de mobilização e politização do povo no rumo do aprofundamento das transformações sociais.
O imperialismo está querendo frear o cilco progressista, democrático e de esquerda que vive a América Latina. Procura justamente os elos fracos, para que possam agir. Por isso não podemos aceitar o golpe em Honduras e a política da "institucionalização de golpes".

O fantasma do golpe assombra Fernando Lugo

O fantasma de um golpe de Estado ainda assombra o presidente paraguaio Fernando Lugo. Esta semana, ele voltou a invocá-lo: desde que tomou posse, em agosto de 2008, já tentaram derrubá-lo não uma, mas várias vezes, disse ele. Segundo o ex-bispo, os golpistas de seu país o rondam, estão à espreita."Houve várias tentativas de golpe contra mim desde que assumiu o cargo", disse o mandatário aos membros do corpo diplomático do Paraguai, na terça-feira (15) desta semana. "Depois de décadas de domínio de um grupo político, não é de se estranhar que haja setores que ainda continuam tentados a interromper o processo democrático", acrescentou.

Mas suas advertências não parecem ser muito ouvida entre aqueles que se supõe seu aliados. "Nós lutamos todos os dias contra o fantasma da instabilidade e da derrubada", insistiu novamente nesta quarta-feira o presidente. É que o Partido Liberal, a formação que o levou ao poder, já se retirou, pelo menos na prática, da coalizão governista. E seu líder e vice-presidente de Lugo, Federico Franco, deixou bem claro esta semana: "Eu estou pronto para assumir", disse o número dois do Paraguai. O clima em Assunção, sob o exemplo de Honduras, parece estar se tornando cada vez mais pesado.

Para alertar sobre esta situação, Najeeb Amado, secretário-geral do Partido Comunista Paraguaio (PCP), e Ernesto Benítez, um líder camponês, foram esta semana a Buenos Aires e, em um hotel no Centro, em diálogo com Página/12 dispararam sua advertência: "No Paraguai, estão tramando um golpe pela via institucional a partir das várias instâncias do Estado, mas, sobretudo, no Parlamento. Algo semelhante ao que aconteceu em Honduras. O vice-presidente Franco é um dos cabeças da investida golpista, e a forma que podería assumir o golpe é a de um julgamento político ", explicaram Benitez e Amado.

Página 12: Sob que argumentos?

Amado: Basicamente, três. Em primeiro lugar, está o seqüestro do fazendeiro Fidel Zavala, desaparecido há sessenta dias. Há toda uma velha oligarquia civil e militar, alegando que a responsabilidade é de uma suposta guerrilha chamada Exército do Povo Paraguaio. Depois, no Parlamento, estamos tentando montar um suposto caso de corrupção contra Lugo, pela compra de umas terras para distribuição entre famílias camponesas. E, finalmente, é claro, os casos de paternidade.

Página 12: Com que apoios conta Lugo no Legislativo?

Benítez: No Senado, o respondem dois senadores entre 45. E entre os deputados, em uma boa sessão, dois deputados apoiam o presidente.

Página 12: A reforma agrária foi uma das principais bandeiras da campanha do presidente. Se avançou em algo na distribuição da terra?

Benítez: Em nada. Apresentar um projeto de expropriação no Parlamento seria uma motivo para um julgamento político imediato.

Página 12: Parece que o governo de Lugo está institucionalmente paralisado. Se ele não pode fazer nada, qual seria a necessidade de derrubá-lo?

Benítez: O crescimento dos movimentos sociais se tornou demasiado grande para as antigas oligarquias. Amado: No Paraguai, houve uma mudança fundamental, que é a mudança do sujeito político. Embora não se tenha conseguido avançar com grandes reformas, as antigas camarilhas ligadas ligadas ao Partido Colorado e ao Partido Liberal não podem suportar que os movimentos sociais estejam acessando o controle de certas alavancas do Estado.

Página 12: Qual é a atitude das forças armadas?

Benítez: Apesar de haver mudado o comando da cúpula há algumas semanas, o presidente disse claramente: ainda existem bolsões golpistas.

Página 12: Qual o papel está jogando a mídia?

Amado: É uma parte essencial do esforço desestabilizador, com o diário ABC Color na liderança.

Página 12: O que Lugo pode fazer para inverter esta situação?

Amado: Jogar mais a fundo e decidir-se pelos movimentos sociais. Os partidos tradicionais já demostraram que, chegado o momento, o abandonam. Benítez: Mas a força do povo é tremenda.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Prêmio "José Augusto Mochel".


O PCdoB e o mandato do deputado federal Flávio Dino farão a entrega do Prêmio José Augusto Mochel nesta quinta em solenidade que contará com a presença da militância comunista e com lideranças partidárias do campo democrático e popular, além de representantes de várias entidades dos movimentos sociais.

O “Prêmio José Augusto Mochel”, em sua terceira edição, já é um evento aguardado por todos os militantes sociais do Maranhão. É o que garante o presidente do PCdoB/São Luís, jornalista Márcio Jerry, para quem “a premiação é um justo reconhecimento aos que se destacam na luta democrática, hoje e no passado”. O deputado Flávio Dino, presidente do Comitê Estadual do PCdoB, lembra que “o prêmio reverencia a figura de um grande revolucionário maranhense que foi José Augusto Mochel, dirigente do PCdoB, ativista dos movimentos pela redemocratização, lutador incansável”. O Prêmio, diz o parlamentar, pretende manter viva não só a memória de Mochel, mas também a permanente atualidade da luta socialista.

Homenageados – A lista dos homenageados é encabeçada pela Comissão Pastoral da Terra(CPT), entidade que há anos se destaca na luta pela reforma agrária, política agrícola e justiça no campo. A homenagem póstuma deste ano será dedicada à militante do PCdoB, do movimento de saúde e da luta pela democratização da comunicação, Raimunda Dica, falecida em outubro passado. Os dirigentes estaduais do PCdoB, Eurico Fernandes e Etelvino Oliveira, também receberão o “Mochel 2009”. Um, Eurico, veio do Pernambuco e se integrou à luta popular e socialista no Maranhão; o outro, Oliveira, chegou clandestino ao estado, vindo de Minas Gerais, onde cursava engenharia. “Dois exemplos da coerência e perseverança revolucionárias”, atesta o Secretário de Organização do PCdoB, Gérson Pinheiro.

A educadora Maria Ribeiro, que integra a direção do Centro de Defesa Marcos Passerine, é outra homenageada. É uma das mais destacadas militantes do movimento em defesa de crianças e adolescentes do Maranhão. A lista de homenageados tem ainda o Bispo D. Xavier Giles, franco-brasileiro que se destacou na luta pela democracia, em defesa dos trabalhadores rurais e do engajamento da Igreja nas lutas do povo. O juiz aposentado José Ribamar Heluy também receberá o Prêmio em reconhecimento à sua contribuição à luta democrática, via Comissão Justiça e Paz, à atuação na campanha pela anistia e no na sua militância política no PT, partido pelo qual disputou a eleição para prefeito de São Luís em 1988.

Nas premiações especiais do Mochel 2009 estão dois dirigentes nacionais do PCdoB que tem dado grande contribuição ao avanço do partido no estado: o presidente Renato Rabelo e o Secretário de Organização Walter Sorrentino. A entrega de todos os prêmios será feita por comissões formada por lideranças que tiveram ao longo da militância relação com os homenageados. “Esperamos contar com a presença de todos os membros do partido, com nossos amigos, nesta noite em que se celebra mais uma vez a luta democrática, popular e socialista no Maranhão”, conclama Flávio Dino.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

E o Nobel da Paz vai para...


Barack Obama, o presidente da maior nação imperialista do globo, que em seu discurso disse que as pessoas devem aceitar "uma dura verdade" de que a violência não pode ser erradicada e as nações às vezes devem financiar a guerra para proteger seus cidadãos de regimes repressivos e grupos terroristas.

Com essa "verdade" está, portanto, justificado o apoio ao golpe de estado na Nicarágua...

O envio de mais soldados, tanques, aviões e bombas incendiárias ao pobre e sofrido Afeganistão...

A recusa em deixar o petróleo e as terras iraquianas...

A recusa em diminuir a poluição no planeta...

O apoio e incentivo a segregação racista dos Palestinos em "guetos"...

A justificativa para instalar sete bases militares na Colômbia, ameaçando a Amazônia brasileira...

O argumento para rearticular a quarta frota naval e ameaçar os recursos do pré-sal brasileiro.

Esse é o mundo insólito e contraditório regido pelas forças políticas dos liberais imperialistas. Essa é a "nova ordem mundial" que os grandes oligopólios e seus sócios menores tanto querem que seja o futuro da humanidade. Para os norte americanos é: submissão aos vivos ou paz para os mortos !!!

sábado, 28 de novembro de 2009

O Desespero dos tucanos e a sujeira da grande e da pequena mídia!


A mídia fâmula do imperialismo e de seus interesses anti-nacionais, anti-povo e anti-democráticos mostrou toda sua face no episódio da Folha de São Paulo deste sábado, onde apresenta uma "carta do intelectual César Benjamin" que acusa o presidente Lula de "estupro"! Isso mesmo de "estupro"!!!
O chamado "Partido da Imprensa Golpista - PIG" e seus lacaios de terceira e quarta ordem, descem, assim, ao esgoto das futilidades, mesquinharias, mentiras e calúnias do mais baixo calão na vã tentativa de manchar a biografia de Luís Ignácio Lula da Silva e imperdir que ele conduza o poder de forma soberana, democrática e progressista para sua legítima substituta Dilma Roussef.

Enquanto esse absurdo era propagado lá e aqui pela escória do jornalismo, não por acaso a polícia federal estoura quadrilha de propineiros que atuava no Distrito Federal e tinha por comandante o próprio governador José Roberto Arruda ( ex- PSDB e atual DEM). Justamente o DEM, aliado de primeira hora de José Serra (PSDB) e "bastião da moralidade" no senado!!!

Arruda e Serra: farinha do mesmo saco!
A oposição do DEM e do PSDB se lambuzam na lama da corrupção e ainda utilizam dessa canalhice para desviar a atenção do grande público. O trágico da armação é que a direita golpista e fascistóide semprer utiliza um "inocente útil", principalmente se ele é ou já foi da esquerda, como é o caso do canalha do César Benjamin. Ele é apresentado como "um dos fundadores do PT", mas se esquecem (?) de dizer que ele é funcionário e colunista da Folha! É sempre assim. Utilizam alguém que é ou foi da esquerda para atacar, mentir e destruir a própria esquerda. É assim lá e é também assim aqui.

Me impressiona como petistas maranhenses fazem vistas grossas a esses ataques, tentando, talvez, abstrair a luta de classes nacional entre as forças progressistas e de esquerda contra os fâmulos do imperialismo e seus lambe botas de São Paulo e do Maranhão. Tal pretensão é uma ilusão, além de ser um equívoco político e metodológico.

Mas a verdadeira resposta sairá das urnas de 2010 e, mais uma vez, o povo brasileiro saberá construir o seu destino, derrotando mais uma vez as forças do atraso e da traição nacional!!!

Segue link do Grupo Beatrice sobre a repercussão dessa barbaridade que fizeram contra o Lula e que merece todo nosso repúdio.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Imagens do 12º Congresso Nacional do PCdoB.

Plenária do ato político, com as presenças do presidente nacional do Partido, Renato Rabelo, Lula, Dilma Roussef, ministros, deputados e delegações estrangeiras.

A ministra Dilma discursando, sob os olhares de Marx e Lênin!

Também Lula discursa sob olhares dos históricos revolucionários!

O jornalista Marden Ramalho (autor das fotos) ladeado pela representação da Organização para a Libertação da Palestina - OLP e por Cristiano Capovilla.


Allan Kardec, Diretor da Agência Nacional do Petróleo - ANP, Cristiano Capovilla e Zezinho do Araguaia, um dos últimos remanescentes da FOGUERA - Forças Guerrilheiras do Araguaia - braço armado do PCdoB do início da década de 70 do século passado.



Cristiano Capovilla, Profª Régina Galeno, Vereadora Rose Salles e o jornalista Mardem Ramalho no lançamento do livro de Renato Rabelo.


sábado, 21 de novembro de 2009

Seja bem vindo Mahmoud Ahmadinejad !


O irã é sem dúvida o país mais ameaçado pelo imperialismo norte americano. De fato, os EUA nunca 'engoliram' a revolução islâmica de 1979 que tomou o poder do absolutista e bilionário Xá Reza Pahlavi, títere do governo ianque. Nada disso teria importância no ocidente se o Irã não estivesse em cima das maiores reservas petrolíferas da terra. Pela primeira vez na contemporaneidade realizou-se uma revolução popular, democrática e anti-imperialista sem o auxílio ideológico e organizativo do marxismo-leninismo, isto é, ocorreu uma revolução social guiada pelo islã! Para nós ocidentais pode parecer estranho, mas no oriente médio, desde as 'cruzadas medievais', o islã é a garantia da unidade e do nativismo daqueles povos.

Outro mito da contrapropaganda imperialista é que não há democracia no Irã. Ocorre que há eleições diretas para presidente e para o parlamento. Há também um colegiado de líderes chamado "Conselho dos Guardiães" que institucionalizam a vida política do país. O Irã é, portanto, um país democrático. Se é para cobrar democracia, então por que os liberais imperialistas nada dizem sobre o absolutismo infame da Arábia Saudita? Lá não há eleições, prevalece uma interpretação radical do Coorão e apenas uma família de bilionários manda e desmanda naquelas terras. Nunca vi uma crítica à Arábia Saudita e ao seu feudalismo político. Aqui, mais uma vez, o que determina o que é ou não democrático é a permissão à livre ação dos oligopólios do imperialismo. Por esse critério a Arábia Saudita é democrática juntamente com o Iraque e o Afeganistão.

Outro mérito do Irã é ser o único país que denunciou o genocídio ao qual os Palestinos estão submetidos por parte dos sionistas israelenses. Foi o único que teve coragem de dizer que "o holocausto judeu ocorreu na Europa, por nações européias, por brigas imperialistas, e os Palestinos não tiveram nada haver com isso". Esse discurso do presidente iraniano foi distorcido pela mídia fâmula do imperialismo, com total apoio dos racistas sionistas israelenses e seus lacaios genocidas.

Por tudo isso desejamos boas vindas ao presidente iraniano. Que bons negócios sejam relizados. Que os povos irmãos do Brasil e do Irã possam viver em um mundo de paz e hamonia. Que as nações possam ser autônomas na escolha dos seus destinos. Que o espírito dos povos da antiga Pérsia reforçe as convicções e as determinações da revolução islâmica.

Autonomia e liberdade para o Estado Palestino com sua capital em Jerusalém!

Longa vida e vitórias para revolução islâmica iraniana !

Força , coragem e determinação ao novo Brasil livre do imperialismo !

domingo, 15 de novembro de 2009

Homenagem a ascenção do Vasco da Gama.

"A ascenção de Vasco da Gama.


Os deuses da tormenta e os gigantes da terra

Suspendem de repente o ódio da sua guerra

E pamam. Pelo vale onde se ascende aos céus

Surge um silêncio, e vai, da névoa ondeando os véus,

Primeiro um movimento e depois um assombro.

Ladeiam-no, ao durar, os medos, ombro a ombro,

E ao longe o rastro ruge em nuvens e clarões.


Embaixo, onde a terra é, o pastor gela, e a flauta

Cai-lhe, e em êxtase vê, à luz de mil trovões,

O céu abrir o abismo à alma do argonauta."

Mensagens.1922.
Fernando Pessoa.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A nobreza do Samba!



Hoje é o aniversário de Paulinho da Viola. Sambista, portelense, vascaíno, brasileiro, Paulinho reúne em si as melhores qualidades do nosso povo!

Seu estilo sóbrio e complexo de manejar o violão, a viola ou o cavaquinho, unifica-se com sua magistral poesia.

Dono de uma melodia clássica, costuma nos surpreender com poesias e arranjos modernos, trazendo para dentro do samba - a mais nacional manifestação da nossa cultura popular - elmentos da música universal.

Dia desses comentando com meu amigo e camarada Haroldão sobre a conjunção entre nosso povo e o samba, ele me disse que: "parte dos africanos que foram trazidos para o Brasil eram de nobres, reis, príncipes e guerreiros dos vários povos que foram escravizados".

De imediato descobri que o Paulinho da Viola é um dos descendentes espirituias desses nossos ancestrais que para aqui vieram. A prova é a sua elegância, diria mesmo que ele é um "nobre", a delicadeza e a sofisticação que empenha nas suas composições não deixam a menor dúvida da sua descendência real. É a realeza do samba.

Da matriz profunda que o liga diretamente a Pixinguinha, Paulinho representa a nobreza, o conhecimento, a elegância e a genialidade do nosso povo, trazendo a certeza de que ainda vamos encontrar nosso destino grandioso no concerto universal das nações.

Parabéns ao mestre Paulinho da Viola.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O verdadeiro muro da vergonha!



Tanto se fala na queda do "Muro de Berlim" na passagem dos seus vinte anos. Mas poucos falam do muro que continua em pé e ainda está sendo erguido, separando, maltratando, humilhando e roubando terras e vidas... É o muro que Israel constrói para segregar em guetos o povo Palestino!!!

Exatamente como fizeram os nazistas quando da invasão da Polônia em 1939. Os Palestinos são isolados em gigantescos guetos, sem direitos básicos fundamentais e sob constantes ameaças de prisões, mortes e torturas.


O sionismo judeu constrói e executa sob os olhos complacentes das grandes potências - notadamente os EUA e a Inglaterra- a maior política de extermínio de humanos desde os campos de concentração nazistas e das prisões japonesas no norte da China, ambos na segunda guerra.

Os crimes cometidos pelo terrorismo de estado israelense massacra principalmente mulheres, velhos e crianças, esses últimos ampla maioria dos habitantes.

Contra esse verdadeiro "Muro da Vergonha" a mídia fâmula do imperialismo nada diz !


Já sobre o "Muro de Berlim" fico com as palavras do historiador britânico Eric Hobsbawm: "o principal efeito da queda do Muro de Berlim, em 1989, foi a desestabilização da geopolítica mundial em benefício da única superpotência remanescente os EUA. Como consequência, o mundo se tornou mais perigoso, mais inseguro".

Do ponto de vista econômico, Hobsbawm afirma que o pós-1989 levou a um recorde de desigualdade social nos países europeus sob influência da antiga União Soviética. (Folha de S Paulo deste domingo, 08/11).
Parece que os muros que o imperialismo cria e destrói provocam os mesmos sintomas: guerra, destruição, pobreza e barbaridades de toda ordem.

Contra o imperialismo!

Contra o política de "Terrorismo de Estado" do sionismo israelense!


Pela criação do Estado Palestino com capital em Jerusalém !


Abaixo o "Muro da Vergonha"!

domingo, 25 de outubro de 2009

A questão nacional e os germes de novo protagonismo marxista.


Dando continuidade aos debates acerca do 12º Congresso do PCdoB, reproduzo o texto do Ronaldo Carmona publicado no bolg do Sorrentino. Chamo especial atenção para a relação que ele estabelece entre o marxismo e a questão nacional, apontando que o último é a condição de desenvolvimento concreto do primeiro e que "a grande aspiração brasileira segue sendo o desenvolvimento nacional".

BLOG DO SORRENTINO.

Ronaldo Carmona, 35 anos, é graduado em ciências sociais e mestrando em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP), onde desenvolve pesquisa na área de Geopolítica e pensamento estratégico. Foi dirigente nacional da União da Juventude Socialista (UJS) por quase uma década e é militante do PCdoB há cerca de duas décadas. Atualmente desenvolve tarefas junto à Comissão de Relações Internacionais do Partido e é Diretor de Estudos e Pesquisas do Cebrapaz. É autor do livreto “Transição ao socialismo e questão nacional na África do Sul, Índia e Rússia” (Editora Anita Garibaldi, 2009) e de mais de uma dezena de artigos na Revista Princípios, a maior parte deles sobre a América Latina.


Ronaldo, 60 anos de desenvolvimentismo se esgotaram, mas o país avançou. No final dos anos 1950 e inícios dos 60, chegamos à Bossa Nova, ao cinema novo, copa mundial de futebol, o CPC e o teatro levando o povo ao proscênio, posteriormente a MPB… Enfim, o Brasil “bombou” no mundo naquele tempo. Novas reflexões estratégicas surgiram na esquerda, no seio do movimento das reformas de base e da “revolução brasileira”. Isso foi barrado pela dependência, agora sob o domínio neoliberal. Parece que vivemos um novo ciclo de “redescoberta” do Brasil. Como você vê a questão?

A projeção internacional do Brasil, antes de mais nada, deriva de suas enormes potencialidades nacionais, grande parte delas todavia não decantadas.
As potencialidades brasileiras, em primeiro lugar, são objetivas. Temos um território imenso com riquezas por toda a parte – da Amazônia ao pré-sal. Num contexto de escassez de água e de terras agricultáveis no mundo – boa parte em função das mudanças climáticas –, diz a Embrapa, temos possibilidade de dobrar a produção de alimentos sem derrubar uma única árvore.
As potencialidades brasileiras têm a ver também, fundamentalmente, com a possibilidade de projetar poder, fruto de nossa posição geopolítica e estratégica. Não há qualquer ameaça à nossa soberania e integridade territorial e nacional nem em nossa vizinhança, nem defronte nosso território. O risco vem do norte, de renovadas ameaças do imperialismo norte-americano que se intensificarão no próximo período, dadas algumas crises de escassez que passará o mundo – sobretudo de energia, mas também de alimentos, de água e de matérias primas em geral.
Penso ser fundamental a reorientação estratégica das Forças Armadas brasileiras, em especial realocando tropas e equipamentos na Amazônia, dada a presença norte-americana no entorno de nossas fronteiras e diante das ameaças defronte ao nosso litoral, não de nossos irmãos de sangue africanos do outro lado do Atlântico, mas nas inúmeras bases da Otan diante de nossa costa marítima.
Enfim, como disse, as potencialidades brasileiras são, antes de mais nada, objetivas. Como sempre lembra Samuel Pinheiro Guimarães, se fizermos uma lista dos dez países com maior PIB, população e território, três nações aparecerão nas três listas: EUA, China e Brasil.
Por certo nossa população ainda é pequena, tendo em vista nosso território. No futuro, um governo de orientação nacionalista, com projeto de realização plena da nação pelo socialismo, deverá incentivar a natalidade como vetor estratégico da nação – como, aliás, fazem alguns países europeus hoje. Precisamos no mínimo dobrar a nossa população em uma ou duas gerações para ocupar esse vasto território. Claro que num quadro de desigualdades históricas acumuladas, isso pode parecer irrealista, mas num quadro de um governo que tenha visão estratégica, de construir um país forte e próspero para as próximas gerações, essa é uma questão inevitável.
Precisamos seguir incentivando a propagação dessa etnia nova, mulata e mestiça, grande vantagem civilizacional dos brasileiros, que nos permite ser um povo aberto, criativo, flexível, conciliador, assimilador, “antropofágico” e “moedor” de diferenças. Enquanto outros povos demonstram patriotismo como fator de exclusão e de ressaltamento de diferenças e contradições com outros povos, o nacionalismo brasileiro mostra ao mundo uma civilização que se afirma em harmonia e cooperação com outros povos do mundo. Como dizia o Sergio Buarque em Raízes do Brasil, trazemos no nosso sangue mouro e português a interação há centenas de anos, com outros povos. Nesse sentido, o protagonismo do Brasil no mundo é benigno, não busca subjugar ou dominar outros povos e nações.


Ronaldo, você lançou recentemente um pequeno livro abordando a questão nacional nas formulações programáticas nos partidos comunistas da África do Sul, Índia e Rússia. Como surgiu essa ideia? Como você chegou a constituir um pensamento tendo por base a questão nacional?

Este trabalho é, na verdade, um longo artigo que se transformou num livreto, sendo “um capítulo” de uma pesquisa maior que busca desenvolver e demonstrar o curso do que tenho chamado de “nacionalização” do marxismo.
Sobre este trabalho, especificamente, duas questões. Penso que após a crise do marxismo, com os episódios ligados ao fim da URSS, houve um movimento crescente de “nacionalização do marxismo”. Começou a perceber-se, fruto do balanço das primeiras experiências, que princípios, justamente por serem princípios, não são um dicionário completo. Que não há modelo único. Mais que isso, para além de princípios básicos do marxismo – essencialmente, poder político aos trabalhadores e crescente predomínio da propriedade social nos meios de produção – o caminho é nacional, e mais que isso, é preciso beber do pensamento avançado produzido no âmbito daquela formação social, onde o socialismo se propõe realizar.
Segundo que, pela observação dos movimentos de renovação e desenvolvimento do marxismo, percebo que muito pouco vem dos países centrais, nomeadamente da Europa. Já se foi o tempo do “marxismo eurocêntrico”. Os germes de um novo protagonismo do marxismo, não tenho dúvida, vêm do Sul do mundo, especialmente de grandes países em desenvolvimento, que acumulam massa crítica nacional e avançada.
Outros “quatro capítulos” dessa pesquisa maior incluem: (1) análise da trajetória do nacional nas formulações marxista, em Marx, em Lênin e no seu desenvolvimento – penso que há um curso crescente de assimilação do nacional pelo marxismo; (2) a centralidade da questão da Nação nos países que persistiram na orientação socialista após os episódios de 1989-1991, nomeadamente China, Coréia, Vietnã e Cuba; (3) a centralidade do problema nacional nas proclamações ao socialismo na América Latina – os processos mais radicais aqui são, antes de tudo, patrióticos e desenvolvimentistas. Por fim (4), a relação entre marxismo e formação social brasileira. Penso, pelas razões expostas acima, que os brasileiros têm uma propensão maior à vida coletiva e à construção do que chamaríamos de “sociedade da prosperidade”. Aqui, o liberalismo nunca vingou de fato, é estranho à nossa formação social.


Nação e socialismo, internacionalismo e patriotismo, particular concreto e universal abstrato… O marxismo nem sempre lidou bem com essa dialética. O movimento comunista, que você acompanha sistematicamente, parece pouco convergente nessa direção. Então pergunto: do ponto de vista teórico, que autores contemporâneos você tem acompanhado que têm por base uma compreensão avançada dessa relação?

Mais que autores, noto na reflexão dos Partidos – em especial de grandes Partidos Comunistas de massas, de grandes países em desenvolvimento – um curso de crescente assimilação da chamada questão nacional.
A grande derrota estratégica vivida pelo marxismo nos episódio de 1989-1991 força uma profunda análise, crítica e autocrítica, dos comunistas em todo o mundo. Acho que passadas duas décadas desses episódios, os Partidos comunistas tiveram balanços diferenciados; alguns Partidos – louváveis exceções à parte –, sobretudo na velha Europa, se fecharam, se apegaram aos princípios, num esquematismo dogmático típico dos períodos de defensiva estratégica. Mas eu diria que a maioria dos Partidos Comunistas, sobretudo os grandes PC’s de massas, passaram a ver uma confluência, uma identidade entre o marxismo e a questão nacional. O 10º Encontro de Partidos Comunistas, realizado aqui no ano passado demonstrou isso, inclusive em suas resoluções.
Mas também é preciso dizer: no curso da construção de um arcabouço teórico renovado, chamado por muitos de “socialismo do século XXI” tem aparecido alguns surrados “contrabandos”, ainda que de roupagem nova, que remetam ao “socialismo utópico” pré-marxista.
Um exemplo forte: alguns intelectuais na América Latina apontam o que chamam de “mercantilismo” e “sociedade do consumo” como grandes inimigos do socialismo. Isso é uma aberração do ponto de vista dos fundamentos do marxismo. Só numa sociedade de prosperidade se realiza o socialismo. Em especial para os brasileiros, sociedade da fartura e abundância, cuja grande aspiração nacional segue sendo o desenvolvimento, essa pregação da pobreza como socialista, definitivamente, não cola.


A esquerda tem retomado a questão nacional de várias formas. Estrategicamente, como você vê a esquerda brasileira nesse sentido?

Historicamente há uma relativa subestimação da questão nacional na esquerda brasileira. Isso tem a ver com uma tensão existente ao longo do século XX entre questão nacional e questão democrática. O vendável modernizante emergido da Revolução de 1930 e os períodos de auge do nacional-desenvolvimentismo – nomeadamente o segundo governo Vargas, o período JK e os II PND com Geisel – coexistiram com tensões e restrições à democracia.
No caso da esquerda em geral, muito especialmente o PT, vejo uma evolução importante, fruto da própria interação com a realidade objetiva. O PT surge nos anos 80 como uma força anti-Estado e anti-nacionalista. Chega a fazer enormes besteiras, fruto de um infantilismo esquerdista, como foi a não assinatura da Constituição de 1988. Mais recentemente, entretanto, no governo, à frente de responsabilidade objetivas com a Nação, passa a enxergar nossas enormes potencialidades e, assim, a ver com outros olhos a questão nacional.
Os comunistas, a despeito das permanentes tensões no Brasil com a questão democrática, sempre foram patriotas de primeira hora. Aliás, nas vezes em que se situou do lado errado, em oposição à Nação – muitas vezes, forçados a esta situação em contextos de forte repressão, mas outras vezes por erros de orientação política, em flertes com o simplismo binário do esquerdismo –, se isolou das massas e saiu do centro da luta política.

O novo Programa Socialista do PCdoB, que deverá ser aprovado nos próximos dias pelo 12º Congresso, entrelaça profundamente Nação e socialismo. Penso ser uma grande conquista teórica dos comunistas brasileiros e reflexo de um fenômeno geral no que diz respeito ao desenvolvimento e ao curso do marxismo no mundo.
Mas a esquerda no Brasil, pode-se dizer, opera hoje uma mudança qualitativa na percepção sobre a Nação e a nacionalidade. Visões derrotistas e negativistas acerca da trajetória dos brasileiros – que sempre prosperaram na esquerda –, vão sendo superadas aos poucos. Isso abre grandes e novas perspectivas para a luta pelo socialismo à brasileira.

Na América Latina, particularmente do Sul, que panorama você traça? Esse pensamento está bem presente na esquerda brasileira e latino-americana?

A Revolução bolivariana, antes de ser do “século XXI” é bolivariana, em alusão ao grande patriota Simon Bolívar. O nacionalista Eloy Alfaro é o inspirador da “Revolucion Ciudadana” no Equador, também chamada por Rafael Correa de “Revolução alfarista”. Mesmo na Bolívia, onde a questão nacional é absoltamente diferente da nossa, tendo em vista ser um país multicultural, o inspirador da Revolução é Tupac Katari, líder indígena anticolonialista, símbolo da nação aimara. A esquerda argentina busca se livrar das tensões com Juan Domingos Perón, o maior de todos argentinos. Os paraguaios inspiram-se no Doutor Francia, humanista e patriota paraguaio. Por aqui, figuras como o patriarca José Bonifácio e o líder da modernização brasileira, o presidente Getulio Vargas, passam a ser valorizados como nunca.
Para além dos valores e inspiradores, objetivamente, mesmo os processos mais radicais na América Latina, impulsionam políticas nacionalistas, essencialmente de recuperação dos bens estratégicos da nação, como base para impulsionar um ciclo de desenvolvimento e prosperidade.

Quanto isso está no centro do esforço de retomada de uma nova onda de lutas pelo socialismo?

O entrelaçamento entre socialismo e Nação estará na base da retomada da luta pela transformação social neste século XXI. Nação como motor que segue movendo as aspirações coletivas de um povo; socialismo como elemento universal, que inclusive permite a realização plena e efetiva da Nação.
A China, que desequilibra o jogo de forças no mundo de hoje, dizem seus dirigentes, foi salva pelo socialismo, sem o qual a nação teria se esfacelado, se dividido. Foi a “redenção” da Nação, não custam de repetir os lideres chineses.
A falência da utopia liberal da globalização e a crise do capitalismo que vivemos, tem seu contraponto mais forte na reemergência do Estado nacional. Ou seja, de um ambiente geral mais favorável às ideias mais avançadas.
Também no caso do Brasil, no próximo período, se alargará o campo dos que perceberão que a plena realização da Nação passa pela transição ao socialismo. O PCdoB dará uma grande contribuição a isso, penso, com o novo Programa Socialista.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

PALESTRA DE INSTALAÇÃO DO CEBRAPAZ NO MARANHÃO.


O Professor Doutor Paulo Gilberto Fagundes Visentini será o conferencista no evento de instalação do Núcleo Maranhenses do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos povos e luta pela Paz) que acontecerá no Hotel Brisa Mar as 16 h do dia 26 de outubro.

Trata-se de um conferencista renomado que tem sido chamado com frequência para ministrar cursos e proferir conferências em mais de 40 países, tais como Índia, Rússia, África do Sul, Espanha, Holanda, Guiana, Uruguai, Cabo Verde e Argentina. É um historiador, cientista político e pesquisador que tem, entre suas linhas de pesquisa, a análise das relações do Brasil com países do Mundo em Desenvolvimento, especialmente com os aspirantes a uma posição de proeminência na ordem mundial, como China, Índia e África do Sul.

Entende que a globalização, gerou espaços para a projeção de potências regionais do Sul, o que contribui para reforçar a possibilidade de formação de um sistema mundial multipolar.Visentini é professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com pós-doutorado pela London School of Economics (Inglaterra), Doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo, Mestre em Ciência Política pela UFRGS, Especialista em História Mundial Contemporânea, Relações Internacionais Contemporâneas e Política Externa Brasileira, ele coordena o curso de Relações Internacionais da UFRGS e está ligado aos programas de pós-graduação em História e em Ciência Política.



domingo, 11 de outubro de 2009

"Uma humanidade em flor, à espera de seu destino".


Transcrevo entrevista que o jornalista e mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo, Fábio Palácio, concedeu ao blog do Walter Sorrentino. Palácio relaciona o debate sobre cultura nacional associado a um projeto de desenvolvimento, procurando fazer uma interessante conjunção entre o futuro do povo e o seu destino enquanto nação. Chamo atenção especial a idéia da "mundividência" enquanto "método" e lógica da atividade espiritual brasileria. Talvez, no meu entender, esteja aí o caminho para as investigações acerca de uma teoria do conhecimento revovada, atualizada com as novas determinações históricas e sociais, superando os "modelos universalizantes" e metafísicos e abrindo caminho para a criatividade dialética.


BLOG DO SORRENTINO.

Fábio Palácio é outro jovem a quem pedi colaboração neste espaço. Tem 35 anos, é mestre em filosofia, militante do PCdoB provindo da UJS. Atuou intensamente no Centro de Memória da Juventude e tem apreço pela cultura e saber.


Fábio, falei com outros sobre o mesmo tema e vou repetir a pergunta. Vivemos um novo ciclo de “redescoberta” do Brasil. O Brasil está na moda, aqui e lá fora, de certo modo. No final dos anos 1950 e início dos 60, tivemos a Bossa Nova, o cinema novo, a copa mundial de futebol, o CPC e o teatro levando o povo ao proscênio, posteriormente a MPB… Hoje, como você avalia o panorama cultural brasileiro hoje?


É realmente muito interessante essa ideia de uma “redescoberta” de nosso país. O Brasil é de fato uma nação que, como se tem dito, “está na moda”. Isso tem muito a ver com o que disse o presidente Lula em sua recente entrevista na revista norte-americana Newsweek: “Ninguém respeita a quem não respeita a si mesmo”. Essa afirmação, acredito, está na base deste novo momento da cultura brasileira, inclusive no que se refere à sua crescente projeção mundial.
Não que nossa cultura tenha nascido ontem. Como você mesmo afirma, Walter, ao longo das últimas décadas a cultura brasileira foi reverenciada pela importância e pela grandeza de suas manifestações. Na música tivemos Villa-Lobos, que é mais conhecido e cultuado na Europa do que no Brasil. E tivemos o movimento da bossa-nova, um dos momentos marcantes da música popular do século XX, que revelou um compositor da altura de Tom Jobim – com suas harmonias luxuosas, de extremo bom gosto e refinamento. Também no teatro o Brasil foi capaz de projetar um gênio como Augusto Boal, que surgiu no movimento dos CPCs da UNE e hoje é colocado pela imprensa mundial lado a lado com gigantes como Brecht e Stanislavski. Além disso, conseguimos deixar nossa marca na história da sétima arte com o cinema novo, talvez o mais importante movimento do cinema no século XX, ombreando-se com o futurismo russo, com o expressionismo alemão e com o realismo italiano. O Brasil também é muito reconhecido no campo do esporte. Recentemente o insuspeito diário esportivo argentino “Olé” classificou o futebol brasileiro como “de um talento inesgotável”. E isso porque nem falei de outras manifestações de nossa cultura, como a literatura, o artesanato, a gravura, a dança, a culinária e as manifestações folclóricas. O carnaval brasileiro, vale lembrar, é a maior festa popular do mundo.
No plano sociopolítico, a projeção de nossa cultura se deve ao povo brasileiro. Afinal, como afirma a proposta de Programa Socialista em debate no 12º Congresso do PCdoB, “o povo é o heroi e o autor da nacionalidade”. Nossas elites sempre cultivaram uma cultura cosmopolita, e só fizeram questão de abraçar a cultura popular quando cultivaram alguma veleidade de liderança e de projeto nacional. Situação muito semelhante nos é narrada por Gramsci em relação à cultura italiana, em especial em seu célebre Letteratura e Vita Nazionale.
Já no plano teórico-ideológico, a projeção de nossa cultura é uma vitória da vertente de pensamento que, como aponta Ariano Suassuna, remete a Euclides da Cunha. O autor de Os Sertões foi um homem que mergulhou no Brasil profundo e retirou de lá sua inspiração para pensar no futuro de nosso país. Na campanha de Canudos Euclides encarou o Brasil de frente, enxergou-o como de fato é e chocou-se com o que viu devido a seus próprios preconceitos de classe. Mas teve inteligência suficiente para superar esses mesmos preconceitos e reconhecer na gente simples do sertão não uma humanidade pior, mas melhor. Ou, como diria mais tarde Darcy Ribeiro, “uma humanidade em flor, à espera do seu destino”.
Essa corrente que tem Euclides como patrono se desenrola na Sociologia com Gilberto Freyre e Câmara Cascudo, na Literatura com Guimarães Rosa. Claro que o espaço me permite trazer à tona apenas os grandes vultos, e nossas escolhas têm sempre algo de arbitrário.

Pode-se dizer que a cultura nacional tem uma identidade própria perante o mundo?
Sim, o Brasil tem uma identidade a afirmar perante o mundo. E o que é essa “identidade”? Ela é antes de tudo uma mundividência, uma cosmovisão – isto é, um método próprio de pensar e sentir as coisas. Esse “método”, por sua vez, se materializa em hábitos, costumes, em um jeito de ser. Isso tudo a que me refiro está englobado no moderno conceito de “cultura”, ratificado pela UNESCO em sua Conferência Mundial sobre Políticas Culturais, ocorrida no México em 1982. Na ocasião foi proposta “a adoção de abordagens políticas que enfatizassem um conceito amplo, antropológico, de cultura, que incluam não apenas as artes e as letras, mas também os modos de vida, os direitos humanos, os costumes e as crenças”. Trata-se a meu ver de uma definição justa e ampla de cultura, que – ao contrário do que poderia pensar um certo marxismo ossificado – de forma nenhuma se coloca em oposição ao pensamento de esquerda e às aspirações dos setores progressistas. Muito pelo contrário.
No que diz respeito à identidade brasileira, ela tem suas raízes fincadas em nossa própria experiência histórica. Somos filhos da expansão ultramarina realizada por obra da nascente burguesia mercantil ibérica sob influência ideológica da contrarreforma católica. E como foi nossa colonização? Tomemos, para responder essa pergunta, dois curiosos personagens que figuram no panteão dos fundadores da nacionalidade: os padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, responsáveis pela colonização em seus momentos primordiais. O primeiro era um político, o segundo um ideólogo-educador. Que tinham em mente para o Brasil? Um projeto chamado “salvacionismo”. O salvacionismo – que mais tarde, na obra do Pe. Antônio Vieira, comparece como a tese do “Quinto Império” – foi a ideologia que fundamentou a colonização jesuítica. Trata-se da ideia de que os índios não eram animais e possuíam alma, sendo, portanto, passíveis de salvação. A partir dessa ideia, os jesuítas pretendiam fazer da América portuguesa o locus de uma nova e verdadeira cristandade, realização da utopia do “milênio joaquinista”, em que a humanidade seria reconstruída em novas bases de solidariedade e igualitarismo, podendo com isso a felicidade e a glória divinas ser alcançadas ainda neste mundo. A ideia dos jesuítas era, portanto, a de fazer do Brasil um modelo para a humanidade, uma espécie de paraíso sobre a Terra. Poderíamos perguntar hoje: não teriam de certa forma os jesuítas, mesmo derrotados, logrado alcançar esse projeto?


Aliás, Aldo Rebelo sempre ressalta isso: Manuel da Nóbrega e Anchieta fizeram São Paulo não em torno de um quartel, mas de uma escola, o Páteo do Colégio é o marco de São Paulo…


Isso. A Educação em nosso país – em seus primórdios e mesmo ainda hoje – foi profundamente influenciada pelo salvacionismo jesuítico, fato que deitou marcas na personalidade do Homem brasileiro. Não por acaso, um dos traços marcantes de nossa personalidade coletiva é uma índole marcadamente religiosa. Esse temperamento tende a oscilar entre a mais completa fantasia mística e arroubos de lucidez, na maioria das vezes coexistentes dentro de uma mesma situação, configurando o fenômeno universalmente conhecido como “realismo fantástico”. Chico Buarque nos fala em “cidadãos inteiramente loucos, com carradas de razão”. Essa “loucura” anda frequentemente de mãos dadas com a genialidade, com o “talento inesgotável” de nosso povo, algo muito perceptível nas manifestações culturais do engenho humano, em particular nas artes e no esporte.
Além disso, é inegável que o povo brasileiro possui temperamento marcadamente lúdico. Esse caráter lúdico traduz-se em uma imensa afeição por jogos, brincadeiras e enigmas, os quais parecem permear mesmo os momentos mais sóbrios de nossa existência. Tudo para nós é motivo de riso e irreverência, elementos que sempre caracterizaram as mais ricas culturas populares. Somos um povo marcado por uma grande alegria de viver.
Outra de nossas características é a solidariedade. Há alguns anos foi realizada uma pesquisa para verificar qual a cidade mais solidária do mundo. E sabe quem ganhou? O Rio de Janeiro. Extraordinário, não? Nosso povo parece ter sido feito para a igualdade e a fraternidade – para o socialismo! Ora, não seria isso, afinal, a realização do projeto salvacionista dos jesuítas?


O mundo está atento ao Brasil?


Walter, escrevo essas linhas no momento em que o Rio de Janeiro acaba de ser escolhido como cidade-sede das Olimpíadas de 2016. Por si só esse fato já responde sua pergunta. De modo que eu desde já proponho outra: por que o mundo está atento ao Brasil?
Nos últimos tempos nosso país tem sido destaque na imprensa mundial. E a tônica é uma imensa simpatia por nossa nação. Em todas as partes o Brasil é adorado como sinônimo de alegria, de simplicidade, de humildade, de beleza, de felicidade. E isso se tornou ainda mais forte com a crise econômica mundial, que colocou na defensiva os países ricos, fazendo decrescer o prestígio dessas nações. Não é por acaso que o momento é tão bom para nosso país. Em plena crise trabalhamos, “fizemos o dever de casa” de forma simples e honesta e nos tornamos um exemplo para o mundo. Você tem alguma dúvida de que isso pesou na vitória do Rio nesta acirrada disputa para sediar os Jogos de 2016?
Neste momento olho o noticiário e uma notícia “salta” da tela do computador: “Diante do COI, discurso de Lula supera o de Obama”. Na matéria lê-se que “Obama, considerado um orador eloquente, fez um discurso frio, excessivamente sóbrio”, enquanto que Lula teria sabido tocar a alma de cada jurado com sua fala. Isso ocorre porque não era Obama quem falava, mas os Estados Unidos, nação atualmente em situação de defensiva, enredada em uma miríade de problemas internos que parecem não ter fim. Da mesma forma, não era Lula quem falava, mas o Brasil, país que vive um grande momento e passou a representar uma esperança para a humanidade, um caminho a ser seguido, uma “salvação” (sinto-me novamente tentado a lembrar dos jesuítas).


Politicamente, o trabalho realizado durante o governo Lula, particularmente na cultura, precisa de que desenvolvimentos? O que foi constituído está consolidado, é irreversível? O que você acha mais marcante, por exemplo, os pontos de cultura? O que vem se constituindo em termos de plataforma?


Sob o Governo Lula, o Estado brasileiro vem retomando seu papel indutor e regulador da produção e difusão cultural, promovendo políticas de fomento, financiamento e circulação dos bens culturais. Vem se perseguindo, desde a gestão do ministro Gilberto Gil, o objetivo de fazer da cultura, de fato, um direito básico do cidadão. Ações como a instituição do “vale-cultura” contribuem sobremaneira para incluir os bens simbólicos na “cesta básica” dos brasileiros. A recente proposta de reforma da Lei Rouanet busca a democratização do financiamento, o combate às desigualdades regionais e às distorções setoriais e, no melhor espírito republicano, a ampliação das contrapartidas sociais das empresas interessadas em investir em cultura.
O atual governo também tem perseguido a abertura democrática dos espaços e equipamentos públicos aos nossos artistas populares e ao grande público; a formação de conselhos de cultura nos estados e municípios; a ampliação do Programa Cultura Viva (Pontos de Cultura); a defesa da convenção da UNESCO sobre a proteção e promoção da diversidade das expressões culturais, adotada por essa instituição em outubro de 2005 e ratificada pelo Brasil por meio do decreto legislativo 485/2003; a ampliação do orçamento do MinC e do Fundo Nacional de Cultura; a ampliação das linhas de crédito de instituições financeiras como Caixa Econômica, Banco do Brasil e BNDES; a conjugação das políticas de cultura com as políticas educacionais e de comunicação; a instituição de políticas de educação para arte e qualificação dos artistas.
A aprovação do Plano Nacional de Cultura e a estruturação do Sistema Nacional de Política Cultural são iniciativas que podem contribuir para a consolidação desse projeto como política de Estado, tornando-o menos vulnerável a uma eventual má-vontade ou falta de visão dos governantes de plantão. No entanto, como em outras áreas, a mobilização do povo será fundamental para que mudanças significativas ocorram. E para isso devemos ser capazes de fomentar um amplo movimento em defesa da cultura brasileira – que estimule a democratização dos bens culturais, repense o papel do Estado na área e combata a imposição cultural estrangeira. Essa é uma iniciativa de fundamental importância para a soberania e o desenvolvimento de nosso país.


A juventude brasileira está ativa e atenta a todas essas possibilidades que se abrem?


Sim, e prova disso é que, segundo pesquisa do Projeto Juventude (2003), 91% dos jovens de nosso país têm orgulho de ser brasileiros. Muitos desses jovens têm desejo de participar. Isso fica claro quando observamos iniciativas como a do Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA) da UNE, projeto que conta com a liderança e o protagonismo de jovens democratas, socialistas e comunistas. Trata-se de um projeto ousado, forjado para enfrentar os desafios da disputa de ideias nas universidades e na sociedade, aglutinando artistas, estudantes, produtores e demais pessoas interessadas no debate sobre a cultura. Às vésperas de completar 10 anos de vida, é possível verificar o crescimento e o potencial do projeto. O CUCA vem abrindo canais e espaços de criação, circulação e distribuição da produção que hoje não encontra espaço na indústria cultural. Chegou a conquistar dez pontos de cultura, que viraram centros culturais espalhados pelo país. Há condições de transformar esse empreendimento em polo aglutinador de vários segmentos da área cultural, fomentando um amplo movimento nacional pela cultura brasileira, que impulsione bandeiras como a regionalização da produção televisiva, a destinação de determinado percentual do PIB para a cultura, a transformação do Programa Cultura Viva (Pontos de Cultura) em política de Estado por meio de instrumento legal, a defesa do artista nacional e da cultura popular brasileira etc.


Excelente, Fábio. Aprendi muito com esta conversa. Obrigado, volte sempre. O blog está aberto à contribuição


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

FLÁVIO DINO É O NOVO PRESIDENTE DO PCdoB.


Como parte estadual do 12º Congresso Nacional do PCdoB, a 11ª Conferência do Maranhão foi um sucesso de público e crítica. Cerca de 500 delegados representando mais de cem diretórios municipais estiveram sábado e domingo, 3 e 4 de outubro, na Assembléia Legislativa, debatendo o Novo Programa Socialista, elegendo os delegado ao Congresso Nacional e escolhendo a nova direção estadual do Partido. A plenária estadual é precedida das municipais que, por sua vez, é precedida das reuniões dos organismos de base. Nesse processo mais de 5.500 filiados participaram, discutiram e elegeram seus representantes à 11ª Conferência Estadual. Os números falam por si e demonstram a enorme mobilização do contigente partidário para as batalhas vindouras.


Mas queria destacar aqui o processo da eleição da nova direção estadual, notadamente do novo presidente do Partido: Flávio Dino.


Ao contrário de outras legendas, o PCdoB prima pelo debate franco e democrático sobre os nomes que deverão compor suas direções. Esse debate é lastreado por critérios políticos que irão determinar as ações do partido durante o mandato da nova direção. Isso quer dizer que a nova direção sempre é escolhida dentro das determinações das tarefas políticas que deverão cumprir ao longo do mandato. Elege-se direções para comandar tarefas e enfrentar desafios e não para simplesmente "mandar" no Partido. Ademais, a Direção do PCdoB é colegiada, garantindo isonomia entre todos os membros da direção. Promovendo um debate qualificado e politizado, o Partido sai mais unido e convicto do seu processo eleitoral e não, como costuma ocorrer, dividido entre vencedores e vencidos. Não se trata de ser melhor ou pior que os outros partidos, apenas que o PCdoB sai mais unido, fortalecido e convicto dos seus processos eleitorais. A eleição das direções é, portanto, mobilizadora do partido!


Pois bem. A escolha de Flávio Dino para presidente do Diretório Estadual, em substituição a Gerson Pinheiro, foi a prova definitiva do que disse acima. Gerson Pinheiro, operário ferroviário, maranhense, negro, dirigiu nosso partido por mais de dez anos. Militante aguerrido, foi alçado à presidência do Partido vindo do movimento sindical. Corajoso, aceitou o desafio da direção, amparado pelo coletivo dirigente. Ciente das suas responsabilidades, Gerson estudou, se formou em Geografia pela UFMA, aprimorou seus conhecimentos sobre a realidade do Estado e formulou as diretivas que trouxeram o partido até essa 11ª Conferência. Como um verdadeiro militante - desses que são raros hoje em dia - passou a presidência do Partido à Flávio Dino reconhecendo o novo momento do Partido, que ele mesmo ajudou a construir, e, emocionado, se colocou à disposição "para continuar trabalhando pelo Partido!!". Gerson Pinheiro é agora o Secretário de Organização.


Já o Presidente eleito Flávio Dino passou a ser o herdeiro das profundas tradições do movimento comunista em nosso estado, movimento esse recheado de heróis anônimos, militantes aguerridos e mártires das lutas do povo. Flávio alia a essas tradições gloriosas do passado o tempero das lutas presentes e a esperança no futuro. A eleição de Flávio Dino como Presidente Estadual do Partido, às novas filiações, a permanência dos nossos experientes dirigentes e a definição de apresentar candidatura à sucessão estadual, integrando uma frente com setores progressistas, democráticos e de esquerda, foram os pontos mais altos dessa fantástica 11ª Conferência.


Encerro esse relato pessoal com a alegria e a certeza de mais uma tarefa cumprida. Como é da nossa tradição, o pensamento dos clássicos devem sempre ser revisitados, para que lancem luz às nossas práticas cotidianas. Então um pouco de reflexão marxista-leninista para orientar nossas ações:
"Para conduzir o povo à vitória, um partido deve se apoiar na justeza da sua linha política e na solidez da sua organização"

Mao Tsé-Tung (Sobre a prática e sobre a contradição).


"Podemos e devemos empreender a construção do socialismo não com um material humano fantástico, ideal, mas sim, com material humano real, com as pessoas que vivem e atuam ao nosso lado (...) Temer o crescimento do partido com medo de um 'espírito reacionário', é uma grande tolice, pois equivale a temer o papel de vanguarda do proletariado, que consiste exatamente em instruir, ilustrar, educar, atrair para uma vida nova amplas camadas políticas e sociais. Aí reside a força de um partido revolucionário".

Lênin (Esquerdismo, doença infantil do comunismo).

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

"LIÇÃO DE NACIONALISMO E POLÍTICA"



Reproduzo texto de Luiz Carlos Bresser-Pereira sobre a política nacionalista contemporânea. Acredito que ele foi muito feliz ao identificar nuances do nacionalismo e a sua expressão na política do governo Lula. Acredito que essa é a pauta para 2010. Se pautarmos a questão nacional na sucessão, então os neoliberais estão perdidos, pois não tem um projeto de nação independente. É preciso que o povo também saiba disso.


Espero que os ventos progressistas da política nacional também soprem para a esquerda maranhense.



O PRESIDENTE Lula, em entrevista ao “Valor Econômico”, deu uma lição de nacionalismo e do que significa a política em uma sociedade democrática. Em relação ao primeiro ponto, Lula declarou-se nacionalista, cobrou dos empresários que também o sejam, e disse que há tempos vem demandando que a Vale construa usinas siderúrgicas no Brasil em vez de exportar apenas minério de ferro. Suas palavras: “Tenho cobrado sistematicamente da Vale a construção de usinas siderúrgicas no país. Todo mundo sabe o que a Vale representa para o Brasil. É uma empresa excepcional, mas não pode se dar ao luxo de exportar apenas minério de ferro (…). Os empresários têm tanta obrigação de ser brasileiros e nacionalistas quanto eu!”. Acrescentaria, e com mais ênfase, que os economistas também deveriam ser tão patrióticos ou nacionalistas quanto reclama o presidente.


A política de não exportar bens primários, mas bens manufaturados com mais elevado valor adicionado per capita, é mais antiga do que a Sé de Braga. Os grandes reis mercantilistas ingleses, no final do século 15 (sic), já adotavam a política industrial de proibir a exportação de lã para que fosse exportado apenas o tecido fabricado com a lã. Os chineses, recentemente, impuseram imposto à exportação de aço porque querem exportar os bens acabados produzidos com o aço. Dessa forma, além de criarem empregos, criam empregos com maior conteúdo tecnológico, que pagam maiores salários, e assim seu desenvolvimento econômico se acelera. Enquanto isso, nossos economistas nos dizem que o problema deve ser deixado por conta do mercado. Dessa forma, mesmo quando exportamos aço, exportamos principalmente o aço bruto, e estamos concordando em exportar soja em grãos para os chineses que não querem comprar o óleo de soja!


E a lição de política? Em primeiro lugar, Lula revelou, em vários momentos, respeito por FHC, Marina Silva e José Serra. Segundo, defendeu de forma oportuna o Congresso: “O Congresso é a única instituição julgada coletivamente. Mas se não houve sessão você fala: “Deputado vagabundo que não trabalha”. E nunca cita os que estiveram lá, de plantão, o tempo inteiro. Quando era constituinte, eu ficava doido porque ficava trabalhando até as duas, três horas da manhã (…). Se vocês não gostam de política, acham que todo político é ladrão, que não presta, não renunciem à política. Entrem vocês na política porque, quem sabe, o perfeito que vocês querem está dentro de vocês”.


O presidente tem razão. A política é muito importante, afeta nossas vidas, e deve ser prestigiada e ser adotada como profissão pelos melhores dentre nós. O Brasil precisa dramaticamente de bons políticos, e, felizmente, conta com um bom número deles. De homens e de mulheres dotados de espírito público, de compromisso com a nação, que, sem deixar de defender seus interesses legítimos, defendam também os do Brasil. Mas quando lemos os jornais, quando conversamos com os amigos, parece que ninguém presta. Definitivamente, não é verdade. É verdade que nosso país não conta com um Estado e com uma política como aqueles que existem nos países escandinavos, mas é também verdade que, considerado o grau de desenvolvimento econômico e cultural do Brasil, temos um nível de organização do Estado, de qualidade das instituições, e de compromisso de muitos políticos com a cidadania e o bem público que considero acima da média. Precisamos, sem dúvida, da crítica, mas não à custa de desmoralizarmos o que já conquistamos.


LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA , 75, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de “Macroeconomia da Estagnação: Crítica da Ortodoxia Convencional no Brasil pós-1994″. Internet: www.bresserpereira.org.br

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

"CASTELO FEZ. CASTELO FAZ": AGRESSÃO COVARDE À ESTUDANTES !!!

Castelo confirma mais uma vez o quanto é covarde em suas ações antidemocráticas. Para "comemorar" o aniversário da Luta pela Meia-Passagem, mandou 'baixar o cacete' nos estudantes que panfleteavam no terminal da integração.

Incapaz de solucionar os grandes problemas da cidade e desesperado pela iminente cassação por compra de votos, Castelo agora apela para o que sabe fazer de melhor: lembrar os velhos tempos da ditadura e da repressão, onde prendia e arrebentava com aval de militares golpistas.

Isso só mostra o despreparo dessa gestão e sua incompetência atávica. Mas os estudentes ainda vão dar o troco. Castelo pode esperar.

Abaixo nota da direção municipal do PCdoB.


A direção do Partido Comunista do Brasil/São Luís manifesta seu veemente repúdio à atitude truculenta da Prefeitura Municipal, através do gerente do Terminal de Integração da Praia Grande, que requereu força policial para reprimir uma democrática manifestação de estudantes pelo transcurso do 30º aniversário da histórica conquista da meia passagem.


A covarde agressão aos estudantes ocorreu exatamente quando eles distribuíam panfletos lembrando a luta travada em 1979 contra a repressão comandada pelo então governador João Castelo, hoje prefeito de São Luís. Novamente a repressão e a agressão aos estudantes.O PCdoB manifesta total solidariedade aos estudantes Paulo Tote, Henrique Carneiro e Anderson Feitosa, ao tempo em que condena a atitude da administração municipal de querer transformar a Guarda Municipal, de elevada importância para a nossa cidade, em aparato repressivo, o que com certeza contraria frontalmente a missão da Guarda e dos seus valorosos integrantes.


São Luís, em 17 de setembro de 2009


Márcio Jerry Saraiva Barroso


Presidente do Comitê Municipal do PCdoB/São Luís

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Independência nacional.



Definitivamente não há comparação entre o governo nacionalista e de esquerda do Lula com os do PSDB de FHC. Os governos do PSDB foram entreguistas, antinacionais e antipovo. Já o governo do Lula tem um projeto de desenvolvimento calcado em bases nacionais, além de cuidar do social, do desenvolvimento humano e da soberania da nação.

Fruto dessa visão, Lula anunciou uma estratégica parceria militar com a França. Parceria essa que envolve compras de helicópteros, aviões e submarinos, inclusive a 'estrutura' de um submarino nuclear. Mas não é só isso. Além das compras há a transferência de tecnologia. Isto quer dizer que partes dos equipamentos serão feitos no Brasil, por empresas nacionais e que depois aplicarão a tecnologia na indústria nacional. Caso mais claro desse processo vitorioso é a Embraer, hoje uma das maiores do mundo em sua categoria de aviões regionais.

A compra de um montante de armas, com tranferência de tecnologia, é acima de tudo uma questão geoppolítica. Com a descoberta do pré-sal o Brasil precisa melhorar seus meios de defesa. Além disso - talvez seja o mais importante - os EUA perderam a carteira de negócios de armas do Brasil para a França. Ou seja, os EUA, que também queriam vender aviões ao Brasil, perderam justamente quando resolveram instalar suas bases na Colômbia. É óbvio que o Brasil não vai comprar armas de um país imperialista que ameaça suas franteiras. O Brasil cortou o cordão umbilical no setor de armas com os EUA. Nos tornamos mais independentes.
Está cada vez mais claro para todos que a questão da defesa da soberania e do desenvolvimento nacional é uma bandeira das forças progressistas, democráticas e da esquerda. Isso mesmo: da esquerda!!! A elite brasileira perdeu sua nacionalidade quando escancarou, vendeu e destruiu a nação com o entreguismo do período neoliberal que agora se esvai nas brumas da crise internacional...

Para quem ainda está com a cabeça nos anos 70 do século passado, onde esquerda e forças armadas estavam em lados opostos, agora terá uma bela surpresa da história: É A ESQUERDA QUE TEM A BANDEIRA DA DEFESA E DO DESENVOLVIMENTO DA NAÇÃO! Hoje os traidores da pátria estão querendo privatizar o pré-sal, são contra o Fundo Soberano, contra o contrato estratégico com a França. Quem são eles? Os tucanos do PSDB e seus satélites do DEM e do PPS.

Como disse o Lula em seu discurso histórico: "a independência não é só um quadro pendurado na parede". Finalmente temos o Brasil para os brasileiros !

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

PRÉ-SAL: agora vamos ver quem defende o Brasil ou os oligopólios imperialistas!


O debate sobre as regras de exploração das reservas petrolíferas do pré-sal serão uma boa oportunidade para desmascarar os inimigos da nação, os servos do imperialismo, seus satélites e aliados fâmulos. Pela primeira vez arrastamos os "cabeças de planilha" do PSDB para um debate sobre o Brasil e o seu futuro. Vai ser no processo de tramitação na Câmara e no Senado que aparecerão a tecnocracia tucana - seus aliados de direita e da "esquerda" - querendo de alguma forma alienar a riqueza nacional em proveito dos oligopólios transnacionais. A 'cara de pau' desses traidores será exposta para todos verem, pois a grande mídia vai ecoar suas palavras ásperas e raivosas contra a soberania nacional.

De fato o pré-sal vai trazer alguns prejuízos. Não para a nação ou para o povo, mas justamente para os setores neoliberais, financistas e as mentes colonizadas pelo imperialismo. O PSDB, O DEM e o PPS jé são, a rigor, os maiores derrotados, pois sempre foram favoráveis a privatização da Petrobrás. Os 'exterminadores do futuro' sempre quiseram vander o Brasil por trinta dinheiros. O senador Álvaro Dias, tucano do Paraná, livre de todos os escrúpulos, admitiu "estar atrás de uma empresa americana do setor petrolífero para juntar munição contra a Petrobras". E ainda há aqueles setores que se dizem 'esquerda', mas que a qualquer movimento da direita são os primeiros a levantar bandeiras contra a nação e o povo - como é o caso do PSOL.

Preparemo-nos ! A partir de agora - em que pese a diferença de pensamento entre diversos setores progressistas, nacionalistas e de esquerda - a política vai se dividir, nos próximos noventa dias, entre dois partidos: os que defendem o Brasil para os brasileiros e os traídores da pátria, quem defende o Brasil para as potências estrangeiras pilharem e saquearem.

Façam sua escolha. Eu já tenho a minha!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

"Surfista calhorda, você não surfa nada!"



A grande mídia fâmula do imperialismo quer jogar para o governo Lula a pecha de "governo de direita" dado às suas alianças com o PMDB, reforçadas pela crise do senado. Já o PSDB é apresentado como o 'centro' do espectro político nacional, como o representante da social-democracia européia no Brasil. Figurões do PSDB aparecem criticando a 'direitização do PT'. O pior é que muitos incautos da esquerda acabam por se deixar levar por essas 'ondas' que a direita sabe muito bem orquestrar.

Como bem dizia uma antiga banda de rock dos anos 80 - Os Replicantes: "surfista calhorda! você não surfa nada!". Para os "surfistas calhordas" que se afogam em marolas midiáticas, que não aguentam o mar bravio, vou lembrar os feitos do 'Partido da Social Democracia Brasileira' durante seus dez anos de poder (dois como super ministro da fazenda e oito como presidente), para ver quem é centro e quem é direita nesse país.

Uma das premissas falaciosas utilizadas pela grande mídia é querer criar uma oposição entre ser social-democrata e de direita. A verdade é que a nível internacional a social-democracia, após a queda da URSS, abandonou o keynesianismo e em alguns casos a própria defesa do estado de bem estar social, adotando sem reservas as novas teses, reformas e políticas neoliberais. Com isso, deslocou-se do centro político (que ocupava durante a guerra fria) para ser a renovação da ortodoxia econômica do capitalismo, efetivando suas políticas nos mercados financeiros liberalizados. Temos vários casos paradigmáticos desta virada neoliberal da social-democracia, como os casos de Felipe González do Partido Socialista da Espanha; o de Gerhard Schröder do histórico SPD alemão e de Tony Blair do Partido Trabalhista inglês.

Já no Brasil, o PSDB foi quem capitaneou a modernização conservadora da política e da economia. Ao assumir a presidência da república, o PSDB de Fernando Henrique Cardoso em aliança com o PFL (atual DEM) de Antônio Carlos Magalhães, Jorge Bornhausen, Marco Maciel e outros ícones da ditadura militar, conduziu o país pelas diretrizes políticas e econômicas do ‘Consenso de Washington’, tendo como metas fundamentais de seu governo as reformas neoliberais de abertura comercial, privatizações, desregulamentação e liberalização financeira. Tal receituário iniciou o maior ataque à nação brasileira desde as tentativas das cortes portuguesas de retornar o Brasil à condição de colônia.

O resultado dessa política desastrosa e antinacional nós já conhecemos. O país ancorou seu processo de desenvolvimento no déficit em conta corrente, aumentando o nosso endividamento externo financeiro e patrimonial, provocando um vertiginoso endividamento público, passando de 30% do PIB em 1992 para 56,5% em 2002. Segundo dados do IPEA, só durante a vigência do cambio fixo, paridade Real-Dólar, a dívida externa bruta saltou de US$ 148 bilhões em 1994 para US$ 241 bilhões em 1998.

A desnacionalização do parque industrial e de serviços através da transferência de propriedade de empresas nacionais, públicas e privadas, para o capital estrangeiro (leia-se desregulamentação e privatização), provocou a maior onda de desemprego da história recente brasileira. Segundo o IBGE, em fins de 1994 o desemprego vitimava 4,5 milhões de trabalhadores, ou 6,1% da força de trabalho no país. Ao término do primeiro mandato de FHC em 1998 o desemprego avançara para 7 milhões de brasileiros ou, 9,2% da PEA: leia-se, em seu primeiro mandato o PSDB foi responsável por mais 2,5 milhões de desempregados. Ao final do seu segundo mandato, com o país esfacelado o desemprego emerge para 15% da PEA. Todos nos lembramos da degradação social, do arrocho nos salários e do aumento das desigualdades. Por fim, o PSDB saiu e ainda 'apagou as luzes', literalmente, deixando para o futuro governo um 'apagão' - crise energética- que terminou de quebrar a economia nacional.

Portanto, o PSDB e seus líderes são o que há de mais direitista na política nacional e não há nada que eles possam fazer a respeito, a não ser mudar de partido! Já para os surfistas da esquerda, recomendamos que não morram na praia, levantem a cabeça e olhem por cima das ondas, procurem ver o mar... E quando aparecer uma onda midiática-direitista, apenas surfem, deslizem sobre elas e voltem de novo aos seus postos para pegar outra e mais outra e quantas vierem. Caso contrário, vão morrer afogados nas marolas da direita!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Flávio Dino e as alianças para 2010.


O fortalecimento da pré-candidatura de Flávio Dino para governador em 2010 tem provocado alvoroço, temor, preocupação, satisfação, alegria e muito debate sobre o caminho por trás do vertiginoso crescimento do comunista. Várias opiniões foram formuladas mostrando a dimensão do acontecimento no mundo da sucessão estadual. Duas correntes de opinião, porém, devem ser aqui tratadas: as dos setores oligárquicos (sarneístas e anti-sarneístas) e dos setores esquerdistas carentes da perspectiva da luta pelo poder político.

Os setores oligárquicos buscam reativar a 'lógica do terceiro excluído', isto é, a tentativa de afastar como ilegítima qualquer outra possibilidade política de mudança exógena (de fora das oligarquias), tentando excluir, assim, novos e importantes setores sociais e populares da luta pelo poder do Estado. A luta entre oligarquias da 'situação' e da 'oposição' é, portanto, o que desejam esses setores para 2010. Uma eleição puramente formal, mecânica, provinciana, sem conteúdo de classe. Por isso uma ou outra fração aristocrática acusa Flávio Dino de receber apoio "desta" ou "daquela" oligarquia, tentando destruir na fonte uma terceira possibilidade. Já alguns setores da esquerda acreditam que a pré candidatura de Flávio Dino, que cresce em apoios e adesões, pode perder o rumo, pois ao aliar-se a setores 'burgueses' tradicionais, estaria perdendo a pureza e esquecendo sua história de lutas etc. Temem uma contaminação do vírus oligárquico, por isso exigem 'pureza política' na confecção das alianças.

Ora, no meu humilde entendimento, são duas opiniões com um único objetivo: golpear no nascedouro a candidatura de Flávio Dino, tentando deslegitimá-la enquanto porta-voz das esperanças do povo maranhense. A busca de compromissos, apoios, de ampliação da frente de esquerda que sustenta a pré-candidatura da Flávio Dino ao governo do estado é um movimento tático coerente e imprescindível com o objetivo estratégico de angariar forças políticas suficientes para ganhar as eleições e mudar os rumos do Maranhão. A política de alianças deve ser elaborada levando-se em conta, serenamente, com estrita objetividade, todas as forças que compõe em determinado contexto histórico a disputa em questão.

As tradicionais oligarquias maranhenses não conseguiram renovar seu repertório político. Pelo contrário, apresentam nomes surrados que já estiveram no comando do estado e nada fizeram de significativo para diferenciar suas práticas baseadas na corrupção, no clientelismo e no patrimonialismo. A pretensa luta entre sarneístas e anti-sarneístas é apenas uma negação formal, clássica, entre ambos. Esses setores da política maranhense não se diferenciam, pelo contrário, se igualam, uma vez que basta estar do outro lado da mesa para ser verdadeiro, sem, no entanto, ter diferença do conteúdo falso que se quer negar. Basta ver os últimos governos da situação e da oposição oligárquicas para entender a formalidade da negação entre eles. Esses setores querem desqualificar o debate sucessório rotulando de 'coptação' a busca de apoios a pré-candidatura de Flávio Dino. Porém, o que realmente querem é que a candidatura de Flávio Dino permaneça 'isolada', sem condições de representar uma ampla frente, com núcleo na esquerda e nos movimentos sociais, contra os projetos do continuísmo introligáquico. Já alguns setores esquerdistas querem que o Flávio Dino represente a esquerda 'pura', mas tão 'pura', que suas alianças e o seu programa seria apenas a expressão do desejo subjetivo de meia dúzia de iluminados. Seria pior que a derrota na batalha, seria a rendição antes da luta. Seria o próprio isolamento.

Se de fato queremos mudar o Maranhão, primeiramente precisamos vencer as poderosas forças que comandam o continuísmo oligárquico. Para isso é necessário mostrar capacidade para construir uma nova maioria política. O desafio é aglutinar essa nova maioria, com o centro nos partidos de esquerda, para ganhar as eleições e ter força para governar e efetivar as transformações necessárias ao desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida da sofrida populção maranhense. É isso que a maioria da população quer: mudança, desenvolvimento e qualidade de vida. É isso que a candidatura de Flávio Dino representa.

O momento histórico é propício para romper com o ciclo das lutas intraoligárquicas e concretizar um projeto alternativo para o Maranhão. Os desgastes das contendas oligarquicas não só educaram o povo no sentido da verdadeira mudança, como também criou fissuras entre os grupos que sustentavam essas carcomidas elites. Há grupos que se deslocaram da periferia oligárquica e procuram adequar-se aos novos ventos da esquerda que sopram desde Brasília. A falência do modelo patrimonialista e clientelista no tratamento das questões do estado, implodiu o vasto campo das forças que sustentavam as oligarquias em contenda. A falta de um projeto de desenvolvimento, a corrupção, a miséria e a pobreza de amplos setores da sociedade, levam os trabalhadores, os setores médios do empresariado e os movimentos sociais e religiosos ao apoio a um projeto alternativo de poder. Tais relações são objetivas e conduzem a uma perspectiva de crescimento ainda maior da pré-candidatura de Flávio Dino ao governo do estado.

Lideranças políticas do campo democrático ou mesmo segmentos que foram vínculados a esse ou aquele governo oligárquico, por motivações variadas, aproximam-se da esquerda. Tais apoios e alianças não implicam em renunciar ao programa progressista e de mudanças. O programa é um compromisso histórico dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais com o povo maranhense. Ocupa o centro de gravidade o desenvolvimento com valorização do trabalho, a ampliação dos direitos básicos do povo como educação, saúde, moradia, água, esgoto, energia, segurança etc. A democracia, a transparência e o combate à corrupção. Por isso a candidatura do Flávio Dino é a mais consistente, por sua trajetória e por seus compromissos. É a única que está à altura de mudar os rumos do Maranhão, virando a página das épocas oligárquicas em nosso estado.

É nesse contexto que está o apoio de amplos setores políticos e sociais a uma frente alternativa, democrática e de esquerda, captaneada por Flávio Dino, ao governo do estado. Ao contrário do que acham os setores oligárquicos e esquerdistas, o movimento de apoio e adesão deve ser estimulado. Mais apoios devem vir para garantir que o programa mudancista vai estar no segundo turno das eleições estaduais.

Quanto as opiniões puristas, da direita ou da esquerda, não passam de elocubrações ingênuas ou mal intencionadas, mas em ambos os casos procuram golpear a única alternativa viável de angariar forças políticas e sociais para executar um projeto de poder democrático e de esquerda para salvar nosso estado. Esta é a razão dos fatos. O resto é conversa de quem quer mudar tudo sem mudar nada.